Câncer de mama

PorLydia Choi, MD, Karmanos Cancer Center
Revisado porOluwatosin Goje, MD, MSCR, Cleveland Clinic, Lerner College of Medicine of Case Western Reserve University
Revisado/Corrigido: out. 2023 | modificado abr. 2025
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Fatos rápidos

O câncer de mama ocorre quando algumas células na mama se tornam anômalas e se dividem de maneira descontrolada. O câncer de mama geralmente começa nas glândulas que produzem leite (lóbulos) ou nos tubos (dutos) que transportam o leite das glândulas até o mamilo.

  • O câncer de mama é um dos tipos mais frequentes de câncer em mulheres.

  • Normalmente, o primeiro sintoma é um nódulo indolor, geralmente notado pela própria mulher.

  • Se um nódulo sólido for detectado, o médico utiliza uma agulha oca para coletar uma amostra de tecido ou faz uma incisão e remove parte ou todo o nódulo e, depois, examina o tecido ao microscópio (biópsia).

  • O câncer de mama quase sempre exige cirurgia, às vezes com radioterapia, quimioterapia, outros medicamentos ou uma combinação desses.

  • O prognóstico depende do tipo, tamanho e disseminação do câncer e de outros fatores.

(Consulte também Considerações gerais sobre distúrbios de mama.)

Os distúrbios de mama podem ser não cancerosos (benignos) ou cancerosos (malignos). A maioria é não cancerosa. Muitas vezes, não precisam de tratamento. Por outro lado, o câncer de mama pode significar a perda de uma mama ou ser potencialmente fatal. No entanto, com frequência, os possíveis problemas podem ser detectados precocemente quando a mulher realiza:

  • Exames físicos pelo médico em intervalos regulares

  • Mamografias nos intervalos recomendados

A mulher deve estar familiarizada com a aparência e a sensação das próprias mamas. Uma vez que o câncer de mama também afeta homens, eles devem prestar atenção em alterações nos mamilos ou ao redor deles. Caso a mulher perceba uma alteração, ela pode fazer um autoexame da mama. A mulher deve informar toda alteração a um profissional de saúde imediatamente. A maioria das organizações médicas não recomenda mais a realização de autoexames da mama mensais ou semanais como uma medida rotineira de prevenção contra o câncer. Realizar esses exames quando não houver nódulo ou outra alteração não ajuda a detectar câncer de mama precocemente em mulheres que fazem mamografias preventivas em intervalos regulares.

A detecção precoce do câncer de mama pode ser essencial para o sucesso do tratamento.

O câncer de mama é o segundo tipo de câncer que ocorre com mais frequência em mulheres (o câncer de pele é o tipo mais frequente) nos Estados Unidos. O câncer de mama é a segunda principal causa de morte por câncer (a primeira é o câncer de pulmão) em mulheres em geral, mas é a principal causa de morte por câncer em mulheres negras. Mulheres negras são mais propensas a morrer de câncer de mama que qualquer outra raça ou etnia; mulheres asiáticas e das ilhas do Pacífico têm a menor taxa de mortalidade por câncer de mama. (Consulte também American Cancer Society: Key Statistics for Breast Cancer.)

Estima-se que nas mulheres nos Estados Unidos em 2023 haverá:

Estima-se que 2.800 novos casos de câncer de mama invasivo e 530 mortes causadas por ele ocorrerão em homens nos Estados Unidos em 2023.

Fatores de risco do câncer de mama

Vários fatores afetam o risco de ter câncer de mama. Assim, para algumas mulheres, o risco é muito maior ou menor que a média. A maioria dos fatores que aumentam o risco, como a idade e certos genes anômalos, não pode ser modificada. Por exemplo, uma em cada oito mulheres irá desenvolver câncer de mama ao longo da vida. Contudo, o risco é menor em mulheres mais jovens; portanto, uma mulher de 40 anos de idade tem apenas aproximadamente uma chance em 70 de ter câncer de mama na próxima década. Mas o risco aumenta à medida que a mulher envelhece.

A prática de atividade física de maneira regular, sobretudo durante a adolescência e no início da idade adulta, pode reduzir o risco de ter câncer de mama.

A maneira mais importante de minimizar os riscos à saúde da mulher é ficar atento para detectar o câncer de mama, para que ele possa ser diagnosticado e tratado precocemente, quando a chance de cura é maior. A detecção precoce tem mais probabilidade de ocorrer quando a mulher faz mamografias.

Tabela
Tabela

Idade

A taxa de câncer de mama nos Estados Unidos é maior entre mulheres com idades entre 65 e 74 anos. A idade mediana geral de diagnóstico é 63 anos; a idade é um pouco menor para mulheres negras (60 anos de idade) em comparação a mulheres brancas (63 anos de idade).

Raça e etnia

Mulheres negras têm a maior taxa de mortalidade por câncer de mama em comparação com outras raças ou etnias. Mulheres negras, hispânicas, indígenas americanas e nativas do Alasca têm mais probabilidade de ter câncer de mama que se espalhou (gerou metástase) no momento do diagnóstico que mulheres brancas, asiáticas e das ilhas do Pacífico. 

Histórico familiar do câncer de mama

Mulheres com um parente de primeiro grau (mãe, irmã ou filha) que tiveram câncer de mama têm o dobro do risco de desenvolver câncer de mama. O risco é três ou quatro vezes maior se dois ou mais parentes de primeiro grau tiverem tido câncer de mama. No entanto, o risco é apenas ligeiramente maior que a média se parentes mais distantes (avó, tia ou prima) tiverem tido câncer de mama.

Mutação no gene para o câncer de mama

Várias mutações genéticas aumentam o risco de ter câncer de mama. As mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 estão presentes em menos de 1% das mulheres. Essas mutações são mais comuns em pessoas de ascendência judaica asquenaze. Cerca de 5% a 10% das mulheres com câncer de mama têm uma dessas mutações genéticas. Se uma mulher tiver uma dessas mutações, ela tem aproximadamente 50% a 85% de chance de ter câncer de mama até o fim da vida. O risco de ter câncer de mama até os 80 anos de idade é de aproximadamente 72% na presença de uma mutação no BRCA1 e de aproximadamente 69% na presença de uma mutação no BRCA2. No entanto, se uma mulher tiver câncer de mama, sua chance de morrer em razão dele não será necessariamente maior que a chance de qualquer outra mulher com câncer de mama.

Ter uma mutação no BRCA também aumenta o risco de ter câncer de ovário. As mulheres com mutações no gene BRCA1 têm um risco de aproximadamente 40% de desenvolver câncer de ovário. No caso de mulheres com mutações no gene BRCA2, o risco é aproximadamente 15%.

Homens que têm uma mutação no gene BRCA têm um risco de 1% a 2% de desenvolver câncer de mama.

As mulheres com uma dessas mutações precisam ser monitoradas com mais atenção quanto à presença de câncer de mama, por exemplo, por meio da realização de exames mais frequentes ou por meio de exames preventivos, incluindo tanto a mamografia como a ressonância magnética (RM). Alternativamente, elas podem tentar impedir o surgimento do câncer tomando tamoxifeno ou removendo ambos os seios (mastectomia dupla).

Antecedentes de câncer de mama

Ter histórico de câncer de mama aumenta o risco de ter outro câncer de mama. No caso de mulheres que realizaram uma mastectomia para remover uma mama, o risco de ter câncer na outra mama é de aproximadamente 0,4% por ano.

Idade da primeira menstruação, da primeira gravidez e da menopausa

Começar a ter menstruações em uma idade mais jovem ou começar a menopausa mais tarde do que a média aumenta o risco de ter câncer de mama. O risco aumenta conforme a idade seja mais avançada na primeira gravidez.

Doença mamária benigna

As mulheres que tiveram determinadas alterações nas mamas parecem ter um risco ligeiramente maior de ter câncer de mama. Incluem

  • Alterações na mama que exigiram uma biópsia para descartar a hipótese de câncer

  • Quadros clínicos que alteram a estrutura, aumentam o número de células ou causam o surgimento de nódulos ou outras alterações no tecido mamário, como fibroadenoma complexo, hiperplasia (crescimento exagerado do tecido), hiperplasia atípica (hiperplasia com tecido apresentando estrutura anômala) nos dutos de leite ou nas glândulas produtoras de leite, adenose esclerosante (crescimento exagerado do tecido nas glândulas produtoras de leite) ou papiloma (tumor não canceroso com projeções que lembram dedos)

No caso de mulheres com essas alterações, o risco de ter câncer de mama é apenas ligeiramente maior, a menos que a estrutura de tecido anômalo seja detectada durante uma biópsia ou que ela tenha um histórico familiar de câncer de mama.

Tecido mamário denso

A presença de tecido mamário denso em uma mamografia preventiva está associada a um risco maior de ter câncer de mama. A presença de tecido mamário denso também dificulta a identificação do câncer de mama em uma mamografia pelo médico. Ter mamas densas significa que a mulher tem mais tecido fibroglandular (composto por tecido conjuntivo fibroso e glândulas) e menos tecido adiposo na mama.

Contraceptivos orais (pílulas anticoncepcionais)

Não se sabe se o uso de contraceptivos orais aumenta o risco de ter câncer de mama. Alguns estudos encontraram um pequeno aumento no risco em usuárias atuais ou recentes.

