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Dispepsia

Por

Jonathan Gotfried

, MD,

  • Assistant Professor of Medicine, Gastroenterology
  • Lewis Katz School of Medicine at Temple University

Última modificação do conteúdo mar 2020
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Dispepsia é uma sensação de dor ou desconforto na parte superior do abdome; muitas vezes é recorrente. Pode ser descrita como indigestão, gases, saciedade precoce, empachamento pós-prandial, sensação de corrosão interna ou queimação.

Etiologia

Existem diversas causas comuns de dispepsia ( Algumas causas de dispepsia).

Tabela
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Algumas causas de dispepsia

Causa

Achados sugestivos

Abordagem diagnóstica

Câncer (p. ex., esofágico, gástrico)

Desconforto vago, crônico

Tardiamente, disfagia (esofágica) ou saciedade precoce (gástrica)

Perda ponderal

Endoscopia por via alta

TC abdominal

Sintomas descritos como gases ou indigestão em vez de dor no peito por alguns pacientes

Pode ter componente relacionado com o esforço

Fatores de risco cardíaco

ECG

Enzimas cardíacas

Algumas vezes, teste de esforço

Esvaziamento gástrico retardado (causado por diabetes, doença viral ou fármacos)

Náuseas, distensão abdominal, sensação de plenitude prandial

Cintilografia de esvaziamento gástrico

Medicamentos (p. ex., bifosfonados, eritromicina e outros antibióticos macrolídios, estrogênios, ferro, anti-inflamatórios não esteroides (AINE) e/ou potássio)

História de uso

Os sintomas são coincidentes com o uso

Avaliação clínica

Dor torácica subesternal com ou sem disfagia por líquidos e sólidos

Exame contrastado com bário

Manometria esofágica

Azia

Às vezes, refluxo do ácido ou conteúdo estomacal na boca

Sintomas algumas vezes desencadeados por deitar em supino

Alívio com antiácidos

Avaliação clínica

Algumas vezes, endoscopia

Dor em queimação ou corrosão pode ser aliviada por alimentos ou antiácidos

Fatores de risco: uso de anti-inflamatórios não esteroides, tabagismo, uso de bebidas alcoólicas, infecção por Helicobacter pylori

Endoscopia por via alta

Muitos pacientes têm achados nos exames (p. ex., duodenite, distúrbios de motilidade, gastrite por Helicobacter pylori, deficiência de lactase, colelitíase) que têm pouca correlação com os sintomas (i.e., a correção da anormalidade não alivia a dispepsia).

A dispepsia não ulcerosa (dispepsia funcional) é definida como a existência de sinais e sintomas dispépticos em um paciente sem alterações ao exame físico ou na endoscopia do trato gastrointestinal alto (GI) e/ou outras avaliações (p. ex., exames laboratoriais e/ou exames de imagem).

Avaliação

História

História da doença atual deve extrair uma descrição clara dos sintomas, incluindo se são agudos ou crônicos e recorrentes. Outros elementos incluem o momento e a frequência da recorrência, qualquer dificuldade de deglutição e relação dos sintomas com a alimentação ou uso de fármacos. Fatores que agravam os sintomas (particularmente esforço, alguns alimentos ou álcool) ou os aliviam (especialmente alimentação ou antiácidos) são observados.

Revisão dos sistemas procura por sintomas gastrointestinais concomitantes, como anorexia, náuseas, vômitos, hematêmese, perda ponderal e fezes com sangue ou negras (melanóticas). Outros sintomas incluem dispneia e sudorese.

História clínica anterior deve incluir diagnósticos gastrointestinais ou cardíacos conhecidos, fatores de risco cardíaco (p. ex., hipertensão, hipercolesterolemia) e resultados de exames previamente realizados e tratamentos tentados. A história de uso de fármacos deve incluir detalhes dos fármacos prescritos e drogas ilícitas utilizadas, bem como alcoolismo.

Exame físico

A revisão dos sinais vitais pode observar especificamente a presença de taquicardia ou pulso irregular.

O exame geral deve procurar por palidez ou sudorese, caquexia ou icterícia. Palpa-se o abdome procurando por áreas doloridas, massas ou organomegalia. Realiza-se o toque retal para detectar sangue vivo ou oculto.

Sinais de alerta

Os achados a seguir são particularmente preocupantes:

  • Episódio agudo de dispneia, sudorese ou taquicardia

  • Anorexia

  • Náuseas ou vômitos

  • Perda ponderal

  • Sangue nas fezes

  • Disfagia ou odinofagia

  • Ausência de melhora com bloqueadores H2 ou IBP

Interpretação dos achados

Alguns achados são úteis ( Algumas causas de dispepsia).

Um episódio único e agudo de dispepsia não é preocupante, especialmente se os sintomas forem acompanhados de dispneia, sudorese ou taquicardia; este paciente pode apresentar isquemia coronariana aguda. Os sintomas crônicos que ocorrem aos esforços e melhoram com o repouso podem ser decorrentes de angina.

As causas gastrointestinais têm grande probabilidade de se manifestar como queixas crônicas. Os sintomas são, algumas vezes, classificados como tipo úlcera, tipo distúrbio de motilidade ou tipo refluxo; essas classificações sugerem, mas não confirmam, a etiologia. Os sintomas tipo úlcera consistem em dor localizada no epigástrio, geralmente ocorrendo antes das refeições, e se aliviam com alimentos, antiácidos ou bloqueadores H2. Os sinais e sintomas do tipo distúrbio de motilidade consistem mais em desconforto do que em dor, em conjunto com saciedade precoce, plenitude pós-prandial, distensão, náuseas, vômitos e sintomas que pioram com a alimentação e geralmente sem dor. Os sintomas tipo refluxo consistem em queimação retroesternal ou regurgitação ácida. Contudo, os sintomas com frequência se sobrepõem.

