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Moscas volantes

Por

Christopher J. Brady

, MD, Wilmer Eye Institute, Retina Division, Johns Hopkins University School of Medicine

Última modificação do conteúdo jul 2019
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Recursos do assunto

Moscas volantes são opacidades que se movem através do campo visual e não correspondem a objetos externos visuais.

Fisiopatologia

Com o envelhecimento, o humor vítreo pode contrair-se e separar-se da retina. A idade em que esta alteração ocorre varia, mas geralmente situa-se entre 50 e 75 anos. Durante esta separação, o vítreo pode intermitentemente tracionar a retina. A tração mecânica estimula a retina, a qual envia um sinal que é percebido pelo cérebro e interpretado como luz. A separação completa do vítreo leva a um aumento das moscas volantes, o que pode durar vários anos.

No entanto, a tração sobre a retina pode criar um buraco (rasgadura na retina), e se há o escape do líquido atrás do rasgo, a retina pode descolar. O descolamento de retina pode também ser causado por outros fatores (p. ex., trauma, principais distúrbios da retina). Relâmpagos como flashes, comuns em descolamento de retina, são chamados fotopsias. Fotopsias também podem ocorrer quando se esfrega os olhos ou quando se olha ao redor após o despertar.

Etiologia

A causa mais comum de moscas volantes é

  • Contração idiopática do humor vítreo

As causas menos comuns estão listadas na tabela Algumas causas de moscas volantes.

Causas raras de moscas volantes incluem tumores intraoculares (p. ex., linfoma) e vitreite (inflamação do vítreo). Corpos estranhos intraoculares podem causar moscas volantes, mas geralmente manifestam-se com outros sintomas, como perda de visão, dor nos olhos ou vermelhidão.

Tabela
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Algumas causas de moscas volantes

Causa

Achados sugestivos*

Abordagem diagnóstica

Doenças benignas

Moscas volantes idiopáticas

Moscas volantes leves e estáveis que vêm para o campo de visão de forma intermitente e se movem quando o olho se move

Muitas vezes com a forma de células ou filamentos

Translúcido

Podem ser mais visíveis sob certas condições de iluminação (p. ex., à luz do sol)

Visão normal

Podem ocorrer em ambos os olhos, embora não de forma síncrona

Exame ocular normal

Avaliação clínica

Graves distúrbios da retina e do vítreo

Uma súbita, espontânea e contínua chuveirada de raios como flashes (fotopsias)

Cortina de perda de visão em movimento através do campo visual, defeito no campo visual (geralmente periférico)

Exame da retina anormal (p. ex., retina descolada aparece como uma onda pálida)

Possíveis fatores de risco (p. ex., trauma recente, cirurgia ocular, miopia grave)

Oftalmoscopia indireta por um oftalmologista após dilatação pupilar

Ruptura da retina

Fotopsias repentinas e espontâneas

Podem ocorrer na periferia da retina e podem ser visíveis apenas por oftalmoscopia indireta

Oftalmoscopia indireta por um oftalmologista após dilatação pupilar

Descolamento do vítreo

Aumento súbito da quantidade de moscas volantes unilaterais em pacientes com uma média de 50 a 75 anos de idade

Moscas volantes são como teias de aranha

Uma mosca volante grande que se move para dentro e para fora da visão central

Fotopsias espontâneas

Oftalmoscopia indireta por um oftalmologista após dilatação pupilar

Hemorragia vítrea

História de retinopatia diabética proliferativa ou trauma

Perda de visão que pode afetar campo visual inteiro

Perda de reflexo vermelho

Oftalmoscopia indireta por um oftalmologista após dilatação pupilar

Inflamação vítrea (p. ex., citomegalovírus, Toxoplasma, ou coriorretinite fúngica)

Dor

Perda da acuidade visual

Perda de visão que afeta todo o campo visual

Lesões retinianas (às vezes semelhantes a algodão) que não se encontram em um território arterial ou venoso

Fatores de risco (p. ex., aids ou uso de drogas injetáveis)

Diminuição do reflexo vermelho

Pode ser bilateral

Avaliação e testes conforme orientação do oftalmologista, com base na causa suspeitada

Doenças não oculares

Enxaqueca ocular

Bilateral, síncrona, luzes piscando muitas vezes ziguezagueando no campo de periférico por 10–20 minutos

Possível embaçamento da visão central

Possível cefaleia após os sintomas visuais

Possível história de enxaqueca

Avaliação clínica

*Unilateral salvo indicação em contrário.

