Biópsia hepática

PorYedidya Saiman, MD, PhD, Lewis Katz School of Medicine, Temple University
Reviewed ByMinhhuyen Nguyen, MD, Fox Chase Cancer Center, Temple University
Revisado/Corrigido: modificado nov. 2025
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Visão Educação para o paciente

A biópsia hepática fornece informações histológicas sobre a estrutura do fígado e evidências de lesões hepáticas. Essa informação pode ser essencial tanto no diagnóstico e manejo quanto no estadiamento da fibrose. Apesar de apenas um pequeno fragmento de tecido ser obtido, geralmente é representativo, mesmo para lesões focais.

A biópsia hepática é geralmente realizada por via percutânea, à beira do leito ou com auxílio de ultrassonografia. Orientação por ultrassonografia é preferível porque seu uso fornece a oportunidade de visualizar o fígado e concentrar-se em lesões focais. Além disso, uma abordagem transjugular realizada sob fluoroscopia pode obter tecido hepático e medições indiretas de pressões portais.

Indicações

Em geral, indica-se a biópsia para as alterações hepáticas suspeitas que não são identificadas por métodos menos invasivos ou que precisam de estadiamento histológico (ver tabela ) (1, 2). A biopsia é especialmente importante para detectar doenças hepáticas infiltrativas e para esclarecer dúvidas diagnósticas de anormalidades no enxerto (isto é, lesão isquêmica, rejeição, alterações da via biliar, hepatite viral) após um transplante de fígado. Biopsias seriadas, geralmente com intervalos de anos, podem ser necessárias para monitorar a progressão de algumas doenças.

Tabela
Tabela

O exame a olho nu e a histopatologia são geralmente definitivos. Citologia (punção aspirativa por agulha fina), secção a frio e culturas podem ser úteis em casos selecionados. O conteúdo de metal pode ser medido na biópsia (p. ex., cobre, se houver suspeita de doença de Wilson, e ferro, se houver suspeita de hemocromatose).

As limitações da biópsia hepática incluem

  • Erros de amostragem

  • Erros ocasionais ou incerteza no diagnóstico em casos de colestases

  • Necessidade de um histopatologista qualificado

Contraindicações

As contraindicações absolutas à biópsia hepática incluem o seguinte (2):

  • Incapacidade de permanecer imóvel e manter expiração para a realização do procedimento

  • Suspeita de lesão vascular (p. ex., hemangioma)

  • Estado alterado de coagulação/hemostasia

  • Hipofibrinogenemia grave [como no caso da coagulação intravascular disseminada (CID)]

  • Obstrução biliar extra-hepática

A determinação do risco de sangramento relacionado ao procedimento é complexa e deve ser individualizada, uma vez que os marcadores clássicos de hemostasia [contagem de plaquetas, razão normalizada internacional (RNI)] mostraram imprecisão ao predizer a tendência a sangramento em pacientes com doença hepática avançada. Por essa razão, as diretrizes atuais não especificam pontos de corte nos parâmetros antes de uma biópsia hepática (percutânea ou transvenosa). Também pode-se utilizar testes viscoelásticos para avaliar o estado hemostático em pacientes com doença hepática, embora pontos de corte validados para procedimentos à beira do leito, incluindo biópsia hepática, não tenham sido estabelecidos.

Contraindicações relativas incluem anemia profunda, peritonite, ascite, obesidade grave e derrame ou infecção subfrênica ou pleural à direita. Mas excluindo essas contraindicações, a biópsia hepática percutânea é suficientemente segura para ser realizada em contexto ambulatorial. A mortalidade associada é aproximadamente 0,01% (1, 2). Uma complicação comum é a dor no local da biópsia. Complicações maiores (p. ex., hemorragia intra-abdominal, peritonite biliar, lacerações hepáticas, pneumotórax) ocorrem em aproximadamente 1 a 2% dos pacientes. As complicações geralmente se tornam evidentes entre 3 e 4 horas após o procedimento, sendo este o período recomendado de observação do paciente.

Outras vias

A biópsia hepática venosa transjugular é mais invasiva do que a via percutânea; é reservada para pacientes com coagulopatia grave, ascite, adiposidade centrípeta, ou se medições indiretas da pressão portal forem necessárias. O procedimento envolve a canulação da veia jugular interna direita; deve-se passar o catéter até a veia cava inferior e avançar para o interior de uma veia hepática. Uma agulha fina é avançada pela veia hepática, em direção ao fígado. A biópsia é bem-sucedida na maioria dos pacientes, mas produz amostras menores de tecido. A taxa de complicação é baixa; ocorre sangramento em 0,6% decorrente de punção da cápsula hepática (5). Essa via possibilita a medição simultânea das pressões venosas intra e pós-hepáticas, que podem ser úteis na elucidação da hipertensão portal.

Ocasionalmente, a biópsia hepática é realizada durante uma cirurgia (p. ex., laparoscopia); uma amostra de tecido maior e mais específica pode então ser obtida.

Referências

  1. 1. Gopal P, Hu X, Robert ME, Zhang X. The evolving role of liver biopsy: Current applications and future prospects. Hepatol Commun. 2025;9(1):e0628. Published 2025 Jan 7. doi:10.1097/HC9.0000000000000628

  2. 2. Rockey DC, Caldwell SH, Goodman ZD, Nelson RC, Smith AD; American Association for the Study of Liver Diseases. Liver biopsy. Hepatology. 2009;49(3):1017-1044. doi:10.1002/hep.22742

  3. 3. Thomaides-Brears HB, Alkhouri N, Allende D, et al. Incidence of Complications from Percutaneous Biopsy in Chronic Liver Disease: A Systematic Review and Meta-Analysis. Dig Dis Sci. 2022;67(7):3366-3394. doi:10.1007/s10620-021-07089-w

  4. 4. Graf M, Graf C, Ziegelmayer S, et al. Complications of image-guided liver biopsies: Results of a nationwide database analysis. PLoS One. 2025;20(5):e0323695. Published 2025 Jun 2. doi:10.1371/journal.pone.0323695

  5. 5. Dohan A, Guerrache Y, Dautry R, et al. Major complications due to transjugular liver biopsy: Incidence, management and outcome. Diagn Interv Imaging.96(6):571-577, 2015. doi: 10.1016/j.diii.2015.02.006

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