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Como remover um corpo estranho do olho

Por

Christopher J. Brady

, MD, Wilmer Eye Institute, Retina Division, Johns Hopkins University School of Medicine

Última modificação do conteúdo jun 2018
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Corpos estranhos e abrasões são as lesões mais comuns da conjuntiva e da córnea. As técnicas de remoção de corpo estranho variam dependendo do tipo de corpo estranho:

  • Corpos estranhos de superfície são removidos por irrigação e um aplicador com algodão umedecino na ponta.

  • Corpos estranhos entranhados precisam ser removidos com um spud, ou lanceta de oftalmologia (instrumento projetado para remover corpos estranhos oculares) estéril ou uma agulha de calibre 25 ou 27, geralmente sob orientação de uma lâmpada de fenda.

  • A retirada de corpos estranhos intraoculares, ou o tratamento de quailquer lesão penetrante, devem ser feitos cirurgicamente por um oftalmologista.

Indicações

Suspeita de corpo estranho ocular

Contraindicações

Contraindicações absolutas:

  • Nenhum

Contraindicações relativas:

  • Corpo estranho intraocular, identificado ou suspeito, ou outra lesão penetrante, requer consulta oftalmológica imediata

  • Um paciente não cooperante

O paciente deve poder olhar sem mover o olho durante a remoção do corpo estranho. Deve-se marcar uma consulta oftalmológica para pacientes que talvez não consigam cooperar (p. ex., crianças pequenas, adultos intoxicados).

Complicações

Equipamento

  • Lâmpada de fenda com filtro azul cobalto (preferível) ou lente binocular (lupas) com lâmpada de Wood

  • Anestésico local (p. ex., colírio de proparacaína a 0,5%)

  • Tiras de fluoresceína

  • Aplicadores estéreis com ponta de algodão

  • Escardilho ou agulha de calibre 25 ou 27 acoplada à seringa com tuberculina

  • Rebarba rotativa de baixa velocidade

  • Soro fisiológico estéril e seringa de 10 a 20 mL

Considerações adicionais

  • Se em algum momento houver suspeita da existência de corpo estranho intraocular ou outra lesão penetrante, interromper o procedimento e evitar colocar mais pressão sobre o globo. Proteger o globo com um anteparo rígido (fixo ou além da margem óssea da órbita), administrar antibióticos sistêmicos (p. ex., cefazolina e gentamicina empíricas) e um antiemético, e marcar imediatamente uma consulta oftalmológica para avaliação e tratamento.

Posicionamento

  • Colocar o paciente sentado em frente à lâmpada de fenda e sentar-se do outro lado do paciente durante o procedimento de remoção.

  • Estabilizar a cabeça do paciente (p. ex., pressionando firmemente contra a faixa da fronte e com o queixo apoiado na lâmpada de fenda).

  • Manter a mão que fará o procedimento em contato com algum osso na face do paciente (p. ex., no arco zigomático ou na ponte nasal), de modo que se o paciente se mover, sua mão se moverá também.

Descrição passo a passo dos procedimentos e principais pontos de ensino

  • Fazer um exame oftalmológico antes do procedimento sem anestesia tópica se o nível de desconforto do paciente permitir. Usando uma pequena lanterna, examinar externamente o olho para deflação do globo ocular ou da câmara anterior. Verificar a acuidade visual, os movimentos oculares, o tamanho, a forma e os reflexos pupilares. Se houver sinais de perfuração, abortar o procedimento e marcar consulta oftalmológica imediata (ver Considerações adicionais acima).

  • Caso nenhum anestésico tópico tenha sido usado antes do exame anterior ao procedimento, pedir que o paciente olhe para cima e, em seguida, pingar uma gota de anestésico ocular tópico no fórnice inferior do olho atingido. Orientar o paciente a manter o olho fechado por cerca de um minuto a fim de reter o fármaco.

  • Colocar o paciente sentado na frente da lâmpada de fenda.

  • Aplicar fluoresceína e examinar o olho para ver se há sinal de Seideln (alreação da superfície da fluoresceína por um fluxo escuro de humor aquoso por perfuração de córnea ou esclera). Se houver sinal de Seidel, abortar o procedimento e marcar uma consulta oftalmológica imediatamente.

  • Examinar o olho em busca de corpo estranho. Rebater as pálpebras colocando o polegar logo abaixo da pálpebra inferior e o dedo indicador logo acima da pálpebra superior e, em seguida, estender o polegar e o indicador. Inspecionar toda a conjuntiva e córnea. Pedir que o paciente olhe para baixo ao examinar o fórnice superior e olhe para cima ao examinar o fórnice inferior. Variar a largura e a angulação do feixe da lâmpada de fenda a fim de procurar algum corpo estranho na córnea e medir sua profundidade. Everter e fazer eversão dupla da pálpebra superior. Primeiro, pressionar delicadamente a parte superior da pálpebra superior com um aplicador com ponta de algodão. A seguir, levantar a margem superior da pálpebra para cima e para trás em direção à fronte do paciente. Em seguida, fazer a eversão dupla empurrando o aplicador em direção caudal até que o fórnice superior esteja visível.

