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Apneia obstrutiva do sono

Por

Kingman P. Strohl

, MD, Case School of Medicine, Case Western Reserve University

Última modificação do conteúdo fev 2019
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A apneia obstrutiva do sono (AOS) compreende episódios de oclusão parcial ou também completa das vias respiratórias superiores durante o sono e provoca a cessação da respiração (definida como um período de apneia ou hipopneia > 10 segundos). Sintomas incluem sonolência diurna excessiva, inquietação, ronco, despertar recorrente e cefaleia matinal. O diagnóstico baseia-se na história do sono e em polissonografia. O tratamento se faz com pressão positiva contínua nas vias respiratórias por via nasal, aparelhos orais e, nos casos refratários, cirurgia. O prognóstico é bom com o tratamento. A maioria dos casos não é diagnosticada e não é tratada e normalmente está associada à hipertensão, fibrilação atrial e outras arritmias, insuficiência cardíaca e lesão e morte por acidentes automobilísticos e outros acidentes, resultantes de sonolência excessiva.

Em pacientes sob risco, o sono desestabiliza as vias respiratórias superiores, acarretando obstrução parcial ou completa da nasofaringe, da orofaringe, ou de ambas.

A hipopneia obstrutiva do sono ocorre quando a respiração está diminuída, mesmo que não esteja ausente.

A prevalência da apneia obstrutiva do sono é 2 a 9% em adultos; a doença é subrreconhecida e com frequência deixa de ser diagnosticada, mesmo em pacientes sintomáticos. [A apneia obstrutiva do sono é até 4 vezes mais comum em homens e 7 vezes mais comum entre indivíduos obesos (com um índice de massa corporal [IMC] > 30). A AOS grave (índice apneia-hipopneia > 30/hora) aumenta o risco de morte em homens de meia-idade.

A apneia obstrutiva do sono é a principal causa clínica de sonolência diurna excessiva, aumentando os riscos de acidentes automobilísticos, perda de emprego e disfunção sexual. O relacionamento com a pessoa com quem se divide o leito e/ou o quarto também pode ser afetado negativamente, porque essas pessoas também podem ter dificuldade para dormir.

As sequelas cardiovasculares a longo prazo da AOS não tratada incluem hipertensão mal controlada, insuficiência cardíaca, fibrilação atrial (mesmo depois de ablação por cateter) e outras arritmias. A AOS também aumenta o risco de esteato-hepatite não alcoólica, provavelmente devido à hipóxia noturna intermitente (1).

Referência geral

  • 1. Musso G, Cassader M, Olivetti C, et al: Association of obstructive sleep apnoea with the presence and severity of non-alcoholic fatty liver disease. A systematic review and meta-analysis. Obes Rev 14:417–431, 2013.

Etiologia

Fatores de risco anatômicos para apneia obstrutiva do sono incluem

  • Orofaringe "comprimida" por uma mandíbula curta ou retraída

  • Base da língua ou tonsilas proeminentes

  • Forma da cabeça arredondada e pescoço curto

  • Circunferência do pescoço > 43 cm

  • Paredes da lateral da faringe espessas

  • Bolsas de gordura parafaringeais laterais

Fatores de risco anatômicos são comuns entre pessoas obesas.

Outros fatores de risco identificáveis compreendem o período pós-menopausa, o envelhecimento e o uso de álcool e sedativos. Existem antecedentes familiares de apneia do sono em 25 a 40% dos casos, refletindo, talvez, os fatores hereditários que afetam a estimulação ventilatória intrínseca ou a estrutura craniofacial. O risco de AOS em um familiar é proporcional à quantidade de familiares afetados.

Acromegalia, hipotiroidismo e, às vezes, acidente vascular encefálico podem causar ou contribuir para a AOS. Doenças que ocorrem mais comumente em pacientes com AOS incluem hipertensão, diabetes, acidente vascular encefálico (AVE), hiperlipidemia, doença de refluxo gastresofágico, angina noturna, insuficiência cardíaca, fibrilação atrial e outras arritmias.

