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Varíola

(varíola)

Por

Brenda L. Tesini

, MD, University of Rochester School of Medicine and Dentistry

Última revisão/alteração completa ago 2022| Última modificação do conteúdo ago 2022
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Recursos do assunto

A varíola é uma doença altamente contagiosa e muito mortal causada pelo vírus da varíola. Hoje a doença é considerada erradicada.

  • Não houve casos de varíola desde 1977.

  • As pessoas podem contrair a infecção ao respirar ar contaminado com vírus contido nas partículas expiradas ou tossidas por uma pessoa infectada.

  • As pessoas apresentam febre, dor de cabeça, dor nas costas e erupções na pele, por vezes com grave dor abdominal e sentem-se muito doentes.

  • O diagnóstico é confirmado quando o vírus é identificado em uma amostra obtida da erupção cutânea.

  • A vacinação durante os primeiros dias de exposição pode prevenir ou reduzir sua gravidade.

  • O tratamento envolve líquidos, alívios dos sintomas e tratamentos para manter a pressão sanguínea e ajudar com a respiração.

O vírus da varíola só pode existir nas pessoas e não nos animais.

Há duas formas principais:

  • A forma grave (varíola grave) é a mais comum e é a preocupante.

  • A outra forma (varíola menor) é muito menos comum e muito menos grave.

Ao longo da história, a varíola matou milhões de pessoas. Há mais de 200 anos, foi desenvolvida uma vacina contra a varíola Vacina contra a varíola Nos Estados Unidos, a vacinação rotineira com a vacina contra varíola foi interrompida em 1972 porque a varíola foi erradicada naquele país. O último caso conhecido no mundo ocorreu em 1977... leia mais (a primeira de todas as vacinas). A vacina se revelou muito eficaz e foi administrada às pessoas de todo o mundo. O último caso de varíola foi registrado em 1977. Em 1980, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a doença erradicada e recomendou a interrupção da vacinação.

Amostras do vírus são mantidas em dois laboratórios de alta segurança (um nos Estados Unidos e um na Rússia).

Visto que os efeitos protetores da vacina desaparecem de forma gradual, acredita-se que quase todas as pessoas, incluindo as que foram vacinadas, encontram-se presentemente suscetíveis a contrair a varíola em vários graus. Essa falta de proteção é preocupante porque as amostras do vírus foram armazenadas, e algumas pessoas se preocupam se grupos terroristas Armas biológicas A guerra biológica é o uso de agentes microbiológicos como armas. Essa utilização é contrária às leis internacionais e, na verdade, raramente ocorreu durante guerras formais na história moderna... leia mais poderiam obter o vírus e soltá-lo na população. A epidemia resultante seria devastadora.

O vírus da varíola é transmitido de pessoa para pessoa e é contraído ao respirar o ar contaminado pela presença de gotículas de umidade exaladas ou expelidas através da tosse por uma pessoa infectada. O contato com o vestuário ou com a roupa de cama de uma pessoa infectada também pode disseminar a doença. A varíola geralmente se transmite a pessoas que tiveram contato pessoal com uma pessoa infectada. Em casos raros, a varíola se dissemina pelo ar em um ambiente fechado, como um prédio, onde alguém tenha contraído a varíola. Um grande surto em uma escola ou local de trabalho seria incomum.

O vírus não sobrevive mais do que 2 dias no ambiente, ou até menos se a temperatura e a umidade estiverem elevadas.

Você sabia que...

  • Acredita-se que quase todas as pessoas, incluindo as que foram anteriormente vacinadas, estejam agora suscetíveis à varíola.

Sintomas de varíola

Varíola grave

Os sintomas da forma grave geralmente começam entre 7 e 17 dias depois da infecção. As pessoas infectadas apresentam febre, dor de cabeça, dor nas costas e sentem-se extremamente doentes. Elas podem ter dor abdominal intensa e ficar delirantes.

Depois de 2 ou 3 dias, surgem manchas planas e vermelhas na boca e na face. Pouco depois, elas se espalham para o tronco e as pernas, depois para as mãos e os pés. As pessoas se tornam contagiosas somente após a erupção cutânea se iniciar e deixam de estar contagiosas nos primeiros 7 a 10 dias após o aparecimento da erupção cutânea. Após 1 ou 2 dias, as manchas convertem-se em bolhas que se enchem de pus (formando pústulas). Decorridos 8 ou 9 dias, as pústulas convertem-se em crostas.

Os pulmões, o cérebro e/ou os ossos podem ficar infectados.

Cerca de 30% das pessoas afetadas pela varíola morre, geralmente na segunda semana da doença. Algumas das pessoas que sobrevivem apresentam grandes cicatrizes que as desfiguram.

Em algumas pessoas com a forma grave, os sintomas iniciais se desenvolvem mais rapidamente e são mais intensos. Um tipo raro, chamado varíola hemorrágica, causa hemorragias. Depois de alguns dias, surge hemorragia na pele, nas membranas mucosas e no trato gastrointestinal. Quase todas as pessoas com varíola hemorrágica morrem no intervalo de 5 ou 6 dias.

Varíola menor

Na forma mais branda, os sintomas são semelhantes mas muito menos graves. A erupção cutânea é muito menos extensa e menos de 1% das pessoas morre.

