Manual MSD

Please confirm that you are not located inside the Russian Federation

honeypot link

Aborto

(Interruption of Pregnancy)

Por

Frances E. Casey

, MD, MPH, Virginia Commonwealth University Medical Center

Última revisão/alteração completa mai 2020| Última modificação do conteúdo mai 2020
Clique aqui para a versão para profissionais
Fatos rápidos

O aborto induzido é o término voluntário de uma gravidez por cirurgia ou medicamentos.

  • Uma gestação pode ser encerrada removendo cirurgicamente os conteúdos do útero ou administrando certos medicamentos.

  • Complicações são pouco frequentes quando o aborto é feito por um profissional da saúde treinado em um hospital ou uma clínica.

  • O aborto eletivo não aumenta os riscos para o feto ou a mulher em gestações seguintes.

No mundo todo, a situação do aborto varia desde ser proibido por lei a estar disponível sob pedido. Aproximadamente dois terços das mulheres do mundo têm acesso a aborto legal.

Nos Estados Unidos, o aborto eletivo (aborto iniciado por escolha da pessoa) é legal durante o 1º trimestre (até 12 semanas). Após 12 semanas, cada estado tem o direito de impor restrições sobre o momento em que o aborto pode ser realizado. Por exemplo, talvez seja exigido um período de espera ou psicoterapia antes de um aborto poder ser realizado. Essas restrições variam de um estado para outro.

Nos Estados Unidos, aproximadamente 50% das gestações não são planejadas e aproximadamente 40% das gestações não planejadas são interrompidas por um aborto eletivo, o que faz com que esse método seja um dos procedimentos cirúrgicos mais realizados.

Em países em que o aborto é legal, o procedimento costuma ser seguro e as complicações são raras. No mundo todo, aproximadamente 13% das mortes de gestantes se deve a aborto. A maioria das mortes ocorre em países em que o aborto é ilegal.

Did You Know...

  • O aborto é um dos procedimentos cirúrgicos mais comuns realizados nos Estados Unidos.

A contracepção pode ser iniciada imediatamente após um aborto realizado até a 28ª semana de gestação.

Métodos

Os métodos abortivos incluem

  • Aborto cirúrgico (evacuação cirúrgica): Remoção do conteúdo do útero através do colo do útero

  • Medicamentos que causam (induzem) o aborto: Uso de medicamentos para estimular contrações do útero, que expelem o conteúdo do útero

O método usado depende, em parte, do tempo de gestação. Ultrassonografia costuma ser realizada para estimar o tempo de gestação. O aborto cirúrgico pode ser usado na maioria das gestações com até 24 semanas de duração. Os medicamentos podem ser usados nas gestações de menos de 11 semanas de duração (um procedimento que costuma ser chamado de aborto médico) ou com mais de 15 semanas de duração (um procedimento que costuma ser chamado de indução).

No caso de abortos realizados no início da gestação, talvez seja necessária apenas anestesia local. A sedação consciente (medicamentos que aliviam a dor e ajudam a mulher a relaxar, mas permitem que a mulher permaneça consciente) também pode ser usada. Esses medicamentos costumam ser administrados pela veia. Um sedativo mais forte geralmente é necessário no caso de abortos realizados quando a gestação está mais avançada. Anestesia geral é raramente necessária.

No dia do aborto cirúrgico, a mulher recebe antibióticos que são eficazes contra micro-organismos que podem causar infecções no trato reprodutor.

Depois de todo aborto (cirúrgico ou médico), mulheres com sangue Rh negativo recebem uma injeção de anticorpos Rh denominada imunoglobulina Rho(D). Se o feto tiver sangue Rh positivo, uma mulher com sangue Rh negativo pode vir a produzir anticorpos contra o fator Rh. Esses anticorpos podem destruir os glóbulos vermelhos do feto. O tratamento com a imunoglobulina Rho(D) reduz o risco de que o sistema imunológico da mulher produza esses anticorpos e coloque em risco gestações posteriores.