Como a obesidade é um fator de risco comum tanto para a apneia obstrutiva do sono como para a síndrome de hipoventilação associada à obesidade, as duas doenças frequentemente coexistem.

Esforços inspiratórios contra uma via respiratória provocam paroxismos de esforço inspiratório, reduções da troca gasosa, ruptura da arquitetura normal do sono e despertares parciais ou completos do sono. Esses fatores interagem para causar morbidade e mortalidade por hipóxia, hipercapnia e fragmentação do sono (1).

A AOS é a forma extrema da resistência das vias respiratórias superiores relacionada com o sono. Formas menos graves que não causam dessaturação de oxigênio incluem

  • Resistência ao fluxo de ar das vias respiratórias superiores causando inspiração ruidosa, mas sem despertares do sono

  • Síndrome de resistência das vias respiratórias superiores, caracterizada por roncos cada vez mais intensos que são interrompidos por despertares relacionados ao esforço respiratório (DRERs)

Pacientes com síndrome de resistência das vias respiratórias superiores são tipicamente mais jovens e menos obesos que os pacientes com AOS e queixam-se de sonolência diurna com maior frequência que esses pacientes com ronco primário. Ocorrem despertares frequentes, mas os critérios absolutos para apneias e hipopneias podem não ser atendidos. Sintomas, avaliação diagnóstica e tratamento do ronco e da síndrome da resistência das vias respiratórias superiores são semelhantes aos da apneia obstrutiva do sono.

Referência sobre etiologia

  • 1. Zinchuk AV, Jeon S, Koo BB, et al: Polysomnographic phenotypes and their cardiovascular implications in obstructive sleep apnoea. Thorax 73(5):472–480, 2018. doi: 10.1136/thoraxjnl-2017-210431.

Sinais e sintomas

Embora ronco intenso e perturbador seja relatado por 85% dos pacientes com apneia obstrutiva do sono, a maioria dos indivíduos que roncam não tem apneia obstrutiva do sono. Outros sintomas da apneia obstrutiva do sono podem ser

  • Engasgos, respiração ofegante ou roncos durante o sono

  • Sono inquieto e sem repouso

  • Dificuldade de manter o sono

A maioria dos pacientes não está ciente desses sintomas (porque ocorrem durante o sono), mas são informados por cônjuges, colegas de residência, ou companheiros de quarto. Alguns pacientes podem acordar com dor na garganta ou boca seca. Cefaleia matinal é um sintoma comum.

Quando acordados, os pacientes podem experimentar sonolência, fadiga e dificuldade de concentração. A frequência das queixas relacionadas com o sono e o grau de sonolência diurna correlaciona-se grosseiramente com o número de eventos ou despertares do sono.

Diagnóstico

  • Critérios de sintomas

  • Estudos de sono

Suspeita-se do diagnóstico da apneia obstrutiva do sono em pacientes com fatores de risco e/ou sintomas identificáveis.

Pode-se usar questionários pré-teste, como STOP-Bang, Berlin e Escala de Sonolência de Epworth, para avaliar o risco. Mas esses questionários têm baixa especificidade e, portanto, altos índices de falso-positivos como ferramentas diagnósticas (1, 2). O STOP-BANG e o questionário de Berlim têm um valor preditivo pré-teste mais específico do que a escala de sonolência de Epworth (3).

