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Manual MSD

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Criptorquidia

(Testículos não descidos)

Por

Ronald Rabinowitz

, MD, University of Rochester Medical Center;


Jimena Cubillos

, MD, University of Rochester School of Medicine and Dentistry

Última modificação do conteúdo fev 2019
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É a impossibilidade de um ou dos dois testículos descerem para o escroto; geralmente é acompanhado por hérnia inguinal. O diagnóstico é por exame, algumas vezes seguido por laparoscopia. O tratamento é a orquiopexia cirúrgica.

Criptorquidismo afeta cerca de 3% dos bebês nascidos a termo e até 30% dos recém-nascidos pré-termo; dois terços dos testículos descem espontaneamente nos primeiros 4 meses de vida. Assim, cerca de 0,8% dos lactentes exigem tratamento.

Oitenta por cento dos testículos que não descem são diagnosticados no nascimento. O demais são diagnosticados durante a infância ou no início da adolescência; estes geralmente são causados por uma ligação do gubernáculo ectópico e tornam-se aparentes após um surto de crescimento somático.

Fisiopatologia

Normalmente, os testículos se desenvolvem na 7ª ou na 8ª semana de gestação e o polo anterior permanece dirigido para o anel inguinal interno até a 28ª semana, quando iniciam sua migração para o escroto, guiados pelo mesênquima (gubernáculo). O início da migração se faz sob ação hormonal (p. ex., andrógenos, fator inibidor mülleriano), fatores físicos (p. ex., regressão do gubernáculo, pressão intra-abdominal) e fatores ambientais (p. ex., exposição aos estrógenos maternos ou substâncias antiandrogênicas).

Um verdadeiro testículo não descido permanece no canal inguinal ou mais raramente permanece na cavidade abdominal ou retroperitônio. Um testículo ectópico desce normalmente em direção ao anel externo, mas desvia-se para uma localização anormal e permanece fora do curso normal (p. ex., suprapúbico, na bolsa inguinal superficial, dentro do peritônio ou face interna da coxa).

Complicações

Testículos não descidos podem causar infertilidade e são associados ao carcinoma testicular, principalmente se localizados na cavidade intra-abdominal. Entretanto, em pacientes com apenas um testículo não descido, cerca de 10% dos carcinomas se desenvolvem no testículo do lado normal. Nos casos não tratados de testículos intra-abdominais, pode ocorrer torção testicular que se manifesta como abdome agudo. Quase todos os que apresentam, ao nascimento, testículo não descido também exibem hérnia inguinal.

Etiologia

A maioria dos testículos não descidos é considerada idiopática. Cerca de 10% dos casos são bilaterais; há fortes suspeitas na virilização feminina causada por hiperplasia adrenal congênita em meninos fenotípicos com testículos bilateralmente não palpáveis no nascimento (especialmente se associado a hipospádias).

Sinais e sintomas

Em cerca de 80% dos casos, o escroto no lado afetado está vazio ao nascimento; nos demais casos, um testículo é palpável no escroto ao nascimento, mas parece ascender com o crescimento linear por causa de uma ligação do gubernáculo ectópico que impede que o testículo “desça" normalmente para o escroto. Hérnia inguinal associada à criptorquia raramente é sintomática, mas o processo pérvio costuma ser detectável, sobretudo em lactentes (mas menos comumente naqueles com testículos ectópicos não descidos).

Diagnóstico

  • Avaliação clínica

  • Algumas vezes, laparoscopia

  • Raramente, ultrassonografia ou RM

Todos os meninos devem ser submetidos a exame dos testículos no nascimento e então anualmente para avaliar a localização e crescimento testicular.

Testículos não descidos e ectópicos devem ser diferenciados dos testículos hipermóveis (retráteis), que estão no escroto, mas facilmente se retraem para dentro do canal inguinal via reflexo cremastérico. O diagnóstico da criptorquidia é por exame físico, que deve ser realizado por examinador com mãos aquecidas em ambiente aquecido, e o paciente relaxado, para evitar a retração testicular.

No caso de testículo não palpável unilateralmente, testículo palpável maior do que o esperado sugere a possibilidade de um testículo não descido atrófico, a confirmação exige intervenção cirúrgica por meio de laparoscopia diagnóstica para procurar testículos intra-abdominais ou confirmar a agênese testicular. Entretanto, às vezes faz-se exploração escrotal ou inguinal em caso de suspeita de um remanescente testicular distal ao anel inguinal interno.

Para testículos bilateralmente não palpáveis, deve-se avaliar o paciente no período neonatal imediato a procura de um possível distúrbio na diferenciação sexual (deve-se considerar consulta com um endocrinologista pediátrico). Se um distúrbio de diferenciação sexual foi descartado, laparoscopia é muitas vezes necessária para identificar testículos localizados no abdome e então pode-se fazer orquipexia bilateral.

Tratamento

  • Correção cirúrgica

Para um testículo não descido palpável, o tratamento é orquipexia cirúrgica, em que o testículo é trazido para dentro do escroto e suturado no local; a hérnia inguinal associada também é reparada.

Para um testículo não descido não palpável, é feita laparoscopia abdominal; se o testículo está presente, ele é movido para o escroto. Se for atrófico (geralmente o resultado de torção testicular pré-natal), remove-se o tecido.

A cirurgia deve ser feita por volta dos 6 meses de vida, pois a intervenção precoce melhora o potencial de fertilidade e pode reduzir o risco de câncer. Também, quanto menor for a criança, menor será a distância necessária para colocar os testículos no escroto.

Nenhuma intervenção é necessária para o testículo retrátil, contanto que o comprimento do cordão espermático seja suficiente para permitir que os testículos permaneçam no escroto sem tração, quando o reflexo cremastérico não está estimulado. A hipermobilidade geralmente se resolve sem tratamento na puberdade, quando o aumento do volume testicular torna a retração mais difícil.

Pontos-chave

  • Criptorquidia afeta cerca de 3% dos lactentes nascidos a termo e até 30% dos recém-nascidos prematuros; dois terços dos testículos descem espontaneamente.

  • Os testículos não descidos podem causar subinfertilidade e maior risco de carcinoma testicular (incluindo um testículo não descido).

  • A avaliação clínica é geralmente adequada; exames de imagem são raramente indicados.

  • O tratamento consiste em reparo cirúrgico.

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