Aborto cirúrgico

O conteúdo do útero é removido pela vagina. O aborto cirúrgico é utilizado em mais de 95% dos abortos nos Estados Unidos. Diferentes técnicas são utilizadas, dependendo do tempo de gestação. Incluem

O processo de dilatação diz respeito ao alargamento do colo do útero. É possível utilizar vários tipos de dilatadores, dependendo de quanto tempo a gestação durou e quantos filhos a mulher já teve. Para reduzir a possibilidade de haver lesões ao colo do útero durante a dilatação, é possível que o médico use substâncias que absorvem líquidos, como caules de algas marinas secas (laminária) ou um dilatador sintético. A laminária é colocada na abertura do colo do útero e permanece no lugar por, no mínimo, quatro horas e, às vezes, de um dia para outro. Conforme os dilatadores absorvem grandes quantidades de líquido do corpo, eles aumentam de tamanho e dilatam a abertura do colo do útero. Também é possível usar medicamentos, como o misoprostol (um tipo de prostaglandina) para dilatar o colo do útero.

A dilatação e curetagem (D e C) com sucção costuma ser utilizada em gestações com menos de 14 semanas de duração. Anestesia local, às vezes com sedação consciente, é utilizada nesse procedimento ou anestesia geral é utilizada em casos raros. Um espéculo é usado para afastar as paredes da vagina e o colo do útero é dilatado. Em seguida, um tubo flexível conectado a uma fonte de vácuo é inserido no útero para remover o feto e a placenta. A fonte de vácuo pode ser uma seringa portátil ou instrumento similar ou um aparelho de sucção elétrico. Às vezes, um pequeno instrumento afiado em forma de colher (cureta) é inserido para remover algum tecido remanescente. Esse procedimento é realizado delicadamente para reduzir o risco de haver formação de cicatrizes e infertilidade.

O procedimento de dilatação e evacuação (D e E) costuma ser usado em gestações com 14 e 24 semanas de duração. Depois da dilatação do colo do útero, utilizam-se sucção e fórceps para remover o feto e a placenta. Depois, é possível que o útero seja raspado suavemente para garantir que todo o conteúdo foi removido. As complicações incluem infecção, hemorragia ou lacerações no colo do útero ou útero, mas as complicações raramente ocorrem quando o aborto cirúrgico é realizado por médicos qualificados.

Se a mulher deseja evitar futuras gestações, a contracepção, incluindo a colocação de um dispositivo intrauterino (DIU) pode ser iniciada assim que o aborto for finalizado. Nesse caso, a mulher tem menos propensão a engravidar de forma não intencional e precisar de outro aborto.

Aborto médico

Medicamentos para induzir aborto podem ser usados para gestações de menos de 11 semanas ou com mais de 15 semanas de duração. No caso de um aborto no início da gestação (com menos de 10 semanas de duração), a mulher pode começar a tomar os medicamentos no consultório médico e continuar a tomá-los em casa. No caso de um aborto quando a gestação está mais avançada, a mulher precisa ser internada no hospital para tomar os medicamentos que irão induzir o trabalho de parto.

Os medicamentos utilizados incluem a mifepristona (RU 486) seguida por uma prostaglandina, como o misoprostol.

A mifepristona, administrada por via oral, bloqueia a ação do hormônio progesterona, que prepara o revestimento do útero para uma gravidez. A mifepristona também faz com que o útero fique mais suscetível ao segundo medicamento que é administrado (a prostaglandina).

As prostaglandinas são uma substância semelhante aos hormônios que estimulam as contrações do útero. Elas podem ser usadas com a mifepristona. As prostaglandinas podem ser mantidas na boca (junto à bochecha ou sob a língua) até dissolverem ou serem injetadas, inseridas no reto ou colocadas na vagina.

