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Deficiência de vitamina C

(Escorbuto; deficiência de ácido ascórbico)

Por

Larry E. Johnson

, MD, PhD, University of Arkansas for Medical Sciences

Última modificação do conteúdo ago 2019
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Em países desenvolvidos, a deficiência pode ocorrer em casos de desnutrição, mas a deficiência grave (que causa escorbuto) é incomum. Os sintomas são fadiga, depressão e defeitos do tecido conjuntivo (p. ex., gengivite, petéquias, exantema, sangramento interna, dificuldade de cicatrização de feridas). Em lactentes e crianças, o crescimento ósseo pode ser prejudicado. O diagnóstico costuma ser clínico. O tratamento consiste na administração de vitamina C por via oral.

A vitamina C desempenha um papel importante na formação de colágeno, carnitina, hormônios e aminoácidos. É essencial para a saúde dos ossos e vasos sanguíneos e para a cicatrização de feridas, facilitando a recuperação de queimaduras. A vitamina A também é um antioxidante, reforça a função imunitária e facilita a absorção de ferro (ver tabela Fontes, funções e efeitos das vitaminas).

As principais fontes de vitamina C nos alimentos são frutas cítricas, tomates, batatas, brócolis, morangos e pimentões. (Ver também Visão geral das vitaminas.)

Deficiências graves de vitamina C resultam em escorbuto, distúrbio caracterizado por manifestações hemorrágicas e formação de dentina e osteoide anormais.

Etiologia

Em adultos, a deficiência primária costuma decorrer de

  • Dieta inadequada

A necessidade de vitamina C dietética aumenta em decorrência de doenças febris, doenças inflamatórias (principalmente diarreicas), acloridria, tabagismo, hipertireoidismo, deficiência de ferro, estresse de frio ou calor, cirurgias, queimaduras e deficiências proteicas. Altas temperaturas (p. ex., esterilização de fórmulas, cozimento) podem destruir parte da vitamina C nos alimentos.

Fisiopatologia

Quando há deficiência de vitamina C, a formação da substância do cemento intracelular no tecido conjuntivo, nos ossos e na dentina é defeituosa, resultando em enfraquecimento dos capilares com hemorragias subsequentes e defeitos em ossos e estruturas relacionadas.

Há prejuízo da formação óssea, o que, em crianças, causa lesões ósseas e compromete o crescimento ósseo. O tecido fibroso se forma entre a diáfise e a epífise e as junções costocondrais se alargam. Fragmentos densamente calcificados da cartilagem são envolvidos em tecidos fibrosos. Hemorragia subperiosteal, às vezes decorrente de pequenas fraturas, pode ocorrer em crianças ou adultos.

Sinais e sintomas

Em adultos, os sintomas de deficiência de vitamina C só se desenvolvem depois de meses de depleção de vitamina C. Cansaço, fraqueza, irritabilidade, perda ponderal, mialgias vagais e artralgias podem se desenvolver precocemente.

Os sintomas do escorbuto (relacionados a defeitos no tecido conjuntivo) se desenvolvem depois de alguns meses da deficiência. Hiperqueratose folicular, cabelos encaracolados e hemorragias perifoliculares podem ocorrer. As gengivas tornam-se inchadas, arroxeadas, esponjosas e friáveis; quando a deficiência é grave, sangram com facilidade. Eventualmente, perdem-se dentes. Podem ocorrer infecções secundárias. Feridas cicatrizam com dificuldade e hemorragias espontâneas podem ocorrer, em especial como equimoses na pele dos membros inferiores ou hemorragia conjuntiva bulbar.

Outros sinais e sintomas são neuropatia femoral decorrente de hemorragia nas artérias femorais (o que pode simular trombose das veias profundas), edema de membros inferiores, além de hemorragias, derrames e artralgias nas articulações.

