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Dermatite de contato

Por

Mercedes E. Gonzalez

, MD, University of Miami Miller School of Medicine

Última modificação do conteúdo ago 2019
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É uma inflamação aguda da pele causada por irritantes ou alérgenos. O sintoma primário é prurido. As lesões de pele variam desde eritema até bolhas e ulcerações, geralmente nas mãos ou em suas proximidades, mas ocorre em qualquer área exposta da pele. O diagnóstico é feito pela história de exposição, exame e, às vezes, testes de contato. O tratamento compreende antipruriginosos, corticoides tópicos e evitar as causas desencadeantes.

Fisiopatologia

A dermatite de contato é causada por irritantes ou alergênios.

Dermatite de contato irritativa (DCI)

DCI representa 80% de todos os casos de dermatite de contato. É uma reação inflamatória inespecífica a substâncias contatantes da pele; o sistema imunitário não é ativado. Numerosas substâncias são incriminadas, incluindo

  • Químicos (por ex., ácidos, álcalis, solventes, sais de metais)

  • Sabões (p. ex., abrasivos e detergentes)

  • Plantas (p. ex., pimenta e asa-de-papagaio)

  • Líquidos corporais (p. ex., urina e saliva)

Os fatores que influenciam o desenvolvimento de DCI são as propriedades dos irritantes (pH extremo e solubilidade no filme lipídico da pele), ambientais (baixa umidade, alta temperatura, intenso atrito) e do paciente (muito jovem ou idoso). A DCI também é comum em pacientes atópicos, nos quais essa doença também pode desencadear sensibilização imunológicia e, consequentemente, dermatite de contato alérgica.

Dermatite fototóxica ( Fotossensibilidade química Fotossensibilidade química Fotossensibilidade é uma reação cutânea exagerada à luz solar. Pode ser idiopática ou ocorrer após exposição a certos fármacos tóxicos ou alergênicas ou produtos químicos, é às vezes uma característica... leia mais Fotossensibilidade química ) é uma variante em que agentes tópicos (p. ex., perfumes, coaltar) ou ingeridos (p. ex., psoralenos) só geram radicais livres danosos e mediadores inflamatórios após a absorção pela luz ultravioleta.

Dermatite de contato alérgica (DCA)

A DCA é uma reação de hipersensibilidade de tipo IV mediada por células, que tem 2 fases:

  • Sensibilização a um antígeno

  • Resposta alérgica à reexposição

Na fase de sensibilização, os alérgenos são capturados pelas células de Langerhans (células dendríticas epidérmicas), que migram para os linfonodos regionais, onde processam e apresentam o antígeno aos linfócitos T. O processo pode ser breve (6 a 10 dias para sensibilizantes fortes, como toxicodendro) ou longo (anos ou meses para sensibilizantes fracos, como fotoprotetores, fragrâncias e glicocorticoides). Os linfócitos T sensibilizados migram de volta para a epiderme e são ativados pela reexposição aos alérgenos, liberando citocinas, recrutando células inflamatórias e causando os característicos sinais e sintomas da DCA.

Na autoeczematização (reação do tipo id), as células T epidérmicas ativadas por um alérgeno migram localmente ou através da circulação, causando dermatite em locais remotos em relação ao local desencadeante. Contudo, o contato com o líquido de vesículas ou bolhas não pode desencadear uma reação em outro local do paciente ou de outra pessoa.

Múltiplos alérgenos causam DCA ( Causas da dermatite de contato alérgica Causas da dermatite de contato alérgica É uma inflamação aguda da pele causada por irritantes ou alérgenos. O sintoma primário é prurido. As lesões de pele variam desde eritema até bolhas e ulcerações, geralmente nas mãos ou em suas... leia mais Causas da dermatite de contato alérgica ), e a sensibilização cruzada entre os agentes é comum (p. ex., entre benzocaína e parafenilenodiamina). Sensibilização cruzada significa que a exposição a uma substância pode resultar em uma resposta alérgica após exposição a uma substância diferente, mas relacionada. Plantas Toxicodendron spp. (p. ex., hera venenosa, carvalho venenoso ou sumagre veneno) representam um grande percentual da DCA, incluindo casos moderados e graves. O alérgeno agressor é urushiol.

Tabela
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Variantes da DCA são a dermatite de contato fotoalérgica e DCA de indução sistêmica. Na dermatite de contato alérgica fotoalérgica Fotossensibilidade química Fotossensibilidade é uma reação cutânea exagerada à luz solar. Pode ser idiopática ou ocorrer após exposição a certos fármacos tóxicos ou alergênicas ou produtos químicos, é às vezes uma característica... leia mais Fotossensibilidade química , uma substância se torna sensibilizante somente após sofrer uma alteração estrutural desencadeada pela luz ultravioleta. São causas comuns as loções após barbear, fotoprotetores e sulfonamida tópica. As reações podem se estender para áreas de pele não expostas ao sol. Na DCA induzida sistemicamente, a ingestão de alérgeno após sensibilização tópica causa uma dermatite difusa (p. ex., difenidramina oral após sensibilização com difenidramina tópica).

