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Equinococose

(Doença hidatídica)

Por

Richard D. Pearson

, MD, University of Virginia School of Medicine

Última modificação do conteúdo jul 2018
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Equinococose é uma infecção provocada por larvas da têniaEchinococcus granulosus ou E. multilocularis (doença hidatídica alveolar). Os sintomas dependem dos órgãos envolvidos — p. ex., icterícia e desconforto abdominal com cistos hepáticos ou tosse, dor no peito e hemoptise com cistos nos pulmões. A ruptura de cistos pode causar febre, urticária e reações anafiláticas intensas. O diagnóstico é feito com exames de imagem, avaliação do líquido contido no cisto, ou testes sorológicos. O tratamento é realizado com albendazol e/ou cirurgia ou aspiração do cisto e instilação de um agente escolicida.

E. granulosus é comum em áreas de criação de ovelhas do Mediterrâneo, do Oriente Médio, da Austrália, da Nova Zelândia, da África do Sul e da América do Sul. Os caninos são os hospedeiros definitivos e os herbívoros (p. ex., ovelhas, cavalos, cervos) ou os seres humanos são hospedeiros intermediários. Também existem focos em regiões do Canadá, do Alasca e da Califórnia.

Os vermes E. multilocularis adultos estão presente em raposas e os cistos hidáticos são encontrados em pequenos roedores selvagens. Cães e outros caninos infectados são a ligação principal da infecção humana ocasional. E. multilocularis ocorre principalmente na Europa Central, no Alasca, no Canadá e na Sibéria. Sua abrangência de infecção natural nos EUA estende-se do Wyoming e das Dakotas até o meio oeste superior.

Raramente, E. vogelii ou E. oliganthus causam hidatidose em humanos, primariamente hepática. A doença pode ser policística (E. vogelii) ou unicística (E. oliganthus). Essas espécies ocorrem nas Américas Central e do Sul.

Fisiopatologia

Ovos ingeridos de fezes de animais (que podem estar presentes na pele dos cães ou outros animais) eclodem no intestino e liberam oncosferas (formas imaturas do parasita fechado em um envelope embriônico). Oncosferas penetram na parede intestinal, migram via circulação e se alojam no fígado ou pulmões ou, menos frequentemente, no cérebro, ossos ou em outros órgãos. Nenhum verme adulto está presente no trato gastrointestinal dos seres humanos.

Nos tecidos, as oncosferas E. granulosus se transformam em cistos, que crescem lentamente (em geral, por muitos anos) em grandes lesões uniloculadas cheias de líquido — cistos hidáticos. Cápsulas prolígeras, contendo numerosos escólex, pequenos e infecciosos, formam-se dentro desses cistos. Cistos grandes podem conter > 1 L de líquido hidático altamente antigênico, assim como miríades de escólex. Cistos secundários podem se formar dentro ou fora de cistos primários. Se um cisto hepático escoa ou se rompe, a infecção pode se disseminar para o peritônio.

E. multilocularis produz massas esponjosas que são invasivas localmente e difíceis ou impossíveis de serem tratadas por cirurgia. São encontrados cistos principalmente no fígado, mas podem se metastatizar para os pulmões e outros tecidos. Os cistos não são grandes, mas invadem e destroem o tecido circundante e podem causar insuficiência hepática e morte.

Sinais e sintomas

Embora muitas infecções sejam adquiridas na infância, sinais clínicos podem não aparecer durante anos, exceto quando os cistos acometem órgãos vitais. Sinais e sintomas podem se assemelhar àqueles de tumor ocupando espaço.

Cistos no fígado produzem eventualmente dor abdominal ou uma massa palpável. Icterícia pode ocorrer se o ducto biliar estiver obstruído. A ruptura no ducto biliar, na cavidade abdominal ou peritoneal, ou no pulmão pode produzir febre, urticária, ou uma reação anafilática intensa.

Cistos pulmonares podem se romper, provocando tosse, dor no peito e hemoptise.

Diagnóstico

  • Exames de imagem

  • Exames sorológicos

  • Exame de líquido do cisto

Os cistos pulmonares são geralmente detectados em radiografia de tórax rotineira, como massas esféricas e irregulares.

Tomografia computadorizada e ultrassonografia podem ser patognomônicas se cistos secundários e areia hidática (escólex e debris) estiverem presentes, mas pode ser difícil diferenciar cistos hidáticos de cistos benignos simples, abscessos, ou tumores benignos ou malignos. A presença de areia hidática em líquido de cisto aspirado caracteriza o diagnóstico.

Testes sorológicos (ensaio imunoenzimático, ensaio imunofluorescente, hemaglutinação indireta) são variavelmente sensíveis, mas úteis se forem positivos, devendo ser solicitados. Eosinofilia pode estar presente em hemograma completo.

Tratamento

  • Remoção cirúrgica ou aspiração percutânea seguida de instilação de agente escolicida e reaspiração

  • Algumas vezes, albendazol

O tratamento da equinococose varia de acordo com o tipo, localização e tamanho do cisto e com as complicações.

A cirurgia, algumas vezes por laparoscopia, pode ser curativa. O albendazol é, muitas vezes, administrado antes da cirurgia para prevenir infecções metastáticas se houver drenagem do conteúdo do cisto durante o procedimento. Alguns centros realizam aspiração percutânea guiada por TC, seguida de instilação de agente escolicida (p. ex., soro hipertônico) e reaspiração (aspiração-injeção-reaspiração percutânea [PAIR, percutaneous aspiration-injection-reaspiration]).

Dicas e conselhos

  • Tomar cuidado para evitar o extravasamento do conteúdo do cisto durante a aspiração ou a cirurgia porque pode ocorrer infecção metastática.

Para E. granulosis, albendazol, 400 mg VO bid durante 1 a 6 meses (7,5 mg/kg bid, para crianças, até o máximo de 400 mg bid), é curativo em 30 a 40% dos pacientes.

O prognóstico para infecção por E. multilocularis é ruim, a menos que toda a massa larval possa ser removida. Cirurgia é indicada, se possível, dependendo do tamanho, do local e das manifestações da lesão.

Albendazol, nas doses supracitadas, pode suprimir o crescimento de lesões inoperáveis.

O transplante de fígado salva a vida de alguns pacientes.

Pontos-chave

  • A equinococose ocorre quando os ovos do parasita ingeridos eclodem, liberando oncosferas, que migram para o fígado ou os pulmões ou, menos frequentemente, para o cérebro, ossos ou outros órgãos e se transformam em cistos; não há vermes adultos presentes no trato gastrointestinal dos seres humanos.

  • Os cistos de E granulosus se transformam lentamente (em geral, ao longo de muitos anos) em cistos extensos (até 1 L), cheios de líquido (cistos hidáticos), os quais contêm inúmeros protoscólex infecciosos.

  • Fezes de cães infectados (e outros caninos) infectados são a principal fonte da infecção humana.

  • Cistos hepáticos causam dor e, às vezes, icterícia; cistos pulmonares podem causar dor, tosse e hemoptise.

  • E. multilocularis não produzem cistos extensos, mas invadem e destroem os tecidos circundantes e podem resultar em insuficiência hepática e morte.

  • O diagnóstico é feito por análise do líquido contido no cisto e testes sorológicos.

  • O tratamento varia com base no organismo, tamanho e localização do cisto e nas complicações; pode incluir cirurgia, aspiração do cisto e instilação de um agente escolicida e/ou tratamento prolongado com albendazol.

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