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Herniação cerebral

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A herniação cerebral ocorre quando o aumento da pressão intracraniana causa protrusão anormal do tecido cerebral ao longo das aberturas nas barreiras intracranianas rígidas (p. ex., incisura tentorial).

Como o crânio é rígido após a infância, as massas ou edemas intracranianos podem aumentar a pressão intracraniana, algumas vezes causando protrusão (herniação) do tecido cerebral através de uma das barreiras rígidas intracranianas (incisura tentorial, foice cerebral, forame magno). Quando há aumento suficiente da pressão intracraniana, independentemente da causa, o reflexo de Cushing e outras anormalidades anatômicas podem ocorrer. O reflexo de Cushing é a hipertensão sistólica com aumento da pressão do pulso, respiração irregular e bradicardia.

A herniação cerebral leva a risco de morte.

  • Transtentorial (uncal)

  • Subfalcina

  • Central

  • Transtentorial ascendente

  • Tonsilas

Herniação cerebral

Aumento da pressão intracraniana às vezes causando protrusão (herniação) do tecido cerebral por meio de uma das barreiras rígidas intracranianas (incisura tentorial, foice cerebral, forame magno).

Classifica-se a herniação cerebral com base na estrutura por meio da qual o tecido é herniado:

  • Herniação transtentorial (uncal): o lobo temporal medial é comprimido por uma massa unilateral através ou sob o tentório em forma de tenda que sustenta o lobo temporal.

  • Herniação subfalcina: o giro do cíngulo é empurrado sob a foice cerebral por uma massa expansível alta em um hemisfério cerebral.

  • Herniação central: ambos os lobos herniam-se ao longo da incisura tentorial devido a efeito bilateral de massa ou edema cerebral difuso.

  • Herniação transtentorial ascendente: esse tipo de herniação ocorre quando uma massa infratentorial (p. ex., tumor na fossa posterior, hemorragia cerebelar) comprime o tronco encefálico, comprimindo e causando isquemia em pontos do tronco encefálico.

  • Herniação das tonsilas: geralmente causada por massa expansiva infratentorial (p. ex., hemorragia cerebelar), projetando as tonsilas cerebelares através do forame magno.

Herniação cerebral

Herniação transtentorial

O lobo temporal medial é comprimido por uma massa unilateral através ou sob o tentório em forma de tenda que sustenta o lobo temporal. O lobo que está herniando comprime as seguintes estruturas:

  • O III par craniano ipsolateral (em geral primeiro) e a artéria cerebral posterior

  • À medida que a herniação evolui, o pedúnculo cerebral ipsolateral

  • Em cerca de 5% dos pacientes, o III par craniano contralateral e o pedúnculo cerebral

  • Eventualmente, a porção superior do tronco encefálico e a área ao redor do tálamo

Hérnia subfalcina

O giro do cíngulo é empurrado sob a foice cerebral por uma massa expansível alta em um hemisfério cerebral. Neste processo, uma ou ambas as artérias cerebrais anteriores são comprimidas, causando infarto do córtex paramediano. À medida que a área infartada se expande, os pacientes têm risco de herniação transtentorial, herniação central ou ambas.

Herniação central

Ambos os lobos herniam-se ao longo da incisura tentorial devido a efeito bilateral de massa ou edema cerebral difuso. Por fim, ocorre morte cerebral.

Herniação transtentorial ascendente

Herniação transtentorial ascendente: esse tipo de herniação ocorre quando uma massa infratentorial (p. ex., tumor na fossa posterior, hemorragia cerebelar) comprime o tronco encefálico, comprimindo e causando isquemia em pontos do tronco encefálico. Ocorre compressão do 3º ventrículo posterior. A herniação ascendente também distorce a vasculatura do mesencéfalo, comprime as veias cerebral magna e basilar e causa infarto cerebelar superior devido a oclusão das artérias cerebelares superiores.

Herniação tonsilar

Em geral, a herniação das tonsilas é causada pela expansão da massa infratentorial (p. ex., hemorragia cerebelar). As tonsilas cerebelares, forçadas através do forame magno, comprimem o tronco encefálico e obstruem o fluxo de líquor.