Terapia hormonal

Após a menopausa, tomar terapia hormonal combinada (estrogênio com uma progestina) por alguns anos ou mais aumenta o risco de câncer de mama. Tomar estrogênio individualmente não parece aumentar o risco de ter câncer de mama. Tomar moduladores seletivos do receptor de estrogênio (tais como o raloxifeno) reduz o risco de ter câncer de mama.

Exposição à radiação

A exposição do tórax à radiação (por exemplo, no caso de radioterapia para câncer) até os 45 anos de idade aumenta o risco, sendo que o risco é maior nas pessoas expostas entre os 10 e 14 anos de idade.

Dieta

A dieta talvez contribua para o surgimento ou crescimento do câncer de mama, mas não existe evidência sobre os efeitos causados por um tipo específico de dieta (por exemplo, uma dieta rica em gorduras) (consulte também Dieta e câncer).

Obesidade

O risco de ter câncer de mama é um pouco maior para mulheres que apresentam obesidade após a menopausa.

Existem pesquisas em andamento sobre o vínculo entre a obesidade e o câncer (consulte também the National Cancer Institute: Uncovering the Mechanisms Linking Obesity and Cancer Risk).

Tabagismo e álcool

O tabagismo e a ingestão regular de bebidas alcoólicas podem aumentar o risco de câncer de mama. Especialistas recomendam que as mulheres se limitem a uma bebida alcoólica por dia. Uma bebida é aproximadamente 340 ml de cerveja, 145 ml de vinho ou 40 ml de bebida mais concentrada, como uísque.

Tipos de câncer de mama

O câncer de mama costuma ser classificado de acordo com os critérios a seguir:

  • O tipo de tecido que deu origem ao câncer

  • O grau de disseminação do câncer

  • O tipo dos receptores tumorais nas células cancerosas

O tipo de tecido

Existem muitos tipos de tecidos na mama. O câncer pode surgir na maioria desses tecidos, incluindo

  • Dutos de leite (chamado de carcinoma dutal)

  • Nas glândulas produtoras de leite ou lóbulos (chamado de carcinoma lobular)

  • No tecido adiposo ou conjuntivo (chamado sarcoma): Este tipo é raro.

O carcinoma dutal é responsável por aproximadamente 90% dos casos de câncer de mama.

A doença de Paget da mama é um carcinoma dos ductos mamários que afeta a pele sobre o mamilo e ao redor dele. O primeiro sintoma é uma ferida dura ou escamosa no mamilo ou uma secreção do mamilo. Aproximadamente 50% das mulheres com esse tipo de câncer também têm um nódulo na mama que pode ser sentido. As mulheres com a doença de Paget do mamilo também podem ter outro câncer de mama que não é sentido, mas que pode ser observado por meio de exames de imagem: mamografia, ressonância magnética (RM) ou ultrassonografia, realizados para procurar por um outro câncer. Uma vez que essa doença geralmente causa pouco desconforto, as mulheres podem ignorá-la por um ano ou mais antes de consultar um médico. O prognóstico depende da invasão e do tamanho do câncer, e se ele se disseminou para os linfonodos.

Os tumores filoides de mama são relativamente raros, sendo responsáveis por menos de 1% dos casos de câncer de mama. Entre 10% e 25% são cancerosos. Eles se originam no tecido mamário em torno dos dutos de leite e glândulas produtoras de leite. O tumor se dissemina para outras partes do corpo (gera metástases) em aproximadamente 10% a 20% das mulheres com a doença. Cerca de 20% a 35% das mulheres que tiveram o tumor apresentam recidiva. O prognóstico é bom, exceto quando há metástase do tumor.

Extensão da disseminação

O câncer de mama pode ficar na mama ou se disseminar para qualquer parte do corpo através dos vasos linfáticos ou da corrente sanguínea. As células cancerosas tendem a se mover para dentro dos vasos linfáticos na mama. A maioria dos vasos linfáticos na mama drena para os linfonodos da axila (linfonodos axilares). Uma função dos linfonodos é filtrar e destruir células anômalas ou estranhas, tais como células cancerosas. Se as células cancerosas ultrapassarem esses linfonodos, o câncer pode se disseminar para outras partes do corpo.

O câncer de mama tende a se espalhar (gerar metástase) até os ossos, cérebro, pulmões, fígado e pele, mas ele pode se espalhar para qualquer região. A disseminação até o couro cabeludo é incomum. O câncer de mama pode aparecer nessas regiões anos ou até mesmo décadas depois de diagnosticado e tratado pela primeira vez. Se o câncer se disseminar para uma região, provavelmente se disseminará para outras regiões, mesmo que isso não possa ser detectado imediatamente.

O câncer de mama pode ser classificado como

  • Carcinoma in situ

  • Câncer invasivo

Carcinoma in situ significa câncer no lugar. É o estádio mais precoce do câncer de mama. O carcinoma in situ pode ser grande e até mesmo afetar uma área significativa da mama, mas não invade os tecidos ao redor nem se dissemina para outras partes do corpo.

O carcinoma dutal in situ fica confinado nos dutos de leite da mama. Ele não invade o tecido da mama ao redor, mas pode se disseminar pelos dutos e afetar gradualmente uma área significativa da mama. Esse tipo é responsável por 85% dos casos de carcinoma in situ e pelo menos metade dos casos de câncer de mama. Ele costuma ser detectado por mamografia. Esse tipo pode se tornar invasivo.

O carcinoma lobular in situ surge dentro das glândulas produtoras de leite (lóbulos) da mama. Geralmente ocorre em diversas regiões de ambas as mamas. A mulher com carcinoma lobular in situ têm entre 1% e 2% de chance por ano de ter câncer de mama invasivo na mama afetada ou na outra mama. Normalmente, o carcinoma lobular in situ não pode ser visto em uma mamografia e só é detectado por biópsia. Há dois tipos de carcinoma lobular in situ: clássico e pleomórfico. O tipo clássico não é invasivo, mas tê-lo aumenta o risco de desenvolver câncer invasivo em uma das mamas. O tipo pleomórfico dá origem a um câncer invasivo e, quando é detectado, ele é removido cirurgicamente.

O câncer invasivo pode ser classificado da seguinte forma:

  • Localizada: O câncer está confinado à mama.

  • Regional: O câncer invade os tecidos perto das mamas, como a parede torácica ou linfonodos.

  • Distante (metastático): O câncer se disseminou a partir da mama para outras partes do corpo (gerou metástase).

O carcinoma dutal invasivo começa nos dutos de leite, mas rompe a parede dos dutos, invadindo o tecido mamário ao redor. Ele também pode se espalhar para outras partes do corpo. Ele é responsável por aproximadamente 75% dos casos de câncer de mama invasivos.

O carcinoma lobular invasivo começa nas glândulas produtoras de leite da mama, mas invade o tecido mamário ao redor e se dissemina para outras partes do corpo. É mais provável de ocorrer em ambas as mamas do que outros tipos de câncer de mama. Ele é responsável pela maior parte dos outros casos de câncer de mama invasivos.

Tipos raros de câncer de mama invasivo incluem

  • Carcinoma medular

  • Carcinoma tubular

  • Carcinoma metaplásico

  • Carcinoma mucinoso

Tipos raros que normalmente têm um prognóstico reservado incluem câncer de mama metaplásico e inflamatório. Tipos raros que costumam ser associados a um prognóstico favorável incluem carcinomas medulares, mucinosos, cribriformes e tubulares. O carcinoma mucinoso geralmente surge em mulheres mais velhas e tende a crescer lentamente.

Receptores tumorais

Todas as células, incluindo as células cancerosas da mama, têm moléculas em suas superfícies chamadas de receptores. Um receptor tem uma estrutura específica que permite que apenas substâncias específicas entrem e, assim, afetem a atividade da célula. O fato de as células cancerosas da mama terem ou não determinados receptores afeta a rapidez com que o câncer se dissemina e como ele deve ser tratado.

Os receptores tumorais incluem:

  • Receptores de estrogênio e de progesterona: Algumas células cancerosas da mama têm receptores de estrogênio. O câncer resultante, descrito como positivo para receptores de estrogênio, cresce ou se dissemina quando estimulado pelo estrogênio. Aproximadamente 80% das mulheres na pós-menopausa e 20% das mulheres na pré-menopausa com câncer de mama têm câncer positivo para receptores de estrogênio. Algumas células cancerosas da mama têm receptores de progesterona. O câncer resultante, descrito como positivo para receptores de progesterona é estimulado pela progesterona. Aproximadamente 70% de todos os cânceres de mama são positivos para receptores de progesterona. Os cânceres de mama com receptores de estrogênio e, possivelmente, aqueles com receptores de progesterona crescem mais lentamente do que aqueles que não possuem esses receptores, e o prognóstico é melhor. (O estrogênio e a progesterona são hormônios sexuais femininos.)

  • Receptores de HER2 (também denominados HER2/neu): Células mamárias normais têm receptores de HER2, que as ajudam a crescer. (HER significa receptor do fator de crescimento epitelial humano, que está envolvido na multiplicação, sobrevivência e diferenciação de células.) Em aproximadamente 15% dos cânceres de mama, as células cancerosas têm um excesso de receptores de HER2. Geralmente, esses têm crescimento muito rápido.

Outras características

Algumas vezes, o câncer é também classificado com base em outras características.

