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Distúrbios de aprendizagem

Por

Stephen Brian Sulkes

, MD, Golisano Children’s Hospital at Strong, University of Rochester School of Medicine and Dentistry

Última revisão/alteração completa mai 2020| Última modificação do conteúdo mai 2020
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Fatos rápidos

Os distúrbios de aprendizagem envolvem uma incapacidade de adquirir, reter ou usar habilidades ou informações gerais, o que resulta de dificuldades com a atenção, com a memória ou com o raciocínio e afeta o desempenho acadêmico.

  • As crianças afetadas podem ser lentas para aprender os nomes das cores ou das letras, para contar ou para aprender a ler e escrever.

  • As crianças fazem uma série de testes acadêmicos e de inteligência administrados por especialistas em aprendizagem e médicos podem aplicar critérios estabelecidos para fazer o diagnóstico.

  • O tratamento envolve um plano de aprendizagem feito sob medida para as habilidades da criança.

Os distúrbios de aprendizagem são distúrbios de neurodesenvolvimento.

Os distúrbios de aprendizagem são bastante diferentes da deficiência intelectual (anteriormente denominada retardo mental) e ocorrem em crianças com desempenho intelectual normal ou mesmo elevado. Os distúrbios de aprendizagem afetam somente certas funções, enquanto que nas crianças com deficiência intelectual as dificuldades afetam de maneira ampla as funções cognitivas.

Os três tipos comuns de distúrbios de aprendizagem são

  • Distúrbios da leitura

  • Distúrbios da expressão escrita

  • Distúrbios envolvendo a capacidade matemática

Assim, crianças com distúrbios de aprendizagem podem ter dificuldades significativas para compreender e aprender matemática, mas nenhuma dificuldade para ler, escrever e se sair bem em outras matérias. A dislexia é o distúrbio de aprendizagem mais conhecido. Os distúrbios de aprendizagem não incluem as dificuldades de aprendizagem que se devem a problemas de visão, audição e de coordenação ou a distúrbios emocionais, embora esses problemas possam também ocorrer em crianças com distúrbios de aprendizagem.

As crianças podem nascer com um distúrbio de aprendizagem ou desenvolver um à medida que crescem. Ainda que as causas dos distúrbios de aprendizagem não sejam completamente conhecidas, elas incluem anomalias dos processos básicos envolvidos na compreensão ou no uso da linguagem falada ou escrita ou do raciocínio numérico ou espacial. As possíveis causas incluem doença da mãe ou uso de drogas tóxicas pela mãe durante a gravidez, complicações durante a gravidez ou parto (por exemplo, pré-eclâmpsia ou trabalho de parto prolongado) e problemas com o recém-nascido no momento do parto (por exemplo, prematuridade, baixo peso ao nascimento, icterícia grave ou pós-maturidade). Após o nascimento, possíveis fatores incluem exposição a toxinas ambientais como chumbo, infecções do sistema nervoso central, cânceres e seus tratamentos, desnutrição e isolamento social grave ou abuso ou negligência emocional.

Embora o número total de crianças nos EUA com distúrbios de aprendizagem seja desconhecido, no ano escolar de 2017–2018, 7 milhões de estudantes (ou 14% de todos os estudantes de escola pública) entre 3 e 21 anos de idade nos EUA receberam serviços de educação especial sob a Individuals with Disabilities Education Act (IDEA). Dentre os estudantes que receberam esses serviços de educação especial, 34% (ou cerca de 5% de todos os estudantes) tinham deficiências específicas de aprendizagem. Os meninos com distúrbios de aprendizagem podem superar em número as meninas em uma proporção de cinco para uma, mas as meninas com frequência não são reconhecidas ou diagnosticadas como sofrendo de distúrbios de aprendizagem.

Muitas crianças, principalmente aquelas com problemas de comportamento, se saem mal na escola e são testadas por psicólogos educacionais em termos de distúrbios de aprendizagem. Contudo, algumas crianças com determinados tipos de distúrbios de aprendizagem ocultam bem suas deficiências, evitando um diagnóstico e, por consequência, um tratamento, por muito tempo.

Você sabia que...

  • Os distúrbios de aprendizagem podem ocorrer em crianças com desempenho intelectual normal ou elevado.