Critérios diagnósticos consistem em sintomas diurnos, sintomas noturnos e monitoramento do sono que documente ≥ 5 episódios de hipopneia e/ou apneia por hora com sintomas, ou ≥ 15 episódios por hora na ausência dos sintomas. Especificamente, em relação aos sintomas, deve haver ≥ 1 dos seguintes:

  • Sonolência diurna, episódios de sono não intencionais, sono não restaurador, fadiga ou dificuldade de continuar dormindo

  • Despertar com retenção da respiração, respiração entrecortada, ou sufocação

  • Relatos — pelo cônjuge — de ronco alto, interrupções na respiração, ou ambos no sono do paciente

Deve-se interrogar o paciente e os cônjuges, os colegas de residência, ou companheiros de quarto. O diagnóstico diferencial da sonolência excessiva diurna é amplo e contempla

  • Redução da quantidade ou da qualidade do sono devido a má higiene do sono

  • Sedação ou alterações do estado mental decorrentes de fármacos, doenças crônicas (incluindo doenças cardiovasculares ou respiratórias), distúrbios metabólicos e tratamentos associados

  • Abuso de álcool ou drogas

  • Outras enfermidades primárias do sono (p. ex., cinetose periódico dos membros, síndrome das pernas inquietas)

Deve-se obter uma história completa do sono em todos os pacientes que

A maioria dos pacientes que refere apenas ronco, sem outros sintomas ou risco cardiovascular, não necessita de avaliação extensa para apneia obstrutiva do sono.

Estudos que classificam os pacientes em grupos clínicos baseados nos sinais e sintomas e nas comorbidades são uma área de interesse contínuo, pois levarão a tratamentos individualizados da AOS. (4–6)

O exame físico deve incluir a verificação da existência de obstrução nasal, hipertrofia de tonsilas, estrutura da faringe e identificação de características clínicas de hipotireoidismo e acromegalia.

Polissonografia é melhor para confirmar o diagnóstico de apneia obstrutiva do sono e quantificar a gravidade da AOS. A polissonografia é feita por avaliações contínuas do esforço respiratório por pletismografia; fluxo respiratório no nariz e na boca por sensores de fluxo; saturação de oxigênio por oximetria; arquitetura do sono por EEG, eletromiografia do queixo (avaliação de hipotonia) e eletro-oculografia para a avaliação da ocorrência dos movimentos rápidos dos olhos. Registros de polissonografia ajudam a classificar os estágios do sono e a ocorrência e duração dos períodos de apneia e hipopneia. O paciente também é observado por vídeo, e monitoramento por ECG é útil para determinar se ocorrem arritmias em conjunto com os episódios de apneia. Outras variáveis avaliadas incluem a atividade dos músculos dos membros (para avaliar as causas não respiratórias de despertares do sono, como a síndrome das pernas inquietas e a doença dos movimentos periódicos dos membros) e a posição corporal (a apneia pode ocorrer apenas na posição supina).

O índice de apneia-hipopneia, que é a quantidade total de episódios de apneia e hipopneia que ocorre durante o sono divididos pelas horas de sono, é a medida resumo comum usada para descrever distúrbios respiratórios durante o sono. Os valores de IAH podem ser computados em relação aos diferentes estágios de sono.

O índice de distúrbio respiratório (IDI), uma medida similar, descreve a quantidade de episódios de certos despertares relacionados ao esforço respiratório (chamados despertares relacionados ao esforço respiratório ou DRERs) mais o número de episódios de apneia e hipopneia por hora de sono.

Pode-se calcular o índice de despertares (ID), que é a quantidade de despertares por hora de sono, se for usado monitoramento por EEG. O índice de despertares pode ser correlacionado com o índice apneia-hipopneia ou ao índice de distúrbio respiratório, mas cerca de 20% das apneias e dos episódios de dessaturação não são acompanhados de despertar, ou existem outras causas para o despertar.

Um índice de apneia-hipopneia > 5 é necessário para o diagnóstico da apneia obstrutiva do sono; um valor > 15 indica apneia do sono moderada e um valor > 30 indica apneia do sono grave. Roncar suficientemente alto a ponto de ser escutado em outro recinto confere um aumento de mais de 10 vezes da probabilidade de ter um índice de apneia-hipopneia > 5. A correlação entre o índice de despertar e o índice de distúrbio respiratório com os sinais e sintomas do paciente é apenas moderada.