  • Se não houver nenhum corpo estranho ou abrasão na córnea visível, ou se houver apenas uma abrasão simples da córnea visível, passar o swab umedecido nos fórnices superiores e inferiores e, a seguir, irrigar o olho como descrito em Irrigação dos olhos e eversão da pálpebra. Se não houver história de exposição a produtos químicos, irrigar o olho com vários mililitros de soro fisiológico pode ser suficiente.

Remoção de corpos estranhos superficiais:

  • Para remover um corpo estranho superficial da conjuntiva ou da córnea, primeiro irrigar cuidadosamente a região (p. ex., com soro fisiológico estéril em uma seringa) para umedecer a área e, possivelmente, desalojar o corpo estranho. Não direcionar o jato de irrigação diretamente para o corpo estranho.

  • Usar um aplicador de ponta de algodão umedecido, com um movimento ondulante, para levantar delicadamente o corpo estranho superficial da superfície.

  • Fazer um movimento delicado e circunscrito ao tocar a córnea com o aplicador de ponta de algodão umedecido para evitar lesar o epitélio.

Remoção de corpos estranhos entranhados:

  • Remover um corpo estranho entranhado usando, de acordo com sua preferência, um escardilho, uma rebarba rotativa de baixa velocidade ou uma agulha de calibre 25 ou 27 acoplada a uma seringa pequena (p. ex., tuberculina).

  • Segurar essas ferramentas como você seguraria um lápis.

  • Pedir que o paciente olhe diretamente para um objeto à sua frente.

  • Sempre aproximar um corpo estranho pela periferia da córnea (ou seja, nunca cruzar o campo visual do paciente com a ferramenta de remoção) e usar a sua mão dominante. Seguir 2 etapas para fazer a abordagem.

  • Primeiro, sem usar a ampliação, posicionar a mão operacional (face ulnar) contra a face do paciente (arco zigomático ou ponte nasal) e manobrar o instrumento de remoção até um ponto próximo da periferia da córnea.

  • Em seguida, com ampliação e segurando o instrumento de remoção tangencial à superfície da córnea, aproximar-se lenta e cuidadosamente do corpo estranho, avançando para dentro da córnea a partir da sua periferia.

  • Segurar a agulha ou o escardilho com bisel virado para cima e então usar a extremidade para pegar ou remover o corpo estranho da córnea. Pode ser necessário repetir esse procedimento várias vezes para remover completamente o corpo estranho. Essa técnica também pode remover alguns anéis de ferrugem superficiais. Se o corpo estranho tiver sido desalojado, mas permanecer na superfície do olho, tentar irrigar para enxaguá-lo ou usar algum dos mesmos instrumentos de remoção utilizados para retirar o corpo estranho.

  • Alguns não oftalmologistas evitam usar a rebarba rotativa. A rebarba geralmente é mencionada para a remoção de anéis de ferrugem, mas também pode ser usada para remover um corpo estranho entranhado na córnea. Pressionar suave e brevemente a rebarba rotativa contra o corpo estranho. Em seguida, recuar e avaliar quanto foi removido. Repetir até o corpo estranho (ou anel de ferrugem) ter sido removido. Sempre equilibrar a quantidade removida em relação ao tamanho do defeito na córnea criado pela rebarba. A rebarba cria um defeito maior do que um escardilho ou uma agulha. Inverter a direção do escardilho é às vezes útil (invertendo a direção da rotação). Não é necessário remover os anéis de ferrugem; eles podem ser abordados pelo oftalmologista na consulta de acompanhamento em 24 horas.

Cuidados posteriores

  • Testar a acuidade visual após o procedimento.

  • Instilar a fluoresceína e verificar se ainda não há perfuração (após o procedimento) (ou seja, ausência do sinal de Seidel).

  • Prescrever colírio ou pomada antibiótica tópica (p. ex., ciprofloxacino a 0,3% pomada ou colírio 4 vezes ao dia por 5 a 7 dias).

  • Não prescrever corticoides tópicos.

  • Não prescrever anestésicos tópicos.

  • Não vendar o olho.

  • Agendar uma consulta de acompanhamento oftalmológico em 24 h ou, se não for viável, orientar o paciente para procurar atendimento de emergência se os sintomas não desaparecerem completamente em 24 h.

Alertas e erros comuns

  • Não usar swab com ponta de algodão para remover um corpo estranho entranhado na córnea. O swab pode danificar grandes áreas do epitélio da córnea.

  • Não usar lentes esclerais para irrigação. Isso pode incrustar ainda mais o corpo estranho na córnea.

  • O risco de perfuração da córnea por uma agulha é baixo se a abordagem for tangencial e a mão for mantida apoiada na face do paciente

Dicas e truques

  • Proceder do menos invasivo para o mais invasivo; muitas vezes o corpo estranho pode ser removido com irrigação.

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