O termo aborto médico costuma ser usado quando são utilizados medicamentos para induzir o aborto em gestações com menos de 11 semanas de duração. O esquema mais comum inclui tomar comprimidos de mifepristona em um consultório médico, seguido por misoprostol tomado um a dois dias depois. O comprimido de misoprostol é mantido entre a gengiva e a bochecha até ele dissolver ou é colocado na vagina. A mulher pode tomar misoprostol por si só ou pedir ao médico que lhe administre. Esse esquema causa o aborto em aproximadamente 92% a 95% das gestações que duraram entre oito e dez semanas. Se o aborto não ocorrer, um aborto cirúrgico será realizado.

O termo indução costuma ser usado quando são utilizados medicamentos para induzir o aborto em gestações com mais de 15 semanas de duração. A mulher recebe os medicamentos no hospital e permanece no hospital até o aborto estar concluído. É possível tomar comprimidos de mifepristona, seguidos por uma prostaglandina, como o misoprostol, um a dois dias depois ou o misoprostol pode ser tomado isoladamente. Por exemplo, dois comprimidos de misoprostol colocados na vagina a cada 6 horas são quase 100% eficazes dentro de 48 horas.

Depois de qualquer um desses esquemas, a mulher precisa consultar um médico para realizar um exame de acompanhamento que confirma que a gestação de fato foi interrompida.

Complicações

As complicações do aborto são raras quando ele é realizado por um profissional de saúde qualificado em um hospital ou clínica. Ainda, as complicações ocorrem com muito mais frequência após um aborto do que após o parto de um bebê a termo. Complicações graves ocorrem em menos de 1% das mulheres que fizeram um aborto. A morte após um aborto ocorre muito raramente. Aproximadamente seis de cada milhão de mulheres que fizeram um aborto morrem, em comparação com aproximadamente 140 de cada milhão de mulheres que dão à luz um bebê a termo.

O risco de complicações está relacionado ao método utilizado.

  • Evacuação cirúrgica: O útero é perfurado por um instrumento cirúrgico em um em cada 1.000 abortos. Com menos frequência, o intestino ou outro órgão é lesionado. Hemorragia grave ocorre durante ou imediatamente após o procedimento em seis em cada 10.000 abortos. Os instrumentos usados podem rasgar o colo do útero, especialmente em gestações de mais de 12 semanas. Infecções podem ocorrer posteriormente. Muito raramente, o procedimento ou uma infecção posterior causa a formação de tecido cicatricial no revestimento do útero, resultando em infertilidade. Esse distúrbio se chama síndrome de Asherman.

  • Medicamentos: A mifepristona e a prostaglandina misoprostol têm efeitos colaterais. Os mais comuns são dor pélvica tipo cólica, sangramento vaginal e problemas gastrointestinais, como náusea, vômito e diarreia.

  • Qualquer um dos métodos: Hemorragia ou infecção pode ocorrer se parte da placenta permanecer no útero. Se ocorrer hemorragia ou houver suspeita de infecção, o médico usa uma ultrassonografia para determinar se parte da placenta permanece no útero.

Posteriormente, especialmente se a mulher estiver inativa, é possível que surjam coágulos sanguíneos nas pernas.

Se o feto tiver sangue Rh positivo, uma mulher com sangue Rh negativo pode produzir anticorpos Rh, como em qualquer gravidez, aborto espontâneo ou parto. Esses anticorpos podem prejudicar gestações seguintes. Administrar à mulher injeções de imunoglobulina Rho(D) previne o desenvolvimento de anticorpos.

O aborto eletivo provavelmente não aumenta os riscos para o feto ou para a mulher em gestações seguintes.

A maioria das mulheres não sofre de problemas psicológicos após um aborto. Porém, há maior probabilidade de esses problemas ocorrem em mulheres que

  • Tiveram sintomas psicológicos antes da gravidez

  • Sentiam uma conexão profunda com o feto

  • Têm um apoio social limitado ou se sentem estigmatizadas pelo seu sistema de apoio

OBS.: Esta é a versão para o consumidor. MÉDICOS: Clique aqui para a versão para profissionais
Clique aqui para a versão para profissionais
Obtenha o

Também de interesse

MÍDIAS SOCIAIS

PRINCIPAIS