A mutilação genital feminina é uma prática tradicional em algumas culturas que envolve a remoção de parte ou de toda a genitália externa.
A genitália externa feminina inclui o clitóris (uma pequena protuberância na genitália feminina que é sensível ao estímulo sexual), os lábios (as dobras de pele ou tecido que envolvem e protegem os órgãos genitais) e o hímen (uma membrana fina que circunda a abertura da vagina).
A mutilação genital feminina é praticada rotineiramente em algumas culturas em regiões da África (geralmente, na África do Norte ou na África Central). A mutilação também é praticada em algumas regiões do Oriente Médio assim como em outras partes do mundo. Em culturas onde é praticada, frequentemente se considera que a mutilação proporciona benefícios em relação à higiene feminina, fertilidade e castidade, além do prazer sexual masculino, e pode ser necessária para poderem se casar. A mutilação genital feminina pode estar desaparecendo devido à influência de líderes religiosos que se declararam contra a prática e devido à crescente oposição em algumas comunidades.
A prática tem muitas potenciais complicações e nenhum benefício para a saúde. Normalmente, A mutilação é feita sem anestesia.
A Organização Mundial da Saúde define 4 tipos principais de mutilação dos órgãos genitais femininos:
Clitoridectomia: Remoção parcial ou total do clitóris e da dobra de pele que rodeia o clitóris (denominado prepúcio ou capuz clitoriano)
Excisão: Remoção parcial ou total do clitóris e dos pequenos lábios, com ou sem remoção dos grandes lábios
Infibulação: Estreitamento da abertura vaginal cortando e reposicionando os pequenos lábios ou grandes lábios, às vezes por meio de sutura, com ou sem remoção do clitóris ou do capuz clitoriano
Outros: Outros procedimentos nocivos realizados nos órgãos genitais femininos por motivos não médicos (como punção, perfuração, remoção de tecido [incisão], raspagem e cauterização da área genital)
As consequências da mutilação genital incluem sangramento e infecção (incluindo tétano), problemas menstruais, dor crônica na área do procedimento, dor ou laceração do tecido durante a relação sexual ou problemas de saúde mental. As mulheres que engravidam após a mutilação podem ter lesões graves na área pélvica externa ou sangramento (hemorragia) durante o parto.
As mulheres que foram submetidas à infibulação precisam ser tratadas por um profissional de saúde que seja culturalmente sensível. As mulheres que sofreram infibulação podem ter infecções urinárias e ginecológicas recorrentes e formação de tecido cicatricial. Às vezes, a mulher deseja ou precisa de um procedimento de desinfibulação, que costuma ser realizado antes de se envolver em atividade sexual ou antes de dar à luz por via vaginal. As mulheres devem receber cuidados de um especialista com experiência neste procedimento.



