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Doença de Crohn

(Granulomatous Ileitis; Granulomatous Ileocolitis; Regional Enteritis)

Por

Aaron E. Walfish

, MD, Mount Sinai Medical Center;


Rafael Antonio Ching Companioni

, MD, Digestive Diseases Center

Última revisão/alteração completa jul 2019| Última modificação do conteúdo jul 2019
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Fatos rápidos
Recursos do assunto

A doença de Crohn é uma doença intestinal inflamatória na qual a inflamação crônica normalmente envolve a parte inferior do intestino delgado, o intestino grosso ou ambos, e pode afetar qualquer parte do trato digestivo.

  • Embora a causa exata seja desconhecida, um sistema imunológico deficiente pode resultar em doença de Crohn.

  • Os sintomas característicos incluem diarreia crônica (que, às vezes, apresenta sangue), cólica abdominal, febre, bem como perda de apetite e de peso.

  • O diagnóstico é baseado em uma colonoscopia, exame de cápsula endoscópica e em exames por imagens, como radiografias com ingestão de bário, tomografia computadorizada ou ressonância magnética.

  • Não existe cura para a doença de Crohn.

  • O tratamento busca aliviar os sintomas e reduzir a inflamação, mas algumas pessoas requerem cirurgia.

Nas últimas décadas, a incidência da doença de Crohn se tornou mais comum em todo o mundo. Contudo, a doença é mais frequente entre pessoas de ascendência norte-europeia e anglo-saxã. A doença ocorre com a mesma frequência em ambos os sexos e tem tendência a ser mais comum entre judeus Ashkenazi. A maioria das pessoas manifesta a doença de Crohn antes dos 30 anos, geralmente entre os 14 e os 24 anos. Algumas pessoas têm seu primeiro ataque entre os 50 e 70 anos.

A doença de Crohn tende a surgir mais comumente na última parte do intestino delgado (íleo) e no intestino grosso, porém, pode ocorrer em qualquer parte do trato digestivo, desde a boca até o ânus, incluindo pele ao redor do ânus. Quando a doença de Crohn afeta o cólon, é chamada colite de Crohn. A doença de Crohn afeta

  • O intestino delgado individualmente (35% das pessoas)

  • O intestino grosso individualmente (20% das pessoas)

  • Tanto a parte terminal do intestino delgado como o intestino grosso (45% das pessoas)

O reto não é geralmente afetado, ao contrário da colite ulcerativa, em que o reto está sempre envolvido. Entretanto, infecções e outras complicações ao redor do ânus não são raras. A doença pode afetar alguns segmentos do trato intestinal, deixando alguns segmentos normais (áreas intercaladas) entre as áreas afetadas. Onde a doença de Crohn está ativa, geralmente, toda a espessura do intestino fica comprometida.

Locating the Small and Large Intestines

Locating the Small and Large Intestines

Não se conhece ao certo a causa da doença de Crohn, mas muitos pesquisadores acreditam que uma disfunção do sistema imunológico faça com que o intestino reaja em excesso a um agente ambiental, alimentar ou infeccioso. Algumas pessoas podem ter uma predisposição hereditária a esta disfunção do sistema imunológico. O tabagismo também parece contribuir, tanto para o desenvolvimento como para a ocorrência periódica de exacerbações (ataques ou crises) da doença de Crohn. Contraceptivos orais podem elevar o risco da doença de Crohn.

Por motivos desconhecidos, as pessoas que apresentam um elevado nível socioeconômico podem apresentar um elevado risco de doença de Crohn.

Diversos relatos sugerem que pessoas que foram amamentadas podem estar protegidas de desenvolverem uma doença intestinal inflamatória.

Sintomas

Os sintomas mais comuns da doença de Crohn são

  • Dor abdominal acompanhada de cólicas

  • Diarreia crônica (que, algumas vezes, é sanguinolenta quando o intestino grosso está gravemente afetado)

  • Febre

  • Perda de apetite

  • Perda de peso

Os sintomas da doença de Crohn podem durar dias ou semanas e podem se resolver sem tratamento. A recuperação completa e permanente depois de um único ataque é extremamente rara. A doença de Crohn geralmente reaparece em intervalos irregulares, ao longo de toda a vida. Essas crises podem ser leves ou graves, breves ou prolongadas. Crises graves podem provocar dor intensa e constante, febre e desidratação.