Etiologia

A herniação cerebral é uma complicação de uma doença que causa aumento da pressão intracraniana (PIC). Maior pressão intracraniana pode ser causada por

  • Lesões ocupadoras de espaço (p. ex., tumor, edema ou abscesso cerebral; contusões; hematomas)

  • Edema generalizado ou edema do encéfalo (p. ex., decorrente de insuficiência hepática aguda ou encefalopatia hipertensiva)

  • Pressão venosa aumentada (p. ex., decorrente de insuficiência cardíaca congestiva, obstrução das veias mediastinais ou jugulares superiores, ou trombose do seio venoso)

  • Obstrução do fluxo de líquor (p. ex., decorrente de hidrocefalia ou doença meníngea extensa)

Sinais e sintomas

Os sinais e sintomas da herniação cerebral estão listados na tabela abaixo. Geralmente, os pacientes também apresentam sinais da doença que causa herniação; esses sinais podem ser inespecíficos (p. ex., consciência prejudicada, letargia).

Tabela

Diagnóstico

  • TC ou RM

Após a estabilização do paciente, é necessária imagem de TC ou RM do encéfalo para verificar se há lesões em massa e para ajudar a identificar o deslocamento do tecido cerebral e o tipo de herniação.

Tratamento

  • Estabilização imediata (vias respíratórias, respiração, circulação ou ABCs)

  • Internação em unidade de terapia intensiva (UTI)

  • Medidas de suporte, incluindo o controle da pressão intracraniana

  • Tratamento da doença subjacente

A hipotensão deve ser corrigida. Os pacientes devem ser internados na unidade de terapia intensiva para suporte ventilatório e monitoramento do estado neurológico.

Deve-se estabilizar os pacientes. As vias respíratórias, respiração e circulação devem ser garantidas imediatamente.

Se há suspeita de aumento da PIC, a entubação deve ser feita via sequência rápida de entubação oral Entubação endotraqueal Coma é a ausência de resposta em que o paciente não pode ser despertado e em que os olhos do paciente permanecem fechados. Consciência prejudicada refere-se a distúrbios... leia mais Entubação endotraqueal (usando um fármaco paralisante) em vez de entubação nasotraqueal; a entubação nasotraqueal em um paciente que está respirando espontaneamente causa mais tosse e engasgos, aumentando assim a PIC, que já é mais alta por causa de anormalidades intracranianas.

Se a PIC aumentar, deve-se monitorar a pressão de perfusão cerebral (ver Monitoramento da PIC Monitoramento da pressão intracraniana Parte do monitoramento dos pacientes críticos depende da observação direta e do exame físico, sendo intermitente e sua frequência depende da enfermidade do paciente. Outros monitoramentos são... leia mais Monitoramento da pressão intracraniana ) e deve-se controlar as pressões. O objetivo é manter a PIC em ≤ 20 mmHg e a perfusão cerebral de 50 a 70 mmHg. A drenagem venosa cerebral pode ser aumentada (diminuindo assim a pressão intracraniana) pela elevação da cabeceira do leito a 30° e manter a cabeça do paciente na posição mediana.

  • Sedação: sedativos podem ser necessários para controlar a agitação, atividade muscular excessiva (p. ex., por delirium) ou dor, que pode aumentar a pressão intracraniana.

  • Hiperventilação: hiperventilação causa hipocapnia, que provoca vasoconstrição, reduzindo assim o fluxo cerebral globalmente.

  • Hidratação: são utilizados líquidos isotônicos. Fornecer água livre através de líquidos IV (p. ex., glicose a 5%, soro fisiológico a 0,45%) pode agravar o edema cerebral e deve ser evitado. Os líquidos podem ser restritos em algum grau, mas o paciente deve ser mantido euvolêmico. Se o paciente não apresentar sinais de desidratação ou sobrecarga de líquidos, deve ser iniciado soro fisiológico normal IV em 50 a 75 mL/h. A velocidade pode ser aumentada ou diminuída com base no sódio sérico, osmolalidade, débito urinário e sinais de retenção hídrica (p. ex., edema).

