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Considerações gerais sobre o sistema nervoso autônomo

Por

Phillip Low

, MD, College of Medicine, Mayo Clinic

Última revisão/alteração completa dez 2018| Última modificação do conteúdo dez 2018
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Este sistema regula certos processos do corpo, como pressão arterial e a frequência respiratória. Funciona automaticamente (de forma autônoma), sem esforço consciente da pessoa.

As doenças do sistema nervoso autônomo podem afetar cada parte do corpo ou processo. As doenças autônomas podem ser reversíveis ou progressivas.

Anatomia do sistema nervoso autônomo

O sistema nervoso autônomo é a parte do sistema nervoso que alimenta os órgãos internos, incluindo os vasos sanguíneos, estômago, intestino, fígado, rins, bexiga, órgãos genitais, pulmões, pupilas, coração e as glândulas digestivas, salivares e sudoríparas.

O sistema nervoso autônomo é composto por dois sistemas:

  • Simpático

  • Parassimpático

Depois que o sistema nervoso autônomo recebe informações sobre o corpo e o ambiente externo, ele responde estimulando os processos corporais, geralmente pela divisão simpática, ou inibindo-os, pela divisão parassimpática.

O caminho de um nervo autônomo envolve duas células nervosas. Uma delas está localizada no tronco cerebral ou na medula espinhal. É conectada por fibras nervosas à outra célula, localizada em um grupo de células nervosas (chamada gânglios autônomos). As fibras nervosas desses gânglios se conectam com os órgãos internos. A maioria dos gânglios para a divisão simpática está localizada bem do lado de fora da medula espinhal, dos dois lados. Os gânglios para a divisão parassimpática estão localizados próximos ou nos órgãos a que estão conectados.

Funcionamento do sistema nervoso autônomo

O sistema nervoso autônomo controla os processos internos do corpo tais como os seguintes:

  • Pressão arterial

  • Frequências cardíaca e respiratória

  • Temperatura corporal

  • Digestão

  • Metabolismo (afetando assim o peso corporal)

  • O equilíbrio de água e eletrólitos (tais como sódio e cálcio)

  • A produção de líquidos corporais (saliva, suor e lágrimas)

  • Urinação

  • Defecação

  • Resposta sexual

Muitos órgãos são controlados basicamente pela divisão simpática ou parassimpática. Às vezes, as duas divisões têm efeitos opostos no mesmo órgão. Por exemplo, a divisão simpática aumenta a pressão arterial e a parassimpática a reduz. No geral, as duas divisões funcionam juntas para garantir que o corpo responda de modo apropriado a diferentes situações.

Sistema nervoso autônomo

Sistema nervoso autônomo

Geralmente, o sistema simpático executa o seguinte:

  • Prepara o organismo para situações de estresse ou de emergência: lutar ou fugir.

Para isso, o sistema simpático aumenta a frequência cardíaca e a força das contrações do coração e aumenta (dilata) as vias respiratórias para facilitar a respiração. Faz o corpo liberar a energia armazenada. Aumenta também a força muscular. Esta divisão também faz a palma da mão suar, as pupilas dilatarem e o cabelo ficar em pé. Reduz os processos do corpo que são menos importantes em emergências, como digestão e urina.

O sistema parassimpático executa o seguinte:

  • Controla os processos do corpo durante situações comuns.

Geralmente, o sistema parassimpático conserva e restaura. Reduz a frequência cardíaca e diminui a pressão arterial. Estimula o processamento dos alimentos pelo trato digestivo e elimina as excreções. A energia do alimento processado é usada para restaurar e criar tecidos.

Os sistemas simpático e parassimpático estão envolvidos na atividade sexual, já que fazem parte do sistema nervoso que controla as ações voluntárias e transmite a sensação da pele (sistema nervoso somático).

