Manual MSD

Please confirm that you are not located inside the Russian Federation

honeypot link

Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH)

Por

Stephen Brian Sulkes

, MD, Golisano Children’s Hospital at Strong, University of Rochester School of Medicine and Dentistry

Última revisão/alteração completa mai 2020| Última modificação do conteúdo mai 2020
Clique aqui para a versão para profissionais
Fatos rápidos
Recursos do assunto

O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) consiste em uma capacidade de concentração ruim e/ou excesso de atividade e impulsividade impróprias para a idade da criança que interferem no desempenho ou no desenvolvimento.

  • O TDAH é um distúrbio cerebral presente desde o nascimento ou que se desenvolve logo após o nascimento.

  • Algumas crianças têm dificuldades principalmente com a atenção prolongada, com a concentração e com a capacidade de concluir tarefas; algumas crianças são hiperativas e impulsivas e algumas têm ambos os problemas.

  • Os médicos usam questionários preenchidos pelos pais e professores assim como observação da criança para realizar o diagnóstico.

  • Medicamentos psicoestimulantes ou outros tipos de medicamentos, além de ambientes estruturados, rotinas, um plano de intervenção escolar e modificação das técnicas de educação dos pais são, com frequência, necessárias.

O transtorno do déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) é um distúrbio do neurodesenvolvimento. Embora crianças com TDAH geralmente se comportem de maneira hiperativa e impulsiva, o TDAH não é um distúrbio de comportamento.

Embora exista considerável controvérsia sobre o número de crianças afetadas, estima-se que o TDAH afete 8% a 11% das crianças em idade escolar, e seja duas vezes mais comum em meninos.

Muitas características do TDAH são notadas antes dos quatro e invariavelmente antes dos 12 anos de idade, mas podem não interferir significativamente no desempenho acadêmico e social até os anos escolares intermediários.

O TDAH era chamado anteriormente apenas transtorno do déficit de atenção (TDA). No entanto, a ocorrência comum de hiperatividade nas crianças afetadas, que é na verdade uma extensão física do déficit de atenção e impulsividade, levou a uma alteração da terminologia atual.

Existem três tipos de TDAH

  • Desatento

  • Hiperativo/impulsivo

  • Combinado

Os sintomas do TDAH vão de leves a graves e podem se tornar exagerados ou se tornar um problema em certos ambientes, como em casa ou na escola. As restrições da escola e estilos de vida organizados tornam o TDAH um problema, enquanto que em gerações anteriores os sintomas podem não ter interferido significativamente no desempenho das crianças porque as pessoas tinham expectativas diferentes sobre o comportamento infantil normal. Embora alguns dos sintomas do TDAH possam também ocorrer em crianças sem esse transtorno, eles são mais frequentes e graves nas crianças com o déficit.

Did You Know...

  • A hiperatividade no TDAH é, na verdade, uma extensão física do déficit de atenção e impulsividade.

TDAH em adultos

Embora o TDAH seja considerado um transtorno que afeta crianças e sempre tem início na infância, algumas vezes ele pode não ser reconhecido até a adolescência ou idade adulta. As diferenças neurológicas continuam na idade adulta e cerca de metade das pessoas continuam a ter sintomas comportamentais na idade adulta.

Os sintomas em adultos incluem

  • Dificuldade de concentração

  • Dificuldade para completar tarefas (habilidades executivas ruins)

  • Inquietação

  • Oscilações do humor

  • Impaciência

  • Dificuldade em manter relacionamentos

Pode ser ainda mais difícil diagnosticar o TDAH na idade adulta. Os sintomas podem ser semelhantes àqueles dos transtornos mentais, incluindo os transtornos do humor e os transtornos da ansiedade. Adultos que praticam o abuso de álcool e de drogas recreativas podem ter sintomas semelhantes. Para poder diagnosticar o TDAH, o médico pede ao adulto para responder questionários, mas ele pode também examinar o histórico escolar para confirmar a existência de um padrão de desatenção ou impulsividade.

Os adultos com TDAH podem se beneficiar dos mesmos tipos de medicamentos estimulantes que as crianças afetadas. Eles possivelmente precisarão de terapia com o psicólogo para ajudá-los a melhorar sua habilidade de administrar o tempo e desenvolver outras técnicas para lidar com os problemas.