Um exemplo é o câncer de mama inflamatório. O nome se refere aos sintomas do câncer, e não ao tecido afetado. Esse tipo se desenvolve rapidamente, é especialmente agressivo e costuma ser fatal. As células cancerosas bloqueiam os vasos linfáticos da pele da mama, fazendo com que a mama pareça inflamada: inchada, vermelha e quente. Geralmente, o câncer de mama inflamatório se dissemina para os linfonodos da axila. Os linfonodos podem ser sentidos como nódulos duros. No entanto, muitas vezes nenhum nódulo pode ser sentido na mama em si, porque esse tipo de câncer se dispersa por toda a mama. O câncer de mama inflamatório é responsável por cerca de 1% dos casos de câncer de mama.

Sintomas do câncer de mama

Nos estágios iniciais, o câncer de mama geralmente não causa sintomas. A maneira mais comum de descobri-lo é quando uma mulher (ou um profissional de saúde) encontra um nódulo indolor na mama.

Algumas mulheres com câncer de mama têm dor na mama, mas a dor na mama tem muitas causas e geralmente não significa que uma mulher tem câncer de mama. Dor sem nódulo raramente é decorrente de câncer de mama.

Secreção sanguinolenta no mamilo, sobretudo se for de apenas uma das mamas, pode ser um sintoma de câncer de mama.

Se uma mulher tiver um nódulo na mama que não desaparece após alguns dias ou tiver secreção sanguinolenta no mamilo, ela deve ser avaliada por um profissional de saúde.

Geralmente, a sensação de um nódulo na mama é bem diferente da sensação do tecido da mama circundante. Um nódulo na mama possivelmente canceroso costuma ser um espessamento firme e característico que aparece em uma mama, mas não na outra. No entanto, nódulos não cancerosos (tais como fibroadenomas) podem ter essas mesmas características. Normalmente, alterações granulosas disseminadas na mama, especialmente na região externa superior, não são cancerosas e indicam alterações fibrocísticas.

Nos estádios iniciais, o nódulo pode se mover livremente sob a pele quando é empurrado com os dedos.

Em estádios mais avançados, o nódulo geralmente se prende à parede torácica ou à pele sobre ele. Nesses casos, o nódulo não pode ser movido de nenhuma maneira ou não pode ser movido separadamente da pele sobre ele. Uma mulher pode verificar se um nódulo está preso ao tecido circundante levantando os braços sobre a cabeça enquanto está em pé na frente de um espelho. Se uma mama tiver um nódulo que está preso à parede torácica ou à pele, essa manobra pode fazer a pele franzir ou criar uma covinha ou fazer com que uma mama pareça diferente da outra.

Saliências inchadas ou feridas purulentas podem surgir na pele no caso de câncer muito avançado. Às vezes, a pele sobre o nódulo fica com covinhas e espessa e a textura (mas não a cor) se parece com a casca de uma laranja (peau d’orange).

Caso o câncer tenha se disseminado, os linfonodos, sobretudo aqueles na axila no lado afetado, podem parecer caroços duros ao toque. Os linfonodos podem estar aglomerados ou se prenderem à pele ou à parede torácica. Geralmente são indolores, mas podem ser um pouco doloridos. Linfonodos aumentados na axila também podem ocorrer por motivos não relacionados a câncer, tal como uma infecção.

Ocasionalmente, os primeiros sintomas ocorrem apenas quando o câncer se disseminou para outro órgão. Por exemplo, se o câncer de mama tiver se disseminado para os ossos, eles podem ficar doloridos ou enfraquecidos, causando uma fratura. Se o câncer se disseminou para os pulmões, a mulher pode ter tosse ou dificuldade para respirar.

Na doença de Paget da mama, o primeiro sintoma é uma ferida com crosta ou escamosa no mamilo ou secreção do mamilo. Essas alterações podem parecer inofensivas, pelo que a mulher pode não achar que precisa consultar um profissional de saúde. Muitas mulheres que têm esse câncer também têm um nódulo na mama.

No câncer de mama inflamatório, a mama fica quente, vermelha e inchada, como se estivesse inflamada (mas não está). A pele da mama pode ficar com covinhas e rígida, como a casca de uma laranja, ou pode ter cristas. O mamilo pode se voltar para dentro (invertido). Uma secreção do mamilo é comum. Frequentemente, não é possível sentir um nódulo na mama, mas toda a mama está maior.

Diagnóstico do câncer de mama

  • Detecção inicial com mamografia e/ou outros exames de imagem (tomossíntese de mama, ultrassonografia, ressonância magnética [RM]) ou exame clínico da mama

  • Biópsia

Sintomas, exame da mama por um profissional de saúde ou resultados de uma mamografia preventiva podem dar origem a uma avaliação diagnóstica quanto à presença de câncer de mama.

Vários exames de imagem podem ser usados para avaliar o câncer de mama. O tipo de exame de imagem realizado primeiro depende dos sintomas e dos resultados de um exame físico e, às vezes, de outros fatores.

Se uma mamografia (ou RM) preventiva apresentar um achado sugestivo de câncer, geralmente o próximo passo é fazer uma biópsia. Algumas mulheres com alto risco de câncer de mama fazem tanto uma mamografia como uma RM.

Quando a mulher se consulta com um profissional de saúde devido a sintomas ou alterações na mama (por exemplo, um nódulo, secreção no mamilo ou sensibilidade) e se alterações forem encontradas durante um exame físico, uma ultrassonografia é geralmente a primeira coisa a ser feita para diferenciar entre um cisto na mama (saco cheio de líquido) e um nódulo sólido. Essa distinção é importante porque os cistos geralmente não são cancerosos. Se os resultados da ultrassonografia estiverem alterados ou forem inconclusivos, uma mamografia de acompanhamento será realizada.

Apenas entre 10% e 15% das anomalias detectadas durante exames de rotina com a mamografia são confirmadas como câncer.

Mesmo se os resultados dos exames de imagem forem negativos, uma biópsia será feita se um nódulo ou outros achados forem sugestivos de câncer.

Biópsia da mama

Todas as alterações sugestivas de câncer serão examinadas por biópsia.

O médico pode fazer uma dentre os diversos tipos de biópsia:

  • Biópsia por agulha grossa: Uma agulha grossa e oca com uma ponta especial é utilizada para remover uma amostra de tecido da mama.

  • Biópsia aberta (cirúrgica): O médico faz uma pequena incisão na pele e no tecido mamário e remove todo o nódulo ou parte dele. Esse tipo de biópsia é feito quando não for possível realizar uma biópsia por agulha. Ela pode também ser feita depois de uma biópsia por agulha que não detectou câncer para ter certeza de que o câncer não passou despercebido pela biópsia por agulha.

Um exame por imagem geralmente é realizado durante uma biópsia para ajudar o médico a saber onde inserir a agulha de biópsia.

Exames de imagem também podem ser realizados para guiar a biópsia. Isso melhora a exatidão de uma biópsia por agulha grossa. Por exemplo, no caso de um nódulo (quer sentido ou visto em uma mamografia), uma biópsia por agulha grossa é guiada por ultrassonografia para conseguir chegar ao tecido anômalo com exatidão. Quando um exame de imagem é utilizado para guiar o posicionamento da agulha, um grampo costuma ser colocado durante a biópsia para marcar o local.

Quando uma anomalia é vista apenas em uma RM, então uma RM será utilizada para guiar o posicionamento da agulha de biópsia.

Uma biópsia estereotáxica é um tipo de biópsia guiada por imagem. Elas são úteis quando existem depósitos minúsculos de cálcio (denominadas microcalcificações) dispostos em padrões anormais na mama. Esse tipo de biópsia ajuda o médico a localizar e a remover com exatidão uma amostra de tecido anômalo. Durante uma biópsia estereotáxica, o médico tira imagens mamográficas de dois ângulos e envia as imagens bidimensionais para um computador. O computador faz uma comparação entre elas e calcula a localização exata da anomalia em três dimensões. O tecido mamário a ser examinado por biópsia estereotáxica é radiografado para garantir que o médico de fato coletou uma amostra das microcalcificações anormais.

A maioria das mulheres não precisa ser internada no hospital para esses procedimentos. Geralmente, apenas é necessário um anestésico local.

Um patologista (um tipo de médico que examina tecido de biópsia) examina as amostras de biópsia ao microscópio para determinar se células cancerosas estão presentes.

Avaliação após o diagnóstico de câncer

Se o câncer for diagnosticado, a mulher é examinada por especialistas em câncer (oncologistas), que podem incluir cirurgiões, oncologistas (especialistas em quimioterapia) e radio-oncologistas. Esses médicos determinam quais exames devem ser feitos e planejam o tratamento.

Se forem detectadas células cancerosas, a amostra da biópsia será analisada para determinar as características das células cancerosas como, por exemplo,

  • Se as células cancerosas têm ou não receptores (de estrogênio ou progesterona)

  • Quantos receptores de HER2 estão presentes

  • A rapidez com que as células cancerosas estão se dividindo

  • Para alguns tipos de câncer de mama, o exame genético das células do câncer (painéis multigene)

Essas informações ajudam o médico a estimar a velocidade com que o câncer pode se disseminar e quais tratamentos têm mais chances de serem eficazes.

