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Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE)

Por

Kristle Lee Lynch

, MD, Perelman School of Medicine at The University of Pennsylvania

Última revisão/alteração completa out 2020| Última modificação do conteúdo out 2020
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Fatos rápidos
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Na doença do refluxo gastroesofágico o conteúdo estomacal, incluindo ácido e bile, retorna do estômago para o esôfago, o que provoca inflamação no esôfago e dores na parte inferior do tórax.

  • Ocorre refluxo quando há um funcionamento inadequado do músculo anelar que normalmente impede que o conteúdo gástrico retorne ao esôfago (denominado esfíncter esofágico inferior).

  • O sintoma mais comum é a azia (sensação de queimação atrás do osso esterno).

  • O diagnóstico toma por base os sintomas e, às vezes, o resultado da pHmetria esofágica.

  • O primeiro tratamento inclui evitar substâncias desencadeantes (por exemplo, álcool e alimentos gordurosos) e utilizar medicamentos que reduzem o ácido gástrico, mas se esses métodos falharem, os médicos às vezes fazem cirurgia.

O esôfago Garganta e esôfago A garganta (faringe – Garganta) está atrás e abaixo da boca. Quando os alimentos e líquidos saem da boca, eles passam através da garganta. A deglutição de alimentos e líquidos começa voluntariamente... leia mais é um tubo oco que conecta a garganta (faringe) ao estômago. O esfíncter esofágico inferior é o anel de músculos que mantém a parte inferior do esôfago fechada para evitar o refluxo de alimentos e ácido gástrico para dentro do esôfago. Quando a pessoa engole, esse esfíncter geralmente relaxa para permitir que os alimentos passem para dentro do estômago. (consulte também Considerações gerais sobre o esôfago Considerações gerais sobre o esôfago O esôfago é um tubo oco que conecta a garganta (faringe) ao estômago. Os alimentos ingeridos não simplesmente caem dentro do estômago através do esôfago. Os alimentos ingeridos chegam ao estômago... leia mais ).

O revestimento gástrico protege o estômago dos efeitos de seu próprio ácido. Como o esôfago não tem um revestimento protetor semelhante, os ácidos gástricos e as enzimas que retornam (refluxo) para o esôfago podem causar sintomas e, em alguns casos, danos.

O refluxo do ácido e da bile para dentro do esôfago ocorre quando o esfíncter esofágico inferior não está funcionando adequadamente. Quando uma pessoa está em pé ou sentada, a gravidade ajuda a prevenir o refluxo do conteúdo do estômago para o esôfago, o que explica por que o refluxo pode piorar quando a pessoa afetada está deitada. Também é mais provável que o refluxo ocorra logo após as refeições, quando o volume e a acidez do conteúdo do estômago estão mais elevados e o esfíncter é menos propenso a funcionar adequadamente. Fatores que contribuem para o refluxo incluem

  • Ganho de peso

  • Alimentos gordurosos

  • Bebidas cafeinadas e gasosas

  • Álcool

  • Tabagismo

  • Certos medicamentos

Os tipos de medicamentos que afetam o funcionamento do esfíncter esofágico inferior incluem os que têm efeito anticolinérgico Anticolinérgicos: O que isso significa? Os medicamentos, a intervenção médica mais comum, são uma parte importante dos cuidados médicos para os idosos. Sem medicamentos, muitos idosos funcionariam pior ou morreriam antes. Os idosos... leia mais Anticolinérgicos: O que isso significa? (como muitos anti-histamínicos e alguns antidepressivos), bloqueadores dos canais de cálcio, progesterona e nitratos. A lentidão digestiva (causada por diabetes ou pelo uso de opioides, por exemplo) pode também agravar o refluxo.