  • Diuréticos: a osmolalidade sérica deve ser mantida entre 295 e 320 mOsm/kg. Os diuréticos osmóticos (p. ex., manitol) devem ser administrados IV para reduzir a PIC e manter a osmolalidade sérica. Esses fármacos não atravessam a barreira hematencefálica. Eles extraem água do tecido cerebral por meio de um gradiente osmótico e a levam até o plasma, por fim alcançando o equilíbrio. O equilíbrio de líquidos e eletrólitos deve ser rigorosamente monitorado quando se utilizam diuréticos osmóticos. Um soro fisiológico a 3% é outro potencial agente osmótico para controlar a pressão intracraniana.

  • Controle da pressão arterial: anti-hipertensivos sistêmicos são necessários apenas quando a hipertensão é grave (> 180/95 mmHg). O quanto a pressão é reduzida depende do contexto clínico. A PA sistêmica deve ser elevada o suficiente para manter a pressão de perfusão cerebral, mesmo quando a PIC aumenta.

  • Corticoides: corticoides são eficazes apenas para tumores e, às vezes, para abscessos do encéfalo quando ocorre edema vasogênico (por ruptura da barreira hematencefálica). Os corticoides são ineficazes para edema citotóxico (causados pela morte e degradação celular) e podem aumentar a glicose plasmática, exacerbando a isquemia cerebral.

  • Remoção do líquor: quando a PIC aumenta, pode-se remover o líquor em intervalos periódicos; é removido lentamente, a uma velocidade reduzida de 1 a 2 mL/minuto para ajudar a diminuir a PIC.

  • Posição: posicionar o paciente de modo a maximizar o fluxo venoso da cabeça pode ajudar a minimizar o aumento da PIC. Pode-se elevar a cabeceira do leito a 30° (com a cabeça acima do coração) desde que a pressão de perfusão cerebral permaneça no intervalo desejado. Deve-se manter a cabeça do paciente posicionada na linha média, e deve-se minimizar a rotação e flexão do pescoço. Deve-se limitar a aspiração traqueal, que pode aumentar a PIC.

Se a PIC continua a aumentar apesar das outras medidas para controlar, podem ser utilizados os seguintes:

A herniação cerebral por tumor é tratada com manitol, 25 a 100 g, infundido por IV um corticoide (p. ex., dexametasona, 16 mg IV seguida de 4 mg por via oral ou IV a cada 6 horas) e entubação endotraqueal. Hiperventilação até obter pressão parcial de dióxido de carbono (PCO2) de 26 a 30 mmHg pode ajudar a diminuir a PIC temporariamente nos serviços de emergência. As lesões de massa devem ser descomprimidas por cirurgia o mais cedo possível.

Referências sobre o tratamento

  • 1. Moler FW, Silverstein FS, Holubkov R, et al: Therapeutic hypothermia after in-hospital cardiac arrest in children. N Engl J Med 376 (4):318-329, 2017. doi: 10.1056/NEJMoa1610493.

  • 2. Su TM, Lan CM, Lee TH, et al: Risk factors for the development of posttraumatic hydrocephalus after unilateral decompressive craniectomy in patients with traumatic brain injury. J Clin Neurosci 63:62-67, 2019. doi: 10.1016/j.jocn.2019.02.006. Epub 2019 Mar 1.

Pontos-chave

  • A herniação cerebral resulta do aumento da pressão intracraniana (PIC), que pode ser causado por lesões ocupadoras de espaço, edema generalizado ou do encéfalo, aumento da pressão venosa ou obstrução do fluxo de líquor.

  • Sintomas específicos variam de acordo com quais estruturas são comprimidas; os pacientes também apresentam prejuízo na consciência e outros deficits neurológicos causados pela doença que causa a herniação.

  • Depois de estabilizar o paciente, fazer exames de imagem do encéfalo.

  • Monitorar e controlar a PIC usando sedativos, entubação endotraqueal, hiperventilação, hidratação, diuréticos, medidas para controlar a pressão arterial e, às vezes, corticoides.

  • Tratar a causa.

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