Depois que o câncer de mama é diagnosticado, os exames podem incluir

  • Uma radiografia do tórax para determinar se o câncer se disseminou

  • Exames de sangue, incluindo um hemograma completo, exames hepáticos e dosagem dos níveis de cálcio, também para determinar se o câncer se disseminou

  • No caso de mulheres com fatores de risco para ter os genes hereditários que aumentam o risco de ter câncer de mama (por exemplo, os genes BRCA), análise do sangue ou da saliva para verificar se esses genes estão presentes

  • Às vezes, cintilografia óssea (um exame de imagem dos ossos pelo corpo), tomografia computorizada (TC) do abdômen e tórax e exame de RM

  • Às vezes, exames de sangue para medir os níveis de substâncias produzidas por células cancerosas (marcadores tumorais)

A National Comprehensive Cancer Network (NCCN) recomenda que algumas mulheres com histórico atual ou pessoal de câncer de mama façam exames para pesquisar mutações genéticas hereditárias que aumentam a probabilidade de elas terem câncer de mama. Alguns especialistas recomendaram que exames genéticos sejam oferecidos a todas as pacientes com câncer de mama. No caso de exame genéticos, é possível que o médico encaminhe a mulher a um consultor genético, que pode documentar de forma detalhada o histórico familiar (incluindo todos os parentes que tiveram câncer), escolher os exames mais adequados e ajudar a interpretar os resultados.

Estadiamento do câncer de mama

Quando o câncer é diagnosticado, um estágio é atribuído a ele. O estágio é um número de 0 a IV (às vezes com subestágios indicados por letras) que reflete a extensão e agressividade do câncer:

  • Estágio 0 é atribuído a cânceres de mama in situ, como carcinoma dutal in situ. In situ significa que o câncer está no lugar. Isto é, o câncer não invadiu tecidos ao redor nem se espalhou para outras partes do corpo.

  • Estágios I a III são atribuídos ao câncer que se espalhou para tecidos dentro ou próximos da mama (câncer de mama localizado ou regional).

  • Estágio IV é atribuído ao câncer de mama metastático (câncer que se espalhou a partir da mama e dos linfonodos na axila para outras partes do corpo).

O estadiamento do câncer ajuda o médico a determinar o tratamento mais adequado e o prognóstico.

Muitos fatores são considerados para determinar o estágio do câncer de mama, tais como:

  • O tamanho do câncer

  • Se o câncer se disseminou para os linfonodos

  • Se ele se espalhou (metástase) para outros órgãos, como pulmões ou cérebro

Outros fatores importantes no estadiamento incluem os seguintes:

  • Grau: O aspecto das células cancerosas anormais ao microscópio, pontuação de 1 a 3

  • Status do receptor hormonal: Se as células cancerosas têm ou não receptores de estrogênio, progesterona e/ou HER2

  • Exames genéticos de câncer (por exemplo, o exame Oncotype DX): Para alguns cânceres de mama, quantos e quais genes anormais estão presentes

O grau varia, pois, embora todas as células cancerosas tenham aparência anômala, algumas parecem mais anômalas que outras. Se as células cancerosas não forem muito diferentes das células normais, o câncer é considerado bem diferenciado. Se as células cancerosas forem muito anormais, elas são consideradas indiferenciadas ou mal diferenciadas. Cânceres bem diferenciados tendem a crescer e se espalhar mais lentamente do que os cânceres indiferenciados ou mal diferenciados. Com base nessas e outras diferenças no aspecto ao microscópio, os médicos atribuem um grau à maioria dos cânceres.

A presença de receptores hormonais e de mutações genéticas nas células cancerosas afeta a forma pela qual o câncer responde a diferentes tratamentos e o seu prognóstico.

Tratamento do câncer de mama

  • Cirurgia

  • Radioterapia

  • Quimioterapia sistêmica (de corpo todo)

  • Bloqueadores hormonais (medicamentos que afetam os hormônios)

O tratamento para o câncer de mama tem início depois que o quadro clínico da mulher tiver sido extensivamente avaliado.

As opções de tratamento dependem do estádio e do tipo de câncer de mama e dos receptores que o câncer tem. No entanto, o tratamento é complexo, porque os diferentes tipos de câncer de mama têm características muito diferentes em relação à taxa de crescimento, à tendência a se disseminar (gerar metástase) e à resposta aos diversos tratamentos. Além disso, muito ainda é desconhecido sobre o câncer de mama. Consequentemente, os médicos podem ter diferentes opiniões sobre o tratamento mais adequado para uma mulher em particular.

As preferências da mulher e do médico afetam as decisões de tratamento (tomada de decisões compartilhada). A mulher que tem câncer de mama deve pedir uma explicação clara sobre o que atualmente se sabe sobre o câncer e sobre o que ainda é desconhecido, bem como uma descrição completa das opções de tratamento. Então, elas podem considerar as vantagens e desvantagens dos diferentes tratamentos e aceitar ou rejeitar as opções oferecidas.

O médico pode pedir às pacientes com câncer de mama para participar em estudos de pesquisa que investigam um novo tratamento. Novos tratamentos visam a aumentar as chances de sobrevivência ou qualidade de vida. A mulher deve pedir ao médico que explique os riscos e possíveis benefícios da participação, para que ela possa tomar uma decisão bem informada.

O tratamento geralmente envolve cirurgia e costuma incluir radioterapia e quimioterapia ou bloqueadores hormonais. Às vezes, a mulher pode escolher se a cirurgia incluirá a remoção parcial ou total de uma ou de ambas as mamas. As mulheres podem ser encaminhadas para um cirurgião plástico ou de reconstrução, que pode remover o câncer e reconstruir a mama na mesma operação.

Cirurgia

O tumor canceroso e quantidades variáveis ​​do tecido ao redor são removidos. Há duas alternativas principais para remoção do tumor:

  • Cirurgia de conservação da mama combinada com radioterapia

  • Remoção da mama (mastectomia)

No caso de mulheres com câncer invasivo (fase I ou superior), a mastectomia não é mais eficaz que a cirurgia de conservação da mama com radioterapia, desde que o tumor inteiro possa ser removido durante a cirurgia de conservação da mama. Na cirurgia de conservação da mama, o médico remove o tumor bem como um pouco do tecido normal ao seu redor para reduzir o risco de deixar algum tecido que possa conter câncer.

Antes da cirurgia, a quimioterapia pode ser aplicada para diminuir o tumor antes da remoção. Essa abordagem às vezes permite que algumas mulheres passem por uma cirurgia de conservação da mama, em vez de mastectomia.

Cirurgia de conservação da mama

A cirurgia de conservação da mama deixa o máximo possível da mama intacta. Quando esse tipo de cirurgia estiver sendo considerado, a coisa mais importante é o médico ter certeza de que removeu todo o câncer, em vez de correr o risco de deixar algum tecido que poderia conter câncer.

No caso da cirurgia de conservação da mama, em primeiro lugar o médico determina a extensão do tumor e quanto tecido ao redor (denominado margens) precisa ser removido. A abrangência das margens toma por base a extensão do tumor em relação à mama. Em seguida, tanto o tumor como as margens são removidos cirurgicamente. O tecido das margens é examinado sob um microscópio para verificar se existem células cancerosas que se disseminaram além do tumor. Esses achados ajudam o médico a decidir se é necessário tratamento adicional.

Vários termos (por exemplo, lumpectomia, excisão ampla, quadrantectomia) são utilizados para descrever a quantidade de tecido da mama que é removido.

A cirurgia de conservação da mama é geralmente seguida por radioterapia.

As principais vantagens da cirurgia de conservação da mama são a possibilidade de preservar o tecido mamário e a aparência da mama após a cirurgia. Quando o tumor for grande em relação à mama, esse tipo de cirurgia tem menos chances de ser útil. Nesses casos, a remoção do tumor mais algum tecido normal ao redor significa a remoção da maior parte da mama. A cirurgia de conservação da mama geralmente é mais apropriada quando os tumores são pequenos. Em aproximadamente 15% das mulheres submetidas a uma cirurgia de conservação da mama, a quantidade de tecido removido é tão pequena que pouca diferença pode ser observada entre as mamas tratadas e não tratadas. No entanto, na maioria das mulheres, a mama tratada reduz um pouco e pode mudar de contorno.

Se a cirurgia de conservação da mama ou a mastectomia for uma opção, a mulher deve considerar cada opção. Algumas mulheres preferem a cirurgia de conservação da mama porque sentem que perder a mama seria uma experiência emocional e física muito difícil e que a cirurgia de conservação da mama ajuda a preservar a imagem corporal. Outras mulheres preferem a mastectomia porque se sentem mais confortáveis em remover todo o tecido mamário ou porque, se forem submetidas a uma mastectomia, talvez não precisem de radioterapia.

A quimioterapia, administrada para reduzir o tamanho do tumor antes de sua remoção, pode permitir que algumas mulheres realizem uma cirurgia de conservação da mama em vez de uma mastectomia.

Mastectomia

Mastectomia é a outra principal opção cirúrgica. Há vários tipos. Em todos os tipos, todo o tecido mamário é removido, mas quais tipos de tecidos e quanto tecido é deixado ou removido variam por tipo:

  • A mastectomia com conservação da pele deixa os músculos sob a mama e pele suficiente para cobrir a lesão. A reconstrução da mama é muito mais fácil se esses tecidos forem deixados. Os linfonodos na axila não são removidos.

  • Uma mastectomia com conservação do mamilo é a mesma coisa que uma mastectomia com conservação da pele, mas ela deixa o mamilo e a região de pele pigmentada ao redor do mamilo (aréola).

  • A mastectomia simples deixa o músculo sob a mama (músculo peitoral) e os linfonodos na axila.

