Terapia ocupacional (TO)

PorZacharia Isaac, MD, Brigham and Women's Hospital
Reviewed ByBrian F. Mandell, MD, PhD, Cleveland Clinic Lerner College of Medicine at Case Western Reserve University
Revisado/Corrigido: modificado dez. 2025
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Visão Educação para o paciente

A terapia ocupacional (TO) enfoca as atividades de autocuidado e melhora da coordenação motora fina de músculos e articulações, em particular nos membros superiores. Ao contrário da fisioterapia, que enfoca a força muscular e amplitude de movimento das articulações, a terapia ocupacional enfoca as atividades da vida diárias (AVDs), pois estas são as pedras fundamentais da vida independente.

As atividades básicas da vida diária (ABVDs) incluem alimentação, vestir, tomar banho, se arrumar, ir ao banheiro e fazer transferências de posição (isto é, movimentar-se entre superfícies como cama, cadeira e banheira ou chuveiro).

AIVDs instrumentais requerem uma função cognitiva mais complexa do que ABVD (1). AIVDs incluem preparo de refeições, comunicação por telefone, escrever ou utilizar computador, gerenciar finanças e esquemas dos medicamentos limpar, lavar roupa, comprar comida e outras tarefas, se locomover como pedestre ou em transporte público e dirigir. Dirigir é particularmente complexo e requer integração de tarefas visuais, físicas e cognitivas.

(Ver também Visão geral da reabilitação.)

Avaliação

A terapia ocupacional pode ser iniciada quando o médico encaminha para reabilitação, o que é semelhante a uma prescrição. O encaminhamento deve ser detalhado, incluindo uma história breve do problema (p. ex., tipo e duração da doença ou da lesão) e estabelecendo os objetivos da terapia (p. ex., treinamento em AIVDs).

Os pacientes são avaliados para verificar as limitações que necessitam de intervenção e os pontos fortes que podem ser utilizados para compensar os fracos. As limitações podem envolver as funções motoras, sensoriais, cognição ou função psicossocial. Os examinadores determinam as atividades (p. ex., trabalho, lazer, atividades sociais, aprendizagem) com as quais os pacientes desejam ou necessitam de ajuda. Os pacientes podem precisar de ajuda com atividades gerais (p. ex., sociais) ou com uma atividade específica (p. ex., ir à igreja), ou podem necessitar de motivação para realizar uma atividade.

Os terapeutas podem utilizar um instrumento de avaliação para auxiliar. Existem diversas escalas de medidas funcionais diferentes disponíveis; seu uso depende das condições do paciente, dos domínios funcionais específicos que precisam ser avaliados e do contexto clínico (2). Exemplos incluem o Índice de Barthel, o Índice de Katz, a Medida de Independência Funcional (MIF) e o Sistema de Informações sobre Medidas de Pacientes (PROMIS). Os pacientes são questionados sobre sua mobilidade; continência; capacidade de se vestir, ir ao banheiro, transferir-se, alimentar-se, deambular e comunicar-se; papéis sociais e familiares; hábitos; e sistemas de apoio social. A disponibilidade de recursos (p. ex., programas e serviços, auxiliares privados) deve ser determinada. Umapontuação mais alta no Barthel, Katz, FIM ou PROMIS indica mais independência.

Terapeutas ocupacionais também podem avaliar os riscos no domicílio do paciente e fazer recomendações para que as atividades de autocuidado sejam realizadas com segurança (p. ex., remoção de tapetes soltos, aumentar a luz do corredor e da cozinha, mover um criado mudo para ser alcançado do leito, colocar uma foto da família na porta para ajudar o paciente a reconhecer seu quarto).

A avaliação do risco associado à direção e da necessidade de retreinamento costuma ser realizada por terapeutas ocupacionais com formação especializada. Informações que podem ajudar motoristas idosos e seus cuidadores a enfrentar as mudanças na capacidade de dirigir estão disponíveis na American Occupational Therapy Association e na American Association for Retired Persons (ver também Motorista idoso).

Intervenções

Terapia ocupacional pode consistir de uma consulta ou de sessões frequentes de intensidades variáveis. As sessões podem ocorrer em vários ambientes:

  • Cuidados agudos, reabilitação, tratamento ambulatorial, “day care” para adultos, locais com enfermagem especializada ou de tratamento de longo prazo

  • No domicílio (como parte do tratamento de saúde domiciliar)

  • Condomínio de idosos

  • Comunidades para tratamento ou para assistência

Os terapeutas ocupacionais desenvolvem um programa individualizado para aumentar as capacidades motoras, cognitivas, de comunicação e interação. O objetivo não é apenas ajudar o paciente nas AVD, mas também a realizar as atividades preferidas de lazer e para promover e manter integração social e participação.

Antes de desenvolver um programa o terapeuta observa o desempenho do paciente em cada AVD para observar o que é necessário para possibilitar que estas atividades sejam feitas completas, com segurança e sucesso. O terapeuta pode recomendar formas de eliminar e reduzir padrões de má adaptação e estabelecer rotinas para promover a função e a saúde. Também são recomendados exercícios específicos orientados pelo desempenho (p. ex., exercícios de destreza motora fina [praticar habilidades de abotoamento, pegar moedas, utilizar massa terapêutica]). Os terapeutas enfatizam que os exercícios devem ser praticados e motivam os pacientes a fazê-lo, enfocando o exercício como uma forma de se tornar mais ativo em casa e na comunidade.

Os pacientes são orientados sobre formas criativas de facilitar atividades sociais (p. ex., como chegar a museus ou igrejas sem dirigir, como utilizar aparelhos auditivos ou outros instrumentos de auxílio à comunicação nos diferentes ambientes, como se deslocar com segurança ou sem bengala ou andador). Terapeutas podem sugerir novas atividades (p. ex., voluntariado em programas de pais adotivos, escolas ou hospitais).

Estratégias para compensar as limitações são ensinadas aos pacientes (p. ex., sentar para fazer jardinagem). O terapeuta pode identificar vários utensílios de assistência que possam auxiliar o paciente a realizar várias AVD (ver tabela ). A maioria dos terapeutas ocupacionais pode selecionar cadeiras de rodas adequadas para as necessidades dos pacientes e fornecer treinamento para pessoas com amputações de membros superiores. Os terapeutas podem construir e ajustar apa- relhos para prevenção de contraturas e tratar outras doenças funcionais.

Tabela
Tabela

Referências

  1. 1. Mlinac ME, Feng MC. Assessment of Activities of Daily Living, Self-Care, and Independence. Arch Clin Neuropsychol. 2016;31(6):506-516. doi:10.1093/arclin/acw049

  2. 2. Wales K, Clemson L, Lannin N, Cameron I. Functional Assessments Used by Occupational Therapists with Older Adults at Risk of Activity and Participation Limitations: A Systematic Review. PLoS One. 2016;11(2):e0147980. Published 2016 Feb 9. doi:10.1371/journal.pone.0147980

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