Avaliação

O objetivo mais importante é identificar distúrbios do vítreo e da retina. Se essas doenças não podem ser descartadas, os pacientes devem ser examinados por um oftalmologista com um oftalmoscópio indireto após dilatação pupilar. Reconhecer enxaqueca ocular também é útil.

História

A história da doença atual deve determinar o início e duração dos sintomas e forma e volume das moscas volantes, bem como se são uni ou bilaterais e se foram precedidas por trauma. O paciente deve tentar distinguir moscas volantes de raios como flashes de luz (como em fotopsias) ou linhas irregulares em todo o campo visual (como na enxaqueca). Importantes sintomas associados incluem a perda de visão (e sua distribuição no campo visual) e dor ocular.

Revisão dos sistemas deve procurar sintomas de possíveis causas, tais como dores de cabeça (enxaqueca ocular) e rubor dos olhos (inflamação vítrea).

A história clínica deve observar diabetes (incluindo retinopatia diabética), enxaquecas, cirurgia ocular, miopia grave e todos os distúrbios que possam afetar o sistema imunitário (p. ex., aids).

Exame físico

Exame dos olhos deve ser razoavelmente completo. A acuidade visual com melhor correção é medida. Os olhos são inspecionados para a vermelhidão. Campos visuais são avaliados em todos os pacientes. No entanto, o reconhecimento de defeitos do campo visual por exame à beira do leito é muito insensível, de modo que a incapacidade de mostrar tais defeitos não é evidência de que o paciente tem pleno campo visual. Movimentos extraoculares e respostas pupilares luz são avaliados. Se os pacientes têm um olho vermelho ou dor ocular, as córneas são examinadas sob a ampliação após a coloração de fluoresceína, e é realizada biomicroscopia, se possível. Pressão ocular é medida (tonometria).

Oftalmoscopia é a parte mais importante do exame; ela é feita depois da dilatação das pupilas. Para dilatar as pupilas, primeiro o médico registra o tamanho da pupila e as respostas de luz; em seguida, instila gotas, normalmente 1 gota em cada olho, de curta duração, um agonista alfa-adrenérgico (p. ex., fenilefrina a 2,5%) e um cicloplégico (p. ex., tropicamida a 1% ou ciclopentolato a 1%). As pupilas são completamente dilatadas cerca de 20 minutos após essas a instilação das gotas. A oftalmoscopia é feita por um não oftalmologista utilizando um oftalmoscópio direto. Um oftalmologista faz a oftalmoscopia indireta, que fornece uma visualização mais completa da retina, particularmente da periferia.

Sinais de alerta

Os achados a seguir são particularmente preocupantes:

  • Súbito aumento das moscas volantes

  • Fotopsias

  • Perda da visão, difuso ou focal (defeito no campo visual)

  • Trauma ou cirurgia ocular recente

  • Dor ocular

  • Perda de reflexo vermelho

  • Achados anormais de exames de retina

Interpretação dos achados

Descolamento da retina é sugerido por aumentos repentinos das moscas volantes, fotopsias ou qualquer de suas outras características mais específicas (p. ex., alteração do campo visual, alterações da retina). Sintomas bilaterais sincrônicos sugerem enxaqueca ocular, embora os pacientes muitas vezes possuam dificuldade de decifrar a lateralidade de seus sintomas (p. ex., muitas vezes eles interpretam escotoma cintilante do campo da esquerda de ambos os olhos como só do olho esquerdo). A perda de reflexo vermelho sugere opacificação do vítreo (p. ex., hemorragia ou inflamação vítrea), mas também pode ser causada por catarata avançada. Perda da visão sugere um distúrbio grave que causa disfunção do vítreo ou retina.

Exames

Pacientes que necessitam de avaliação por um oftalmologista podem precisar de testes. No entanto, os testes podem ser selecionados em conjunto com o oftalmologista. Por exemplo, pacientes com suspeita de coriorretinite podem requerer testes microbiológicos.

Tratamento

Moscas volantes idiopáticas não requerem tratamento. Outros sintomas que causam distúrbios são tratados.

Pontos-chave

  • Moscas volantes por si só raramente indicam uma doença grave.

  • Pacientes com quaisquer anomalias detectadas no exame exigem avaliação oftalmológica.

  • Se as moscas volantes são acompanhadas por outros sintomas (p. ex., persistentes luzes piscando, deficit visual, sensação de uma cortina em movimento de perda visual) ou se desenvolvem subitamente, os pacientes necessitam de avaliação oftalmológica, independentemente dos resultados do exame.

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