  • A mastectomia radical modificada consiste em remover alguns linfonodos da axila, mas deixa o músculo sob a mama.

  • A mastectomia radical consiste em remover os linfonodos da axila e o músculo sob a mama. Este procedimento é raramente realizado salvo se o câncer tiver invadido os músculos sob a mama.

Avaliação dos linfonodos

O médico avalia os linfonodos para determinar se o câncer se disseminou para os linfonodos na axila. Sendo detectado câncer nesses linfonodos, é mais provável que o câncer tenha se disseminado para outras partes do corpo. Nesses casos, pode ser necessário um tratamento diferente.

Uma rede de vasos linfáticos e linfonodos (sistema linfático) drena o líquido do tecido na mama (e de outras áreas do corpo). Os linfonodos capturam células estranhas ou anômalas (por exemplo, bactérias ou células cancerosas) que podem estar contidas nesse líquido. Assim, as células de câncer de mama frequentemente acabam em linfonodos próximos à mama, como aqueles na axila. Geralmente, células estranhas e anormais são então destruídas. Contudo, às vezes as células cancerosas continuam a crescer nos linfonodos ou passam através deles para os vasos linfáticos e se disseminam para outras partes do corpo.

Inicialmente, o médico apalpa a axila para verificar a presença de linfonodos aumentados. Dependendo do que o médico encontra, ele pode fazer ou não um ou mais dos itens a seguir:

  • Ultrassonografia para verificar a presença de linfonodos que podem estar aumentados

  • Uma biópsia (através da remoção de um linfonodo ou coletando uma amostra de tecido com uma agulha, usando ultrassonografia para guiar a colocação da agulha)

  • Dissecção de linfonodo axilar: a remoção de muitos (normalmente 10 a 20) linfonodos na axila

  • Dissecção de linfonodo sentinela: a remoção apenas do linfonodo ou linfonodos para o qual as células cancerosas têm mais propensão de se disseminar

Uma ultrassonografia será realizada se o médico apalpar um linfonodo aumentado na axila ou não tiver certeza se os linfonodos estão aumentados ou não. Se um linfonodo aumentado for detectado, uma agulha é inserida nele para remover uma amostra de tecido para ser examinado (biópsia aspirativa por agulha fina ou biópsia por agulha grossa). Uma ultrassonografia é usada para guiar o posicionamento da agulha.

A remoção cirúrgica de linfonodos da axila (dissecção de linfonodo axilar) pode ser necessária se a biópsia detectar a presença de câncer. A remoção de muitos linfonodos na axila, mesmo se eles tiverem câncer, não ajuda a curar o câncer. No entanto, ela ajuda o médico a decidir qual tratamento usar. Os linfonodos axilares são avaliados novamente após a administração da quimioterapia antes da cirurgia (um tratamento denominado quimioterapia neoadjuvante).

Se a biópsia depois de ultrassonografia não detectar a presença de câncer, uma biópsia de linfonodo sentinela é realizada porque mesmo se não houver células cancerosas na amostra coletada para biópsia, as células cancerosas podem estar presentes em outras partes do linfonodo. Uma biópsia de linfonodo sentinela é geralmente realizada como parte da cirurgia para remover o câncer, como lumpectomia ou mastectomia. Ele permite ao médico identificar e analisar o linfonodo mais importante relacionado a um câncer de mama. Se esse linfonodo não for canceroso, a mulher não precisa de uma cirurgia mais extensa para remover todos os linfonodos axilares.

Para realizar uma biópsia de linfonodo sentinela, o médico injeta um corante azul e/ou uma substância radioativa na mama. Essas substâncias mapeiam o trajeto entre a mama e o primeiro linfonodo (ou linfonodos) na axila. Em seguida, o médico faz uma pequena incisão na axila e procura por um linfonodo de tom azulado e/ou que emite um sinal radioativo (detectado por um aparelho portátil). Esse é o tipo de linfonodo que mais atrai a disseminação das células cancerosas. Esse linfonodo é denominado linfonodo sentinela porque ele é o primeiro a avisar que o câncer se espalhou. O médico remove esse linfonodo e o envia para um laboratório para que ele seja examinado quanto à presença de câncer. É possível que mais de um linfonodo tenha um tom azulado e/ou emita um sinal radioativo e, portanto, seja considerado um linfonodo sentinela.

Se o linfonodo sentinela não contiver células cancerosas, os outros linfonodos não serão removidos.

Se os linfonodos sentinela contiverem câncer, uma dissecção de linfonodo axilar pode ser realizada, dependendo de diversos fatores, como

  • Se existe uma mastectomia planejada

  • Quantos linfonodos sentinela estão presentes e se o câncer se disseminou para além dos linfonodos

Às vezes, durante uma cirurgia para remover o tumor, o médico descobre que o câncer se disseminou para os linfonodos e é necessária uma dissecção dos linfonodos axilares. Antes de ser realizada a cirurgia, é perguntado à mulher se ela está disposta a permitir que o cirurgião realize uma cirurgia mais abrangente se o câncer tiver se disseminado para os linfonodos. Caso contrário, um segundo procedimento cirúrgico é realizado posteriormente, se necessário.

A remoção de linfonodos muitas vezes causa problemas, pois afeta a drenagem de líquidos nos tecidos. Assim, é possível que ocorra um acúmulo de líquidos, causando inchaço persistente (linfedema) do braço ou da mão. Após a cirurgia, o risco de apresentar linfedema continua pelo resto da vida. É possível que o movimento dos braços e dos ombros fique limitado, necessitando de fisioterapia. Quanto maior for o número de linfonodos removidos, pior será o linfedema. A biópsia de linfonodo sentinela causa menos linfedema que a dissecção de linfonodo axilar.

Se um linfedema surgir, ele será tratado por terapeutas especialmente treinados. Eles ensinam a mulher como massagear a área, o que pode ajudar a drenar o líquido acumulado, e como aplicar um curativo, o que ajuda a evitar o acúmulo de líquido novamente. O braço afetado deve ser utilizado da forma mais normal possível, sendo que o braço não afetado deve ser usado para trabalho pesado. A mulher deve exercitar o braço afetado diariamente, conforme as instruções, e aplicar curativo durante a noite por tempo indeterminado.

Se os linfonodos foram removidos, o profissional da saúde pode pedir à mulher para não permitir a inserção de cateteres ou agulhas nas veias do braço afetado e para não medir a pressão arterial naquele braço. Esses procedimentos fazem com que o linfedema fique mais propenso a surgir ou piorar. Aconselha-se também que a mulher use luvas quando estiver fazendo atividades que podem arranhar ou lesionar a pele da mão e braço no lado da cirurgia. Evitar lesões e infecções pode ajudar a reduzir o risco de ter linfedema.

Outros problemas que podem ocorrer depois que os linfonodos são removidos incluem amortecimento temporário ou persistente, uma sensação de ardência persistente e infecção.

O que é um linfonodo sentinela?

Uma rede de vasos linfáticos e linfonodos drenam o líquido do tecido na mama. A função dos linfonodos é capturar células estranhas ou anômalas (por exemplo, bactérias ou células cancerosas) que podem estar contidas nesse líquido. Às vezes, células cancerosas passam através dos nódulos nos vasos linfáticos e se disseminam para outras partes do corpo.

Embora o líquido do tecido mamário acabe sendo drenado para muitos linfonodos, geralmente a drenagem do líquido ocorre primeiro através de apenas um ou alguns linfonodos que estão por perto. Esses linfonodos são chamados de linfonodos sentinela porque eles são os primeiros a avisar que o câncer se disseminou.

Cirurgia de reconstrução da mama

A cirurgia de reconstrução da mama pode ser feita simultaneamente à mastectomia ou depois.

A mulher deve consultar um cirurgião plástico já no início do tratamento para poder planejar a cirurgia de reconstrução da mama. O momento em que a reconstrução é realizada depende não apenas da preferência da mulher, mas também dos outros tratamentos necessários. Por exemplo, se a radioterapia é realizada antes da cirurgia de reconstrução, as opções de reconstrução são limitadas. A cirurgia oncoplástica da mama, que combina cirurgia para tratamento do câncer (oncológica) e cirurgia plástica, é uma opção. Esse tipo de cirurgia foi concebido para remover todo o câncer da mama e preservar ou restaurar a aparência natural da mama.

Na maioria das vezes, a cirurgia é feita

  • com inserção de um implante (feito de silicone ou soro fisiológico)

  • com reconstrução da mama usando tecido removido de outras partes do corpo da mulher

Os cirurgiões frequentemente conseguem tecido para reconstrução da mama a partir de um músculo no abdômen inferior. Alternativamente, pele e tecido adiposo (em vez de músculo) do abdômen inferior podem ser usados para reconstruir a mama.

Antes de inserir o implante, os médicos usam um expansor de tecido, que se parece com um balão, para esticar a pele e os músculos remanescentes no tórax para criar um espaço para o implante de mama. O expansor de tecido é colocado sob o músculo torácico durante a mastectomia. O expansor tem uma pequena válvula que os profissionais de saúde podem acessar ao inserir uma agulha através da pele. No decorrer das próximas semanas, uma solução salina (soro fisiológico) é periodicamente injetada através da válvula para expandir o expansor um pouco de cada vez. Depois que a expansão tiver sido concluída, o expansor é cirurgicamente removido e o implante é inserido.

