O diabetes mellitus tipo 2 é uma doença em que ocorre a resistência à insulina, que leva a uma liberação de insulina que não é suficiente para suprir as necessidades metabólicas do organismo. O diabetes tipo 2 é caracterizado por níveis elevados de glicose no sangue e costuma estar associado a sobrepeso ou obesidade.
A resistência aos efeitos da insulina frequentemente ocorre antes de os sintomas aparecerem e costuma estar relacionada à obesidade ou à síndrome metabólica.
Os sintomas iniciais estão relacionados à hiperglicemia (níveis elevados de glicose no sangue) e incluem sede excessiva, fome excessiva, micção excessiva e visão turva.
O médico diagnostica o diabetes por meio da dosagem da glicose no sangue.
O diabetes pode danificar os vasos sanguíneos e aumentar o risco de ataque cardíaco, acidente vascular cerebral, doença renal crônica e perda de visão.
O diabetes pode danificar os nervos e causar problemas de sensibilidade.
As pessoas com diabetes tipo 2 precisam seguir uma dieta saudável, com baixo teor de carboidratos refinados (incluindo açúcar), gorduras saturadas e alimentos processados. Elas também precisam se exercitar e manter um peso saudável. Muitas também precisam tomar medicamentos para reduzir os níveis de glicose no sangue.
Em crianças, o diabetes tipo 2 ocorre principalmente em adolescentes, mas está se tornando cada vez mais comum em crianças menores com sobrepeso (pesar mais de 85% das crianças com a mesma idade, sexo e altura) ou obesidade (pesar mais de 95% das crianças com a mesma idade, sexo e altura). Aproximadamente um terço das crianças recém‑diagnosticadas com diabetes têm diabetes tipo 2 e aproximadamente 75% das crianças com diabetes tipo 2 têm obesidade.
Diabetes tipo 2 normalmente se desenvolve após o início da puberdade.
Crianças com alto risco de terem diabetes tipo 2 incluem aquelas que:
Têm sobrepeso ou obesidade
São descendentes de povos indígenas americanos, Primeiras Nações canadenses, indígenas australianos, negros, hispânicos, da Ásia oriental e do sul, do Oriente Médio e das ilhas do Pacífico
Têm hipertensão arterial, níveis elevados de lipídios (gordura) no sangue, apneia obstrutiva do sono, dobras de pele escuras e grossas na nuca (acantose nigricans), esteatose hepática, síndrome do ovário policístico (SOP) ou baixo peso de nascimento em relação à idade gestacional
São do sexo masculino
Têm parentes próximos (pais ou irmãos) com diabetes tipo 2
Têm uma mãe que teve diabetes durante a gravidez (diabetes gestacional) ou que tem histórico de diabetes tipo 2
Ingestão excessiva de bebidas adoçadas com açúcar
Não são fisicamente ativas
Sintomas do diabetes tipo 2 em crianças e
Muitas crianças não têm nenhum sintoma ou têm apenas sintomas leves, e é possível que seu diabetes tipo 2 seja detectado apenas quando exames de sangue ou de urina são feitos por outros motivos (como durante uma avaliação física antes de praticar esportes ou ir acampar).
Os sintomas nas crianças com diabetes tipo 2 são mais leves que os do diabetes tipo 1 e se manifestam mais lentamente. Os pais podem notar um aumento da sede e da micção na criança ou somente sintomas vagos, como fadiga.
Algumas pessoas com diabetes tipo 2 apresentam escurecimento e espessamento da pele na nuca e nas axilas, um quadro clínico denominado acantose nigricans.
Acanthosis nigricans is darkening and thickening of skin caused by insulin resistance. It is often seen on the back of the neck and in the armpits of children and adolescents with type 2 diabetes.
Photos provided by Thomas Habif, MD.
Crianças com diabetes tipo 2 têm uma probabilidade menor de desenvolver cetoacidose do que aquelas com diabetes tipo 1, mas a cetoacidose ou um tipo de desidratação e confusão grave (chamado estado hiperglicêmico hiperosmolar) ainda pode se desenvolver.
Diagnóstico
O diagnóstico do diabetes tipo 2 é feito com base em um nível elevado de glicose no sangue (consulte Diagnóstico de diabetes em crianças e adolescentes) e após o tipo de diabetes (tipo 1, tipo 2 ou outro tipo ter sido determinado por meio de exames [consulte Determinação do tipo de diabetes]). Os pacientes também fazem um exame de sangue para anticorpos específicos contra o diabetes, que geralmente não são encontrados no diabetes tipo 2.
Exames depois do diagnóstico
Crianças diagnosticadas com diabetes tipo 2 fazem exames de sangue para determinar o funcionamento do fígado e rins, além de exames de urina. Quando o diagnóstico é feito, as crianças com diabetes tipo 2 são também examinadas para detectar a presença de outros problemas, como hipertensão arterial, níveis elevados de lipídios (gorduras) no sangue e esteatose hepática (antigamente denominada doença hepática gordurosa) porque esses problemas são comuns em crianças com diabetes tipo 2. Outros exames são realizados dependendo dos sintomas. Por exemplo, as crianças com sonolência diurna e que roncam enquanto dormem são avaliadas para apneia obstrutiva do sono e garotas adolescentes com muitos pelos e acne ou irregularidades menstruais são avaliadas para síndrome do ovário policístico.
Tratamento
Tratamento do diabetes tipo 2
No diabetes tipo 2, as modificações do estilo de vida dão enfoque ao peso para a maioria das crianças. Medidas para melhorar as opções alimentares e controlar o consumo de alimentos incluem eliminar bebidas com açúcar, controlar o tamanho das porções, passar a usar alimentos com baixo teor de gordura e aumentar o consumo de fibra ao comer mais frutas e verduras.
