Distonia laríngea (espasmos de pregas vocais) é o espasmo intermitente dos músculos laríngeos, que provocam anormalidade na produção vocal.
A distonia laríngea consiste em uma distonia idiopática que afeta os músculos da laringe durante movimentos laríngeos específicos. Como forma localizada de distúrbio do movimento, a distonia laríngea tem uma idade média de início de 51 anos e aproximadamente 80% dos pacientes são mulheres (1). Uma história familiar de distúrbios neurológicos (incluindo distonia e tremor), doença viral recente e uso intenso da voz têm sido implicados como fatores de risco.
Referência
1. Patel AB, Bansberg SF, Adler CH, Lott DG, Crujido L. The Mayo Clinic Arizona Spasmodic Dysphonia Experience: A Demographic Analysis of 718 Patients. Ann Otol Rhinol Laryngol. 2015;124(11):859-863. doi:10.1177/0003489415588557
Sinais e sintomas da distonia laríngea
Há 3 formas principais da distonia laríngea:
Distonia laríngea adutora
Distonia laríngea abdutora
Distonia laríngea mista
Na distonia laríngea adutora, a voz do paciente parece esganada, forçada ou tensa devido ao fechamento descontrolado das pregas vocais durante a fala. Esses episódios de espasmos costumam ocorrer em fonemas vogais, em particular no início das palavras.
Na distonia laríngea abdutora, que é menos comum, interrupções súbitas da emissão vocal, provocadas por abertura descontrolada das pregas vocais, são acompanhadas por escape de ar audível durante a fala encadeada.
Aqueles com distonia laríngea mista podem apresentar características da distonia laríngea tanto adutora quanto abdutora, em graus variados e dependendo do momento.
Diagnóstico da distonia laríngea
História e exame físico
O diagnóstico é principalmente clínico e envolve história e exame físico, incluindo laringoscopia para visualizar e avaliar as pregas vocais e seu movimento durante a fonação. Dificuldades diagnósticas podem surgir ao distinguir entre distonia laríngea e disfonia de tensão muscular (1). Os sintomas da distonia laríngea estão associados com sons específicos da fala, enquanto a disfonia de tensão muscular não tem essa correlação. A avaliação vocal por um fonoaudiólogo pode ser útil para orientar tanto o diagnóstico quanto o tratamento.
Referência sobre diagnóstico
1. Hintze JM, Ludlow CL, Bansberg SF, Adler CH, Lott DG. Spasmodic Dysphonia: A Review. Part 2: Characterization of Pathophysiology. Otolaryngol Head Neck Surg. 2017;157(4):558-564. doi:10.1177/0194599817728465
Tratamento da distonia laríngea
Injeção de toxina botulínica
Secção seletiva do nervo laríngeo e cirurgia de reinervação
Para distonia laríngea adutora, injeção de toxina botulínica (BoNT) nos adutores vocais tornou-se o padrão de tratamento. Injeções direcionadas são geralmente seguras e melhoram os sintomas na maioria dos pacientes por até 12 semanas (1, 2). Como o efeito da BoNT é temporário, as injeções devem ser repetidas para manter a melhora. A secção seletiva do nervo laríngeo com cirurgia de reinervação também é uma opção em certos centros. A secção do nervo laríngeo sem reinervação mostrou resultar em sincinesia e não é a abordagem preferida para essa condição.
Para distonia laríngea abdutora, nenhum tratamento conhecido alivia permanentemente o distúrbio, mas alcançou-se melhora temporária com a toxina botulínica aplicada ao músculo cricoaritenoideo posterior (único abdutor vocal) (3, 4).
Referências sobre tratamento
1. Hyodo M, Nagao A, Asano K, et al. Botulinum toxin injection into the intrinsic laryngeal muscles to treat spasmodic dysphonia: A multicenter, placebo-controlled, randomized, double-blinded, parallel-group comparison/open-label clinical trial. Eur J Neurol. 2021;28(5):1548-1556. doi:10.1111/ene.14714
2. Stachler RJ, Francis DO, Schwartz SR, et al. Clinical Practice Guideline: Hoarseness (Dysphonia) (Update) [published correction appears in Otolaryngol Head Neck Surg. 2018 Aug;159(2):403. doi: 10.1177/0194599818766900.]. Otolaryngol Head Neck Surg. 2018;158(1_suppl):S1-S42. doi:10.1177/0194599817751030
3. Mor N, Simonyan K, Blitzer A: Central voice production and pathophysiology of spasmodic dysphonia. Laryngoscope 128(1):177-183, 2018. doi:10.1002/lary.26655
4. Dharia I, Bielamowicz S: Unilateral versus bilateral botulinum toxin injections in adductor spasmodic dysphonia in a large cohort [published online ahead of print, 2019 Dec 14]. Laryngoscope 10.1002/lary.28457, 2019. doi:10.1002/lary.28457