A alternância entre a diarreia e a constipação com dispepsia sugere síndrome do intestino irritável ou uso excessivo de laxantes ou antidiarreicos sem prescrição médica.

Exames

Os pacientes cujos sintomas sugerem isquemia coronariana aguda, particularmente aqueles com fatores de risco, devem ser enviados ao pronto-socorro para exame de urgência, incluindo ECG e enzimas cardíacas. Os exames para doenças cardíacas devem preceder os exames para distúrbios GI como endoscopia.

Para os pacientes com sintomas crônicos e inespecíficos, os exames de rotina são hemograma completo (para descartar anemia causada pela perda de sangue gastrointestinal) e bioquímica de rotina. Caso os resultados estejam anormais, testes adicionais (p. ex., estudos de imagem, endoscopia) devem ser considerados. Pelo do risco de câncer, os pacientes com > 55 anos de idade e os pacientes com sinais de alerta de início recente devem fazer endoscopia alta. Para os pacientes com < 60 anos de idade sem sinais de alerta, alguns especialistas recomendam tratamento empírico por 4 a 8 semanas com antissecretores (p. ex., inibidores da bomba de prótons), seguido de endoscopia, caso haja falha terapêutica. Outros recomendam pesquisar infecção por H. pylori fazendo teste respiratório com ureia marcada com 14C ou teste do antígeno fecal ( Infecção por Helicobacter pylori : Exames não invasivos). Contudo, toda precaução é necessária ao se usar H. pylori ou qualquer outro achado inespecífico para justificar os sintomas.

A manometria esofágica e a pHmetria são indicadas se os sinais e sintomas de refluxo persistirem depois da endoscopia digestiva alta e do tratamento por 4 a 8 semanas com IBP.

Tratamento

Doenças específicas são tratadas. Os pacientes sem essas condições devem ser seguidos e observados de tempos em tempos. Os sintomas são tratados com IBPs, bloqueadores H2 ou agente citoprotetor ( Alguns fármacos orais para a dispepsia). Fármacos pró-cinéticos (p. ex., metoclopramida, eritromicina), administrados como suspensão líquida, também podem ser tentados em pacientes com dispepsia tipo distúrbio de motilidade. Entretanto, não existe qualquer evidência clara de que ligar a classe do fármaco aos sintomas específicos (p. ex., refluxo versus distúrbio de motilidade) faça alguma diferença. Misoprostol e anticolinérgicos não são efetivos nos casos de dispepsia funcional. Os fármacos que alteram a percepção sensorial (p. ex., antidepressivos tricíclicos) podem ser úteis.

Tabela
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Alguns fármacos orais para a dispepsia

Medicamento*

Dose habitual

Comentários

Inibidores da bomba de prótons

Dexlansoprazol

30 mg, 1 vez ao dia

Com uso prolongado, níveis elevados de gastrina, mas nenhuma evidência de que esse resultado causa displasia ou câncer

Pode causar dor abdominal ou diarreia

Esomeprazol

40 mg, 1 vez ao dia

Lansoprazol

30 mg, 1 vez ao dia

Omeprazol

20 mg, 1 vez ao dia

Pantoprazol

40 mg, 1 vez ao dia

Rabeprazol

20 mg, 1 vez ao dia

Bloqueadores de H2

Cimetidina

800 mg, 1 vez ao dia

Doses menores em idosos

Com a cimetidina e, em menor extensão, com outros fármacos, efeitos antiandrogênicos leves e, menos comumente, disfunção erétil

Metabolismo retardado dos fármacos eliminados pelo sistema de enzima citocromo P-450 (p. ex., fenitoína, varfarina, diazepam)

Pode causar constipação ou diarreia

Famotidina

40 mg, 1 vez ao dia

Nizatidina

300 mg, 1 vez ao dia

Ranitidina†

300 mg 1 vez ao dia ou 150 mg de 12/12 h

Agente citoprotector

Sucralfato

1 g de 6/6 h

Raramente constipação

Pode se ligar a outros fármacos e interferir em sua absorção

Evitar o uso de cimetidina, ciprofloxacino, digoxina, norfloxacino, ofloxacino e ranitidina 2 horas antes e depois de tomar sucralfato

Antidepressivos tricíclicos Metoclopramida ou eritromicina administradas em suspensão líquida, também podem ser tentadas nos pacientes com dispepsia do tipo distúrbio da motilidade.

† Ranitidina (oral, IV e por venda sem receita) foi removida do mercado nos EUA e em muitos outros países por causa das concentrações inaceitáveis de N-nitrosodimetilamina (NDMA), um provável carcinógeno humano. Cimetidina e famotidina são alternativas e não contêm NDMA, nem inibidores da bomba de prótons.

Pontos-chave

  • A isquemia coronariana é possível em um paciente com “gases” agudos.

  • A endoscopia é indicada para os pacientes com > 60 anos ou com sinais de alerta.

  • Tratamento empírico com um bloqueador de ácido gástrico é aceitável para os pacientes < 60 anos sem sinais de alerta; os pacientes que não reagem em 4 a 8 semanas precisam de nova avaliação.

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