Em lactentes, os sintomas são irritabilidade, dor durante o movimento, anorexia e crescimento retardado. Em lactentes e crianças, o crescimento ósseo pode ser prejudicado e pode ocorrer sangramento por anemia.

Diagnóstico

  • Em geral, achados clínicos (com base em resultados cutâneos ou gengivais e fatores de risco)

O diagnóstico da deficiência de vitamina C é determinado clinicamente em pacientes com sinais cutâneos ou gengivais e que têm risco de deficiência de vitamina C. Confirmação laboratorial pode estar disponível. É feito um hemograma completo, frequentemente para detectar anemia. Os tempos de sangramento, coagulação e protrombina são normais.

Radiografias do esqueleto podem ajudar o diagnóstico de escorbuto na infância (mas não em adultos). As alterações são mais evidentes nas extremidades dos ossos maiores, em particular no joelho. Alterações precoces se parecem com atrofia. Perda de trabéculas resulta em aparência de “chão de vidro”. O córtex afina. Uma linha calcificada, com cartilagem irregular (linha branca de Fraenkel), pode ser visível na metáfise. Uma zona de rarefação ou uma fratura proximal linear e paralela à linha branca pode ser visível como apenas um defeito triangular na margem lateral óssea, mas é específica. A epífise pode estar comprimida. Hemorragias subperiosteais tratadas podem se elevar e calcificar o periósteo.

O diagnóstico laboratorial, que requer dosagem plasmática de ácido ascórbico, às vezes se faz em centros acadêmicos. Queda de ácido ascórbico plasmático de < 0,6 mg/dL (< 34 mcmol/L) é considerada marginal; níveis de < 0,2 mg/dL (< 11 mcmol/L) indicam deficiência de vitamina C. A mensuração dos níveis de ácido ascórbico na camada leucoplaquetária do sangue centrifugado não é amplamente disponível ou padronizada.

Em adultos, deve-se diferenciar o escorbuto de artrite, distúrbios hemorrágicos, gengivite e desnutrição proteico-energética. Hiperqueratose folicular do cabelo com hiperemia ou hemorragia é quase patognomônica. Gengivas sangrantes, hemorragias conjuntivas, petéquias e equimose são inespecíficas.

Tratamento

  • Dieta nutritiva com ácido ascórbico suplementar

Para escorbuto em adultos, administram-se 100 a 500 mg de ácido ascórbico VO 3 vezes ao dia, durante 1 a 2 semanas até que os sinais desapareçam e, em seguida, uma dieta nutritiva fornecendo de 1 a 2 vezes a ingestão diária recomendada por várias semanas.

No escorbuto, doses terapêuticas de ácido ascórbico restabelecem as funções da vitamina C em poucos dias. Os sinais e sintomas desaparecem em 1 a 2 semanas. Gengivite crônica com extensa hemorragia subcutânea persiste por mais tempo.

Prevenção

A administração de vitamina C VO uma vez ao dia (75 mg para mulheres e 90 mg para homens), previne a deficiência. Fumantes devem consumir um adicional de 35 mg/dia. Cinco porções de frutas e verduras (recomendação diária) provêm > 200 mg de vitamina C.

Pontos-chave

  • A necessidade de vitamina C aumenta em decorrência de febre, inflamação, diarreia, tabagismo, hipertireoidismo, deficiência de ferro, estresse de frio ou calor, cirurgias, queimaduras e deficiências proteicas.

  • Depois de semanas ou meses, a deficiência provoca sintomas inespecíficos (p. ex., fraqueza, cansaço, irritabilidade, artralgias, mialgias); mais tarde, o tecido conjuntivo é afetado, causando hiperqueratose folicular, cabelo enrolado, gengiva inchada e sangramento, dentes moles, má cicatrização de feridas e hemorragias espontâneas.

  • Em pacientes com sintomas cutâneos ou gengivais ou fatores de risco de a deficiência, medir o nível de ácido ascórbico.

  • Tratar com suplemento de ácido ascórbico e uma dieta nutritiva.

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