A síndrome da terceira janela é um grupo de sintomas vestibulares e auditivos causados pela presença de uma comunicação anormal dentro da orelha interna. Isso pode surgir de diferentes localizações anatômicas, mas é mais comumente devido à deiscência do canal semicircular superior. Os sintomas incluem autofonia, pressão auricular ou tontura induzida por som, e perda auditiva mista.
A síndrome da terceira janela refere-se a um conjunto de sintomas vestibulares e auditivos causados pela presença de uma terceira janela móvel anormal no labirinto ósseo da orelha interna (1). Esta abertura patológica ("terceira janela") perturba a biomecânica normal da orelha interna, que normalmente tem apenas 2 janelas móveis: a janela oval e a janela redonda. A síndrome da terceira janela é mais comumente decorrente de anormalidades que causam deiscência (ausência) ou quase-deiscência (afinamento) de seções ósseas localizadas superiormente ao canal.
Referência
1. Iversen MM, Rabbitt RD. Biomechanics of Third Window Syndrome. Front Neurol. 2020;11:891. Published 2020 Aug 25. doi:10.3389/fneur.2020.00891
Sinais e sintomas da síndrome da terceira janela
Os pacientes apresentam sintomas de perda auditiva, autofonia (aumento do volume na audição da própria voz, passos ou outros sons corporais, incluindo movimento ocular ou fluxo sanguíneo), tontura induzida por pressão ou som, e dificuldade de concentração.
Diagnóstico da síndrome da terceira janela
História e exame físico
Audiometria
Às vezes, tomografia computadorizada de alta resolução
Às vezes, o teste de potenciais miogênicos evocados vestibulares
O diagnóstico da síndrome da terceira janela baseia-se na presença dos sintomas clínicos característicos. No exame físico, pode haver nistagmo induzido por pressão com otoscopia pneumática e teste de diapasão anormal, indicando melhora da condução óssea na orelha afetada (ou seja, teste de Weber mostrando audição aumentada na orelha anormal, teste de Rinne mostrando condução óssea maior que a condução aérea). Os pacientes também podem ser capazes de ouvir um diapasão colocado no tornozelo.
A audiometria geralmente mostrará perda auditiva mista ou audição supralimiar (ou seja, audição melhor que o normal) na condução óssea.
A TC de alta resolução do osso temporal é então utilizada para confirmar uma abertura anormal, com a deiscência do canal semicircular superior sendo o local mais comum. A deiscência do canal semicircular superior também pode ser encontrada incidentalmente em pacientes sem sintomas. Condições que levam ao aumento da pressão intracraniana e trauma craniano podem aumentar a probabilidade de desenvolver deiscência; outros casos são considerados congênitos. Se nenhuma anormalidade for identificada radiologicamente, os pacientes podem ter uma fístula perilinfática (vazamento de líquido de um defeito interno). Isso é mais comumente causado por cirurgia envolvendo a janela oval ou redonda (cirurgia do estribo, implante coclear) ou barotrauma (mergulho, voo).
O teste dos potenciais miogênicos evocados vestibulares avalia as respostas reflexas ao som no olho (oVEMP) e no pescoço (cVEMP); em pacientes com síndrome da terceira janela, essa resposta é mais sensível, resultando em um limiar diminuído e amplitude aumentada.
Tratamento da síndrome da terceira janela
Tratamento conservador
Às vezes, correção cirúrgica
O tratamento da síndrome da terceira janela é adaptado ao grau dos sintomas do paciente. Muitos pacientes com sintomas leves podem ser tratados conservadoramente (ou seja, com observação), tratando quaisquer condições coexistentes ou exacerbadoras (p. ex., enxaqueca ou enxaqueca vestibular). O reparo cirúrgico do defeito pode ser eficaz em pacientes com sintomas mais graves.
Pontos-chave
A síndrome da terceira janela é causada por uma abertura anormal na orelha interna.
Ela causa sintomas de perda auditiva, autofonia, tontura induzida por pressão e som.
O diagnóstico é feito com uma combinação de história, exame físico, audiometria e TC de alta resolução; o teste de potenciais miogênicos evocados vestibulares também pode ser útil.
O tratamento é baseado no grau dos sintomas e pode variar desde observação até reparo cirúrgico.



