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Raiva

Por

John E. Greenlee

, MD, University of Utah School of Medicine

Última revisão/alteração completa mar 2019| Última modificação do conteúdo mar 2019
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A raiva é uma infecção viral do cérebro, transmitida por animais, que provoca a inflamação do cérebro e da medula espinhal. Quando o vírus atinge a medula espinhal e o cérebro, a raiva quase sempre é fatal.

  • O vírus costuma ser transmitido quando as pessoas são mordidas por um animal infectado, que costuma ser um morcego nos Estados Unidos ou um cão em países onde os cães não são rotineiramente vacinados contra raiva.

  • A raiva pode causar inquietação e confusão ou paralisia.

  • Uma biópsia na pele pode detectar o vírus.

  • A infecção pode ser evitada ao limpar imediatamente a ferida e também ao injetar vacina contra raiva e imunoglobulina.

O vírus é transmitido na saliva do animal infectado. Desde o local de entrada (geralmente uma mordida), o vírus desloca-se ao longo dos nervos até a medula espinhal e, logo depois, até o cérebro, onde se multiplica. A partir daí, viaja ao longo de outros nervos até as glândulas salivares e a saliva. Quando o vírus atinge a medula espinhal e o cérebro, a raiva quase sempre é fatal. Porém, o vírus normalmente leva, pelo menos, 10 dias – geralmente 30 a 50 dias – para alcançar o cérebro (esse tempo depende do local da mordida). Durante esse intervalo, podem ser tomadas medidas para erradicar o vírus e tentar evitar a morte. Raramente, a raiva se desenvolve depois de meses ou anos após a mordida do animal.

A raiva causa mais de 55 mil mortes por ano em todo o mundo. A maioria delas ocorre em áreas rurais da América Latina, Ásia e África. Nos Estados Unidos, apenas algumas pessoas morrem por ano.

Causas

O vírus da raiva está presente em muitas espécies de animais selvagens e domésticos, em quase todos os locais. Os animais com raiva podem permanecer doentes durante várias semanas antes de morrer. Nesse período, podem propagar a doença.

O vírus da raiva, presente na saliva do animal contaminado, é transmitido quando um animal morde ou, raramente, quando lambe um outro animal ou pessoa. O vírus não pode passar pela pele intacta. Só pode entrar no corpo por uma picada ou outra rachadura na pele ou pelo nariz ou pela boca, quando são inaladas várias gotas contaminadas (isso pode ocorrer em uma caverna com morcegos infectados).

Vários animais distintos -- como cães, gatos, morcegos, guaxinins, doninhas e raposas -- podem transmitir a raiva aos humanos. Acredita-se que nos Estados Unidos a maioria dos casos de raiva seja transmitida por morcegos.

A raiva raramente afeta os roedores (como hamsters, porquinho da índia, rato do deserto, esquilo, tâmias, ratos e camundongos), coelhos ou lebres. Nos Estados Unidos, esses animais não são conhecidos por causar raiva nas pessoas. A raiva não afeta aves nem répteis.

Nos Estados Unidos, a vacinação eliminou amplamente a raiva em cães e a fonte de raiva é, quase sempre, animais selvagens, geralmente morcegos, mas também raposas, gambás ou guaxinins. Em muitos casos, as mordidas de morcego não são observadas. A maioria das mortes por raiva são decorrentes de mordidas por morcego infectado.

Em países onde os cães não são vacinados contra raiva frequentemente (incluindo a maioria dos países na América Latina, África, Ásia e Oriente Médio), a maioria das mortes por raiva são causadas por mordidas de um cão infectado. Alguns casos são decorrentes de mordida de outros animais, como macacos, que, às vezes, são mantidos como domésticos.

Você sabia que...

  • Nos Estados Unidos, as pessoas mordidas por coelhos e pela maioria dos pequenos roedores - como hamsters, rato-do-deserto, esquilos, ratos e camundongos - quase nunca precisam de vacina contra raiva.

  • Os morcegos são responsáveis pela maioria das poucas mortes por raiva nos Estados Unidos.

Sintomas

A ferida da mordida pode ficar dolorida ou dormente. Geralmente, as mordidas de morcego não causam nenhum sintoma.

Os sintomas da raiva surgem quando o vírus da raiva chega ao cérebro ou à medula espinhal, geralmente entre 30 e 50 dias depois de a pessoa ter sido mordida. No entanto, esse intervalo pode variar de 10 dias até mais de um ano. Quanto mais próxima do cérebro for a mordida (por exemplo, no rosto), mais rapidamente surgirão os sintomas.