Não se sabe o motivo pelo qual os sintomas aparecerem e desaparecerem ou o que desencadeia novas crises e determina a sua gravidade. A inflamação recorrente tende a aparecer na mesma região intestinal afetada, mas pode se disseminar a áreas adjacentes após a região afetada ter sido removida cirurgicamente.

Em crianças, dor abdominal e diarreia geralmente não são os sintomas mais importantes e podem nunca se manifestar. Os sintomas principais, na verdade, podem ser crescimento lento, inflamação das articulações (artrite), febre ou fraqueza e fadiga resultantes da anemia.

Complicações

As complicações da doença de Crohn incluem

O megacólon tóxico é uma complicação rara que pode ocorrer quando a doença de Crohn afeta o intestino grosso (cólon). O intestino grosso interrompe suas contrações normais e se dilata, algumas vezes levando à peritonite As pessoas podem necessitar uma cirurgia.

Formação de tecido cicatricial, pois a inflamação crônica pode causar bloqueio intestinal. Úlceras profundas, que penetram pela parede do intestino, podem causar abscessos, fístulas abertas ou perfurações. As fístulas podem ligar duas partes diferentes do intestino. As fístulas também podem conectar o intestino à bexiga ou à superfície da pele, sobretudo ao redor do ânus. Apesar de as fístulas do intestino delgado serem frequentes, são pouco comuns as perfurações. As fissuras na pele do ânus são comuns.

Quando o intestino grosso é amplamente afetado pela doença de Crohn, é comum ocorrer hemorragia retal. Depois de muitos anos, o risco de câncer de cólon (câncer do intestino grosso) aumenta em pessoas que apresentam colite de Crohn. Cerca de um terço das pessoas com doença de Crohn apresentam problemas ao redor do ânus, em particular fístulas e fissuras no seu revestimento da membrana mucosa.

A doença de Crohn pode levar a complicações em outras partes do corpo. Essas complicações incluem

Quando a doença de Crohn provoca uma crise de sintomas gastrointestinais, a pessoa também pode apresentar o seguinte:

Mesmo quando a doença de Crohn não está causando uma crise de sintomas gastrointestinais, a pessoa ainda pode apresentar o seguinte, totalmente sem relação à doença intestinal:

Diagnóstico

  • Exames de sangue e fezes

  • Exames de diagnóstico por imagem

  • Colonoscopia

O médico pode suspeitar da existência da doença de Crohn em uma pessoa com cólicas abdominais e diarreia recorrentes, sobretudo se houver antecedentes familiares de doença de Crohn ou antecedentes de problemas ao redor do ânus. Outros indícios para o diagnóstico podem incluir inflamações das articulações, dos olhos ou da pele ou crescimento debilitado em crianças. O médico pode, ao palpar o paciente, sentir uma massa na parte inferior do abdômen, a maioria das vezes no lado direito.

Exames de sangue e fezes

Não há exames laboratoriais específicos para identificar a doença de Crohn, apesar de os exames de sangue poderem mostrar anemia, um número de leucócitos acima do comum, baixas concentrações de albumina e outros sinais de inflamação, como velocidade de hemossedimentação ou nível de proteína reativa C elevados. O médico também pode realizar exames para determinar como o fígado está funcionando.

Se houver a presença de diarreia, o médico pode coletar amostras de fezes para descartar determinadas infecções.

Exames de diagnóstico por imagem

A pessoa com dor abdominal grave e sensibilidade frequentemente faz uma tomografia computadorizada (TC) ou imagem por ressonância magnética (RM) do abdômen. A TC ou RM pode mostrar um bloqueio, abscessos ou fístulas, bem como outras possíveis causas de inflamação abdominal (como apendicite).

