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Cirurgia para os erros de refração

Por

Deepinder K. Dhaliwal

, MD, L.Ac, University of Pittsburgh School of Medicine

Última revisão/alteração completa abr 2019| Última modificação do conteúdo abr 2019
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Procedimentos cirúrgicos e a laser (cirurgia refrativa) podem ser usados para corrigir erros de refração tais como miopia, hipermetropia e astigmatismo. Esses procedimentos são comumente utilizados para remodelar a córnea para melhorar a sua capacidade de centralizar a luz na retina. Outro tipo de cirurgia refrativa para pessoas que apresentam miopia grave envolve a inserção intraocular de uma lente fina.

O objetivo da cirurgia refrativa é diminuir a dependência dos óculos e das lentes de contato. Antes de se decidir por determinado procedimento, a pessoa deve discutir bastante o assunto com um oftalmologista (um médico especializado na avaliação e tratamento [cirúrgico e não cirúrgico] de doenças oculares) e considerar com cuidado as suas próprias necessidades e expectativas, bem como os possíveis riscos e benefícios.

Os melhores candidatos para a cirurgia refrativa são as pessoas acima de 18 anos com olhos saudáveis que não estão satisfeitos com óculos ou lentes de contato e as que praticam atividades, como a natação ou o esqui, que são difíceis de executar com óculos ou com lentes de contato. Muitas pessoas se submetem a esse tipo de cirurgia por conveniência e fins estéticos. No entanto, a cirurgia refrativa não é recomendada para todas as pessoas com erros de refração.

Pessoas que em geral não devem se submeter a uma cirurgia refrativa são aquelas que tiveram

  • uma alteração na prescrição dos óculos ou da lente de contato no último ano

  • Condições que comprometem a cicatrização de feridas, como doenças autoimunes ou do tecido conjuntivo

  • Doenças ativas nos olhos, como casos grave de olhos secos

  • Ceratocone (córnea em forma de cone)

  • Uma infecção por herpes simplex recorrente envolvendo a córnea

Outras pessoas que em geral não devem se submeter a uma cirurgia refrativa são aquelas que estão

  • tomando determinados medicamentos (como isotretinoína ou amiodarona)

  • menores de 18 anos (com algumas exceções)

O médico determina exatamente o erro de refração (óculos com prescrição médica) antes da cirurgia. Os olhos são examinados a fundo, dando atenção especial às células da superfície da córnea (incluindo se a camada mais superficial da córnea está bem presa ou não à camada mais profunda), espessura e forma da córnea (utilizando testes chamados topografia, tomografia e paquimetria), tamanho da pupila, pressão intraocular, nervo óptico e retina.

A cirurgia refrativa é um procedimento geralmente rápido e causa pouco desconforto. É usado um colírio para anestesiar o olho. Devido ao fato de o olho não ser fixado em uma posição, a pessoa deve tentar não movê-lo durante o procedimento. Normalmente, a pessoa pode ir para casa depois de concluído o procedimento.

Depois da cirurgia refrativa, a maioria das pessoas recupera uma boa visão a distância, o que é bom o bastante para fazer bem a maioria das atividades (como dirigir ou ir ao cinema), embora nem todos fiquem com uma visão perfeita 20/20 sem óculos depois do procedimento. Mais de 95% das pessoas não precisam de lentes corretoras para visão a distância. As pessoas com maior probabilidade de ter 20/20 de visão a distância depois da cirurgia são aquelas que têm prescrições para óculos leves ou moderados antes da cirurgia refrativa. Apesar de não usar óculos para ver de longe, a maioria das pessoas com mais de 40 anos, depois da cirurgia refrativa ainda precisa usar óculos para ler.

Os efeitos colaterais da cirurgia refrativa incluem sintomas temporários de

Ocasionalmente, esses sintomas não desaparecem. A secura pode provocar visão turva.

As possíveis complicações da cirurgia refrativa podem incluir

  • Hipercorreção

  • Hipocorreção

  • Infecção

É importante ter uma cirurgia refrativa de alta qualidade com um cirurgião experiente, para minimizar complicações.