Alternativamente, tecidos extraídos de outras partes do corpo da mulher (como músculo e tecidos sob a pele) podem ser usados para a reconstrução. Esses tecidos são extraídos do abdômen, costas ou nádegas e movidos para a região do tórax para criar o formato de um seio.

O mamilo e a pele ao seu redor são normalmente reconstruídos em uma operação separada, realizada posteriormente. Diversas técnicas podem ser usadas. Elas incluem usar tecido do corpo da mulher e tatuagem.

É possível também fazer cirurgia para modificar (aumentar, diminuir ou elevar) a outra mama para fazer com que elas fiquem parecidas.

Reconstrução da mama

Depois que um cirurgião geral remove um tumor de mama e o tecido mamário ao redor (mastectomia), um cirurgião plástico pode reconstruir a mama. Um implante de silicone ou de soro fisiológico pode ser usado, ou, em uma operação mais complexa, o tecido pode ser extraído de outras partes do corpo da mulher, como o abdômen, nádegas e costas.

A reconstrução pode ser feita ao mesmo tempo em que a mastectomia — uma opção que envolve anestesia por um tempo maior — ou depois — uma opção que envolve anestesia pela segunda vez.

A reconstrução do mamilo e da pele ao seu redor é feita posteriormente, frequentemente no consultório médico. Não é necessária anestesia geral.

Em muitas mulheres, uma mama reconstruída parece mais natural do que outra tratada com radioterapia, especialmente se o tumor for grande.

Se um implante de silicone ou de soro fisiológico for utilizado, e uma quantidade suficiente de pele tiver sido mantida para cobri-lo, a sensação na pele sobre o implante será relativamente normal. No entanto, nenhum tipo de implante é sentido como o tecido mamário ao toque. Se a pele de outras partes do corpo for utilizada para cobrir a mama, grande parte da sensação será perdida. No entanto, o tecido de outras partes do corpo dá uma sensação muito maior de ser tecido mamário ao toque que um implante de silicone ou de soro fisiológico.

O silicone ocasionalmente vaza da embalagem. Assim, um implante pode ficar duro, causar desconforto e parecer menos atraente. Além disso, às vezes o silicone entra na corrente sanguínea.

Algumas mulheres ficam preocupadas sobre o vazamento do silicone causar câncer em outras partes do corpo ou doenças raras, como lúpus eritematoso sistêmico (lúpus). Há pouca evidência sugerindo que o vazamento de silicone tenha esses efeitos graves, mas como existe a possibilidade, a utilização de implantes de silicone tem diminuído, especialmente entre mulheres que não tiveram câncer de mama.

Remoção da mama sem câncer

Certas mulheres com câncer de mama têm alto risco de desenvolver câncer na outra mama (aquela sem câncer). É possível que o médico sugira a essas mulheres que removam a outra mama antes que o câncer surja nela. Esse procedimento é chamado mastectomia profilática (preventiva) contralateral (lado oposto). Essa cirurgia preventiva pode ser adequada para mulheres que atendam a qualquer dos seguintes requisitos:

  • Uma mutação genética hereditária que aumenta o risco de ela desenvolver câncer de mama (por exemplo, a mutação BRCA1 ou BRCA2)

  • Mulheres com pelo menos dois parentes próximos, normalmente de primeiro grau, que tiveram câncer de mama ou de ovário

  • Radioterapia direcionada para o tórax quando a mulher tinha menos de 30 anos de idade

  • Carcinoma lobular in situ (um tipo não invasivo)

Em mulheres com carcinoma lobular in situ em uma das mamas, o câncer invasivo tem a mesma probabilidade de se desenvolver em qualquer uma das mamas. Assim, a única forma de eliminar o risco de câncer de mama para essas mulheres é remover ambas as mamas. Algumas mulheres, especialmente aquelas com alto risco de ter câncer de mama invasivo, optam por isso.

As vantagens da mastectomia profilática contralateral incluem o seguinte:

  • Sobrevida mais longa no caso de mulheres com câncer de mama e uma mutação genética que aumenta o risco e, possivelmente, no caso de mulheres com menos de 50 anos de idade quando são diagnosticadas com câncer de mama

  • Menor necessidade da realização de exames de imagem de acompanhamento incômodos após o tratamento

  • Para algumas mulheres, diminuição da ansiedade

As desvantagens deste procedimento incluem o seguinte:

  • O dobro do risco de complicações

Em vez de uma mastectomia profilática contralateral, algumas mulheres podem preferir que seu médico monitore a mama atentamente para câncer; por exemplo, com exames de imagem.

Radioterapia

A radioterapia é usada para matar as células cancerosas no local em que o tumor foi removido, e ao redor, incluindo os linfonodos próximos do local.

A radioterapia após a mastectomia é realizada se os seguintes critérios forem atendidos:

  • O tumor tem, no mínimo, cinco centímetros de comprimento.

  • O câncer se espalhou para um ou mais linfonodos.

Nesses casos, a radioterapia após a mastectomia reduz a incidência de câncer recidivante na parede torácica e nos linfonodos próximos, e melhora as chances de sobrevida.

A radioterapia após a cirurgia de conservação da mama reduz significativamente a incidência de câncer de mama recidivante próximo ao tumor original e nos linfonodos próximos, e pode melhorar a sobrevida global. No entanto, se uma mulher com mais de 70 anos de idade realizar uma lumpectomia e o câncer demonstrar ter receptores de estrogênio, talvez não seja necessário realizar radioterapia, uma vez que ela não reduz significativamente o risco de recidiva nem melhora as chances de sobrevida nessas mulheres.

Os efeitos colaterais da radioterapia incluem inchaço da mama, rubor e formação de bolhas na pele na região tratada, além de fadiga. Esses efeitos geralmente desaparecem no prazo de alguns meses até no máximo 12 meses, mais ou menos. Menos de 5% das mulheres tratadas com radioterapia têm fraturas nas costelas que causam menor desconforto. Em cerca de 1% das mulheres, os pulmões ficam um pouco inflamados de seis a 18 meses após o fim da radioterapia. A inflamação provoca uma tosse seca e falta de ar durante a atividade física que dura até cerca de seis semanas. O linfedema pode surgir após a radioterapia.

Quimioterapia e bloqueadores hormonais (tamoxifeno e inibidores da aromatase)

Quimioterapia e bloqueadores hormonais (medicamentos que afetam os hormônios, tais como o tamoxifeno ou inibidores da aromatase) podem suprimir o crescimento de células cancerosas por todo o corpo.

Para poder decidir se deve ser tratada com quimioterapia, o médico avalia alguns fatores sobre a mulher e o câncer de mama e discute os riscos e benefícios com ela. Os fatores que os médicos levam em consideração incluem

  • Se o câncer se disseminou para os linfonodos

  • Se a mulher está na pré-menopausa ou na pós-menopausa

  • Quais são os resultados dos exames para receptores de estrogênio e receptores de progesterona

  • Quais são os resultados dos exames para o oncogene do fator de crescimento epidérmico humano 2 (HER2)

  • Exames genéticos de câncer (por exemplo, o exame Oncotype DX)

No caso de mulheres com câncer de mama invasivo, quimioterapia e/ou bloqueadores hormonais são geralmente iniciados logo após a cirurgia. A mulher continua a tomar esses medicamentos durante meses ou anos. Alguns, como o tamoxifeno, podem ser continuados por cinco a dez anos. O tratamento com quimioterapia ou com bloqueadores hormonais pode ser iniciado antes da cirurgia se o tumor for maior que cinco centímetros (aproximadamente duas polegadas). Esses medicamentos retardam ou previnem a recidiva de câncer na maioria das mulheres e prolongam a sobrevivência em algumas.

A análise do material genético do câncer (prova genética preditiva) pode ajudar a prever quais tipos de câncer são sensíveis à quimioterapia ou aos bloqueadores hormonais.

Se a mulher tiver câncer de mama com receptores de estrogênio e de progesterona, mas não tiver receptores de HER2 e os linfonodos não foram afetados, talvez ela não precise de quimioterapia. É possível que apenas o uso de bloqueadores hormonais seja suficiente.

Bloqueadores hormonais (terapia endócrina)

Os bloqueadores hormonais usam medicamentos que interferem na ação do estrogênio ou da progesterona, que estimulam o crescimento de células cancerosas que possuem receptores de estrogênio e/ou de progesterona. Os bloqueadores hormonais podem ser usados quando as células cancerosas tiverem esses receptores, às vezes em vez de usar quimioterapia. Os benefícios dos bloqueadores hormonais são maiores quando as células cancerosas têm receptores tanto de estrogênio como de progesterona e seu efeito é quase tão bom quando apenas receptores de estrogênio estão presentes. O benefício é mínimo quando apenas receptores de progesterona estão presentes.

Os medicamentos usados para terapia endócrina incluem tamoxifeno e inibidores da aromatase.

  • Tamoxifeno: O tamoxifeno, administrado por via oral, é um modulador seletivo dos receptores de estrogênio. Ele se liga aos receptores de estrogênio e previne a estimulação do tecido mamário pelo estrogênio. No caso de mulheres que têm câncer positivo para receptores de estrogênio, tomar tamoxifeno por cinco anos aumenta a chance de sobrevida em aproximadamente 25% e o tratamento por dez anos pode ser ainda mais eficaz. O tamoxifeno aumenta o risco de ter coágulos sanguíneos nas pernas e nos pulmões. Ele também aumenta a tendência de formar pólipos no revestimento do útero (pólipos endometriais), que podem causar sangramento uterino anômalo e o risco de ter câncer do útero (câncer de endométrio). Assim, se uma mulher que está tomando tamoxifeno apresentar um padrão de sangramento vaginal anômalo, ela deve consultar o médico.