As pessoas que apresentam sintomas recorrentes após algum tempo podem realizar radiografias do estômago e intestino delgado após ingerir bário líquido (chamado série gastrointestinal [GI] superior) ou realizar radiografias após receberem bário como um enema (chamado enema de bário). Novas abordagens incluem enterografia por TC ou enterografia por ressonância magnética. Outro modo de avaliar o intestino delgado é com um exame de cápsula endoscópica.

Colonoscopia

Pessoas com pouca dor e mais diarreia realizam uma colonoscopia (um exame do intestino grosso com um tubo flexível para visualização) e uma biópsia (remoção de uma amostra de tecido para exame microscópio). Se a doença de Crohn se limitar ao intestino delgado, a colonoscopia não detectará a doença, a menos que o colonoscópio seja avançado por todo o cólon e até a última parte do intestino delgado, onde a inflamação se situa com maior frequência.

Prognóstico

A doença de Crohn não tem cura conhecida e é caracterizada por crises intermitentes de sintomas. As crises podem ser leves ou graves, raras ou frequentes. Com o tratamento adequado, a maioria das pessoas continuam a levar vidas produtivas. No entanto, cerca de 10% das pessoas ficam incapacitadas pela doença de Crohn e suas complicações.

Tratamento

  • Medicamentos antidiarreicos

  • Aminossalicilatos

  • Corticosteroides

  • Medicamentos imunomoduladores

  • Agentes biológicos

  • Antibióticos

  • Regimes alimentares

  • Às vezes, cirurgia

Muitos tratamentos da doença de Crohn ajudam a reduzir a inflamação e a aliviar os sintomas.

Controle geral

Cólicas e diarreia podem ser aliviadas com uso de loperamida ou medicamentos que interrompem espasmos abdominais (idealmente antes das refeições). A utilização de preparados de metilcelulose ou psílio ajuda a prevenir a irritação anal em alguns casos, pois faz com que as fezes fiquem mais firmes. As pessoas devem evitar alimentar-se de fibras durante as crises ou se apresentarem bloqueios intestinais.

Medidas de manutenção da saúde rotineiras, especialmente vacinação e exames preventivos contra o câncer, são importantes.

Medicamentos antidiarreicos

Esses medicamentos, que podem aliviar cãibras e diarreia, incluem difenoxilato, loperamida, tintura de ópio desodorizado e codeína. Esses medicamentos são tomados via oral, preferencialmente antes das refeições.

Aminossalicilatos

Os aminossalicilatos são medicamentos utilizados para tratar inflamação causada pela doença intestinal inflamatória. Sulfassalazina e medicamentos relacionados, como mesalamina, olsalazina e balsalazida, são tipos de aminossalicilatos. Esses medicamentos podem suprimir os sintomas quando estes aparecem e reduzir a inflamação, sobretudo no intestino grosso. Normalmente, esses medicamentos são tomados por via oral. A mesalamina também está disponível como supositório ou enema. Esses medicamentos não funcionam tão bem para aliviar exacerbações graves.

Corticosteroides

Corticosteroides como, por exemplo, prednisona ou prednisolona, que são administrados por via oral, podem reduzir drasticamente a febre e a diarreia, aliviar a dor e a sensibilidade abdominais e melhorar o apetite e a sensação de bem-estar. Contudo, o uso prolongado de corticosteroides causa efeitos colaterais ({blank} Corticosteroids: Uses and Side Effects). Geralmente, altas doses são tomadas inicialmente para aliviar a inflamação e sintomas intensos causados pelas crises súbitas. A dose é, então, reduzida e o medicamento é interrompido assim que possível.

Outro corticosteroide, chamado budesonida, tem menos efeitos colaterais do que a prednisona, apesar de não ser tão rapidamente eficaz e, geralmente, não prevenir as reincidências depois de seis meses. Budesonida pode ser administrada por via oral ou como um enema.

Assim como ocorre com corticosteroides orais, a dose de corticosteroides administrados em enemas ou em forma de espuma (como hidrocortisona) também é reduzida e gradualmente interrompida.

Se a doença se agravar, a pessoa é hospitalizada e são administrados corticosteroides pela veia (via intravenosa).

O médico administra vitamina D e suplementos de cálcio para todas as pessoas que tomam corticosteroides.

