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Tumores das glândulas salivares

Por

Bradley A. Schiff

, MD,

  • Montefiore Medical Center, The University Hospital of Albert Einstein College of Medicine

Última modificação do conteúdo abr 2018
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A maioria dos tumores das glândulas salivares é benigna e acomete as glândulas parótidas. Um tumor em topografia salivar indolor é o sinal mais comum, e é avaliado por biópsia aspirativa por agulha fina. A avaliação de imagens de TC e RM pode ser útil. Para tumores malignos, o tratamento se faz com excisão e radioterapia. Os resultados a longo prazo estão relacionados ao grau do tumor.

Cerca de 85% dos tumores de glândulas salivares ocorrem nas glândulas parótidas, seguidos pelas glândulas submandibulares e glândulas salivares menores, e por volta de 1% acomete as glândulas sublinguais. Aproximadamente 75 a 80% são nódulos solitários benignos, de crescimento lento, móveis, indolores, localizados sob pele ou mucosa sadia. Às vezes, quando císticos, são moles, porém mais frequentemente são firmes.

Tumores benignos

O tipo mais comum é o adenoma pleomórfico (tumor misto). Sua transformação maligna é possível, gerando o carcinoma ex-adenoma pleomórfico, mas isso só acontece após a existência do tumor benigno por mais de 15 a 20 anos. Se há transformação maligna, as taxas de cura são muito baixas, apesar de cirurgia adequada e terapia adjuvante.

Outros tumores benignos incluem adenoma monomórfico, oncocitoma e cistadenoma papilar linfomatoso (conhecido anteriormente como tumor de Warthin). Esses tumores raramente recidivam e se tornam malignos.

Tumores malignos de glândulas salivares

Os tumores malignos são menos comuns e podem ser caracterizados por crescimento rápido ou abrupto. Eles são firmes, nodulares e podem estar fixos às estruturas adjacentes, quase sempre com contornos mal definidos. Eventualmente, a pele ou a mucosa sobrejacente pode se tornar ulcerada ou os tecidos adjacentes ser acometidos.

O carcinoma mucoepidermoide é o câncer mais comum de glândulas salivares, acometendo tipicamente pessoas entre 20 e 50 anos. Ele pode manifestar-se em qualquer glândula salivar, mais comumente na glândula parótida, mas também na glândula submandibular ou glândula salivar menor do palato. Carcinomas mucoepidermoides intermediários e de alto grau podem causar metástases para os gânglios linfáticos regionais.

O carcinoma adenoide cístico é o tumor maligno mais comum das glândulas salivares menores (e da traqueia). É a transformação maligna de crescimento lento de cilindroma muito mais habitual. Seu pico de incidência se dá entre 40 e 60 anos, e seus sintomas incluem dor grave e, com frequência, paralisia facial periférica. Esse tumor tem propensão para invasão e disseminação perineural, potencialmente se estendendo vários centímetros distantes de sua origem. A disseminação linfática não é característica desse tumor. As metástases pulmonares são frequentes, apesar de os pacientes conseguirem sobreviver período considerável com elas.

O carcinoma de células acinares, tumor usual de parótida, acomete pessoas entre 40 e 50 anos. Tem curso indolente e tendência à multifocalidade.

O carcinoma ex-tumor misto é um adenocarcinoma se desenvolvendo em um tumor benigno misto preexistente. Apenas os elementos carcinomatosos provocam metástase.

Sinais e sintomas

A maioria dos tumores benignos e malignos se manifesta como massa indolor. No entanto, tumores malignos podem invadir nervos, causando dor local ou regional, parestesia, causalgia (dor intensa, em queimação) ou perda de função motora.

Diagnóstico

  • Biópsia com aspiração por agulha fina

  • TC e RM para avaliação da extensão da doença

TC e RM localizam o tumor e determinam sua extensão. Biópsia aspirativa por agulha fina da massa confirma o tipo de célula. Investigação de disseminação metastática para linfonodos regionais ou a distância, para pulmões, fígado, ossos ou cérebro pode ser indicada antes da escolha terapêutica.

Tratamento

  • Cirurgia, eventualmente associada à radioterapia

O tratamento dos tumores benignos é a cirurgia. A taxa de recorrência é alta quando sua ressecção é incompleta.

Para tumores malignos das glândulas salivares, cirurgia, às vezes seguida de radioterapia, é o tratamento de escolha para doença ressecável. Atualmente, não existe quimioterapia eficaz para o câncer de glândulas salivares.

O tratamento do carcinoma mucoepidermoide consiste em excisão ampliada e irradiação pós-operatória para lesões de alto grau. A taxa de sobrevida em 5 anos é de 95% para o tipo de baixo grau, primariamente afetando células mucosas, e de 50% para o tipo de alto grau, afetando primariamente células epidermoides. Metástases para os gânglios linfáticos regionais, que podem ser abordados com ressecção cervical e radioterapia pós-operatória.

O tratamento do carcinoma adenoide cístico é a sua ressecção cirúrgica ampliada, mas a recidiva local é comum devido à propensão de propagação perineural. É menos provável que seja necessário tratamento nodal eletivo porque disseminação linfática é menos comum. Apesar de as taxas de sobrevida em 5 e 10 anos serem boas, as taxas em 15 e 20 anos são piores com muitos pacientes desenvolvendo metástases a distância. Metástase pulmonar e morte são comuns, embora muitos anos (normalmente décadas ou mais) possam passar desde o diagnóstico e o tratamento inicial.

O prognóstico para o carcinoma de células acinares é favorável após excisão alargada.

Todas as cirurgias devem tentar poupar o nervo facial, o qual é sacrificado apenas nos casos de envolvimento tumoral direto.

Pontos-chave

  • Aproximadamente somente 20 a 25% dos tumores das glândulas salivares são malignos; a glândula parótida é mais comumente afetada.

  • Os cânceres são firmes, nodulares e podem estar fixos às estruturas adjacentes; dor e envolvimento nervoso (causando dormência e/ou fraqueza) são comuns.

  • Fazer biópsia e CT e RM se houver confirmação de câncer.

  • Tratar com cirurgia, às vezes também radioterapia para certos cânceres.

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