Sintomas

Crianças pequenas podem ser lentas para aprender os nomes das cores ou das letras, para atribuir palavras a objetos familiares, para contar e para progredir em outras habilidades de aprendizagem iniciais. Elas podem demorar para aprender a ler e escrever. Outros sintomas podem ser o período de concentração curto e distrair-se facilmente (semelhante ao transtorno do déficit de atenção/hiperatividade [TDAH]), problemas de fala/linguagem, dificuldade em compreender informações faladas e memória curta. As crianças afetadas podem ter dificuldade com atividades que exigem coordenação motora fina, como escrever e copiar, e podem ter uma letra ruim ou segurar o lápis de forma estranha. Crianças com um distúrbio de aprendizagem podem ter dificuldade em organizar ou iniciar tarefas ou recontar uma história ordenadamente, ou podem confundir símbolos matemáticos e fazer leitura errada de números.

As crianças com distúrbios de aprendizagem podem ter dificuldades para se comunicar. Algumas crianças podem se sentir inicialmente frustradas e mais tarde desenvolver problemas comportamentais, como se distrair facilmente, ser hiperativas, retraídas, tímidas ou agressivas. Os distúrbios de aprendizagem e o transtorno do déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) costumam ocorrer juntos.

Diagnóstico

  • Avaliações educacionais, médicas e psicológicas

  • Critérios estabelecidos

Crianças que não conseguem ler ou aprender no nível esperado para sua idade devem ser avaliadas. Os médicos examinam as crianças para quaisquer distúrbios físicos capazes de interferir na aprendizagem, incluindo testes de audição e visão. Distúrbios da audição e da visão não devem ser confundidos com distúrbios de aprendizagem.

As crianças fazem uma série de testes de inteligência, tanto verbais quanto não verbais, e testes acadêmicos de leitura, escrita e habilidades matemáticas. Esses testes podem com frequência ser feitos por especialistas na escola da criança a pedido dos pais. Nos Estados Unidos e em outros países, as escolas são obrigadas por lei a aplicar os testes e a oferecer as acomodações adequadas.

Uma avaliação psicológica é feita para determinar se a criança tem problemas emocionais, como ansiedade ou depressão, ou um distúrbio do desenvolvimento, como TDAH, porque esses distúrbios coexistem frequentemente com um distúrbio de aprendizagem e podem piorar a deficiência. Psicólogos perguntam sobre a atitude da criança em relação à escola e relacionamentos e avaliam a autoestima e autoconfiança da criança.

As seguintes áreas são avaliadas, e esses critérios são usados para ajudar a determinar se uma criança tem um distúrbio de aprendizagem:

  • Leitura

  • Compreensão do significado de material escrito

  • Capacidade de soletrar

  • Escrita (por exemplo, uso apropriado da gramática e pontuação, expressar ideias com clareza)

  • Entender o que os números significam e a relação entre os números (em crianças mais velhas, fazer cálculos simples)

  • Raciocínio matemático (por exemplo, uso de conceitos matemáticos para resolver problemas)

Crianças significativamente abaixo do nível esperado para sua idade em pelo menos uma dessas áreas, durante 6 meses ou mais apesar do tratamento, podem ter um distúrbio de aprendizagem. Os médicos também fazem testes para se certificar de que as dificuldades não são causadas por deficiência intelectual ou outros distúrbios do neurodesenvolvimento.

Tratamento

  • Gestão educacional

  • Às vezes, medicamentos psicoestimulantes

O tratamento mais útil para um distúrbio de aprendizagem é uma educação feita cuidadosamente sob medida para a criança individual.

A lei federal dos EUA sobre educação para indivíduos com deficiências (Individuals with Disabilities Education Act, IDEA) exige que as escolas públicas ofereçam educação gratuita e apropriada para crianças e adolescentes com distúrbios de aprendizagem. A educação deve ser fornecida no ambiente menos restritivo e mais inclusivo possível, ou seja, em um ambiente no qual a criança tenha todas as oportunidades para interagir com outras crianças não afetadas e tenha igual acesso aos recursos da comunidade. A Americans with Disability Act e a Seção 504 da Rehabilitation Act também fornecem acomodações em escolas e outros ambientes públicos.

Nenhum tratamento medicamentoso tem muito efeito sobre as conquistas acadêmicas, a inteligência e a capacidade geral de aprendizagem, mas como algumas crianças com distúrbios de aprendizagem também têm TDAH, certos psicoestimulantes, como metilfenidato, podem melhorar a atenção e a concentração, aumentando sua capacidade para aprender.

Medidas como eliminar aditivos alimentares, tomar doses altas de vitaminas e examinar o sistema da criança em busca de traços de minerais foram com frequência tentadas, mas não comprovadas.

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