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Disfunção hepática pós-operatória

Por

Steven K. Herrine

, MD, Sidney Kimmel Medical College at Thomas Jefferson University

Última modificação do conteúdo fev 2018
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Disfunções hepáticas leves podem ocorrer após cirurgias de grande porte, mesmo em pacientes sem doença hepática anterior. Essas lesões geralmente resultam de isquemia hepática ou de efeitos anestésicos pouco entendidos até o momento. Pacientes com doença hepática preexistente compensada (p. ex., cirrose com função hepática normal) geralmente toleram bem procedimentos cirúrgicos. Entretanto, cirurgias podem agravar algumas doenças hepáticas preexistentes; p. ex., laparotomias podem precipitar insuficiências hepáticas agudas em pacientes com hepatites virais ou alcoólicas.

Icterícia pós-operatória

O diagnóstico da icterícia pós-operatória requer testes da função hepática. A sequência de aparecimento dos sintomas também ajuda no diagnóstico.

A causa mais comum de icterícia pós-operatória é hiperbilirrubinemia mista multifatorial. Esta é causada pelo aumento na formação de bilirrubina e pela diminuição da depuração hepática. Esse quadro geralmente ocorre em cirurgias de grande porte ou em traumas, com necessidade de múltiplas transfusões. Hemólise, sepse, reabsorção de hematomas e transfusão de hemoderivados contribuem para elevar a bilirrubina sérica; da mesma forma, hipoxemia, isquemia hepática e outros fatores pouco compreendidos comprometem a função hepática. Esse quadro, na maioria das vezes, atinge seu pico de intensidade nos primeiros dias de pós-operatório. A insuficiência hepática é um evento raro e a hiperbilirrubinemia costuma se resolver de maneira lenta e completa. Testes laboratoriais hepáticos geralmente permitem diferenciar hiperbilirrubinemia multifatorial de hepatite. Na hiperbilirrubinemia mista multifatorial, hiperbilirrubinemia grave com elevações leves de aminotransferases e fosfatase alcalina são comuns. Nas hepatites, os níveis de aminotransferases geralmente se elevam de forma bastante significativa.

Hepatite pós-operatória

A “hepatite” isquêmica pós-operatória resulta de deficit na perfusão hepática e não de inflamação. A causa geralmente é transitória, como a hipotensão pós-operatória ou a hipóxia. Tipicamente, os níveis de aminotransferases crescem de forma rápida (geralmente, > 1.000 unidades/l), mas a bilirrubina está apenas discretamente elevada. A hepatite isquêmica, na maioria das vezes, atinge o seu pico nos primeiros dias depois da cirurgia e desaparece depois de alguns dias.

A hepatite por halotano pode ser causada pelo uso de anestésicos contendo halotano ou agentes semelhantes. Em geral, ocorre dentro de 2 semanas após o uso e, na maioria das vezes, é precedida de febre e acompanhada de exantema e eosinofilia.

A verdadeira hepatite pós-operatória é atualmente rara. Era geralmente um resultado da transmissão do vírus da hepatite C durante transfusões sanguíneas.

Colestase pós-operatória

A causa mais comum de colestase pós-operatória é a obstrução biliar extra-hepática decorrente de complicações intra-abdominais ou fármacos administrados no pós-operatório. A colestase intra-hepática ocasionalmente desenvolve-se depois de uma grande cirurgia, especialmente após procedimentos abdominais ou cardiovasculares (colestase intra-hepática pós-operatória benigna). A patogênese é desconhecida, mas a condição costuma se resolver de maneira lenta e espontânea. Ocasionalmente, a colestase pós-operatória resulta de colecistite acalculosa aguda ou pancreatite.

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