Tabela
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Divisão do sistema nervoso autônomo

Setor de atividade

Efeitos

Simpático

Aumenta:

  • Frequência cardíaca e força das contrações do coração

  • Liberação da energia armazenada no fígado

  • A velocidade em que a energia é usada para realizar as funções do corpo, enquanto uma pessoa está em repouso (taxa metabólica basal)

  • Força muscular

Alarga as vias aéreas para facilitar a respiração

Faz a palma da mão suar

Reduz as funções que são menos importantes em uma emergência (como digestão e urina)

Controla a liberação de sêmen (ejaculação)

Parassimpático

Estimula o processamento dos alimentos pelo trato digestivo e elimina as excreções (em movimentos do intestino)

Reduz a frequência cardíaca

Reduz a pressão arterial

Controla a ereção

São usados dois mensageiros químicos (neurotransmissores) para se comunicar no sistema nervoso autônomo:

  • Acetilcolina

  • Norepinefrina

As fibras nervosas que separam a acetilcolina são chamadas colinérgicas. As fibras que separam a norepinefrina são chamadas adrenérgicas. Em geral, a acetilcolina tem efeitos parassimpáticos (inibidores) e a norepinefrina, simpáticos (estimulantes). Entretanto, a acetilcolina tem alguns efeitos simpáticos. Por exemplo, às vezes, estimula o suor ou deixa o cabelo em pé.

Causas

As doenças autônomas podem resultar de distúrbios que danificam os nervos autônomos ou partes do cérebro que ajudam a controlar os processos corporais, ou elas podem ocorrer espontaneamente, sem uma causa evidente.

As causas comuns de doenças autônomas são

Outras causas menos comuns incluem as seguintes:

Sintomas

Nos homens, a dificuldade em iniciar e manter uma ereção (disfunção erétil) pode ser um sintoma inicial de uma doença autônoma.

As doenças autônomas geralmente causam tontura ou sensação de desmaio iminente devido a uma redução excessiva na pressão arterial quando a pessoa se levanta (hipotensão ortostática).

As pessoas podem suar menos ou nada e, por isso, ficar intolerantes ao calor. Os olhos e a boca podem ficar secos.

Depois de se alimentar, uma pessoa com uma doença autônoma pode sentir-se prematuramente cheia ou até vomita, pois o estômago esvazia muito lentamente (chamado gastroparesia). Algumas pessoas não conseguem segurar a urina (incontinência urinária), geralmente, porque a bexiga é hiperativa. Outras pessoas têm dificuldade em esvaziar a bexiga (retenção urinária), pois a bexiga está hipoativa. Pode ocorrer constipação intestinal, ou a perda dos movimentos intestinais.

As pupilas podem não dilatar e estreitar (constrição) conforme a alteração da luz.

Diagnóstico

  • Avaliação de um médico

  • Testes para determinar como a pressão arterial muda durante certas manobras

  • Eletrocardiograma

  • Teste de suor

Durante o exame físico, os médicos podem verificar se há sinais de doenças autônomas, como hipotensão ortostática. Por exemplo, eles medem a pressão arterial e a frequência cardíaca enquanto uma pessoa está deitada ou sentada e depois que ela se levanta para verificar de que forma a pressão arterial muda quando se troca de posição. Quando a pessoa se levanta, a força da gravidade dificulta a volta do sangue das pernas para o coração. Assim, a pressão arterial diminui. Para compensar, o coração bombeia com mais força e a frequência cardíaca aumenta. No entanto, as alterações na frequência cardíaca e na pressão arterial são leves e breves. Se as alterações forem maiores ou durarem mais tempo, a pessoa pode ter hipotensão ortostática.

A pressão arterial também é medida continuamente enquanto a pessoa faz uma manobra de Valsalva (tentar exalar com força sem deixar o ar sair pelo nariz ou pela boca - semelhante a fazer força durante um movimento intestinal). Um eletrocardiograma é realizado para determinar se a frequência cardíaca se altera como faz normalmente durante a respiração profunda e a manobra de Valsalva.

Pode ser realizado um teste de inclinação ortostática para verificar como a pressão arterial e a frequência cardíaca se alteram quando a posição muda. Neste exame, a pressão arterial é medida antes e depois de a pessoa, que está deitada em uma plataforma em uma mesa giratória, ser inclinada a uma posição reta.

O teste de inclinação ortostática e a manobra de Valsalva, realizados em conjunto, podem ajudar os médicos a determinar se uma queda de pressão arterial resulta de doença do sistema nervoso autônomo.

Os médicos examinam as pupilas quanto a respostas anormais ou falta de resposta às alterações da luz.