Medicamentos imunomoduladores

Azatioprina e mercaptopurina são medicamentos que diminuem as ações do sistema imunológico. São eficazes para as pessoas com doença de Crohn que não respondem a outros medicamentos, sendo particularmente úteis para manter longos períodos de remissão (períodos sem sintomas). Eles melhoram significativamente o quadro clínico geral da pessoa, diminuem a necessidade de corticosteroides e, frequentemente, curam as fístulas. No entanto, esses medicamentos podem não trazer benefícios antes de um a três meses e podem ter efeitos colaterais potencialmente graves.

Os efeitos colaterais mais comuns da azatioprina e mercaptopurina são náusea, vômito e sensação geral de indisposição (mal-estar). O médico monitora rigorosamente a pessoa quanto a outros efeitos colaterais como reações alergias, supressão da medula óssea (monitorada pela medição regular da contagem de leucócitos), inflamação do pâncreas (pancreatite), e, às vezes, problemas do fígado. As pessoas que tomam esses medicamentos apresentam um elevado risco de desenvolvimento de linfoma, um câncer de leucócitos e alguns tipos de câncer de pele (monitorada pelos exames de pele de rotina).

Exames de sangue que detectam variações em uma das enzimas que metabolizam azatioprina e mercaptopurina e que medem diretamente os níveis de metabólitos frequentemente ajudam o médico a garantir que as doses do medicamento sejam seguras e eficazes.

Metotrexato administrado semanalmente por injeção ou via oral ajuda algumas pessoas que não respondem ou não toleram corticosteroides, azatioprina ou mercaptopurina. Os efeitos colaterais incluem náusea, vômito, queda de cabelo, problemas hepáticos, insuficiência renal e, raramente, problemas pulmonares. Uma baixa contagem de leucócitos pode também ocorrer e, portanto, as pessoas tomando metotrexato são suscetíveis à infecção. O metotrexato é teratogênico (nocivo ao feto) e, dessa forma, não é utilizado na gravidez. Tanto mulheres como homens tomando metotrexato devem garantir que a parceira utiliza um método contraceptivo eficaz (método anticoncepcional) como, por exemplo, um dispositivo intrauterino (DIU), um implante contraceptivo ou um contraceptivo oral. Métodos contraceptivos menos eficazes como, por exemplo, preservativos, espermicidas, diafragmas, capuzes cervicais e abstinência periódica não são recomendados. O médico receita ácido fólico para diminuir os efeitos colaterais do metotrexato.

Ciclosporina é administrada em altas doses em injeção. Esse medicamento pode ajudar a curar fístulas causadas pela doença de Crohn, mas não pode ser usado com segurança por muito tempo devido aos efeitos colaterais como problemas renais, infecções e convulsões.

Tacrolimo é administrado por via oral. Esse medicamento ajuda a curar as fístulas causadas pela doença de Crohn. Os efeitos colaterais são semelhantes àqueles da ciclosporina.

Agentes biológicos

O Infliximabe, que é derivado dos anticorpos monoclonais contra o fator de necrose tumoral (chamado inibidor do fator de necrose tumoral ou inibidor do TNF) é outro modulador das ações do sistema imunológico. O infliximabe é administrado através de uma série de infusões por via intravenosa. Esse medicamento pode ser usado para tratar doença de Crohn moderada a grave, que não responde a outros medicamentos, bem como para tratar pessoas com fístulas e manter a resposta quando for difícil controlar a doença.

Os efeitos colaterais que podem ocorrer com o infliximabe incluem a piora de uma infecção bacteriana existente sem controle, reativação de tuberculose ou hepatite B e uma elevação no risco de alguns tipos de câncer. Algumas pessoas têm reações como febre, calafrios, náusea, dor de cabeça, coceira ou erupções cutâneas durante a infusão (chamadas reações à infusão). Antes de iniciar o tratamento com infliximabe (ou outros inibidores do TNF como adalimumabe e certolizumabe), as pessoas devem realizar exames para infecção de tuberculose e hepatite B.