Optar por alimentos saudáveis pode ajudar a controlar a glicose no sangue e proteger a saúde cardíaca. As crianças devem procurar consumir frutas e verduras, grãos integrais e alimentos ricos em fibras (por exemplo, alimentos que têm, no mínimo, 3 gramas de fibra ou mais por porção). Em geral, os alimentos não devem conter um alto teor de carboidratos altamente processados (refinados), sobretudo doces, produtos de confeitaria (como biscoitos, rosquinhas e bolos) e bebidas com alto teor de açúcar. As crianças não devem tomar mais de 120 a 240 ml de suco integral de frutas por dia. Elas devem evitar tomar refrigerantes normais, chá adoçado, limonada, ponche de frutas e bebidas esportivas. A criança também deve evitar alimentos com alto teor de gorduras saturadas, tais como produtos de confeitaria, lanches processados (como batata chips e salgadinhos de milho), alimentos fritos (como batata frita) e lanches do tipo “fast food”. Alguns desses alimentos podem ainda conter gorduras trans, ingredientes comuns em certos alimentos comerciais, que estão sendo removidos por terem demonstrado estar associados ao aumento do risco de uma doença cardíaca.
A prática regular de exercícios é importante porque ela melhora o controle da glicose e facilita a perda de peso. Uma vez que exercícios vigorosos podem causar uma queda significativa na glicose no sangue, algumas crianças com diabetes tipo 1 podem precisar ingerir alguns carboidratos a mais antes e/ou durante a atividade física.
As crianças com diabetes tipo 2 normalmente não são tratadas no hospital, salvo se o diabetes for grave. Normalmente, elas recebem medicamentos para baixar o nível de glicose no sangue (medicamentos anti-hiperglicêmicos) durante consultas normais ao médico. As crianças com diabetes grave podem precisar ser hospitalizadas para dar início ao tratamento com insulina. As crianças com diabetes tipo 2 desenvolvem com menos frequência desidratação grave ou cetoacidose diabética (CAD), como ocorre no diabetes tipo 1.
Metformina é muito comumente o primeiro medicamento administrado por via oral para crianças e adolescentes com menos de 18 anos de idade. Ela é iniciada a uma dose baixa e sua dose é frequentemente aumentada com o passar de várias semanas. Ela pode ser tomada com alimentos ou administrada como uma apresentação de liberação prolongada para prevenir náuseas e dores abdominais.
Insulina é administrada a crianças hospitalizadas devido a cetose, CAD ou estado hiperglicêmico hiperosmolar. A insulina pode frequentemente ser interrompida depois de várias semanas assim que os níveis de glicose voltarem ao normal depois do tratamento com metformina. Crianças cujo diabetes tipo 2 não é controlado apenas por metformina recebem insulina ou outro medicamento chamado liraglutida. Aproximadamente metade dos adolescentes com diabetes tipo 2 acaba por ter que tomar insulina.
Liraglutida, exenatida e dulaglutida são medicamentos injetáveis que podem ser administrados a crianças com mais de 10 anos de idade com diabetes tipo 2. Semaglutida é outro medicamento injetável que pode ser administrado a pessoas a partir de 12 anos de idade para controlar o diabetes tipo 2 e tratar a obesidade. Esses medicamentos são conhecidos como agonistas do GLP‑1. O GLP‑1 é um hormônio que desempenha várias funções no corpo, incluindo evitar que mais glicose entre na corrente sanguínea, retardar o esvaziamento do estômago e afetar as áreas do cérebro que processam a fome e a plenitude (saciedade). Os agonistas do GLP‑1 atuam agindo como o hormônio GLP‑1 e, portanto, ajudam a controlar a glicose no sangue acionando o pâncreas para liberar mais insulina e por ter um efeito que reduz o apetite e a fome, resultando em perda de peso. Os agonistas do GLP‑1 também ajudam a reduzir os níveis de HbA1C. Eles podem ser administrados a crianças que tomam metformina, mas cujo nível de HbA1C não está no intervalo alvo, ou administrados no lugar da metformina a crianças que não conseguem tolerar esse medicamento.
Empagliflozina é um medicamento tomado por via oral que pode ser administrado a crianças com mais de 10 anos de idade com diabetes tipo 2. Esse medicamento é um inibidor do cotransportador de sódio-glicose tipo 2 (SGLT2). Aempagliflozina ajuda a reduzir os níveis de glicose no sangue ao aumentar a quantidade de glicose que é removida do corpo na urina. Ela não pode ser tomada por pessoas com doença renal grave ou que estão em diálise. Ela pode aumentar o risco de CAD e pode causar infecções do trato urinário (ITUs) e candidíase genital.
Outros medicamentos usados para adultos com diabetes tipo 2 podem ajudar alguns adolescentes, mas eles são mais caros e existe evidência limitada de seu uso em crianças.
Algumas crianças que perdem peso, melhoram suas opções alimentares e fazem exercícios regularmente podem conseguir suspender os medicamentos.
Triagem e prevenção
Diabetes tipo 2
Visto que o tratamento imediato (tais como mudanças nas opções alimentares, aumento da atividade física e perda de peso) pode ajudar a prevenir ou adiar o surgimento do diabetes tipo 2, crianças com risco de ter diabetes tipo 2 devem ser avaliadas por meio de exames de sangue que medem a concentração de hemoglobina A1c. Esse exame deve ser realizado pela primeira vez quando a criança tiver 10 anos de idade ou quando a puberdade tiver início (caso a puberdade tenha iniciado antes disso) e deve ser repetido a cada três anos, se estiver normal.
Alguns fatores de risco para diabetes tipo 2 podem ser modificados. Por exemplo, crianças obesas devem perder peso e todas as crianças devem se exercitar regularmente (consulte Nutrição e exercício).