Tipos de cirurgia refrativa

Ceratomileuse assistida por laser in situ (Laser in situ keratomileusis, LASIK)

Esse procedimento é usado para corrigir a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo. Na LASIK, é criado um retalho (flap) muito fino na parte central da córnea com um dispositivo a laser ou bisturi chamado microcerátomo. O flap é levantado e os impulsos controlados por computador de luz ultravioleta altamente concentrada de um excimer laser vaporizam pequenas quantidades de tecido da córnea debaixo do corte efetuado para remodelar a córnea. O flap da córnea é colocado de novo no local e demora alguns dias para cicatrizar.

A LASIK causa pouco incômodo durante e após a cirurgia. A visão melhora rapidamente e muitas pessoas voltam ao trabalho de 1 a 3 dias depois.

Complicações podem estar relacionadas a problemas com o corte e adelgaçamento a longo prazo e dilatação da córnea (ectasia). Se ocorrer um problema no corte, a cirurgia é interrompida, mas algumas vezes pode ser tentada outra vez após cerca de seis meses. Um possível problema do flap é o deslocamento, que ocorre em geral somente após grave lesão ocular causando visão embaçada. Esse problema pode frequentemente ser solucionado com tratamento imediato. Muito raramente, ocorrem problemas no flap quando, por exemplo, um flap que cicatriza com enrugamento causa embaçamento ou clarões de luz ou halos. Não sendo possível corrigir os problemas no flap, eles podem prejudicar permanentemente a função, como dirigir à noite, a menos que uma lente de contato rígida seja usada. Ectasia pode causar visão embaçada, aumento da miopia e astigmatismo irregular. Outras complicações incluem visão embaçada grave, intermitente resultando de olhos secos e, raramente, infecção ou inflamação da córnea de ameaça à visão.

As pessoas que apresentam alguma doença que impeça a cirurgia refrativa, bem como as que têm a córnea fina ou o epitélio corneano frágil, podem não ser boas candidatas a LASIK.

Ceratectomia fotorrefrativa (Photorefractive Keratectomy, PRK)

A PRK é usada principalmente para corrigir a miopia, o astigmatismo e a hipermetropia. A PRK exige o uso de um excimer laser para remodelar a córnea. Diferente da LASIK, não é criado nenhum flap. As células na superfície da córnea são retiradas no início do procedimento. Como na LASIK, os impulsos de raios ultravioleta altamente focalizados e controlados por computador retiram pequenas quantidades da córnea e alteram o formato para melhor focar a luz na retina e melhorar a visão sem o uso de óculos ou lentes de contato. Lentes de contato são colocadas nos olhos após a cirurgia e agem como uma bandagem (chamadas lentes de contato de bandagem). As mesmas ajudam a superfície celular a crescer novamente e a aliviar a dor. Esse procedimento costuma demorar cinco minutos em cada olho.

As complicações podem ser possíveis formações de opacidade (causando visão embaçada ou enevoada) se for retirada uma grande quantidade de tecido da córnea. Além disso, é necessário usar colírio de corticosteroides por vários meses após a cirurgia. O uso de colírio de corticosteroides pode causar glaucoma. Portanto, os médicos devem monitorar atentamente as pessoas que estejam usando colírio de corticosteroides. Infecção grave da córnea, de ameaça à visão, é também uma complicação rara.

Apesar de haver mais desconforto e mais tempo de cicatrização com PRK do que com LASIK (porque as células da superfície precisam voltar a crescer), às vezes a PRK pode ser realizada em pessoas que não puderam se submeter a LASIK, como naquelas que têm as células da superfície da córnea mal aderidas, ou córneas levemente finas.

Outra cirurgia refrativa

Outras técnicas que podem apresentar vantagens ou riscos diferentes em relação a LASIK e PRK, incluem

Extração lenticular com pequena incisão (small incision lenticule extraction, SMILE)

SMILE é usada para tratar a miopia. Na SMILE, um médico usa um laser para cortar uma pequena lentícula (disco) da córnea. Este tecido é então removido através de uma incisão muito pequena (2 a 4 mm) na córnea adjacente. O remodelamento da córnea corrige o erro refrativo em uma pessoa com miopia.

