Transtorno de ansiedade generalizada é um estado persistente de ansiedade e inquietação intensas caracterizado por excessiva preocupação, medo e temores. Os sintomas físicos podem incluir tremores, sudorese, queixas somáticas múltiplas e exaustão. O diagnóstico é baseado em critérios clínicos. O tratamento e feito com terapia de relaxamento, às vezes associada à terapia medicamentosa.
O transtorno de ansiedade generalizada em crianças e adolescentes é caracterizado por preocupação excessiva e persistente sobre vários aspectos da vida diária, como desempenho escolar, interações sociais e saúde. É diagnosticado quando os sintomas persistem por 6 meses ou mais, e frequentemente é acompanhado por sintomas físicos como inquietação, fadiga e dificuldade de concentração. É muito mais comumente diagnosticado no final da adolescência e no início da idade adulta; 8% dos casos começam aos 14 anos, 20% aos 18 anos e 33% aos 25 anos, com uma idade mediana de diagnóstico de 20 anos (1).
Referência
1. Solmi M, Radua J, Olivola M, et al. Age at onset of mental disorders worldwide: large-scale meta-analysis of 192 epidemiological studies. Mol Psychiatry. 2022;27(1):281-295. doi:10.1038/s41380-021-01161-7
Sinais e sintomas do transtorno de ansiedade generalizada
Crianças com transtorno de ansiedade generalizada podem ter temores múltiplos e difusos que são exacerbados pelo estresse. Essas crianças frequentemente têm intolerância à incerteza, dificuldade em prestar atenção e podem apresentar hiperatividade e inquietação. Podem dormir mal, ter sudorese excessiva, sentirem-se exaustos e queixarem-se de desconforto físico (p. ex., dor de estômago, dores musculares e cefaleia). Crianças ansiosas também podem exibir comportamentos perfeccionistas, e o desempenho escolar percebido como insuficiente pode contribuir diretamente para sua ansiedade.
Durante a pandemia de covid-19, a interrupção abrupta e drástica das rotinas aumentou a ansiedade em aproximadamente 20% das crianças (1), com maior risco para aquelas infectadas com covid-19 (2).
Referência sobre sinais e sintomas
1. Racine N, McArthur BA, Cooke JE, Eirich R, Zhu J, Madigan S. Global Prevalence of Depressive and Anxiety Symptoms in Children and Adolescents During COVID-19: A Meta-analysis. JAMA Pediatr. 2021;175(11):1142-1150. doi:10.1001/jamapediatrics.2021.2482
2. Lu Y, Tong J, Zhang D, et al. Risk of neuropsychiatric and related conditions associated with SARS-CoV-2 infection: a difference-in-differences analysis. Nat Commun. 2025;16(1):6829. Published 2025 Jul 24. doi:10.1038/s41467-025-61961-1
Diagnóstico do transtorno de ansiedade generalizada
Avaliação psiquiátrica
Critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição, Texto Revisado (DSM-5-TR)
Diagnostica-se transtorno de ansiedade generalizada em crianças e adolescentes que apresentam sintomas de ansiedade proeminentes e prejudiciais que não são focados o suficiente para atender aos critérios de um transtorno específico como transtorno de ansiedade social ou transtorno do pânico (1). Transtorno de ansiedade generalizada também é um diagnóstico apropriado para crianças que têm um transtorno de ansiedade específico, como ansiedade de separação, mas também exibem sintomas de ansiedade adicionais significativos que se estendem além daqueles associados ao transtorno específico.
Critérios específicos incluem a presença de cada um dos seguintes:
Ansiedade e preocupação excessivas que os pacientes têm dificuldade de controlar
Sintomas presentes em mais dias do que não por ≥ 6 meses
Os sintomas causam sofrimento significativo ou prejudicam os aspectos social ou escolar
Além disso, os critérios acima devem ser acompanhados por ≥ 1 dos seguintes:
Agitação ou sensação de nervosismo ou tensão
Sentir-se facilmente fatigado
Dificuldade de concentração
Irritabilidade
Tensão muscular
Distúrbio do sono
Às vezes, os sintomas do transtorno de ansiedade generalizada podem ser confundidos com os do transtorno de deficit de atenção/hiperatividade (TDAH), porque o transtorno de ansiedade generalizada pode causar dificuldade para prestar atenção e pode resultar em agitação psicomotora (isto é, hiperatividade). Mas no TDAH, as crianças também têm dificuldade de concentração e sentem-se inquietas quando não estão ansiosas. Algumas crianças têm tanto transtorno de deficit de atenção/hiperatividade (TDAH) como um transtorno de ansiedade.
Referência sobre diagnóstico
1. American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition, Text Revision (DSM-5-TR), Washington: American Psychiatric Association, 2022.
Tratamento do transtorno de ansiedade generalizada
Treinamento de relaxamento
Exercícios respiratórios
Às vezes ansiolíticos, geralmente inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs)
Como o foco dos sintomas é difuso, é especialmente desafiador tratar o transtorno de ansiedade generalizada com terapia comportamental. O treinamento de relaxamento e os exercícios respiratórios são frequentemente mais apropriados.
Pacientes com transtorno de ansiedade generalizada grave ou que não respondem a intervenções psicoterápicas podem precisar de ansiolíticos. Assim como ocorre com outros transtornos de ansiedade, os ISRSs são geralmente os medicamentos de escolha (ver tabela ). Buspirona é às vezes utilizada para as crianças que não podem tolerar ISRSs; entretanto, ela é bem menos eficaz (1). Distúrbios gastrointestinais ou cefaleia podem ser fatores limitantes para definição das dosagens.
Referência sobre tratamento
1. Strawn JR, Mills JA, Cornwall GJ, et al. Buspirone in children and adolescents with anxiety: A review and Bayesian analysis of abandoned randomized controlled trials. J Child Adolesc Psychopharmacol. 28(1): 2-9, 2018. doi: 10.1089/cap.2017.0060
Pontos-chave
Crianças com transtorno de ansiedade generalizada têm preocupações múltiplas e difusas, em vez de uma única e específica.
Diagnostica-se o transtorno de ansiedade generalizada quando os sintomas causam sofrimento significativo à criança ou prejudicam o funcionamento social ou acadêmico e a criança apresenta ≥ 1 sintomas específicos (p. ex., inquietação, sensação de estar "ligado" ou "no limite").
Terapia de relaxamento pode ajudar; se as crianças têm ansiedade grave ou não respondem a intervenções psicoterapêuticas, considerar ansiolíticos (de preferência ISRSs).