Os dispositivos diagnósticos portáteis (teste do sono a domicílio) tem sido mais usados para diagnosticar a apneia obstrutiva do sono. Monitores portáteis são capazes de medir frequência cardíaca, oximetria de pulso, esforço, posição e fluxo nasal para fornecer estimativas equitativas dos distúrbios respiratórios durante o sono, estimando assim um valor de IAH/IDR. Ferramentas diagnósticas portáteis são frequentemente utilizadas em combinação com questionários (p. ex., STOP-Bang, Questionário de Berlim) para calcular o risco dos pacientes (a sensibilidade e a especificidade do teste dependem da probabilidade pré-teste). Quando ferramentas portáveis são usadas, distúrbios do sono coexistentes (p. ex., síndrome das pernas inquietas) não são excluídos. Polissonografia de acompanhamento ainda pode ser necessária para determinar os valores de IAH/IDI nas diferentes fases do sono e às alterações na posição, especialmente quando considera-se realizar uma cirurgia ou tratamento que não a pressão positiva das vias respiratórias.

Medição do hormônio tireoestimulante pode ser feita em caso de suspeita clínica. Nenhum outro teste adjuvante (p. ex., exames de imagem das vias respiratórias superiores) tem uma acurácia diagnóstica suficiente para que seja recomendado rotineiramente.

Referências sobre diagnóstico

  • 1. Chung F, Yegneswaran B, Liao P, et al: STOP questionnaire: A tool to screen patients for obstructive sleep apnea. Anesthesiology2008;108:812–821, 2008.

  • 2. Netzer NC, Stoohs RA, Netzer CM, et al: Using the Berlin Questionnaire to identify patients at risk for the sleep apnea syndrome. Ann Intern Med 131(7):485–491, 1999.

  • 3. Luo J, Huang R, Zhong X, et al: STOP-Bang questionnaire is superior to Epworth sleepiness scales, Berlin questionnaire, and STOP questionnaire in screening obstructive sleep apnea hypopnea syndrome patients.Chin Med J (Engl)127(17):3065–3070, 2014.

  • 4. Keenan BT, Kim J, Singh B, et al: Recognizable clinical subtypes of obstructive sleep apnea across international sleep centers: a cluster analysis. Sleep 41(3):zsx214, 2018. doi: 10.1093/sleep/zsx214

  • 5. Kim J, Keenan BT, Lim DC, et al: Symptom-based subgroups of Koreans with obstructive sleep apnea. J Clin Sleep Med 14(3):437–443, 2018. doi: 10.5664/jcsm.6994.

  • 6. Ye L, Pien GW, Ratcliffe SJ, et al: The different clinical faces of obstructive sleep apnoea: a cluster analysis. Eur Respir J 44(6):1600–1607, 2014. doi: 10.1183/09031936.00032314.

Prognóstico

O prognóstico da apneia obstrutiva do sono é excelente com o tratamento apropriado.

Apneia obstrutiva do sono não tratada ou não diagnosticada pode causar comprometimento cognitivo como resultado da insônia, o que, por sua vez, pode provocar lesões graves ou mortes causadas por acidentes, principalmente acidentes de trânsito. Pacientes sonolentos devem ser advertidos do risco de dirigir, operar máquinas pesadas ou envolver-se em outras atividades durante as quais episódios de sono não intencionais seriam perigosos.

Os efeitos adversos da hipersonolência, como a perda do emprego e a disfunção sexual, podem afetar consideravelmente as famílias.

Além disso, complicações perioperatórias, incluindo a parada cardíaca, têm sido atribuídas à AOS, provavelmente em decorrência dos efeitos da anestesia na condição, após a remoção de via respiratória mecânica. Portanto, os pacientes devem informar o anestesista sobre o diagnóstico antes de se submeterem a qualquer cirurgia e receberem pressão positiva contínua das vias respíratórias (continuous positive airway pressure, CPAP) ao utilizarem fármacos no pré-operatório e durante a recuperação.