Sintomas da DRGE

A azia (uma sensação de queimação atrás do esterno) é o sintoma mais evidente de refluxo gastroesofágico. A azia pode ser acompanhada de regurgitação Regurgitação e ruminação A regurgitação consiste no refluxo de comida do esôfago ou do estômago, sem náuseas nem contrações violentas dos músculos do abdômen. A ruminação é a regurgitação sem causa física aparente.... leia mais , na qual o conteúdo gástrico chega até a boca. Se o conteúdo do estômago alcançar a boca, pode causar dor de garganta, rouquidão, tosse ou uma sensação de nó na garganta Nó na garganta Algumas pessoas sentem que têm um nódulo ou uma massa em sua garganta, mesmo quando não há massa nenhuma. Se essa sensação não estiver relacionada à deglutição, é chamada de sensação de nó na... leia mais (sensação de bolo na garganta). Às vezes, o conteúdo do estômago atinge os pulmões, causando tosse e/ou sibilos. Algumas vezes, pessoas que têm azia de longa data desenvolvem dificuldade em engolir (disfagia Dificuldade em engolir Algumas pessoas têm dificuldade para engolir (disfagia). Na disfagia, alimentos e/ou líquidos não se movem normalmente da garganta (faringe) para o estômago. As pessoas sentem que os alimentos... leia mais ).

Complicações do refluxo gastroesofágico

A exposição prolongada da parte inferior do esôfago à repetição do refluxo pode causar

A inflamação do esôfago (esofagite ou esofagite erosiva) causa sintomas característicos da doença do refluxo gastroesofágico, porém, talvez mais graves. Ela também pode causar dor ao engolir (odinofagia). Algumas pessoas apresentam hemorragia, normalmente discreta, mas que pode ser intensa. O sangue pode ser vomitado ou passar através do trato digestivo, resultando em fezes negras com aparência de borra de café (melena) ou fezes com sangue vermelho vivo, se o sangramento for suficientemente grande. Hemorragia leve de longa duração pode causar anemia ferropriva Anemia por deficiência de ferro A anemia ferropriva resulta de depósitos de ferro baixos ou esgotados, que são necessários para se produzir glóbulos vermelhos. Hemorragia excessiva é a causa mais comum. As pessoas podem sentir... leia mais .

Úlceras esofágicas são feridas abertas no revestimento do esôfago. Essas úlceras podem provocar dor torácica durante a deglutição, normalmente localizada atrás do esterno ou logo abaixo dele, similar à localização da azia.

O estreitamento (estenose) do esôfago decorrente do refluxo causa dificuldade progressiva para engolir alimentos sólidos.

A irritação prolongada faz que com as células que revestem o esôfago sofram alterações, o que resulta em um quadro clínico chamado esôfago de Barrett. É possível que ocorram alterações sem a presença de sintomas. Essas células anormais são pré-cancerosas e podem às vezes se transformar em câncer.

Diagnóstico da DRGE

  • Endoscopia com biópsia

  • Algumas vezes, pHmetria esofágica

  • Às vezes, manometria

Quando os sintomas indicam o diagnóstico de DRGE, o tratamento pode ser iniciado sem a realização de exames. Os exames geralmente são reservados a situações em que o diagnóstico não está claro, quando o tratamento não controla os sintomas ou quando os sintomas estão presentes há bastante tempo.

Quando houver necessidade de exames, normalmente o primeiro é o exame do esôfago com a utilização de um tubo de visualização flexível (endoscopia Endoscopia leia mais ). A endoscopia é o melhor exame para diagnosticar esofagite, esofagite erosiva, úlcera esofágica, estenose esofágica, câncer de esôfago e esôfago de Barrett. Durante a endoscopia, o médico pode remover tecido para exame em um microscópio (biópsia).

Se os resultados da endoscopia e da biópsia forem normais em pessoas cujos sintomas são sugestivos de DRGE, é possível que o médico realize uma pHmetria esofágica (o pH é a medida da acidez – consulte monitoramento baseado em cateter Monitoramento com cateter leia mais ). Nesse exame, um tubo fino e flexível com um sensor instalado em sua extremidade é introduzido pelo nariz até a porção inferior do esôfago. O tubo permanece no local por 24 horas. A outra extremidade do tubo é ligada a um monitor carregado pela pessoa. O monitor registra os níveis de ácido no esôfago, geralmente por 24 horas. Além de determinar o volume do refluxo, esse exame identifica a relação entre os sintomas e o refluxo. Esse exame também é particularmente útil em pessoas que manifestam sintomas de refluxo atípicos. A pHmetria esofágica é sugerida para todas as pessoas para as quais está sendo considerada cirurgia de correção de refluxo gastroesofágico. Caso a pessoa não consiga tolerar a inserção de um tubo no nariz é possível fixar uma pequena cápsula para medir o pH na parte inferior do esôfago (consulte monitoramento sem fio Monitoramento sem fio leia mais ).