O adalimumabe é um medicamento relacionado ao infliximabe que também tem como objetivo regular o sistema imunológico. O adalimumabe é administrado através de uma série de injeções subcutâneas e, portanto, não provoca as possíveis reações à infusão de um medicamento administrado por via intravenosa, como o infliximabe. O adalimumabe é particularmente útil para pessoas que não toleram infliximabe ou não respondem mais a esse medicamento. As pessoas podem ter dor e coceira no local da injeção.

O certolizumabe é administrado em injeções subcutâneas mensais. Esse medicamento funciona de modo similar ao infliximabe e adalimumabe e causa efeitos colaterais semelhantes.

Vedolizumabe e natalizumabe são medicamentos para pessoas que apresentam doença de Crohn moderada a grave que não respondem aos inibidores do TNF ou outros medicamentos imunomoduladores ou que não são capazes de tolerar esses medicamentos. O efeito colateral mais sério causado é infecção. O natalizumabe está atualmente disponível apenas através de um programa de uso restrito uma vez que aumenta o risco de uma infecção cerebral fatal chamada leucoencefalopatia multifocal progressiva (LMP). O vedolizumabe apresenta um risco teórico de LMP, pois faz parte da mesma classe de medicamentos do natalizumabe.

O ustequinumabe é outro tipo de agente biológico. Ele é administrado por meio de uma série de infusões intravenosas ou por meio de injeções subcutâneas.

Tabela
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Drugs That Reduce Bowel Inflammation Caused by Crohn Disease

Medicamento

Alguns efeitos colaterais

Comentários

Aminossalicilatos

  • Sulfassalazina

Comuns: Náusea, dor de cabeça, tontura, fadiga, febre, eritema e, em homens, infertilidade reversível

Incomuns: Inflamação do fígado (hepatite), pâncreas (pancreatite) ou pulmão (pneumonite) e anemia hemolítica

Dor abdominal, tontura e fadiga são relacionadas à dose.

Hepatite e pancreatite não são relacionadas à dose.

  • Balsalazida

  • Mesalamina

  • Olsalazina

Comuns: Febre e eritema

Incomuns: Pancreatite, inflamação do pericárdio (pericardite) e pneumonite

Para olsalazina: Diarreia líquida

A maioria dos efeitos colaterais provocados pela sulfassalazina pode ocorrer com qualquer outro aminossalicilato, mas com menor frequência.

Corticosteroides

Prednisona

Diabetes mellitus, hipertensão arterial, catarata, osteoporose (redução da densidade óssea), redução da espessura da pele, problemas mentais, psicose aguda, alterações de humor, infecções, acne, excesso de pelos no corpo (hirsutismo), irregularidades menstruais, gastrite e úlcera péptica

Diabetes e hipertensão arterial são mais prováveis em pessoas com outros fatores de risco.

Budesonida

Diabetes mellitus, hipertensão arterial, catarata e osteoporose

A budesonida causa os mesmos efeitos colaterais que a prednisona, mas em um grau menor.

Medicamentos imunomoduladores

  • Azatioprina

  • Mercaptopurina

Anorexia, náusea, vômito, infecção, câncer, reações alérgicas, pancreatite, baixa contagem de leucócitos (glóbulos brancos), supressão da medula óssea, disfunção hepática e aumento no risco de linfoma.

Os efeitos colaterais que geralmente dependem da dose incluem supressão da medula óssea e disfunção hepática.

É necessário monitorar o sangue em intervalos regulares.

Metotrexato

Náusea, vômito, desconforto abdominal, dor de cabeça, eritema, feridas orais, fadiga, queda de cabelo, formação de tecido cicatricial no fígado (cirrose), baixa contagem de leucócitos (glóbulos brancos) e infecções

A pessoa deve tomar um miligrama de ácido fólico todo dia.

A toxicidade hepática está provavelmente relacionada à dose e duração do tratamento.

O metotrexato também causa aborto e deficiências congênitas durante a gestação, portanto, não é receitado para gestantes ou mulheres férteis. As mulheres que estiverem tomando metotrexato devem utilizar um método contraceptivo eficaz.

Ciclosporina

Hipertensão arterial, náusea, vômito, diarreia, insuficiência renal, tremores, infecções, convulsões, neuropatia e desenvolvimento de linfomas (câncer do sistema linfático), dores de cabeça, cãibras nas pernas e sensações de formigamento

Esse medicamento é usado principalmente para tratar pessoas com fístulas.