Causas

O TDAH não tem uma causa única específica, mas fatores genéticos (hereditários) estão com frequência presentes. Pesquisas indicam ser provável que o TDAH envolva anomalias dos neurotransmissores (substâncias que transmitem impulsos nervosos no cérebro). Alguns fatores de risco incluem baixo peso ao nascimento (abaixo de 1.500 g), traumatismo craniano, infecção cerebral, deficiência de ferro, apneia obstrutiva do sono e exposição a chumbo, assim como exposição a álcool, tabaco ou cocaína antes do nascimento.

Algumas pessoas expressaram preocupação quanto à possibilidade de aditivos alimentares e açúcar poderem causar TDAH. Ainda que algumas crianças pareçam se tornar hiperativas ou impulsivas após comer alimentos contendo açúcar, estudos confirmaram que as diferenças cerebrais que causam o TDAH estão presente ao nascimento e que alimentos e fatores ambientais não causam o transtorno.

Sintomas

O TDAH é principalmente um problema da atenção prolongada, da concentração e da persistência (capacidade de terminar uma tarefa). As crianças afetadas podem ser também superativas e impulsivas. As crianças em idade pré-escolar com TDAH podem ter problemas com a comunicação e parecem ter problemas com as interações sociais. À medida que as crianças atingem a idade escolar, elas podem parecer desatentas. Elas podem se remexer nervosamente. Elas podem ser impacientes e falar impulsivamente. Durante as últimas etapas da infância, essas crianças mexem constantemente as pernas e as mãos de forma nervosa, falam impulsivamente, esquecem coisas com facilidade e podem ser desorganizadas. Elas geralmente não são agressivas.

icon

Signs of ADHD

Nem todos os sinais precisam estar presentes para um diagnóstico de transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). No entanto, seis ou mais sinais de desatenção ou de hiperatividade e impulsividade devem sempre estar presentes para um diagnóstico (ou seis de cada grupo para diagnosticar o tipo combinado de TDAH). Os sinais devem estar presentes em duas ou mais situações (em casa e na escola, por exemplo) e devem interferir no desempenho social ou acadêmico.

Sinais de desatenção:

  • Com frequência não conseguem prestar atenção a detalhes

  • Têm dificuldade para concentrar a atenção no trabalho e nas brincadeiras

  • Não parecem ouvir quando se fala com elas diretamente

  • Com frequência não seguem instruções e não concluem tarefas

  • Têm com frequência dificuldades para organizar tarefas e atividades

  • Com frequência evitam, não gostam de ou relutam em se envolver em tarefas que exigem esforço mental prolongado

  • Perdem coisas com frequência

  • São facilmente distraídas por estímulos externos

  • São frequentemente esquecidas

Sinais de hiperatividade e impulsividade:

  • Com frequência remexem as mãos e os pés nervosamente

  • Com frequência abandonam seus lugares na sala de aula e outros lugares

  • Correm por aí ou escalam coisas de maneira excessiva

  • Têm dificuldades para brincar ou realizar atividades de lazer de maneira quieta

  • Estão sempre em movimento, como se “tivessem um motorzinho”

  • Com frequência falam excessivamente

  • Frequentemente respondem sem pensar antes de as perguntas terem sido concluídas

  • Com frequência têm dificuldades para aguardar sua vez

  • Com frequência interrompem ou são indiscretas com outras pessoas

Cerca de 20% a 60% das crianças com TDAH têm transtornos de aprendizagem afetando a leitura, a matemática ou a linguagem escrita, e a maioria tem problemas acadêmicos como notas baixas devido à desorganização ou tarefa de casa incompleta (habilidades executivas). O trabalho escolar pode ser desorganizado, com erros motivados pelo descuido e falta de reflexão. As crianças afetadas comportam-se frequentemente como se sua mente estivesse em outro lugar e elas não estivessem ouvindo. Elas frequentemente não atendem a solicitações, nem terminam as tarefas escolares e domésticas ou outros deveres. Pode haver constantes alternâncias de uma tarefa não concluída para outra.