Tratamento

  • Controle dos fatores de risco

  • CPAP ou aparelhos orais

  • Em caso de invasão anatômica ou doença que não responde a dispositivos, cirurgia ou estimulação neural

O objetivo do tratamento é reduzir os episódios de hipóxia e a fragmentação do sono; adapta-se o tratamento ao paciente e ao grau de comprometimento. A cura é definida como a resolução dos sintomas, com redução do IAH abaixo do limiar, geralmente 10/hora.

Direciona-se o tratamento tanto para os fatores de risco como para a própria apneia obstrutiva do sono. Tratamentos específicos para apneia obstrutiva do sono incluem pressão positiva contínua das vias respiratórias, aparelhos orais e cirurgia das vias respiratórias.

Controle dos fatores de risco

O tratamento inicial visa o controle ótimo de fatores de risco modificáveis para a apneia obstrutiva do sono, incluindo obesidade, uso de álcool e sedativos, hipotireoidismo, acromegalia e outras doenças crônicas. Embora a perda ponderal modesta (15%) possa resultar em melhora clinicamente significativa, perder peso é extremamente difícil para a maioria das pessoas, especialmente aqueles que estão cansados ou com sono. A cirurgia bariátrica frequentemente reverte os sintomas e melhora o IAH em pacientes obesos mórbidos (IMC > 40); contudo, o grau dessas melhorias pode não ser tão significativo quanto o grau de perda ponderal. Perda ponderal, com ou sem cirurgia bariátrica, não deve ser considerada uma cura para a AOS.

Pressão positiva contínua das vias respiratórias

Pressão positiva nasal contínua das vias respiratórias (continuous positive airway pressure, CPAP) é o tratamento de escolha para a maioria dos pacientes com AOS e sonolência diurna subjetiva; a adesão é menor nos pacientes que não apresentam sonolência. A CPAP melhora a permeabilidade das vias respiratórias superiores pela aplicação de pressão positiva às vias respiratórias superiores colapsáveis. As pressões efetivas costumam variar de 3 a 15 cm de água. A gravidade da doença não se correlaciona às necessidades de pressão. Muitos aparelhos de CPAP monitoram a eficácia do CPAP e titulam as pressões automaticamente, de acordo com algoritmos internos. Se não for observada melhora clínica, a eficácia do CPAP deve ser revista e os pacientes devem ser reavaliados quanto a um segundo distúrbio do sono (p. ex., obstrução das vias respiratórias superiores) ou um distúrbio comórbido. Se necessário, a pressão deve ser ajustada manualmente por polissonografias repetidas. Independentemente do IAH, CPAP também pode reduzir o comprometimento neurocognitivo, melhorar a qualidade de vida e diminuir a pressão arterial. Se a CPAP for retirada, os sintomas recorrem no decorrer de vários dias, embora breves interrupções da terapêutica por condições clínicas agudas sejam geralmente bem toleradas. A duração da terapia é indefinida (1–4).

Os efeitos adversos da CPAP nasal são o ressecamento e a irritação da mucosa nasal, que em alguns casos podem ser aliviados pelo uso de umidificadores de ar quente, e o desconforto resultante do ajuste inadequado da máscara.

As falhas da CPAP nasal ocorrem comumente em virtude da adesão limitada do paciente. Além dos efeitos adversos acima, o uso prolongado da CPAP é menor entre os pacientes não obesos com baixo limiar de despertares respiratórios e propensão relacionada ao aumento dos despertares e à respiração irregular (5).

A CPAP pode ser potencializada com assistência inspiratória (pressão positiva em dois níveis) para pacientes com síndrome de obesidade-hipoventilação para aumentar seus volumes correntes.