  • Inibidores da aromatase: Esses medicamentos (anastrozol, exemestano e letrozol) inibem a aromatase (uma enzima que converte alguns hormônios em estrogênio) e, assim, reduzem os níveis sanguíneos de estrogênio. Esses medicamentos podem ser mais eficazes que o tamoxifeno nas mulheres na pós-menopausa. Os inibidores da aromatase podem aumentar o risco de ter osteoporose e fraturas e, frequentemente, causam secura vaginal. Às vezes, as mulheres na pré-menopausa são tratadas com um medicamento para suprimir a função ovariana (por exemplo, a leuprolida) combinada com um inibidor da aromatase; esse tratamento é denominado supressão ovariana.

Quimioterapia

Quimioterapia é usada para matar as células que se multiplicam rapidamente ou para retardar sua multiplicação. A quimioterapia isolada não pode curar o câncer de mama. Deve ser usada com cirurgia ou radioterapia. A quimioterapia geralmente é administrada por via intravenosa em ciclos. Às vezes, são administrados por via oral. Geralmente, um dia de tratamento é seguido por duas ou mais semanas de recuperação. O uso de vários medicamentos para quimioterapia em conjunto é mais eficaz do que o uso de um único medicamento. A escolha da quimioterapia depende parcialmente do fato de serem detectadas ou não células cancerosas nos linfonodos próximos.

Medicamentos quimioterápicos que costumam ser utilizados incluem a ciclofosfamida, a doxorrubicina, a epirrubicina, a 5-fluorouracila, o metotrexato e o paclitaxel (consulte Quimioterapia).

Os efeitos colaterais (como náuseas, vômitos, perda de cabelo e fadiga) variam dependendo de qual tipo de quimioterapia é utilizada. A quimioterapia pode causar infertilidade e menopausa precoce, destruindo os óvulos nos ovários. A quimioterapia pode também suprimir a produção de hemácias pela medula óssea e, com isso, causar anemia ou sangramento ou o aumento do risco de infecções. Assim, medicamentos como filgrastim ou pegfilgrastim podem ser usados para estimular a medula óssea a produzir hemácias.

Terapia direcionada ao HER2

O trastuzumabe e o pertuzumabe são um tipo de anticorpo monoclonal denominado medicamento anti-HER2. Eles são utilizados juntamente com quimioterapia para tratar o câncer de mama metastático apenas quando as células cancerosas tiverem uma quantidade excessiva de receptores de HER2. Esses medicamentos se ligam aos receptores de HER2 e, assim, ajudam a prevenir a multiplicação das células cancerosas. Às vezes, ambos esses medicamentos são utilizados. O trastuzumabe geralmente é tomado por um ano. Ambos os medicamentos podem enfraquecer o músculo cardíaco. Assim, o médico monitora a função cardíaca durante o tratamento.

Tratamento do câncer não invasivo (estádio 0)

(Consulte também a tabela Tratamento do câncer de mama com base no tipo e no estádio.)

No caso de carcinoma dutal in situ, o tratamento costuma incluir uma das opções a seguir:

  • Uma mastectomia

  • Remoção do tumor e de uma área grande de tecido normal ao seu redor (lumpectomia) com ou sem radioterapia

Mulheres com carcinoma dutal in situ positivo para receptores de estrogênio ou positivo para receptores de progesterona também podem receber bloqueadores hormonais como parte do tratamento.

O carcinoma lobular in situ (CLIS) não é um câncer, mas causa a formação de células anômalas nas glândulas mamárias (lóbulos) na mama. As pessoas com CLIS têm um risco maior de desenvolver câncer de mama. O tratamento do CLIS inclui:

  • Carcinoma lobular in situ clássico: Remoção cirúrgica para verificar a presença de câncer e, se nenhum câncer for detectado, observação cuidadosa e, às vezes, administração de tamoxifeno, raloxifeno ou um inibidor de aromatase para reduzir o risco de câncer invasivo

  • Carcinoma lobular in situ pleomórfico: Cirurgia para remover a região anômala e, às vezes, administração de tamoxifeno ou raloxifeno para reduzir o risco de ter câncer invasivo

Observação consiste em um exame físico a cada seis a doze meses por cinco anos e uma vez por ano depois disso, além de mamografia uma vez por ano. Embora o câncer de mama invasivo possa surgir, os tipos de câncer invasivo que surgem não costumam crescer rápido e, geralmente, é possível tratá-los com eficácia. Além disso, uma vez que o câncer invasivo tem a mesma chance de surgir em qualquer uma das mamas, a única forma de eliminar o risco de ter câncer de mama em mulheres com carcinoma lobular in situ é remover ambas as mamas (mastectomia bilateral). Algumas mulheres, especialmente aquelas com alto risco de ter câncer de mama invasivo, optam por isso.

A mulher com carcinoma lobular in situ frequentemente recebe tamoxifeno, um medicamento de bloqueio hormonal, por cinco anos. Ele reduz, mas não elimina, o risco de ter câncer invasivo. As mulheres na pós-menopausa podem receber raloxifeno ou, às vezes, em alternativa, um inibidor da aromatase.

Tratamento de câncer invasivo de estádio inicial (estádios I e II)

O tratamento do câncer de mama contido na mama, e que pode ou não ter se espalhado até os linfonodos próximos, quase sempre inclui cirurgia para remover o máximo possível do tumor. É possível que um dos exames a seguir seja realizado:

  • Cirurgia de conservação da mama (lumpectomia), seguida por radioterapia

  • Mastectomia com ou sem reconstrução da mama

A cirurgia inicial pode incluir uma dissecção de linfonodos axilares (a remoção de muitos linfonodos da axila) ou uma biópsia do linfonodo sentinela (a remoção do linfonodo mais próximo da mama ou dos primeiros linfonodos que estão mais próximos da mama).

A cirurgia de conservação da mama é utilizada em vez de uma mastectomia apenas quando o tumor não é muito grande, uma vez que tanto o tumor inteiro como um pouco do tecido normal ao seu redor devem ser removidos.

Após a cirurgia, é possível que a mulher receba quimioterapia, bloqueadores hormonais, medicamentos anti-HER2 ou uma combinação, dependendo do resultado da análise do tumor.

Existem vários motivos para que uma mulher talvez seja tratada com quimioterapia antes da cirurgia (um tratamento denominado quimioterapia neoadjuvante). Se o tumor estiver ligado à parede torácica, a quimioterapia ajuda a tornar possível a remoção do tumor. A quimioterapia também ajuda a diminuir o tamanho do câncer de mama se o tumor for grande em relação ao resto da mama. Isso aumenta a chance de conseguir realizar uma cirurgia de conservação da mama.

A quimioterapia neoadjuvante também pode ser considerada para tratar o câncer de mama que não tem receptores de estrogênio, progesterona e HER2 (um tipo de câncer de mama denominado triplo negativo) e o câncer que tem apenas receptores de HER2.

Tratamento de câncer localmente avançado (estádio III)

O seguinte pode ser feito no caso do câncer de mama que se espalhou para um número maior de linfonodos:

  • Antes da cirurgia, medicamentos, em geral quimioterapia, para diminuir o tamanho do tumor

  • Cirurgia de conservação da mama ou mastectomia

  • Geralmente, radioterapia após cirurgia

  • Quimioterapia, bloqueadores hormonais ou ambos, após a cirurgia

A utilização ou não de radioterapia e/ou quimioterapia ou outros medicamentos após a cirurgia depende de vários fatores, como:

  • Quão grande é o tumor

  • Se a menopausa já ocorreu ou não

  • Se o tumor tem ou não receptores hormonais

  • Quantos linfonodos contêm células cancerosas

Tratamento de câncer que se disseminou (estádio IV) ou câncer recidivante

O câncer de mama que se disseminou além dos linfonodos não pode ser curado, mas a maioria das mulheres que têm essa doença vive, pelo menos, dois anos e algumas chegam a viver entre 10 e 20 anos. A resposta ao tratamento depende da biologia do tumor, mas ele pode aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. No entanto, alguns tratamentos têm efeitos secundários problemáticos. Assim, a decisão de ser ou não tratada e a escolha do tratamento podem ser algo muito pessoal.

A escolha da terapia depende de:

  • Se o câncer tem ou não receptores de estrogênio ou progesterona

  • Quanto tempo o câncer permaneceu em remissão antes de se disseminar

  • Quantos órgãos e quantas partes do organismo foram afetados pela disseminação do câncer (onde estão localizadas as metástases)

  • Se a mulher já está na pós-menopausa ou se ainda menstrua

Se o câncer estiver causando sintomas (dor ou outro desconforto), a mulher geralmente será tratada com quimioterapia ou bloqueadores hormonais. A dor geralmente é tratada com analgésicos. Outros medicamentos podem ser administrados para aliviar outros sintomas. Se a terapia curativa não for possível, são administrados tratamentos para reduzir os sintomas (chamada terapia paliativa).

Será dada preferência ao tratamento com bloqueadores hormonais (terapia endócrina), em vez de quimioterapia, quando o câncer tiver as seguintes características:

  • O câncer for positivo para receptores de estrogênio.

  • O câncer não tiver retornado por mais de dois anos após o diagnóstico e o tratamento inicial.

