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Coronavírus e síndromes respiratórias agudas (MERS and SARS)

Por

Brenda L. Tesini

, MD, University of Rochester School of Medicine and Dentistry

Última modificação do conteúdo set 2021
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Os coronavírus são vírus de RNA com envelope que causam doença respiratória de gravidade variável, do resfriado comum à pneumonia fatal.

Vários coronavírus, descobertos inicialmente em aves domésticas na década de 1930, causam doença respiratória, gastrintestinal, hepática e neurológica nos animais. Apenas 7 coronavírus sabidamente causam doença nos humanos.

Quatro de 7 coronavírus causam mais frequentemente sinais e sintomas do resfriado comum Resfriado comum Resfriado comum é uma infecção viral aguda, normalmente afebril e autolimitada, que envolve sintomas respiratórios superiores, como rinorreia, tosse e dor de garganta. O... leia mais . Os coronavírus 229E, OC43, NL63 e HKU1 são responsáveis por cerca de 15 a 30% dos casos de resfriado comum. Em casos raros, pode haver infecção grave do trato respiratório inferior, incluindo bronquiolite e pneumonia, principalmente em crianças, idosos e pacientes imunocomprometidos.

Três dos 7 coronavírus causam infecção respiratórias muito mais graves nos humanos, por vezes fatais, do que os outros coronavírus e causaram grandes surtos de pneumonia fatal no século 21:

Os coronavírus que causam infecção respiratória grave são zoonoses. O Sars-CoV2 possui uma transmissão significativa de pessoa para pessoa.

Síndrome respiratória do Oriente Médio (mers)

A síndrome respiratória do Oriente Médio (mers) é uma doença respiratória aguda grave causada pelo coronavírus mers (mers-CoV).

A infecção por mers-CoV foi inicialmente descrita em setembro de 2012 na Arábia Saudita, mas um surto em abril de 2012 na Jordânia foi confirmado retrospectivamente. Até 2019, em todo o mundo, foram notificados cerca de 2500 casos de infecção pelo mers-CoV (com pelo menos 850 mortes relacionadas) em 27 países; todos os casos de mers foram associados a viagens ou residência em países na Península Arábica e cercanias, com > 80% na Arábia Saudita. O maior surto conhecido de mers fora da Península Arábica ocorreu na República da Coreia em 2015. O surto foi associado a um viajante que retornava da Península Arábica. Casos também foram confirmados em países da Europa, Ásia, Norte da África, Oriente Médio e Estados Unidos em pacientes que foram transferidos para esses países para serem tratados ou adoeceram após retornar do Oriente Médio.

Estudos preliminares de soroprevalência indicam que a infecção não é generalizada na Arábia Saudita.

A Organização Mundial da Saúde considera que o risco de contrair infecção por mers-CoV é muito baixo para os peregrinos que viajam para a Arábia Saudita para o Umrah e Hajj. Para outras informações sobre peregrinações ao Oriente Médio, ver World-travel advice on MERS-CoV for pilgrimages .

A média de idade dos pacientes com mers-CoV é de 56 anos, e a proporção entre homens e mulheres é cerca de 1,6:1. A infecção tende a ser mais grave nos pacientes idosos e nos pacientes com doenças preexistentes como diabetes, cardiopatia crônica ou doença renal crônica.

Transmissão do mers-CoV

O mers-CoV pode ser transmitido de pessoa para pessoa por contato direto, gotículas respiratórias (partículas > 5 micrômetros) ou aerossóis (partículas < 5 micrômetros). A transmissão interpessoal foi comprovada pela ocorrência da infecção em pessoas cujo único risco foi o contato próximo com pessoas que tinham mers.

Acredita-se que o reservatório do mers-CoV sejam os dromedários, mas o mecanismo de transmissão desses animais para os humanos é desconhecido. A maioria dos casos descritos foi por transmissão direta entre humanos em unidades de saúde. Se um paciente tiver suspeita de mers, deve-se iniciar as medidas de controle de infecção prontamente para evitar a transmissão nas unidades de saúde.

Sinais e sintomas da MERS

O período de incubação de mers-CoV é cerca de 5 dias.