As crianças afetadas podem ter problemas de autoestima, depressão, ansiedade ou oposição à autoridade pela época em que alcançam a adolescência. Cerca de 60% das crianças pequenas têm problemas como ataques de raiva e a maioria das crianças maiores possui baixa tolerância à frustração.

Diagnóstico

  • Avaliação de um médico

O diagnóstico de TDAH se baseia no número, frequência e gravidade dos sinais. As crianças devem ter seis ou mais sinais de desatenção ou de hiperatividade e impulsividade (ou seis de cada grupo para diagnosticar o tipo combinado de TDAH; consulte Sinais de TDAH). Os sinais devem estar presentes em, pelo menos, dois ambientes separados (tipicamente, casa e escola). A ocorrência dos sinais apenas em casa ou apenas na escola, e em nenhum outro lugar, não se qualifica como TDAH, porque esses sinais podem ser causados pela situação específica. Os sinais devem também ser mais pronunciados do que seria esperado para o nível de desenvolvimento da criança e devem estar presentes por, pelo menos, seis meses. O diagnóstico é geralmente difícil, pois depende da opinião do observador. Além disso, as crianças que são principalmente desatentas podem não ser percebidas até o seu desempenho acadêmico ser afetado de maneira adversa.

Não existem exames de laboratório para o TDAH. Questionários sobre diferentes aspectos do comportamento e desenvolvimento podem ajudar os médicos e psicólogos a estabelecer um diagnóstico. Como os distúrbios de aprendizagem são frequentes, muitas crianças são submetidas a exames psicológicos para determinar se elas têm TDAH e para detectar a presença de um distúrbio de aprendizagem específico, seja como causa da desatenção ou como um problema coexistente.

Um exame físico e, às vezes, também são realizados vários exames de sangue e outros para excluir outros distúrbios.

icon

ADHD: Epidemic or Over-Diagnosis?

Um número crescente de crianças está sendo diagnosticado com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). Contudo, há preocupação entre os médicos e pais de que muitas crianças podem estar sendo diagnosticadas erroneamente. Um elevado nível de atividade pode ser completamente normal e simplesmente um exagero do temperamento infantil normal. Alternativamente, ele pode ter uma diversidade de causas, incluindo distúrbios emocionais ou anomalias do funcionamento do cérebro, tais como TDAH.

Em geral, bebês de dois anos de idade são ativos e raramente ficam parados. Um nível elevado de atividade e de barulho é comum até os quatro anos de idade. Tal comportamento é normal nessas idades e em crianças com desenvolvimento adequado nessa faixa etária. O comportamento ativo pode causar conflitos entre pais e crianças e pode preocupar os pais. Ele também pode criar problemas para terceiros que supervisionam tais crianças, incluindo professores.

Determinar se o nível de atividade de uma criança é anormalmente elevado não deve depender somente do nível de tolerância da pessoa que se sente perturbada. Contudo, algumas crianças são claramente mais ativas do que a média. Caso o elevado nível de atividade seja combinado com uma capacidade de concentração curta e impulsividade, ele deve ser definido como hiperatividade e ser considerado parte do TDAH.

Recriminar e punir crianças pelo seu elevado nível de atividade em geral produz efeitos negativos e aumenta o nível de atividade da criança. Evitar situações nas quais a criança precisa ficar sentada por muito tempo ou encontrar um professor habilitado para lidar com tais crianças pode ajudar. Caso medidas simples não ajudem, uma avaliação médica ou psicológica pode ser útil para descartar um distúrbio subjacente tal como TDAH.

Prognóstico

De forma significativa, a grande maioria das crianças com TDAH se torna adultos produtivos e pessoas com TDAH parecem se adaptar melhor ao trabalho do que à escola. Contudo, se o distúrbio não for tratado na infância, o risco de abuso de álcool ou drogas e de suicídio pode aumentar.

A desatenção das crianças com TDAH geralmente não desaparece com a idade, ainda que as crianças com hiperatividade tendam a se tornar um tanto menos impulsivas e hiperativas com a idade. Contudo, a maioria dos adolescentes e dos adultos aprende a se adaptar à sua falta de atenção. Cerca de um terço das pessoas percebem que elas continuam a se beneficiar do uso de medicamentos estimulantes.