A raiva pode começar com febre, cefaleia e uma sensação geral de doença (indisposição). A maioria das pessoas fica inquieta, confusa e incontrolavelmente agitada. Este comportamento pode ser estranho. Podem ter alucinação e insônia. A produção de saliva aumenta bastante. Ocorrem espasmos dos músculos da garganta e da laringe, visto que a raiva afeta a zona do cérebro que controla a deglutição e a respiração. Os espasmos podem ser terrivelmente dolorosos. Uma brisa leve ou uma tentativa de beber água podem desencadear os espasmos. Consequentemente, quem sofre de raiva não consegue beber. Por esse motivo, a doença recebe, por vezes, o nome de hidrofobia (medo da água).

À medida que a doença se propaga pelo cérebro, as pessoas encontram-se cada vez mais confusas e muito agitadas. Por fim, ocorre um estado de coma que conduz à morte do paciente. A causa da morte pode ser uma obstrução das vias aéreas, convulsões, esgotamento ou paralisia generalizada.

Em 20% das pessoas, a raiva começa com formigamento ou paralisia do membro que foi mordido. Posteriormente, a paralisia passa pelo corpo. Nessas pessoas, normalmente o pensamento não é afetado e a maioria dos demais sintomas de raiva não se desenvolve.

Diagnóstico

  • Exame e análise de uma amostra de pele, saliva e líquido cefalorraquidiano (obtida por punção lombar)

Os médicos suspeitam da raiva quando as pessoas têm cefaleia, confusão e outros sintomas da doença, principalmente se tiverem sido mordidas por um animal ou ficaram expostas a morcegos (por exemplo, explorando uma caverna). Porém, muitas pessoas com raiva não sabem que foram mordidas por um animal ou ficaram expostas a morcegos.

É retirada uma amostra de pele (geralmente do pescoço) para ser examinada ao microscópio (biópsia da pele), para revelar a presença do vírus. Também são examinadas amostras de saliva para ver se há vírus. É realizada uma punção lombar para obter uma amostra do líquido cefalorraquidiano (líquido que passa pelos tecidos que cobrem o cérebro e a medula espinhal). Esta amostra também é examinada.

Geralmente é usada uma variação da técnica de reação em cadeia da polimerase (PCR), que produz várias cópias de um gene, para identificar a sequência única do DNA do vírus em uma amostra da pele, do líquido cefalorraquidiano ou da saliva. São testadas várias amostras do líquido, tiradas em diferentes momentos, para aumentar as possibilidades de detecção de vírus.

Prevenção

Antes da mordida de um animal

É melhor evitar ser mordido por animais, principalmente os selvagens. Não se deve aproximar de animais domésticos desconhecidos, nem de animais selvagens. Os sinais de raiva em animais selvagens podem ser sutis, mas o comportamento é anormal, por exemplo:

  • Animais selvagens podem não parecer tímidos nem amedrontados quando alguém se aproxima.

  • Animais noturnos (como morcegos, gambás, guaxinins e raposas) ficam expostos durante o dia.

  • Os morcegos fazem um ruído anormal ou têm dificuldade de voar.

  • Os animais mordem sem ser provocados.

  • Os animais estão fracos ou agitados e cruéis.

Um animal que pareça estar violento não deve ser recolhido para ser tratado. Um animal doente geralmente morde. Se aparecer um animal doente, as pessoas devem chamar as autoridades de vigilância sanitária locais, que podem ajudar a removê-lo.

A vacina contra raiva deve ser dada às pessoas com probabilidade de ficarem expostas ao vírus da raiva antes de ficarem expostas. Essas pessoas incluem as seguintes:

  • Veterinários

  • Funcionários de laboratório que manipulam animais que possam ter raiva

  • Pessoas que residem ou permanecem mais de 30 dias em países onde a raiva canina está difundida

  • Pessoas que exploram grutas de morcegos

São dadas três doses da vacina em um músculo. A primeira dose é administrada imediatamente (chamada dia 0). As outras são dadas no dia 7 e entre os dias 21 e 28. O local da injeção pode ficar dolorido e inchado, mas, geralmente, só um pouco. São raras as reações alérgicas graves.

A vacinação protege, em certa medida, a maioria das pessoas durante o resto de suas vidas. Entretanto, a proteção diminui com o tempo e, se houver probabilidade de a exposição continuar, as pessoas são submetidas a exames periódicos e, caso os níveis de anticorpos de proteção estejam baixos, elas recebem uma dose de reforço da vacina.