Aparelhos orais

Os aparelhos orais são projetados para avançar a mandíbula ou, pelo menos, impedir a retrusão da mandíbula com o sono. Alguns aparelhos também são projetados para empurrar a língua para frente. O uso desses aparelhos para tratar ronco e apneia obstrutiva do sono leve a moderada está ganhando aceitação. Comparações dos aparelhos com a CPAP mostram equivalência na apneia obstrutiva do sono leve a moderada, mas não há estudos disponíveis sobre a relação custo-eficácia.

Cirurgia

Os procedimentos cirúrgicos para corrigir fatores anatômicos como a hipertrofia de tonsilas e a presença de pólipos nasais que contribuem para a obstrução das vias respiratórias superiores (chamados procedimentos anatômicos) devem ser considerados. A cirurgia para macroglossia ou micrognatia também é uma opção. A cirurgia é um tratamento de primeira linha se invasão anatômica é identificada. Mas na ausência de interferência anatômica, não há evidências que apoiem a cirurgia como um tratamento de primeira linha.

Uvulopalatofaringoplastia (UPPP) é o procedimento mais comum. Envolve a ressecção submucosa de tecido dos pilares tonsilares para as pregas aritenoepiglóticas, incluindo a ressecção das adenoides, a fim de dilatar as vias respiratórias superiores. Demonstrou-se a equivalência com a CPAP em um estudo que utilizou esta como ponte para a cirurgia, mas as duas intervenções não foram comparadas diretamente. Pacientes com obesidade mórbida ou os que têm obstruções anatômicas das vias respiratórias podem não obter sucesso com a UPPP. Além disso, depois da UPPP, o reconhecimento da apneia do sono é mais difícil porque não há ronco. Essas obstruções silenciosas podem causar episódios de apneia tão graves quanto aqueles que ocorrem antes da intervenção cirúrgica.

Os procedimentos cirúrgicos adicionais envolvem glossectomia mediana e avanço mandibulomaxilar. O avanço mandibulomaxilar é às vezes oferecido como um procedimento de 2º estágio se a UPPP não for curativa. A abordagem multiestágio ideal não é conhecida.

A traqueostomia é a manobra mais terapêutica mais eficaz para a AOS, mas é utilizada como um último recurso. Contorna o local da obstrução e é indicada para os pacientes mais gravemente acometidos (p. ex., aqueles com cor pulmonale).

Estimulação do nervo hipoglosso

Um procedimento não anatômico é a estimulação das vias respiratórias superiores. Na estimulação das vias respiratórias superiores, usa-se um dispositivo implantável para ativar um ramo do nervo hipoglosso. Essa terapia pode ser bem-sucedida em pacientes altamente selecionados com doença moderada a grave que não são capazes de tolerar a terapia com CPAP (6).

Tratamentos adjuntivos

Comumente, utilizam-se tratamentos adicionais, mas estes não têm atuação comprovada como tratamentos de primeira linha para apneia obstrutiva do sono.

A modafinila pode ser usada para a sonolência residual na AOS em pacientes em uso eficaz de CPAP.

Suplementação de oxigênio aumenta a oxigenação do sangue, mas é impossível de predizer quem responderá favoravelmente. Além disso, o oxigênio pode provocar acidose respiratória e cefaleia matinal em alguns pacientes.

Alguns fármacos foram tentados (p. ex., antidepressivos tricíclicos, teofilina, dronabinol, atomoxetina com oxibutinina), mas não podem ser prescritos de rotina por eficácia limitada, baixo índice terapêutico ou ausência de replicação dos resultados (7, 8).

Os dispositivos de dilatação nasal e os aerossóis para garganta, comercializados sem prescrição médica para o ronco, não têm comprovação de benefícios.

Promovem-se a uvuloplastia com laser, as talas uvulares e a ablação de tecido com radiofrequência como tratamentos para o ronco alto em pacientes sem apneia obstrutiva do sono. Embora possam diminuir transitoriamente a intensidade do ronco, a eficácia diminui ao longo de meses a anos.