Sinais e sintomas

Dermatite de contato irritativa

É mais dolorosa que pruriginosa. Os sinais variam desde leve eritema até hemorragia, crostas, erosões, pústulas, bolhas e edema.

Dermatite de contato alérgica

O sintoma primário é um intenso prurido; a dor geralmente decorre de escoriações ou infecções. As alterações da pele variam desde eritema transitório até vesiculação ou edema grave com formação de bolha e/ou ulceração. As alterações ocorrem com frequência em um padrão, distribuição ou combinação que sugere exposição específica, como uma lesão estriada em um braço ou perna (p. ex., por causa de escoriações contra hera venenosa) ou eritema circunferencial no antebraço (na pele abaixo de pulseira de relógio ou na cintura). Estrias lineares quase sempre são indicativas de um alérgeno externo ou irritante.

Qualquer superfície pode ser acometida, mas as mãos são as mais comuns, devido ao contato com alérgenos potenciais. Pela exposição a produtos aerógenos (p. ex., perfume em aerossol), as áreas não cobertas pela roupa são predominantemente afetadas. A dermatite é tipicamente limitada à região do contato, mas pode depois se espalhar devido à coçadura e autoeczematização (reação do tipo id). Na DCA sistemicamente induzida, alterações na pele podem ser distribuídas por todo o corpo. A erupção geralmente começa em 24 a 48 horas após a exposição ao alérgeno.

Dicas e conselhos

  • A forma ou padrão da lesão (estrias lineares quase sempre são indicativas de um alérgeno externo ou irritante) pode ajudar a diferenciar a dermatite de contato de outras formas de dermatite.

Diagnóstico

  • Avaliação clínica

  • Algumas vezes, testes de contato

Frequentemente pode-se diagnosticar dermatite de contato pelas alterações cutâneas e história de exposição. É necessário considerar a profissão do paciente, atividades de lazer, afazeres domésticos, férias, roupas, uso de fármacos tópicos, cosméticos e atividades do cônjuge. O “teste de uso”, em que o agente suspeito é aplicado longe da área original da dermatite, geralmente na superfície flexora do antebraço, é útil quando se suspeita de perfumes, xampus ou outros agentes do lar.

Indica-se o teste de contato quando há suspeita de DCA e que não responde ao tratamento, sugerindo que o gatilho não foi identificado. Nos testes de contato, os alérgenos de contato padrão são aplicados na região dorsal superior, utilizando-se fragmentos de adesivos fixados à pele que contêm pequenas quantidades de alérgeno em plástico ou câmaras plásticas (Finn®) contendo alérgenos presos por fita adesiva porosa. Teste de contato (TRUE TEST®) de camada fina de uso epicutâneo rápido é um kit simples, fácil de usar com os alérgenos de contato mais comuns que pode ser aplicado e interpretado por qualquer profissional de saúde. A pele sob as placas é avaliada 48 e 96 horas após a aplicação. Resultados falso-positivos são observados quando as concentrações provocam uma reação irritante em vez de alérgica, quando a reação a um antígeno desencadeia uma reação inespecífica a outros antígenos ou ocorrem reações cruzadas com outros antígenos. Falso-negativos são observados quando os alérgenos testados não incluem os antígenos causadores da doença. O diagnóstico definitivo exige o resultado positivo e história de dermatites na área em que a substância testada fez contato com a pele.

Tabela
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Prognóstico

Tratamento

  • Evitar os agentes desencadeadores.

  • Tratamento de suporte (p. ex., com compressas frias, roupas, anti-histamínicos)

  • Corticoides (mais frequentemente tópicos, algumas vezes por via oral)

Deve-se prevenir a dermatite de contato evitando os gatilhos; pacientes com dermatite de contato fotossensível devem evitar a exposição ao sol.

O tratamento tópico é feito com compressas frias (soro fisiológico ou solução de acetato de alumínio - de Burow) e corticoides; para os pacientes com DCA leve ou moderada, administrar corticoides tópicos de média a alta potência (p. ex., pomada de triancinolona a 0,1% ou creme de valerato de betametasona a 0,1%). Corticoides orais (p. ex., prednisona, 60 mg, uma vez ao dia, por 7 a 14 dias) podem ser usados em casos graves com bolhas ou na doença disseminada. Anti-histamínicos sistêmicos (p. ex., hidroxizina, difenidramina) ajudam a aliviar o prurido; anti-histamínicos com pouca atividade anticolinérgica, como os bloqueadores H1 pouco sedativos, não são tão eficazes. Os curativos secos a úmidos podem eliminar a exsudação, secar a pele e promover a cura.

Pontos-chave

  • A dermatite de contato pode ser causada por agentes irritantes (p. ex., plantas, sabonetes, produtos químicos, líquidos corporais), responsáveis por 80% dos casos ou por alérgenos, responsáveis por 20% dos casos.

  • Os sintomas podem incluir predominantemente dor (para dermatite de contato irritativa) ou prurido (para dermatite de contato alérgica).

  • O diagnóstico costuma ser clínico.

  • Fazer teste de contato é útil quando há suspeita de dermatite de contato alérgica e o gatilho não foi identificado.

  • O tratamento geralmente inclui compressas frias, corticoides tópicos e anti-histamínicos sistêmicos conforme necessário para o prurido.

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