SMILE é semelhante ao LASIK em termos de eficácia e segurança. Contudo, como SMILE não cria um flap de tecido como o LASIK, complicações relacionadas ao flap (como deslocamento de flap) são evitados. Além disso, como a incisão é muito pequena, o risco de olho seco é menor.

SMILE tem um risco levemente maior de uma complicação intraoperatória chamada perda da sucção. Contudo, perda da sucção, quando adequadamente tratada, em geral não compromete a visão. Algumas pessoas não podem se submeter a outra cirurgia oftalmológica após a SMILE.

Lentes intraoculares (IOLs) fácicas

Para pessoas muito míopes e que não são candidatos adequados para correção de visão a laser, uma lente de plástico pode ser colocada dentro do olho, à frente ou atrás da íris (implante de IOL fácicas). A "lente" natural da pessoa (cristalino) é deixada no lugar.

Os riscos do implante de IOL fácicas são a formação de catarata, glaucoma, infecção e edema da córnea.

Algumas pessoas podem fazer a correção de visão a laser após a colocação de IOL fácicas para posteriormente corrigir a visão.

Inlays de córnea

Inlays de córnea são implantes usados para tratar presbiopia. Seus médicos colocam o implante no centro da córnea, em frente à pupila, sob um flap de tecido criado com um laser ou um dispositivo cortante chamado microqueratomo. Esta cirurgia é reversível.

As complicações incluem possível inflamação ou neblina corneal, que podem causar visão borrada, halos ao redor de luzes e dificuldade para ler com pouca luz. Essa neblina ou inflamação requer um colírio com corticosteroides durante vários meses. O uso de colírio de corticosteroides pode causar glaucoma. Portanto, os médicos devem monitorar atentamente as pessoas que estejam usando colírio de corticosteroides. Outras complicações desta cirurgia incluem o inlay (que pode piorar a visão à distância), olho seco e um crescimento exagerado de células ao redor do inlay (que pode causar visão turva e sensibilidade à luz ).

Facectomia

Algumas vezes, o cristalino natural é removido, e uma lente de plástico é colocada na cápsula do cristalino (facectomia com implante de lente intraocular). Este é o mesmo procedimento usado na cirurgia de catarata, mas sem catarata ou cristalino turvo. A facectomia com implante de IOL pode ser melhor para pessoas com hipermetropia grave e com mais de 40 anos. Essas técnicas implicam em fazer uma incisão no olho, havendo, por isso, risco muito pequeno (mas bem maior que com LASIK) de contrair uma infecção grave no interior do olho. No geral a facectomia deve ser evitada nos mais jovens com muita miopia por existir um grande risco de descolamento da retina após a cirurgia.

Segmentos de anel intracorneano (Intracorneal ring segments, INTACS)

INTACS são usados por pessoas com miopia leve e astigmatismo mínimo. São implantados pequenos segmentos de plástico em forma de arcos na camada média da córnea próximo à borda externa. Os arcos de plástico alteram o formato da córnea para melhorar o foco. Uma vez que não se extrai tecido durante esse processo, o procedimento INTACS pode ser reversível, retirando-se os pequenos segmentos de plástico.

Os riscos são astigmatismo, hipocorreção ou hipercorreção, infecção, ofuscamento e visão de halos.

Hoje em dia, INTACS é mais usado para tratar distúrbios como ceratocone e ectasia depois de cirurgia de LASIK ou PRK quando óculos ou lentes de contato não mais fornecem visão adequada ou se tornaram incômodos.

Ceratotomia radial e ceratotomia astigmática

Na ceratotomia radial e ceratotomia astigmática, os cirurgiões alteram o formato da córnea ao fazer incisões profundas na córnea usando uma lâmina de diamante, uma lâmina de aço inoxidável ou laser.

A ceratotomia radial foi substituída pela correção da visão a laser e é raramente utilizada.

A ceratotomia astigmática ainda é feita com frequência ao mesmo tempo que a cirurgia de catarata. Os riscos incluem infecção, hipocorreção, hipercorreção e perfuração da córnea.

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