Um teste de suor também é realizado. Para um teste de suor, as glândulas sudoríparas são estimuladas por eletrodos repletos de acetilcolina e colocados nas pernas e no antebraço. Depois, o volume de suor é medido para determinar se a produção está normal. É possível sentir uma leve queimação durante o exame.

No exame de suor termorregulador, é aplicado um contraste à pele e a pessoa é colocada em um compartimento aquecido e fechado para estimular a sudorese. O suor faz o contraste mudar de cor. Em seguida, os médicos avaliam o padrão da perda de suor, o que pode ajudá-los a determinar a causa da doença do sistema nervoso autônomo.

Outros exames podem ser realizados para verificar quais distúrbios podem causar a doença autônoma.

Tratamento

  • Tratamento da causa, caso identificada

  • Alívio de sintomas

São tratados os problemas que podem contribuir para a doença. Se não houver nenhum problema ou se não for passível de tratamento, o foco é aliviar os sintomas.

Medidas simples e às vezes medicamentos podem ajudar a aliviar alguns sintomas das doenças autônomas:

  • Hipotensão ortostática: pede-se à pessoa para elevar a cabeceira da cama em uns 10 cm e para ficar de pé lentamente. Usar modeladores ou vestuário de apoio, como uma cinta abdominal ou meias de compressão, pode ajudar. Consumir mais sal e água ajuda a manter o volume do sangue na corrente e, assim, a pressão arterial. Às vezes, são usados medicamentos. A fludrocortisona ajuda a manter o volume do sangue e, assim, a pressão arterial. A midodrina ajuda a manter a pressão arterial, estreitando as artérias (constrição). Esses medicamentos são administrados por via oral.

  • Redução ou ausência de suor: se o suor for reduzido ou estiver ausente, é aconselhável evitar ambientes quentes.

  • Retenção urinária: se ocorrer a retenção urinária porque a bexiga não se contrai normalmente, é possível ensinar as pessoas a inserirem um cateter (tubo fino de borracha) pela uretra e na bexiga. O cateter permite que a urina retida na bexiga seja drenada, causando um alívio. As pessoas inserem o cateter várias vezes por dia e removem-no quando a bexiga estiver vazia. O betanecol pode ser usado para aumentar o tono da bexiga, ajudando assim a esvaziá-la.

  • Constipação intestinal: recomenda-se seguir uma dieta com alto teor de fibras e uso de laxantes emolientes. Se a constipação persistir, pode ser necessário o uso de enemas.

  • Disfunção erétil: geralmente, o tratamento consiste na administração de medicamentos via oral, como sildenafila, tadalafila ou vardenafila. Os dispositivos de constrição (faixas e anéis colocados na base do pênis) e/ou dispositivos a vácuo são usados algumas vezes.

Tabela
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Alguns medicamentos usados para tratar sintomas de doenças autônomas

Sintoma

Medicamento

Efeito do medicamento

Suplementos com fibras (como farelo de trigo ou psílio)

Laxantes emolientes (como docusato, lactulose ou polietilenoglicol)

Esses suplementos dão volume às fezes, estimulando assim as contrações naturais do intestino. Os suplementos com fibra e os laxantes emolientes ajudam a movimentar o alimento pelo intestino mais rapidamente.

Estômago cheio

Domperidona

Eritromicina

Metoclopramida

Esses medicamentos estimulam as contrações no trato digestivo e, assim, ajudam a mover o alimento mais rapidamente.

Avanafila

Sildenafila

Tadalafila

Vardenafila

Esses medicamentos aumentam a frequência, rigidez e duração das ereções.

Hipotensão ortostática (excesso de redução na pressão arterial quando a pessoa se levanta)

Fludrocortisona

Este medicamento ajuda o organismo a reter sal e, assim, a manter o volume do sangue e a pressão arterial.

Midodrina

Droxidopa

Estes medicamentos fazem com que as artérias pequenas (arteríolas) se estreitem (constrinjam) e, assim, ajudem a manter a pressão arterial.

Oxibutinina

Mirabegrona

Tansulosina

Tolterodina

Estes medicamentos relaxam os músculos de uma bexiga hiperativa.

Betanecol

Este medicamento estimula as contrações da bexiga, ajudando-a a esvaziar.

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