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Erliquiose e anaplasmose

Por

William A. Petri, Jr

, MD, PhD, University of Virginia School of Medicine

Última modificação do conteúdo fev 2019
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Erliquiose e anaplasmose são causadas por bactérias semelhantes a riquétsias. Erliquiose é causada principalmente por Ehrlichia chaffeensis; anaplasmose é causada por Anaplasma phagocytophilum. Ambas são transmitidas a seres humanos por carrapatos. Os sintomas se assemelham aos da febre maculosa das Montanhas Rochosas, exceto pelo exantema que está presente somente em uma minoria de pacientes. Pacientes têm um começo abrupto de doença com febre, calafrios, cefaleia e mal-estar.

Erliquiose e anaplasmose estão relacionadas a doenças por riquétsias.

E. chaffeensis causa erliquiose monocítica humana. A maioria dos casos de erliquiose monocítica foi identificada nas regiões centrais do Sudeste e Sul dos EUA, onde seu vetor artrópode (o carrapato lone star) é endêmico.

Anaplasma phagocytophilum (anteriormente E. phagocytophila) causa anaplasmose granulocítica humana, que ocorre nas regiões Nordeste, Atlântico Central, Meio-Oeste Central e Costa Oeste nos EUA, onde seu vetor artrópode (carrapatos ixodídeos) é endêmico. Doença de Lyme, babesiose e vírus Powassan têm o mesmo vetor e área endêmica do carrapato, e às vezes os pacientes adquirem coinfecções depois de uma picada por um carrapato infectado por mais de um tipo de organismo. Vários casos de anaplasmose foram reportados depois de transfusões de sangue de doadores assintomáticos ou agudamente infectados.

Dicas e conselhos

  • Como a doença de Lyme e babesiose têm o mesmo vetor e área endêmica do carrapato que a anaplasmose, carrapatos (e, portanto, as pessoas que eles picam) podem ser infectados por mais de um tipo de organismo simultaneamente.

A diferença na célula-alvo primária (monócitos para erliquiose e granulócitos para anaplasmose) resulta em diferenças menores nas manifestações clínicas.

Sinais e sintomas

As características clínicas da erliquiose e anaplasmose são similares. Embora algumas infecções sejam assintomáticas, a maioria causa início abrupto de uma doença semelhante à influenza com sintomas inespecíficos como febre, calafrios, mialgia, fraqueza, náuseas, vômitos, tosse. cefaleia e mal-estar geralmente começam cerca de 12 dias depois da picada de carrapato.

Exantema é incomum na anaplasmose. Alguns pacientes infectados por E. chaffeensis apresentam exantema maculopapular ou petequial no tronco e nos membros.

Erliquiose e anaplasmose podem resultar em coagulação intravascular disseminada, falência de múltiplos órgãos, convulsões e coma.

Ambas as infecções parecem ser mais graves e têm uma taxa mais alta de mortalidade em pacientes com imunidade comprometida causada por imunossupressores (p. ex., corticoides, quimioterapia para câncer, tratamento a longo prazo com imunossupressores após transplante de órgãos), infecção pelo HIV ou esplenectomia.

Diagnóstico

  • Reação em cadeia da polimerase (PCR, polymerase chain reaction [reação em cadeia da polimerase]) de uma amostra de sangue

Sorologias diagnósticas estão disponíveis para erliquiose e anaplasmose, mas PCR do sangue é mais sensível e específico e o diagnóstico pode ser realizado rapidamente porque testes sorológicos requerem comparação dos títulos seriados. Pode-se detectar inclusões citoplasmáticas nos monócitos (erliquiose) ou nos neutrófilos (anaplasmose), mas as inclusões citoplasmáticas são mais comumente observadas na anaplasmose.

Testes de funções sanguíneas e hepáticas podem detectar anormalidades hematológicas e hepáticas, tais como leucopenia, trombocitopenia e níveis elevados de aminotransferases.

Tratamento

  • Doxiciclina

É melhor iniciar o tratamento da erliquiose e anaplasmose antes dos resultados laboratoriais ficarem prontos. Quando o tratamento é iniciado precocemente, os pacientes geralmente respondem bem e de modo rápido. Quando o tratamento não é precoce, sérias complicações podem se seguir, incluindo superinfecções virais e fúngicas e óbito em 2 a 5%.

O tratamento primário é com doxiciclina, 200 mg VO uma vez, seguido por 100 mg bid, até que o paciente melhore, fique afebril por 24 a 48 horas, mas é mantido por pelo menos 7 dias. Cloranfenicol não é eficaz.

Alguns pacientes continuam a sentir cefaleia, fraqueza e mal-estar durante semanas após o tratamento adequado.

Prevenção

Não há vacina para prevenir a erliquiose ou a anaplasmose. Pode-se tomar medidas para prevenir picadas de carrapato.

Comparação do tamanho do carrapato entre cervos e cães

Comparação do tamanho do carrapato entre cervos e cães

A prevenção do acesso do carrapato à pele é feita por meio de

  • Permanecer em estradas e trilhas

  • Colocar as barras das calças por dentro de botas ou meias

  • Usar camisas de manga longa

  • Aplicar repelentes com dietiltoluamida (DEET) na superfície da pele

A DEET deve ser usada com cautela em crianças muito jovens porque reações tóxicas têm sido relatadas. Permetrina nas roupas efetivamente mata os carrapatos. Buscas frequentes por carrapatos, em particular em partes com pelos e em crianças, são essenciais em áreas endêmicas.

Carrapatos ingurgitados devem ser removidos com cuidado e não esmagados entre os dedos porque isto pode resultar em transmissão da doença. O corpo do carrapato não deve ser segurado ou esmagado. Tração gradual na cabeça com um pequeno fórceps desprende o carrapato. O local do corpo em que o carrapato estava preso deve ser esfregado com álcool. Vaselina, fósforos acesos e outros irritantes não são maneiras eficazes de remover carrapatos e não devem ser usadas.

Não há meios práticos disponíveis para livrar áreas inteiras dos carrapatos, mas populações destes podem ser reduzidas em áreas endêmicas por meio do controle de populações de pequenos animais.

Pontos-chave

  • Erliquiose e anaplasmose são infecções por carrapato relacionadas a doenças por riquétsias.

  • As características clínicas da erliquiose e anaplasmose são similares, geralmente com início súbito de doença semelhante à influenza; o exantema é comum na anaplasmose.

  • Erliquiose e anaplasmose podem resultar em coagulação intravascular disseminada, falência de múltiplos órgãos, convulsões e coma.

  • Fazer teste por PCR do sangue, que é mais sensível e específico do que as sorologias e pode resultar em um diagnóstico precoce.

  • É melhor iniciar o tratamento com doxiciclina antes os resultados laboratoriais ficarem prontos.

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