A probabilidade de que ocorram efeitos colaterais aumenta com o uso por um longo prazo.

Tacrolimo

Similar à ciclosporina

Esse medicamento é bastante relacionado à ciclosporina e possui vários efeitos colaterais similares.

Agentes biológicos

Infliximabe

Reações à infusão, infecções, câncer, dor abdominal, disfunção hepática e baixa contagem de leucócitos (glóbulos brancos)

As reações à infusão são efeitos colaterais potencialmente imediatos que ocorrem durante a infusão (como febre, calafrios, náusea, dor de cabeça, coceira, eritema, urticária, hipotensão arterial ou dificuldade respiratória).

As pessoas devem fazer exames de tuberculose e hepatite B antes de iniciar o tratamento.

Adalimumabe

Dor ou coceira no local da injeção (reações de hipersensibilidade), dor de cabeça, infecções e câncer

Os efeitos colaterais são similares aos do infliximabe, porém, o adalimumabe é administrado por via subcutânea e não causa reações a infusões.

Reações de hipersensibilidade que ocorrem no local da injeção incluem dor, eritema, coceira e urticária. Reações de hipersensibilidade mais graves são possíveis.

Certolizumabe

Similar ao infliximabe e adalimumabe

O certolizumabe funciona de modo similar ao infliximabe e adalimumabe e causa efeitos colaterais similares. É administrado por via subcutânea.

Alguns médicos preferem esse medicamento ao infliximabe e adalimumabe para gestantes e lactentes.

Natalizumabe

Infecções e reações de hipersensibilidade

O uso desse medicamento é restrito devido ao risco conhecido de leucoencefalopatia multifocal progressiva (LMP).

Vedolizumabe

Infecções, reações de hipersensibilidade e resfriados comuns

Esse medicamento apresenta um risco teórico de LMP.

Ustequinumabe

Infecções e reações de hipersensibilidade

Esse medicamento é administrado apenas se o tratamento com outro medicamento tiver sido ineficaz.

Antibióticos e probióticos de amplo espectro

Muitas vezes são receitados antibióticos que são eficazes contra muitos tipos de bactérias. O antibiótico metronidazol é a escolha mais frequente para o tratamento de abscessos e fístulas perianais. O metronidazol também pode ajudar a aliviar os sintomas não infecciosos da doença de Crohn, como diarreia e cólicas abdominais. No entanto, quando administrado em longo prazo, o metronidazol pode danificar nervos, resultando em sensações de formigamento nos braços e nas pernas. Esse efeito colateral geralmente desaparece quando o medicamento é suspenso, mas são frequentes recidivas da doença de Crohn após a suspensão do metronidazol.

As pessoas devem evitar o consumo de bebidas alcoólicas ou produtos contendo propilenoglicol enquanto estiverem tomando metronidazol e devem continuar a evitar essas substâncias por pelo menos três dias após o tratamento com o metronidazol ser concluído.

Podem ser utilizados outros antibióticos para substituir o metronidazol ou em combinação com ele, como ciprofloxacino ou levofloxacino. Rifaximina, um antibiótico não absorvente, também é usado no tratamento da doença de Crohn ativa em algumas situações.

Algumas bactérias são naturalmente encontradas no corpo e promovem o crescimento de bactérias benignas (probióticas). O uso diário de probióticos, como lactobacillus (geralmente presente no iogurte), pode ser eficaz na prevenção da pouchite (inflamação de um reservatório criado durante a remoção cirúrgica do intestino grosso e reto).

Regimes alimentares

Embora algumas pessoas aleguem que certas dietas as ajudaram a melhorar sua DII, dietas não têm se mostrado eficazes em estudos clínicos. A terapia nutricional pode ajudar crianças a crescerem mais do que cresceriam de outra forma, especialmente quando administrada à noite através de uma sonda. Às vezes, são administrados nutrientes concentrados por via intravenosa para compensar a absorção deficiente de nutrientes característica da doença de Crohn.

