Herpes-zóster ótico é uma manifestação incomum do herpes-zóster que afeta os gânglios do VIII par craniano e o gânglio geniculado do VII par craniano (facial). Causa otalgia, uma erupção vesicular, paralisia facial ipsilateral, vertigem e, às vezes, perda auditiva. O diagnóstico é primariamente clínico. O tratamento é com glicocorticoides, antivirais e medicamentos de suporte para alívio dos sintomas.
Herpes-zóster (zona) ocorre devido à reativação da infecção pelo vírus varicela-zóster dentro do gânglio geniculado (1). Fatores de risco da reativação incluem imunodeficiência secundária a câncer, quimioterapia, radioterapia e infecção pelo HIV. Normalmente, o vírus permanece latente em um gânglio da raiz dorsal, e a reativação se manifesta como lesões cutâneas dolorosas em uma distribuição dermatômica. Entretanto, o vírus raramente permanece latente no gânglio geniculado; quando reativado, o vírus causa sintomas envolvendo o 7º e o 8º nervos cranianos.
Referência
1. Furuta Y, Takasu T, Fukuda S, et al. Detection of varicella-zoster virus DNA in human geniculate ganglia by polymerase chain reaction. J Infect Dis. 1992;166(5):1157-1159. doi:10.1093/infdis/166.5.1157
Sinais e sintomas do herpes-zóster ótico
Os sintomas do herpes-zóster óptico incluem
Otalgia grave com vesículas na orelha
Paralisia facial ipsilateral transitória ou permanente (semelhante à paralisia de Bell)
Vertigem que dura dias ou semanas
Perda auditiva (que pode ser permanente ou que pode desaparecer completa ou parcialmente)
Zumbido e hiperacusia
Vesículas surgem no pavilhão auricular e no meato auditivo externo, ao longo da distribuição do ramo sensorial do nervo facial. Os sintomas de meningoencefalite (p. ex., cefaleia, confusão, rigidez de nuca) são incomuns. Às vezes, outros pares cranianos estão envolvidos.
Diagnóstico do herpes-zóster ótico
Principalmente história e exame físico
Às vezes, culturas virais
Às vezes, exames de imagem (RM)
O diagnóstico do herpes-zoster óptico quase sempre é clínico. Se houver qualquer dúvida sobre a etiologia viral, pode-se coletar esfregaços vesiculares por imunofluorescência direta ou culturas virais e realiza-se RM para excluir outros diagnósticos.
Tratamento do herpes-zóster ótico
Antivirais e glicocorticoides
Às vezes, opioides ou outros medicamentos para dor intensa
Raramente, descompressão cirúrgica do canal facial (p. ex., para paralisia facial completa)
Embora haja escassez de evidências de alta qualidade de que glicocorticoides, antivirais ou descompressão cirúrgica sejam eficazes no herpes-zóster ótico, eles são os únicos tratamentos possivelmente úteis (1, 2). Quando utilizados, os glicocorticoides são iniciados com prednisona em altas doses por via oral durante 4 a 7 dias, seguida de redução gradual da dose ao longo das 2 semanas seguintes. Aciclovir por via oral 5 vezes ao dia ou valaciclovir 2 vezes ao dia por 10 dias pode encurtar o curso clínico; é rotineiramente prescrito para pacientes imunocomprometidos.
A vertigem é efetivamente suprimida com diazepam oral a cada 4 ou 6 horas. A dor pode exigir o uso de opioides orais. A neuralgia pós-herpética pode ser tratada com medicamentos (p. ex., amitriptilina, nortriptilina, gabapentina, pregabalina) se necessário.
O papel do tratamento cirúrgico da paralisia facial permanece controverso; entretanto, pode-se considerar a descompressão cirúrgica do canal facial (um canal ósseo dentro do osso temporal no crânio que abriga o nervo facial) se a paralisia facial estiver completa (nenhum movimento facial visível). Descompressão deve ser feita dentro de 2 semanas a partir do início da paralisia facial para ser eficaz. Antes da cirurgia, eletroneurografia é feita. Pacientes com > 90% de diminuição no movimento facial na eletroneurografia geralmente são candidatos à descompressão.
Referências sobre tratamento
1. Uscategui T, Dorée C, Chamberlain IJ, Burton MJ. Antiviral therapy for Ramsay Hunt syndrome (herpes zoster oticus with facial palsy) in adults. Cochrane Database Syst Rev. 2008;2008(4):CD006851. Published 2008 Oct 8. doi:10.1002/14651858.CD006851.pub22.
2. Coulson S, Croxson GR, Adams R, Oey V. Prognostic factors in herpes zoster oticus (ramsay hunt syndrome). Otol Neurotol. 2011;32(6):1025-1030. doi:10.1097/MAO.0b013e3182255727
Prevenção do herpes-zóster ótico
A vacinação é o método principal recomendado para prevenir o herpes-zóster ótico. A vacina recombinante contra herpes-zóster (RZV) é altamente eficaz na prevenção do herpes-zóster, incluindo o herpes-zóster ótico. Em um ensaio randomizado multicêntrico com 15.411 pacientes de 70 anos ou mais, a eficácia geral da vacina foi de 97,2% contra o herpes zoster (1). O Comitê Consultivo sobre Práticas de Imunização (ACIP) dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças recomenda a vacinação para adultos com 50 anos ou mais, independentemente de infecção prévia por herpes-zóster ou estado de vacinação contra varicela; também é recomendado em adultos mais jovens que são imunocomprometidos. (Ver Vacina contra herpes-zóster para mais informações.)
Referência sobre prevenção
1. Lal H, Cunningham AL, Godeaux O, et al. Efficacy of an adjuvanted herpes zoster subunit vaccine in older adults. N Engl J Med. 2015;372(22):2087-2096. doi:10.1056/NEJMoa1501184



