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Infecções por Legionella

(Doença dos legionários)

Por

Larry M. Bush

, MD, FACP, Charles E. Schmidt College of Medicine, Florida Atlantic University;


Maria T. Perez

, MD, Wellington Regional Medical Center, West Palm Beach

Última modificação do conteúdo abr 2018
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Legionella pneumophila frequentemente causa pneumonia, com aspectos extrapulmonares. O diagnóstico requer meio de crescimento específico, testes sorológicos, ou análise por PCR. O tratamento é com macrolídios, fluoroquinolonas ou doxiciclina.

Legionella pneumophila foi inicialmente reconhecido em 1976 depois de um surto em uma convenção da American Legion na Filadélfia, Pensilvânia—daí o nome doença dos legionários. Essa doença é a forma pneumônica de uma infecção normalmente causada pelo sorogrupo 1 de Legionella pneumophila. A infecção não pneumônica é chamada febre de Pontiac, que se manifesta como um doença febril do tipo viral.

Transmissão da Legionella spp.

Organismos Legionella costumam ser encontrados no solo e na água doce. Amebas presentes na água doce são um reservatório natural para essas bactérias. Organismos Legionella podem entrar no sistema hidráulico de um edifício por meio de fontes de água doce: o fornecimento de água de um edifício é muitas vezes a fonte de um surto de Legionella. Microrganismos de Legionella são incorporados em um biofilme que se forma no interior de caixas d’água e outros recipientes. A infecção normalmente é adquirida pela inalação de aerossóis (ou menos frequentemente, aspiração) da água contaminada (p. ex., como a gerada por chuveiros, banheiras de hidromassagem ou torres de resfriamento de água para ar condicionado). Infecção nosocomial geralmente envolve uma fonte de água quente contaminada.

Infecção por Legionella não é transmitida de uma pessoa para outra, embora um caso provável tenha sido notificado em 2016.

Doenças causadas por Legionella sp

Infecção por Legionella é mais frequente e mais grave em:

  • Idosos

  • Pacientes com diabetes ou DPOC

  • Tabagistas

  • Pacientes imunocomprometidos (tipicamente com menor imunidade celular)

Os pulmões são os locais mais comuns de infecção; pode ocorrer pneumonia adquirida na comunidade e hospitalar.

Legionelose extrapulmonar é rara; suas manifestações incluem sinusite, infecção de ferida no quadril, miocardite, pericardite e endocardite da prótese valvar, com frequência na ausência de pneumonia.

Sinais e sintomas

A doença dos legionários é uma síndrome semelhante à influenza, caracterizada por febre aguda, calafrios, mal-estar, mialgias, cefaleia ou confusão. Frequentemente, também ocorrem náuseas, diarreia com fezes aquosas, dor abdominal, tosse e artralgias. Manifestações pneumônicas podem incluir dispneia, dor pleurítica e hemoptise. Bradicardia relativa à febre pode ocorrer, especialmente nos casos graves.

A mortalidade geral é baixa (cerca de 5%), mas pode chegar a 40% em pacientes com infecção hospitalar, idosos e pacientes imunocomprometidos.

Diagnóstico

  • Coloração de anticorpos por fluorescência direta

  • Cultura de escarro utilizando meios de crescimento específicos

  • Exame rápido de antígeno urinário (somente para sorogrupo 1)

Coloração de anticorpos por fluorescência direta de escarro ou do lavado broncoalveolar algumas vezes é usada, mas requer expertise. Além disso, PCR com sonda de DNA está disponível e pode ajudar a identificar as vias de transmissão. Um teste de antígeno urinário é 60 a 95% sensível e > 99% específico 3 dias após o início dos sintomas, mas detecta somente L. pneumophila (sorogrupo 1), que é responsável por 80% dos casos, e Legionella não pneumophila. Testes de anticorpos pareados agudos e convalescentes podem acarretar um diagnóstico atrasado. Um aumento de 4 vezes ou um título agudo de 1:128 é considerado diagnóstico.

O diagnóstico da doença do legionário é feito por cultura de escarro ou lavagem broncoalveolar de secreções; hemoculturas não são confiáveis. São necessários meios de crescimento específicos. O crescimento lento em meio de laboratório pode atrasar a identificação por 3 a 5 dias.

Devem ser feitas radiografias de tórax, que geralmente mostram infiltrados desiguais e assimetria progressiva rápida (mesmo com a utilização de uma antibioticoterapia eficaz), com ou sem pequenos derrames pleurais.

Alterações laboratoriais frequentes são hiponatremia, hipofosfatemia e elevações nos níveis de aminotransferases e proteína C reativa.

Tratamento

  • Fluoroquinolonas

  • Macrolídios (preferencialmente azitromicina)

  • Às vezes, doxiciclina

Fluoroquinolona administrada IV ou VO durante 7 a 14 dias e, para pacientes gravemente imunocomprometidos, algumas vezes até 3 semanas é o esquema preferido. A azitromicina (por 5 a 10 dias) é eficaz, mas a eritromicina pode ser menos eficaz. A eritromicina só deve ser usada para pneumonia leve em pacientes que não estão imunocomprometidos. Doxiciclina é uma alternativa para pacientes imunocompetentes com pneumonia leve.

O acréscimo de rifampicina não é recomendado porque seus benefícios não foram comprovados e há potencial para provocar danos.

Pontos-chave

  • L. pneumophila geralmente causa infecção pulmonar; raramente causa infecções extrapulmonares (na maioria das vezes comprometendo o coração).

  • A infecção por L. pneumophila costuma ser adquirida pela inalação de aerossóis (ou menos frequentemente, por aspiração) da água contaminada; não é transmitida de pessoa para pessoa.

  • Diagnosticar utilizando coloração por imunofluorescência direta de anticorpos ou reação em cadeia de polimerase (PCR, polymerase chain reaction [reação em cadeia da polimerase]); as culturas de escarro são precisas, mas podem levar de 3 a 5 dias.

  • Tratar usando uma fluoroquinolona ou azitromicina; doxiciclina é uma alternativa.

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