Cirurgia

A maioria das pessoas com doença de Crohn necessita de cirurgia em algum momento ao longo da evolução de sua doença. A cirurgia é necessária quando o intestino fica obstruído ou quando os abscessos ou fístulas não cicatrizam. Uma cirurgia para extrair as zonas afetadas do intestino pode aliviar os sintomas por um período indefinido, mas não cura a doença. A doença de Crohn tende a recorrer na região em que o restante do intestino delgado é religado, embora vários tratamentos medicamentosos iniciados após a cirurgia reduzam essa tendência.

Cerca de metade das pessoas precisam de uma segunda cirurgia. Assim, a cirurgia é realizada apenas nos casos em que há complicações específicas ou quando a falha do tratamento medicamentoso a torna necessária. Contudo, a maioria das pessoas submetidas a uma cirurgia consideram que a sua qualidade de vida melhora após o procedimento.

Como o tabagismo aumenta o risco de recorrência, especialmente em mulheres, o médico incentiva a pessoa a parar de fumar.

Controle geral

A pessoa que apresentar doença grave pode ser hospitalizada e fluidoterapia intravenosa é administrada para restaurar e manter os líquidos corporais (hidratação). Algumas pessoas que apresentam hemorragia retal intensa podem necessitar transfusões de sangue. Pessoas com anemia crônica podem necessitar suplementos de ferro por via oral ou intravenosa.

Gravidade dos sintomas

Para as pessoas com sintomas leves a moderados, a mesalamina é geralmente o medicamento preferencial. Alguns médicos administram antibióticos em vez de mesalamina ou a pessoas que não respondem à mesalamina.

Para pessoas com sintomas moderados a graves, são administrados corticosteroides (como prednisona ou budesonida) por via oral ou intravenosa.

A pessoa que não apresentar resposta a corticosteroides recebe outros medicamentos como, por exemplo, azatioprina, mercaptopurina, metotrexato, infliximabe, adalimumabe, vedolizumabe ou certolizumabe. Uma combinação desses medicamentos pode ser administrada. Esses medicamentos ajudam muitas pessoas. Se esses medicamentos não ajudarem, é possível que o ustequinumabe seja administrado.

Se a pessoa tiver um bloqueio, o médico realiza uma sucção nasogástrica e administra líquidos pela veia. Na sucção nasogástrica, um tubo é inserido pelo nariz até o estômago ou intestino delgado e é aplicada uma sucção no tubo para aliviar o inchaço abdominal (distensão).

Para pessoas com sintomas que se desenvolveram repentinamente ou para as que têm abscessos, são administrados líquidos e antibióticos pela veia no hospital. O médico drena o abscesso cirurgicamente ou inserindo uma agulha sob a pele e retirando o líquido.

Fístulas

Pessoas com fístulas ao redor do ânus (fístulas perianais) recebem metronidazol e ciprofloxacino. Se os medicamentos não tiverem ajudado a pessoa depois de três a quatro semanas, o médico pode administrar azatioprina, mercaptopurina ou agentes biológicos. Ciclosporina é uma alternativa, mas as fístulas geralmente retornam após o tratamento. Tacrolimo pode ajudar a curar as fístulas causadas pela doença de Crohn. As pessoas podem precisar de uma cirurgia definitiva para evitar o retorno das fístulas.

Regimes de manutenção

Para evitar que os sintomas retornem (ou seja, para manter a remissão), as pessoas que precisam apenas de um aminossalicilato ou antibiótico para alcançar a remissão podem continuar a tomar esses medicamentos. As pessoas que são tratadas com uma combinação de azatioprina, mercaptopurina, metotrexato ou infliximabe ou adalimumabe ou certolizumabe precisam continuar a tomar esses medicamentos para manter a remissão. As pessoas sendo tratadas com corticosteroides devem ter suas doses gradualmente reduzidas. Para manter a remissão, elas precisam de uma combinação dos medicamentos mencionados.

Durante a remissão, o médico monitora os sintomas da pessoa e realiza exames de sangue. Radiografias e colonoscopia de rotina não precisam ser realizadas (exceto em pessoas que apresentaram doença de Crohn por 7 ou 8 anos ou mais).

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