As medições da pressão no esfíncter esofágico inferior por meio de um exame denominado manometria Manometria leia mais indicam o grau de funcionamento do esfíncter e fornecem informações sobre a força de contração dos músculos do esôfago. As informações obtidas com esse exame ajudam a determinar se a cirurgia constitui o melhor tratamento.

Prevenção da DRGE

Várias medidas podem ser tomadas para aliviar o refluxo gastroesofágico:

  • Erguer a cabeceira da cama

  • Evitar medicamentos e alimentos que causam sintomas ou o acúmulo de ácido

  • Não comer três horas antes de ir para cama

  • Perda de peso

Elevar a cabeceira da cama aproximadamente 15 centímetros pode evitar que o ácido retorne ao esôfago durante o sono. Medicamentos que causam sintomas devem ser evitados, assim como fumar. Café, álcool, alimentos gordurosos, bebidas ácidas, como suco de laranja, bebidas à base de cola, temperos para salada à base de vinagre e outras substâncias que estimulam intensamente o estômago a produzir ácido ou que retardam o esvaziamento do estômago também devem ser evitados. A pessoa deve evitar comer três horas antes de dormir. As pessoas com sobrepeso e as que ganharam peso recentemente devem perder peso.

Tratamento da DRGE

  • Inibidores da bomba de prótons ou, às vezes, bloqueadores de histamina-2

  • Dilatação das áreas estreitadas

  • Fundoplicatura

Os inibidores da bomba de prótons, os medicamentos mais potentes para redução da produção de ácido gástrico, normalmente constituem o tratamento mais eficaz para o refluxo gastroesofágico e para a esofagite e a esofagite erosiva causadas por refluxo gastroesofágico. A cura normalmente requer a administração de medicamentos por um período de quatro a doze semanas. A administração desses medicamentos pode continuar por um longo período, mas se for necessário, o médico tenta utilizar uma dose menor. Os bloqueadores de histamina-2 (H2) representam outro tipo de medicamento que causa a redução do ácido gástrico, que são eficazes para pessoas com sintomas de DRGE leves. Medicamentos que estimulam o movimento do bolo alimentar através do esôfago, estômago e intestino (denominados medicamentos procinéticos) não são tão eficazes quanto os inibidores da bomba de prótons, mas podem ser acrescentados a um esquema com um inibidor da bomba de prótons.

O estreitamento esofágico é tratado com repetição da dilatação da área estreitada com a utilização de balões ou tubos. Se a dilatação for bem-sucedida, o estreitamento não limita seriamente o que uma pessoa pode comer.

A cirurgia é uma opção para tratamento de refluxo gastroesofágico para pessoas que não toleram medicamentos, que têm um grande volume de refluxo que não é ácido mas que causa sintomas ou aquelas que têm úlceras, sangramento, hérnias de grande porte ou esofagite grave. Além disso, a cirurgia pode ser preferível ao tratamento medicamentoso em pessoas que não gostam do prospecto de tomar medicamentos durante muitos anos. Um procedimento minimamente invasivo realizado por laparoscopia (chamado fundoplicatura) está disponível. No entanto, algumas pessoas que se submetem a esse procedimento sofrem efeitos colaterais, sendo os mais frequentes a dificuldade em engolir e sensação de distensão ou desconforto abdominal após as refeições.

O esôfago de Barrett raramente desaparece após o uso de um inibidor da bomba de prótons e normalmente permanece inalterado. Se as células se tornarem pré-cancerosas, as opções de tratamento que podem ser realizados durante a endoscopia incluem métodos que destroem o tecido anormal por meio de ondas de rádio (ablação por radiofrequência), frio extremo (crioterapia) ou um raio laser (ablação com laser). Alternativamente, o tecido pode também ser cirurgicamente removido. No entanto, células anormais ainda podem permanecer, mesmo após o tratamento aliviar os sintomas. Portanto, em pessoas com esôfago de Barrett, o médico pede uma endoscopia a ser realizada periodicamente para verificar se a doença não está evoluindo para um câncer.

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Esofagite eosinofílica
A esofagite eosinofílica é um distúrbio inflamatório, no qual a parede do esôfago, um tubo que leva da garganta até o estômago, se enche de um tipo de glóbulo branco chamado eosinófilo. Qual das opções seguintes é considerada a causa desse distúrbio?
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