Manual MSD

Please confirm that you are a health care professional

Carregando

Neuropatias ópticas hereditárias

Por

James Garrity

, MD,

  • Mayo Clinic College of Medicine

Última modificação do conteúdo fev 2019
Clique aqui para acessar Educação para o paciente

Neuropatias ópticas hereditárias resultam de defeitos genéticos que causam perda de visão e ocasionalmente anormalidades cardíacas ou neurológicas. Não há tratamento eficaz.

Neuropatias ópticas hereditárias incluem atrofia óptica dominante e neuropatia óptica hereditária de Leber, ambas citopatias mitocondriais. Essas doenças tipicamente se manifestam na infância ou adolescência com perda de visão central bilateral simétrica. A lesão do nervo óptico é normalmente permanente e, em alguns casos, progressiva. No momento em que se identifica a atrofia do nervo óptico, um significativo acometimento deste já está instalado.

Atrofia óptica dominante

Atrofia óptica dominante é herdada de modo autossômico dominante. Acredita-se ser a neuropatia óptica hereditária mais comum, com prevalência em 1:10.000 a 1:50.000. Acredita-se ser abiotrofia óptica, uma degeneração prematura do nervo óptico que leva à perda de visão progressiva. O início ocorre na 1ª década de vida.

Neuropatia óptica hereditária de Leber

Neuropatia óptica hereditária de Leber envolve uma anormalidade mitocondrial do ácido desoxirribonucleico (DNA) que afeta a respiração celular. Embora todo o DNA mitocondrial do corpo seja acometido, a manifestação primária é a perda da visão. Homens são acometidos em 80 a 90% dos casos. O padrão de herança é materno, ou seja, toda a prole de uma mulher que carrega o gene o herdará, mas somente mulheres podem transmiti-lo, pois o zigoto recebe mitocôndrias apenas da mãe.

Sinais e sintomas

Atrofia óptica dominante

A maioria dos pacientes com atrofia óptica dominante não apresenta alterações neurológicas associadas, embora nistagmo e perda auditiva tenham sido relatados. O único sintoma é a perda bilateral e progressiva da visão, geralmente leve até mais tarde na vida. Todo o disco óptico ou, às vezes, somente a região temporal é pálido sem vasos visíveis. Defeito na visão das cores azul e amarelo é frequente.

Neuropatia óptica hereditária de Leber

A perda de visão em pacientes com neuropatia óptica hereditária de Leber normalmente manifesta-se entre os 15 e 35 anos (variando de 1 a 80 anos). A perda visual indolor e central em um olho normalmente atinge o outro semanas ou meses mais tarde. Há relatos de perda visual simultânea. A maioria dos pacientes perde a visão e desenvolve acuidade menor que 20/200. Ao exame oftalmológico podem-se observar microangiopatias teleangiectásicas, edema das fibras nervosas ao redor do disco óptico e ausência de vazamento na angiografia com fluoresceína. Eventualmente ocorre atrofia óptica.

Alguns pacientes com neuropatia óptica hereditária de Leber apresentam defeitos de condução cardíaca. Outros pacientes podem apresentar alterações neurológicas leves, como tremores posturais, perda dos reflexos do tornozelo, distonia, espasmos ou uma condição semelhante à esclerose múltipla.

Diagnóstico

  • Avaliação clínica

  • Exame genético molecular

O diagnóstico da atrofia óptica dominante e atrofia óptica hereditária de Leber é principalmente clínico. Exame genético molecular está disponível para confirmar muitas mutações responsáveis por ambos os distúrbios. Mas os resultados podem ser falsamente negativos porque mutações podem existir para as quais ainda não existem testes.

Se há suspeita de neuropatia óptica hereditária de Leber, deve-se fazer uma eletrocardiografia (ECG) para diagnosticar defeitos ocultos da condução cardíaca.

Tratamento

  • Tratamento sintomático

Não há tratamento eficaz para neuropatias ópticas hereditárias. Aparelhos para visão subnormal (p. ex., lupas, dispositivos de impressão grande, relógios falantes) podem ser úteis. O aconselhamento genético é sugerido.

Neuropatia óptica hereditária de Leber

Em pacientes com neuropatia óptica hereditária de Leber, foram testados corticoides, suplementação vitamínica e antioxidantes sem sucesso. Um pequeno estudo mostrou alguns benefícios do uso de análogos das quinonas (ubiquinona e idebenona) nos estágios iniciais (1). Sugestões para evitar agentes que podem estressar a produção energética mitocondrial (p. ex., tabaco, álcool, especialmente em excesso) não provaram ser benéficas, mas teoricamente são razoáveis. Pacientes com anormalidades cardíacas e neurológicas devem ser encaminhados a um especialista.

Referência sobre o tratamento

  • 1. Peragallo JH and Newman NJ: Is there treatment for Leber hereditary optic neuropathy? Curr Opin Ophthalmol. 26(6):450-7, 2015. doi: 10.1097/ICU.0000000000000212.

Clique aqui para acessar Educação para o paciente
OBS.: Esta é a versão para profissionais. CONSUMIDORES: Clique aqui para a versão para a família

Também de interesse

MÍDIAS SOCIAIS

PRINCIPAIS