A maioria dos casos relatados foi de doença respiratória grave exigindo hospitalização, com letalidade de cerca de 35%; mas pelo menos 21% dos pacientes tiveram sintomas leves ou foram assintomáticos. Febre, calafrios, mialgia e tosse são comuns. Sinais e sintomas gastrointestinais (p. ex., diarreia, vômitos e/ou dor abdominal) ocorrem em cerca de um terço dos pacientes. As manifestações podem ser suficientemente graves a ponto de exigir a internação em uma unidade de tratamento intensivo, porém, recentemente, a proporção desses casos caiu abruptamente.

Diagnóstico da MERS

  • Testes feitos por reação em cadeia da polimerase via transcriptase reversa em tempo real (PCR-TR) de amostras das secreções respiratórias altas e baixas e de sangue

Suspeitar de mers nos pacientes com infecção aguda inexplicada do trato inferior respiratório e que apresentaram algum dos seguintes sintomas em até 14 dias após o início da doença:

  • Viagens ou residência em uma área onde a mers foi descrita recentemente ou onde a transmissão pode ter ocorrido

  • Entrar em contato com a unidade de saúde na qual houve a trasmissão da mers

  • Contato próximo com um paciente que estava enfermo com suspeita de mers

Também deve-se suspeitar da mers nos pacientes que tiveram contato próximo com um paciente com suspeita de mers e apresentam febre, independentemente de terem ou não sintomas respiratórios.

As recomendações mais recentes estão disponíveis nos US Centers for Disease Control and Prevention (MERS: Interim Guidance for Healthcare Professionals).

Os testes devem conter ensaios em tempo real por PCR-TR das secreções do trato respiratório inferior e superior, idealmente coletadas de diferentes locais e em diferentes momentos. O soro deve ser obtido de pacientes e de todos, mesmo contatos próximos assintomáticos, incluindo profissionais de saúde (para ajudar a identificar mers leve ou assintomática). O sangue é coletado imediatamente após a suspeita de mers ou depois da exposição dos contatos (amostra de fase aguda), e 3 a 4 semanas mais tarde (amostra da fase da convalescência). Nos EUA, o teste é feito nos departamentos de saúde estaduais ou nos Centers for Disease Control and Prevention.

Tratamento do MERS

  • Tratamento de suporte

O tratamento da mers é de suporte. Para ajudar a prevenir a propagação de casos suspeitos, os profissionais de saúde devem usar precauções universais de contato e de transmissão respiratória.

Não existe vacina.

Informações adicionais

Síndrome respiratória aguda grave (sars)

A síndrome respiratória aguda grave (sars) é uma doença respiratória aguda grave causada pelo coronavírus sars (Sars-CoV).

A sars é muito mais grave do que outras infecções por coronavírus. A sars é uma doença semelhante à influenza que, ocasionalmente, provoca insuficiência respiratória progressiva grave.

O Sars-CoV foi inicialmente detectado na província de Guangdong, China, em novembro de 2002 e, subsequentemente, disseminou-se para > 30 países. Nessa epidemia, até 31 de março de 2020, foram notificados 801.400 casos em todo o mundo, com 38.743 mortes (cerca de 4,83% de letalidade, que varia significativamente de acordo com a idade de < 1% entre as pessoas ≤ 24 anos a > 50% entre as pessoas com ≥ 65 anos). No surto de Sars-CoV, pela primeira vez os Centers for Disease Control and Prevention desaconselharam viajar para uma região. Esse surto diminuiu e não foram identificados novos casos desde 2004. Presumiu-se que a fonte imediata fossem os gatos-almiscarados (civetas) vendidos como alimento em um mercado de animais vivos e que provavelmente teriam sido infectados pelo contato com morcegos antes de serem capturados para venda. Os morcegos são hospedeiros frequentes do coronavírus.

A Sars-CoV é transmitida de pessoa para pessoa por contato pessoal próximo. Acredita-se que seja transmitida mais prontamente por gotículas respiratórias produzidas quando uma pessoa infectada tosse ou espirra.

O diagnóstico da sars é clínico e o tratamento é de suporte. A coordenação de práticas de controle de infecção imediatas e rígidas ajudou a controlar rapidamente o surto de 2002.

Embora nenhum caso novo tenha sido relatado desde 2004, não se deve considerar a sars eliminada porque o vírus causador tem um reservatório animal do qual é possível ressurgir.

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