O espasmo esofágico distal sintomático faz parte de um espectro de distúrbios de motilidade caracterizados de forma variada por contrações não propulsivas e contrações hiperdinâmicas, às vezes em conjunto com pressão elevada do esfíncter esofágico inferior. Os sintomas são dor torácica e, algumas vezes, disfagia. O diagnóstico é feito com um exame deglutição de bário ou manometria. O tratamento é difícil, mas pode ser feito com nitratos, bloqueadores dos canais de cálcio, injeção de toxina botulínica e tratamento antirrefluxo.
Anormalidades na motilidade esofágica se correlacionam mal com os sintomas do paciente; anormalidades semelhantes podem causar sintomas distintos ou nenhum sintoma em pessoas diferentes. Além disso, nem sintomas, nem contrações alteradas estão definidamente relacionados a anormalidades histopatológicas do esôfago.
O uso de opioides está associado a um aumento de quase 5 vezes no risco de espasmo esofágico distal, bem como de outros distúrbios da motilidade esofágica (1).
Referência geral
1. Niu C, Zhang J, Bapaye J, et al. Systematic Review With Meta-Analysis: Chronic Opioid Use Is Associated With Esophageal Dysmotility in Symptomatic Patients. Am J Gastroenterol. 2023;118(12):2123-2132. doi:10.14309/ajg.0000000000002410
Sinais e sintomas do espasmo distal do esôfago
Às vezes, o distal do esôfago é assintomático e é encontrado de modo incidental.
Quando sintomático, o espasmo do esôfago distal costuma provocar dor torácica subesternal com disfagia, tanto para líquidos como para sólidos. Líquidos muito quentes ou muito frios podem agravar a dor. A disfagia sem dor também pode ser o principal sintoma na apresentação. Ao longo dos anos, a doença raramente pode evoluir para acalasia (com comprometimento do peristaltismo esofágico e ausência de relaxamento do esfíncter esofágico inferior durante a deglutição).
O espasmo esofágico pode causar dor intensa na ausência de disfagia. Essa dor é em geral descrita como um aperto subesternal e pode ocorrer em associação com exercícios. Essa dor pode ser semelhante à angina pectoris, e os pacientes muitas vezes procuram o pronto-socorro preocupados com o fato de que estão tendo um infarto do miocárdio.
Diagnóstico do espasmo do esôfago distal
Testes para excluir isquemia coronariana
Deglutição de bário
Manometria esofágica de alta resolução
Diagnósticos alternativos incluem isquemia coronariana, que talvez precise ser excluída por meio de exames apropriados (p. ex., ECG, biomarcadores cardíacos, teste de esforço— ver também diagnóstico das síndromes coronarianas agudas). A confirmação definitiva da etiologia esofágica da origem dos sintomas é difícil.
O exame de deglutição de bário pode mostrar progressão precária e desordenada do bolus alimentar, contrações simultâneas ou ondas terciárias. Espasmos intensos podem imitar a aparência radiográfica de divertículos, mas variam em tamanho e localização. Geralmente, realiza-se um exame de deglutição de bário antes da manometria porque ele pode ser usado para encontrar outras causas dos sintomas e é menos invasivo.
A manometria esofágica de alta resolução fornece a descrição mais específica dos espasmos. Pelo menos 20% das deglutições de teste devem ter peristaltismo prematuro (uma latência distal curta de < 4,5 segundos) para atender os critérios manométricos para espasmo do esôfago distal. Entretanto, os espasmos podem não ocorrer durante o exame (1).
Se o principal sintoma na apresentação for a disfagia, em vez de dor, pode-se realizar a endoscopia inicialmente.
A cintilografia e os testes provocativos com medicamentos (p. ex., cloreto de edrofônio, 10 mg, IV) não têm utilidade comprovada.
Referência sobre diagnóstico
1. Yadlapati R, Kahrilas PJ, Fox MR, et al. Esophageal motility disorders on high-resolution manometry: Chicago classification version 4.0. Neurogastroenterol Motil. 2021;33(1):e14058. doi: 10.1111/nmo.14058
Tratamento do espasmo do esôfago distal
Bloqueadores dos canais de cálcio
Cessação do uso de opioides
Injeção de toxina botulínica
Algumas vezes, miotomia cirúrgica ou endoscópica
O espasmo esofágico é geralmente difícil de ser tratado e são escassos os estudos controlados dos métodos de tratamento. Bloqueadores dos canais de cálcio via oral podem ser úteis (1), assim como inibidores da bomba de prótons, se houver suspeita de doença do refluxo gastroesofágico concomitante (2). Anticolinérgicos, antidepressivos tricíclicos, nitroglicerina e nitratos de longa duração também podem ser tentados, mas geralmente têm sucesso limitado (3, 4).
O uso de opioides, se presente, deve ser descontinuado.
Raramente, faz-se uma tentativa de injetar toxina botulínica tipo A no esôfago e/ou no esfíncter esofágico inferior.
Se o tratamento médico falhar, uma miotomia pode ser considerada. Em casos graves, tem-se tentado uma miotomia cirúrgica ou endoscópica peroral estendida do esôfago (1, 5, 6).
Referências sobre tratamento
1. Roman S, Kahrilas PJ. Distal esophageal spasm. Curr Opin Gastroenterol. 2015;31(4):328-333. doi:10.1097/MOG.0000000000000187
2. Zaher EA, Patel P, Atia G, Sigdel S. Distal Esophageal Spasm: An Updated Review. Cureus. 2023;15(7):e41504. doi:10.7759/cureus.41504
3. Khalaf M, Chowdhary S, Elias PS, Castell D. Distal Esophageal Spasm: A Review. Am J Med. 2018;131(9):1034-1040. doi: 10.1016/j.amjmed.2018.02.031
4. Vasireddy AR, Leggett CL, Kamboj AK. Esophageal Motility Disorders: A Concise Review on Classification, Diagnosis, and Management. Mayo Clin Proc. 2025;100(2):332-339. doi:10.1016/j.mayocp.2024.09.024
5. Leconte M, Douard R, Gaudric M, et al. Functional results after extended myotomy for diffuse oesophageal spasm. Br J Surg. 2007;94(9):1113-1118. doi: 10.1002/bjs.5761
6. Maradey-Romero C, Fass R. New therapies for non-cardiac chest pain. Curr Gastroenterol Rep. 2014;16(6):390. doi:10.1007/s11894-014-0390-4