Diagnóstico de varíola

  • Exames para detectar DNA da varíola em uma amostra de líquido das bolhas

O médico suspeita tratar-se de varíola quando uma pessoa apresenta manchas características, sobretudo quando há um surto da doença.

O diagnóstico de varíola pode ser confirmado identificando-se o vírus da varíola em uma amostra colhida das bolhas ou pústulas e examinando-a para detectar material genético (DNA) da varíola.

Também é possível examinar uma amostra ao microscópio ou enviá-la a um laboratório para cultivo e análise do vírus.

Prevenção de varíola

A prevenção é a melhor resposta à ameaça da varíola. A prevenção envolve

  • Vacinação

  • Isolamento

  • A vacina ACAM2000 é produzida com vírus vaccinia vivo que se reproduz na pessoa que o recebe. A vacinação com o vírus vaccinia causa infecção leve e protege as pessoas contra a varíola.

  • A vacina JYNNEOS é produzida com vírus vaccinia vivo, porém enfraquecido (atenuado) que não se reproduz na pessoa que o recebe. A vacina está aprovada para a prevenção de varíola e varíola dos macacos.

A vacina ACAM2000 é administrada com um tipo especial de agulha embebida em vacina reconstituída. A agulha perfura rapidamente a pele 15 vezes em uma área de cerca de 5 mm de diâmetro e com força suficiente para provocar um rastro de sangue. Se a vacinação for bem-sucedida, desenvolve-se uma bolha no local da vacinação dentro de aproximadamente 7 dias. O local da vacina é coberto com um curativo para prevenir a disseminação do vírus vaccinia para outros locais do corpo ou contatos próximos. Febre, dores musculares e uma sensação geral de indisposição são comuns na semana após a vacinação. A vacinação com ACAM2000 pode ser útil até 7 dias após a exposição à varíola, mas o quanto antes ela for aplicada, mais eficaz será.

ACAM2000 é um vírus vivo e, portanto, a vacina é perigosa para algumas pessoas, sobretudo aquelas com o sistema imunológico debilitado (como as que têm AIDS ou que tomam medicamentos que suprimem o sistema imunológico Considerações gerais sobre o sistema imunológico O sistema imunológico foi concebido para defender o corpo contra invasores estranhos ou perigosos. Tais invasores incluem Micro-organismos (comumente chamados germes, como bactérias, vírus e... leia mais ). Em casos raros, até mesmo algumas pessoas saudáveis apresentam reações adversas a esta vacina contra a varíola. As reações adversas são menos comuns entre pessoas já vacinadas anteriormente do que entre aquelas que nunca foram vacinadas:

  • Cerca de 1 em cada 10.000 pessoas saudáveis não vacinadas anteriormente tem complicações sérias e 1 em cada milhão morre.

  • Uma em cada 4 milhões de pessoas saudáveis vacinadas anteriormente morre da vacina.

Se as pessoas tiverem uma reação muito grave à vacina, os médicos podem tentar a administração de medicamentos antivirais, como tecovirimat, cidofovir ou brincidofovir.

JYNNEOS é administrada como 2 injeções com intervalo de 4 semanas. Ela foi aprovada para pessoas a partir de 18 anos de idade e pode ter um papel específico na vacinação de pessoas para as quais a vacina ACAM2000 pode ser perigosa, por exemplo, pessoas com o sistema imunológico debilitado ou com dermatite atópica Dermatite atópica (eczema) A dermatite atópica (comumente chamada de eczema) é uma inflamação crônica e pruriginosa nas camadas superficiais da pele, e costuma afetar indivíduos que sofrem de febre do feno ou de asma... leia mais Dermatite atópica (eczema) .

A vacinação contra a varíola é recomendada somente para pessoas com alto risco de exposição, principalmente certos militares e técnicos de laboratório e profissionais de saúde que administram ou manuseiam a vacina e materiais correlatos.

As pessoas que apresentam sintomas indicadores de varíola precisam ser isoladas para evitar a propagação da infecção. As pessoas que estão em contato com esses grupos não precisam ser isoladas, uma vez que não podem propagar a infecção, a menos que fiquem doentes e desenvolvam uma erupção cutânea. Contudo, esses contatos têm de ser muito controlados e isolados ao primeiro sinal da infecção.

Tratamento de varíola

  • Medidas de apoio

  • Possivelmente, medicamentos antivirais

O tratamento para a varíola é de suporte. Inclui líquidos, alívio de sintomas, assistência respiratória (por exemplo, com máscara facial para suprir oxigênio) e tratamentos para manter a pressão arterial.

Medicamentos antivirais não foram testados na varíola, pois não existiam quando a doença estava presente. No entanto, caso a varíola retornasse, os médicos acreditam que tecovirimat, cidofovir ou brincidofovir poderiam ser úteis. Tecovirimat e cidofovir atualmente fazem parte do Strategic National Stockpile, o maior suprimento do país de medicamentos que potencialmente salvam vidas para uso em uma emergência de saúde pública (consulte CDC: prevenção e tratamento da varíola).

Mais informações

Os seguintes recursos em inglês podem ser úteis. Vale ressaltar que O MANUAL não é responsável pelo conteúdo desses recursos.

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