Depois de uma mordida de animal

Imediatamente depois de ser mordida, as pessoas devem limpar a ferida com água e sabão. As feridas por punctura profundas são lavadas com água corrente. Em seguida, as pessoas devem ir ao médico. Os médicos limpam as feridas com um antisséptico chamado cloreto de benzalcônio. Podem aparar as bordas irregulares da ferida.

Os médicos também tentam determinar a probabilidade de a raiva ser transmitida. A determinação rápida é fundamental, pois a raiva geralmente pode ser prevenida, se forem tomadas as medidas apropriadas imediatamente.

Logo depois da mordida de um animal, nenhum exame determina se o vírus da raiva foi transmitido. Por isso, as pessoas mordidas podem receber imunoglobulina contra a raiva e vacina para evitar a raiva. A imunoglobulina contra a raiva, que consiste em anticorpos contra o vírus, proporciona proteção imediata, mas apenas durante um curto período. A vacina contra raiva estimula o corpo a produzir anticorpos para o vírus. A vacina oferece proteção que começa mais gradualmente, mas dura mais tempo.

Para saber se é necessário usar vacina ou imunoglobulina, é preciso saber se as pessoas já foram imunizadas anteriormente com vacina contra raiva e qual o tipo e o estado do animal. Por exemplo, os médicos determinam:

  • Se foi um morcego, cão, um guaxinim ou outro animal

  • Se aparentar estar doente

  • Se o ataque foi provocado

  • Quando o animal está disponível para observação

Quem deve receber a vacina contra raiva?

Nos Estados Unidos, a decisão de administrar a vacina contra a raiva a uma pessoa que tenha sido mordida por um animal depende do tipo e estado do animal.

Para pessoas mordidas por cachorro de estimação, gato ou furão: Se o animal aparenta estar saudável e puder ser vigiado durante 10 dias, não se aplica a vacina, a não ser que o animal desenvolva sintomas que surgiram a raiva. Se o animal desenvolver qualquer sintoma que sugira a raiva, as pessoas serão vacinadas imediatamente. Os animais que desenvolvem sintomas de raiva são sacrificados (eutanásia) e o seu cérebro é analisado para identificar a presença de vírus da raiva. Se o animal ainda estiver saudável depois de 10 dias, ele não tem raiva no momento da mordida é não precisa tomar a vacina.

Se um animal tiver ou aparentar ter raiva, a vacina será administrada imediatamente.

Se não for possível comprovar o estado do animal -- por exemplo, porque este fugiu--, as autoridades de saúde pública devem ser consultadas para determinar a probabilidade de raiva naquela área e se é conveniente administrar a vacina.

Nos casos de pessoas que foram mordidas por doninha, guaxinim, raposa, qualquer outro carnívoro ou morcego: Considera-se que esses animais tenham raiva, a menos que possam ser examinados e os resultados sejam negativos. Geralmente, a vacina é administrada imediatamente. Não se recomenda esperar mais de 10 dias para fazer uma observação do animal selvagem.

Como as pessoas podem não perceber uma mordida de morcego, elas são vacinadas, caso possa ter ocorrido uma mordida. Por exemplo, se alguém acorda e vê um morcego no quarto, a vacina é administrada.

Nos casos de pessoas que foram mordidas por gado, roedores pequenos e grandes (como marmotas e castores), coelhos ou lebres: Cada caso de mordida é avaliado individualmente e deve haver aconselhamento com os funcionários de saúde pública. As pessoas que tenham sido mordidas por hamsters, porquinhos-da-índia, chinchilas, ratazanas, ratos, outros roedores pequenos, coelhos e lebres quase nunca necessitam de vacinação contra a raiva.

Se as pessoas que tiverem sido mordidas precisarem de tratamento preventivo e não tiverem sido imunizadas anteriormente, elas receberão imunoglobulina contra raiva e vacina antirrábica imediatamente (no dia 0). A imunoglobulina é injetada em volta da ferida, se possível. São dadas outras três injeções da vacina: nos dias 3, 7 e 14. Pessoas com sistema imunológico enfraquecido (devido a uma doença como a AIDS ou um medicamento) tomam outra injeção no dia 28.

Se uma já foi vacinada com antecedência, o risco de contrair a raiva é menor. No entanto, deve-se lavar a ferida o quanto antes e aplicar rapidamente uma injeção contra a raiva e outra 3 dias mais tarde.

Tratamento

  • Medidas de conforto

Depois que os sintomas se desenvolvem, nenhum tratamento pode ajudar. Neste ponto, a infecção é virtualmente sempre fatal. O tratamento envolve o alívio dos sintomas e na procura do maior conforto possível para a pessoa. Raramente, as pessoas que recebem suporte em uma unidade de tratamento intensivo por longo tempo sobrevivem.

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