  • O câncer não trouxer risco de morte imediato.

Terapias endócrinas diferentes são usadas em situações diferentes:

  • Tamoxifeno: O tamoxifeno costuma ser a primeira escolha de um bloqueador hormonal para mulheres na pré-menopausa.

  • Inibidores da aromatase: No caso de mulheres na pós-menopausa com câncer de mama positivo para receptores de estrogênio, inibidores da aromatase (tais como o anastrozol, o letrozol e o exemestano) podem ser mais eficazes que o tamoxifeno como tratamento inicial.

  • Progestinas: Esses medicamentos, tais como a medroxiprogesterona ou o megestrol, podem ser usados caso os inibidores da aromatase e o tamoxifeno não façam mais efeito.

  • Fulvestranto: Este medicamento pode ser usado quando o tamoxifeno não for mais eficaz. Ele destrói os receptores de estrogênio nas células cancerosas.

Em alternativa, no caso de mulheres na pré-menopausa, cirurgia para remover os ovários ou medicamentos para inibir sua atividade (por exemplo, a buserelina, a gosserrelina ou a leuprolida) podem ser usados para interromper a produção de estrogênio. Essas terapias podem ser utilizadas juntamente com tamoxifeno ou inibidores da aromatase.

O trastuzumabe pode ser usado para tratar câncer com receptores de HER2 que se espalharam por todo o corpo. O trastuzumabe pode ser usado sozinho ou com quimioterapia (por exemplo, paclitaxel), com bloqueadores hormonais ou com pertuzumabe (outro medicamento anti-HER2).

Os inibidores da tirosinoquinase (tais como o lapatinibe e o neratinibe), outro tipo de medicamento anti-HER2, bloqueiam a atividade do HER2.

Em algumas situações, é possível utilizar radioterapia em vez de ou antes de medicamentos. Por exemplo, se apenas uma região do câncer for detectada e essa região estiver em um osso, a radiação para esse osso pode ser o único tratamento utilizado. A radioterapia geralmente é o tratamento mais eficaz para o câncer que se disseminou para os ossos, algumas vezes mantendo-o sob controle por anos. Geralmente também é o tratamento mais eficaz para o câncer que se disseminou para o cérebro.

Cirurgia pode ser realizada para remover tumores individuais em outras partes do corpo (como o cérebro), porque esse tipo de cirurgia pode aliviar os sintomas. Mastectomia (remoção da mama) pode ser feita para ajudar a aliviar os sintomas. Não está claro se a remoção da mama ajuda a prolongar a vida quando o câncer já se disseminou para outras partes do corpo e já foi tratado e controlado.

Bifosfonatos (usados para tratar a osteoporose), como o pamidronato ou o zoledronato, reduzem a dor óssea e a perda de massa óssea e podem prevenir ou retardar problemas ósseos que possam resultar quando o câncer se dissemina para o osso.

Tabela
Tabela

O tratamento de tipos específicos de câncer de mama

Para câncer de mama inflamatório, o tratamento geralmente consiste em quimioterapia e radioterapia. Mastectomia normalmente é realizada.

No caso da doença de Paget da mama, o tratamento costuma ser semelhante ao de outros tipos de câncer de mama. Muitas vezes envolve mastectomia simples ou cirurgia de conservação da mama, além da remoção dos linfonodos. A cirurgia de conservação da mama é geralmente seguida por radioterapia. Menos comumente, apenas o mamilo com algum tecido normal ao redor é removido. Se outro tipo de câncer de mama também estiver presente, o tratamento se baseia naquele tipo de câncer de mama.

O tratamento de tumores filoides geralmente consiste na remoção do tumor e de uma grande quantidade do tecido normal circundante (pelo menos um centímetro ao redor do tumor), a denominada margem de segurança ampla. Se o tumor for grande em relação à mama, uma mastectomia simples pode ser realizada para remover o tumor com margens de segurança amplas. A recidiva de tumores filoides depende de qual a largura sem tumor das margens e se o tumor filoide é canceroso ou não canceroso. Os tumores filoides cancerosos podem enviar metástases para locais distantes, tais como os pulmões, ossos ou cérebro. As recomendações de tratamento para tumores filoides metastáticos estão evoluindo, mas a radioterapia e a quimioterapia podem ser úteis.

Preservação da fertilidade

A mulher não deve engravidar enquanto estiver sendo tratada para câncer de mama.

Se a mulher quiser ter filhos (preservar a fertilidade) depois do tratamento, ela é encaminhada para um endocrinologista reprodutivo antes de iniciar o tratamento. Ela pode, então, obter informações sobre o efeito de diversos medicamentos quimioterápicos na fertilidade e sobre os procedimentos que permitem que ela tenha filhos depois do tratamento.

As opções para preservar a fertilidade incluem técnicas de reprodução assistida com estimulação ovariana e congelamento de óvulos ou embriões.

A escolha do procedimento a ser usado para preservar a fertilidade depende do seguinte:

  • Tipo de câncer de mama

  • Tipo de tratamento planejado para o câncer de mama

  • As preferências da mulher

Técnicas de reprodução assistida envolvem o uso de medicamentos hormonais. Os médicos discutem os riscos e benefícios de realizar esses tratamentos com mulheres que tiveram câncer positivo para receptores de estrogênio ou progesterona.

Cuidados de acompanhamento

Após a conclusão das primeiras fases do tratamento, geralmente são realizados exames físicos de acompanhamento, incluindo exame das mamas, tórax, pescoço e axilas, todos os anos. Mamografias regulares e autoexame da mama também são importantes. A mulher deve informar imediatamente determinados sintomas ao médico:

  • Quaisquer nódulos ou outras alterações nas mamas

  • Alterações nos mamilos ou secreção

  • Dor; por exemplo, no braço ou na coluna vertebral

  • Inchaço na axila

  • Perda de apetite ou peso

  • Dor torácica

  • Tosse seca crônica

  • Sangramento da vagina (se não estiver associado às menstruações)

  • Dores de cabeça intensas

  • Visão embaçada

  • Tontura ou problemas de equilíbrio

  • Dormência ou fraqueza

  • Quaisquer sintomas que pareçam incomuns ou que persistam

Procedimentos de diagnóstico, como radiografias do tórax, exames de sangue, cintilografia óssea e tomografia computadorizada (TC), não são necessários, a menos que os sintomas sugiram que o câncer é recidivante.

Os efeitos do tratamento do câncer de mama causam muitas alterações na vida da mulher. O apoio de familiares e amigos pode ajudar, assim como grupos de apoio. Aconselhamento pode ser útil.

Prognóstico do câncer de mama

Em geral, o prognóstico da mulher depende de

  • O tamanho do câncer

  • Que tipo de câncer ele é

  • Se ele se disseminou para os linfonodos ou outros órgãos

(Consulte também o Programa de Vigilância, Epidemiologia e Desfechos (Surveillance, Epidemiology, and End Results, SEER) do Instituto Nacional do Câncer dos EUA.)

O número e a localização dos linfonodos que contêm células cancerosas é um dos principais fatores que determinam se o câncer pode ser ou não curado e, caso negativo, quanto tempo de vida a mulher terá.

A taxa de sobrevida de cinco anos para o câncer de mama (o percentual de mulheres que continuam vivas cinco anos após o diagnóstico) é

  • 99% se o câncer permanecer no local original (localizado)

  • 86% se o câncer tiver se disseminado e afetado os linfonodos próximos, mas não foi além (regional)

  • 29% se o câncer tiver se disseminado para locais distantes (gerou metástase)

  • 58% se uma avaliação completa não tiver sido realizada e o câncer não tiver sido estadiado

A mulher com câncer de mama tende a ter um prognóstico pior se tiver algum dos itens a seguir:

  • Diagnóstico de câncer de mama na faixa dos 20 e 30 anos de idade

  • Tumores grandes

  • Câncer formado por células que se dividem rapidamente, como tumores que não têm margens bem definidas ou câncer que se disseminou por toda a mama

  • Tumores que não têm receptores de estrogênio ou progesterona

  • Tumores que têm uma quantidade excessiva de receptores de HER2

  • A mutação no gene BRCA1

Nos Estados Unidos, as mulheres negras não hispânicas têm taxas mais elevadas de morte por câncer de mama que as mulheres brancas não hispânicas.

É provável que o fato de ter a mutação no gene BRCA2 não faça com que o câncer atual tenha um resultado pior. Contudo, ter uma mutação em qualquer dos dois genes BRCA aumenta o risco de ter um segundo câncer de mama.

Questões sobre o fim da vida no câncer de mama

No caso de mulheres com câncer de mama metastático, a qualidade de vida pode se deteriorar e as chances de que o tratamento adicional venha a prolongar a vida podem ser pequenas. Manter a calma pode finalmente ser mais importante do que tentar prolongar a vida.

A dor do câncer pode ser controlada adequadamente com medicamentos apropriados. Então, se sentirem dor, as pacientes devem solicitar ao médico tratamento para aliviá-la. Os tratamentos também podem aliviar outros sintomas incômodos, como constipação, dificuldade respiratória e náuseas.

Psicoterapia ou aconselhamento espiritual também podem ajudar.

A mulher com câncer de mama metastático deve preparar instruções prévias indicando o tipo de cuidado que deseja, caso já não seja mais capaz de tomar tais decisões. Além disso, é importante fazer ou atualizar um testamento.

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