Massas suprarrenais não funcionais são lesões que ocupam espaço nas suprarrenais e não apresentam atividade hormonal óbvia. Os sinais, os sintomas e o tratamento dependem da natureza e do tamanho da massa.
(Ver também Visão geral da função suprarrenal.)
As massas suprarrenais inoperantes mais comuns em adultos são:
Adenomas
Os adenomas representam mais da metade das massas suprarrenais (1).
Outras massas suprarrenais inoperantes comuns são:
Carcinomas
Tumores metastáticos
Os cistos e lipomas compõem quase todo o restante. Contudo, as proporções precisas dependem das manifestações clínicas.
Em geral, as massas descobertas na triagem acidental são adenomas. Menos comumente, em neonatos, as hemorragias suprarrenais espontâneas podem formar grandes massas suprarrenais, simulando neuroblastomas ou tumor de Wilms. Em adultos, doenças tromboembólicas ou coagulopatias, sejam relacionadas a doenças ou a medicamentos, podem resultar em hemorragia suprarrenal bilateral maciça.
Observam-se cistos benignos em pacientes idosos, que podem ser causados por degeneração cística ou acidentes vasculares. Linfomas, infecções bacterianas, infecções fúngicas (p. ex., histoplasmose) ou infestações parasitárias (p. ex., por Echinococcus) também podem se manifestar com massas suprarrenais, às vezes bilaterais. A disseminação hematógena de Mycobacterium tuberculosis pode causar massas suprarrenais.
Um carcinoma suprarrenal não funcional causa um processo retroperitoneal difuso e infiltrativo. Pode ocorrer hemorragia, produzindo hematomas suprarrenais.
Referência
1. Pacak K, Blake MA, Sweeney AT, et al. Adrenal tumour imaging: clinical, molecular, and radiomics perspectives. Lancet Diabetes Endocrinol. 2026;14(1):62-81. doi:10.1016/S2213-8587(25)00300-6
Sinais e sintomas das massas suprarrenais não funcionais
A maioria dos pacientes é assintomática. Em qualquer massa suprarrenal, é raro ocorrer insuficiência suprarrenal, a menos que as duas glândulas estejam envolvidas. Hiperfunção ocorre com mais frequência. Isso pode parecer paradoxal para uma "massa não funcional", mas uma minoria significativa dessas "massas adrenais não funcionais" encontradas incidentalmente mostra alguma secreção autônoma de cortisol, que pode se manifestar como sinais sutis de excesso de cortisol, como ganho de peso, hipertensão e diabetes.
Os principais sinais da hemorragia suprarrenal maciça bilateral são:
Dor abdominal
Queda no hematócrito
Sinais de insuficiência suprarrenal aguda (p. ex., dor abdominal, perda de consciência, fadiga, desidratação)
Massas suprarrenais na TC ou na RM
A tuberculose das suprarrenais pode causar calcificação e doença de Addison. Carcinoma suprarrenal não funcional normalmente se manifesta como doença invasiva ou metastática.
Diagnóstico de massas suprarrenais não funcionais
Medidas de hormônios suprarrenais
Biópsia com agulha fina
As massas suprarrenais não funcionais costumam ser encontradas de modo incidental durante exames com TC ou RM, realizados por outros motivos (1). A não funcionalidade é estabelecida clinicamente e confirmada por dosagens hormonais suprarrenais, mas como observado, muitos podem apresentar secreção autônoma de cortisol sem sinais evidentes da síndrome de Cushing.
O rastreamento hormonal suprarrenal inclui teste de supressão com dexametasona e dosagem de cortisol sérico (para descartar síndrome de Cushing), metanefrinas fracionadas urinárias de 24 horas ou plasmáticas (para descartar feocromocitoma) e dosagens plasmáticas de aldosterona e renina (para excluir aldosteronismo primário).
Em caso de suspeita de doença metastática ou infecciosa, biópsia por agulha fina pode ser diagnóstica, mas é contraindicada se há suspeita de carcinoma suprarrenal (para evitar a disseminação do tumor) ou feocromocitoma (para evitar a precipitação de hipertensão aguda).
Referência sobre diagnóstico
1. Expert Panel on Urological Imaging, Mody RN, Remer EM, et al. ACR Appropriateness Criteria® Adrenal Mass Evaluation: 2021 Update. J Am Coll Radiol. 2021;18(11S):S251-S267. doi:10.1016/j.jacr.2021.08.010
Tratamento das massas suprarrenais não funcionais
Às vezes excisão, dependendo do tamanho e/ou resultados de imagem
Monitoramento periódico
Embora algumas modalidades de imagem (p. ex., RM em fase e fora de fase) possam ser diagnósticas, se o tumor é sólido, de origem suprarrenal e > 4 cm, ele normalmente deve ser excisado, a menos que as características das imagens sejam claramente benignas (1, 2, 3).
Tumores de 2 a 4 cm de diâmetro representam um problema clínico particularmente difícil. Se o rastreamento não sugerir câncer e a função hormonal não estiver alterada (p. ex., eletrólitos e metanefrinas normais, sem evidências de síndrome de Cushing), é razoável reavaliação periódica com exames de imagem, geralmente aos 6 e 12 meses. Se não ocorrer progressão, não será necessário acompanhamento subsequente. Se as unidades Hounsfield (UH) da TC sem contraste forem < 10 (uma medida da atenuação do tecido aos raios X), o tumor é benigno independentemente do tamanho. Vários desses tumores secretam cortisol em quantidades pequenas demais para causar sintomas importantes, e ainda não se esclareceu se podem produzir sintomas e morbidade caso não sejam tratados. A maioria dos médicos adota uma conduta expectante para os pacientes com esses tipos de tumor, mas devem considerar a sua remoção se houver produção importante de cortisol.
Adenomas suprarrenais < 2 cm não requerem tratamento especial, mas deve-se observá-los regularmente durante um período de tempo (p. ex., aos 6 e 12 meses) para crescimento e desenvolvimento da função secretora (como procurar sinais clínicos e mensurar cortisol e ACTH periodicamente).
Um carcinoma suprarrenal não funcional e metastático não é curável por cirurgia, embora mitotano associado a glicocorticoides possa modificar o crescimento tumoral. A quimioterapia também é uma opção, particularmente para doença progressiva.
Referências sobre tratamento
1. Fassnacht M, Tsagarakis S, Terzolo M, et al. European Society of Endocrinology clinical practice guidelines on the management of adrenal incidentalomas, in collaboration with the European Network for the Study of Adrenal Tumors. Eur J Endocrinol. 2023;189(1):G1-G42. doi:10.1093/ejendo/lvad066
2. Rowe NE, Kumar R, Schieda N, et al. Diagnosis, Management, and Follow-Up of the Incidentally Discovered Adrenal Mass: CUA Guideline Endorsed by the AUA. J Urol. 2023;210(4):590-599. doi:10.1097/JU.0000000000003644
3. Yip L, Duh QY, Wachtel H, et al. American Association of Endocrine Surgeons Guidelines for Adrenalectomy: Executive Summary. JAMA Surg. 2022;157(10):870-877. doi:10.1001/jamasurg.2022.3544