Suporte e orientação ao paciente

Pacientes e familiares informados ficam mais dispostos a cooperar com a estratégia de tratamento, incluindo a traqueostomia. Grupos de apoio ao paciente são efetivos para fornecer informações úteis e apoiar de modo eficaz o tratamento e o acompanhamento oportunos.

Referências sobre tratamento

  • 1. McEvoy RD, Antic NA, Heeley E, et al: CPAP for prevention of cardiovascular events in obstructive sleep apnea. N Engl J Med 375(10):919–931, 2016. doi: 10.1056/NEJMoa1606599

  • 2. Gottlieb DJ, Punjabi NM, Mehra R, et al: CPAP versus oxygen in obstructive sleep apnea. N Engl J Med 370(24):2276–2285, 2014. doi: 10.1056/NEJMoa1306766

  • 3. Chirinos JA, Gurubhagavatula I, Teff K, et al: CPAP, weight loss, or both for obstructive sleep apnea. N Engl J Med 370(24):2265–2275, 2014. doi: 10.1056/NEJMoa1306187

  • 4. Pépin JL, Tamisier R, Barone-Rochette G, et al: Comparison of continuous positive airway pressure and valsartan in hypertensive patients with sleep apnea. Am J Respir Crit Care Med 182(7):954–960, 2010. doi: 10.1164/rccm.200912-1803OC

  • 5. Zinchuk A, Edwards BA, Jeon S, et al: Prevalence, associated clinical features, and impact on continuous positive airway pressure use of a low respiratory arousal threshold among male United States veterans with obstructive sleep apnea. J Clin Sleep Med 14(5):809–817, 2018. doi: 10.5664/jcsm.7112

  • 6. Woodson BT, Soose RJ, Gillespie MB, et al: Three-year outcomes of cranial nerve stimulation for obstructive sleep apnea: The STAR Trial. Otolaryngol Head Neck Surg154(1):181–188, 2016. doi: 10.1177/0194599815616618

  • 7. Taranto-Montemurro L, Messineo L, Sands SA, et al: The combination of atomoxetine and oxybutynin greatly reduces obstructive sleep apnea severity: A randomized, placebo-controlled, double-blind crossover trial. Am J Respir Crit Care Med Nov 5, 2018. doi: 10.1164/rccm.201808-1493OC

  • 8. Carley DW, Prasad B, Reid KJ, et al: Pharmacotherapy of apnea by cannabimimetic enhancement, the PACE Clinical Trial: Effects of dronabinol in obstructive sleep apnea. Sleep 41(1):zsx184, 2018. doi: 10.1093/sleep/zsx184

Pontos-chave

  • Obesidade, anormalidades anatômicas nas passagens das vias respiratórias superiores, história familiar, certas doenças (p. ex., hipotiroidismo, acidente vascular encefálico) e uso de álcool ou sedativos aumentam o risco da apneia obstrutiva do sono (AOS).

  • Os pacientes normalmente roncam, têm sono agitado e não relaxante, e muitas vezes sentem sonolência e fadiga durante o dia.

  • A maioria das pessoas que ronca não tem AOS.

  • Distúrbios que ocorrem mais comumente em pacientes com AOS incluem hipertensão, diabetes, acidente vascular encefálico (AVE), doença de refluxo gastresofágico, esteatohepatite não alcoólica, angina noturna, insuficiência cardíaca, fibrilação atrial e outras arritmias.

  • Confirmar o diagnóstico por polissonografia ou, em caso de AOS não complicada, teste de sono em casa.

  • Controlar os fatores de risco modificáveis e tratar a maioria dos pacientes com pressão positiva contínua das vias respiratórias e/ou aparelhos bucais projetados para abrir as vias respiratórias.

  • Considerar a realização de uma cirurgia no paciente com anormalidades que causam interferência das vias respiratórias ou se a doença for intratável.

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