Outros problemas que podem se manifestar e persistir na adolescência e na idade adulta incluem baixo rendimento acadêmico, desorganização (conhecidas como habilidades executivas ruins), baixa autoestima, ansiedade, depressão e dificuldade para aprender comportamentos sociais apropriados.

Tratamento

  • Medicamentos psicoestimulantes

  • Modificação do comportamento

As crianças são tratadas com terapia comportamental e com medicamentos estimulantes. Os medicamentos ajudam a aliviar os sintomas e facilitam a participação das crianças na escola e em outras atividades. A terapia combinada é especialmente benéfica para crianças mais novas. Já nas crianças em idade pré-escolar, a terapia comportamental pode ser suficiente.

A lei federal dos EUA sobre educação para indivíduos com deficiências (Individuals with Disabilities Education Act, IDEA) exige que as escolas públicas ofereçam educação gratuita e apropriada para crianças e adolescentes com TDAH. A educação deve ser fornecida no ambiente menos restritivo e mais inclusivo possível, ou seja, um ambiente no qual a criança tem todas as oportunidades para interagir com outras crianças não afetadas e tenha igual acesso aos recursos da comunidade. A Americans with Disability Act e a Seção 504 da Rehabilitation Act também fornecem acomodações em escolas e outros ambientes públicos.

Farmacoterapia

Os medicamentos psicoestimulantes são o tratamento farmacológico mais eficaz. Metilfenidato e outros medicamentos semelhantes à anfetamina são os psicoestimulantes mais frequentemente receitados. Eles são igualmente eficazes e têm efeitos colaterais similares. Diversos preparados de liberação lenta (de ação mais longa) estão disponíveis, além das formas regulares, e permitem a administração da dose uma vez ao dia, podendo ajudar a evitar o uso inadequado.

Os efeitos colaterais dos medicamentos psicoestimulantes podem incluir

  • Distúrbios do sono (tais como insônia)

  • Supressão do apetite

  • Depressão, tristeza ou ansiedade

  • Dores de cabeça

  • Dor de estômago

  • Frequência cardíaca e pressão arterial elevadas.

A maioria das crianças não apresenta efeitos colaterais, exceto talvez redução do apetite. Todos os efeitos colaterais desaparecem quando o medicamento é interrompido. Contudo, quando tomados em altas dosagens por muito tempo, os estimulantes podem ocasionalmente retardar o crescimento das crianças. Por isso, os médicos monitoram o peso e a altura. Caso a criança esteja crescendo lentamente ou apresente efeitos colaterais significativos, é possível que o médico indique tirar “férias terapêuticas”. Durante as “férias terapêuticas”, os medicamentos estimulantes são interrompidos nos períodos em que as crianças não precisam estar atentas ou concentradas, por exemplo, durante o fim de semana ou nas férias de verão. Contudo, algumas crianças têm muita dificuldade em desempenhar suas atividades mesmo fora da escola e talvez não consigam tolerar as “férias terapêuticas”.

Diversos outros medicamentos podem ser usados para tratar a falta de atenção e os sintomas comportamentais. Esses medicamentos incluem

  • Atomoxetina (um medicamento não estimulante para TDAH)

  • Alguns medicamentos normalmente usados para hipertensão arterial como a clonidina e guanfacina

  • Antidepressivos

  • Medicamentos ansiolíticos

Às vezes, uma combinação de medicamentos é usada.

Controle do comportamento

Para minimizar os efeitos do TDAH, são geralmente necessárias rotinas, estruturas, um plano de intervenção na escola e modificação das técnicas de educação dos pais. Crianças sem desafios comportamentais significativos podem se beneficiar do tratamento medicamentoso sozinho. Contudo, estimulantes não funcionam durante todo o dia, por isso adaptações podem ser necessárias para ajudar com as habilidades organizacionais e de outra natureza. Terapia comportamental conduzida por um psicólogo infantil é às vezes combinada com tratamento medicamentoso.

Mais informações

OBS.: Esta é a versão para o consumidor. MÉDICOS: Clique aqui para a versão para profissionais
Clique aqui para a versão para profissionais
Obtenha o

Também de interesse

MÍDIAS SOCIAIS

PRINCIPAIS