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Manual MSD

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Anfetaminas

(Metanfetamina)

Por

Gerald F. O’Malley

, DO, Grand Strand Regional Medical Center;


Rika O’Malley

, MD, Albert Einstein Medical Center

Última modificação do conteúdo mar 2018
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São drogas simpatomiméticas com propriedades estimulantes e euforizantes no sistema nervoso central cujos efeitos tóxicos adversos incluem delirium, hipertensão, convulsões e hipertermia (que pode provocar rabdomiólise e insuficiência renal). A toxicidade é manejada com cuidados de suporte, incluindo benzodiazepínicos IV (para agitação, hipertensão e convulsões) e técnicas de resfriamento (para hipertermia). Não existe uma síndrome de abstinência característica.

O fármaco original desta classe, a anfetamina, foi modificada com várias substituições do anel fenil, resultando em diversas variações, incluindo metanfetamina, metilenodioximetanfetamina (MDMA, ecstasy), metilenodioxietilanfetamina (MDEA) e numerosas outras.

Algumas anfetaminas, compreendendo dextroanfetamina, metanfetamina e o metilfenidato relacionado, são muito utilizadas clinicamente para tratar transtorno de deficit de atenção e hiperatividade, obesidade e narcolepsia, portanto, criando um suprimento sujeito ao desvio para uso ilícito. A metanfetamina é, com facilidade, manufaturada ilicitamente.

Fisiopatologia

As anfetaminas aumentam a liberação de catecolaminas, elevando os níveis intrassinápticos de noradrenalina, dopamina e serotonina. A intensa estimulação dos receptores alfa e beta e a excitação geral do sistema nervoso central resultantes explicam os efeitos “desejados” de aumento do estado de alerta, euforia e anorexia, assim como os efeitos adversos de delirium, hipertensão, hipertermia e convulsões.

Os efeitos das anfetaminas são semelhantes, variando em intensidade e duração dos efeitos psicoativos; MDMA e produtos relacionados possuem mais propriedades de melhorar o humor, talvez, por maior efeito na serotonina. As anfetaminas podem ser usadas por via oral como pílulas ou cápsulas, nasalmente por aspiração ou fumada, ou por injeção.

Efeitos crônicos

O uso repetido induz dependência. A tolerância se desenvolve lentamente, mas quantidades centenas de vezes maiores que a usada originalmente podem, às vezes, ser ingeridas ou injetadas. A tolerância a efeitos diferentes se desenvolve de maneira desigual. Taquicardia e estado de alerta diminuem, mas alucinações e delírios podem ocorrer.

Normalmente, as anfetaminas provocam disfunção erétil em homens, mas elevam o desejo sexual. O uso está associado às práticas sexuais de risco e os usuários têm risco maior de infecções sexualmente transmissíveis, incluindo infecção pelo HIV. Abusadores de anfetaminas estão sujeitos às lesões, pois a droga produz excitação e grandiosidade seguidas de fadiga e sonolência em excesso.

Pode ocorrer vasculite necrosante em múltiplos sistemas orgânicos.

O uso de certos inibidores de apetite relacionados com as anfetaminas (dexfenfluramina, fenfluramina, fentermina) foi associado à doença cardíaca valvular. A dexfenfluramina e a fenfluramina foram retiradas do mercado norte-americano em 1997. Produtos contendo fentermina-fenfluramina (Phen-fen) também foram retirados do mercado dos EUA, mas a fentermina isolada e em combinação com o topiramato está disponível como anorexígeno.

Sinais e sintomas

Efeitos agudos

Muitos dos efeitos fisiológicos das anfetaminas são semelhantes aos da cocaína; eles incluem aumento do estado de alerta e da concentração, euforia e sensações de bem-estar e grandiosidade. Palpitação, tremores, diaforese e midríase também podem suceder durante a intoxicação.

O uso compulsivo (às vezes, ao longo de vários dias) resulta em síndrome de exaustão, envolvendo intensa fadiga e necessidade de dormir após a fase de estimulação.

Toxicidade ou superdosagem

Taquicardia, arritmias, dor torácica, hipertensão, tontura, náuseas, vômitos e diarreia podem ocorrer. Os efeitos no sistema nervoso central compreendem delirium agudo e psicose tóxica. A superdosagem também pode provocar acidente vascular encefálico (em geral hemorrágico), convulsões, rigidez muscular e hipertermia (> 40° C); todos esses efeitos podem precipitar rabdomiólise, que pode acarretar insuficiência renal.

Efeitos crônicos

Psicose paranoide pode resultar do uso a longo prazo; raramente, a psicose é precipitada por dose alta única ou por doses moderadas repetidas. As características típicas incluem delírios de perseguição, ideias de referência (a noção de que ocorrências rotineiras possuem significado especial com sentido pessoal para o paciente ou direcionado a ele) e sentimentos de onipotência. Alguns usuários experimentam depressão prolongada, na qual o suicídio é possível.

A recuperação de psicose anfetamínica prolongada é o usual, mas é lenta. Os sintomas mais floridos desaparecem em alguns dias ou semanas, porém alguma confusão, perda de memória e ideias delirantes comumente persistem por meses.

Os usuários apresentam alta taxa de degradação dentária, afetando múltiplos dentes; as causas envolvem diminuição da salivação, produtos de combustão ácida e higiene oral ruim.

Abstinência

Embora não ocorra nenhuma síndrome de abstinência característica quando o uso de anfetaminas é interrompido, acontecem alterações no EEG que, segundo alguns especialistas, preenchem os critérios de dependência física. A interrupção abrupta de anfetaminas pode revelar ou exacerbar depressão subjacente ou precipitar reação depressiva séria. A abstinência é, muitas vezes, seguida por 2 ou 3 dias de fadiga intensa ou sonolência e depressão.

Diagnóstico

  • Avaliação clínica

  • Exames conforme necessário para excluir enfermidades sérias não relacionadas às drogas (p. ex., provocando alteração do estado mental)

O diagnóstico costuma ser feito clinicamente, embora, quando a história do uso da droga e o diagnóstico não forem claros, são realizados exames conforme indicado para pacientes indiferenciados com alteração do estado mental, hiperpirexia ou convulsões. Dessa forma, a avaliação normalmente inclui TC, punção lombar e exames laboratoriais para identificar infecções e anormalidades metabólicas.

Anfetaminas geralmente fazem parte dos testes da triagem de drogas de rotina na urina, que são realizados a não ser que a história de ingestão seja clara; os níveis específicos da droga não são medidos. Testes de rastreio na urina por imunoensaio para anfetaminas podem produzir resultados falso-positivos e não detectar metanfetamina e metilfenidato.

Tratamento

  • Benzodiazepínicos IV

  • Nitratos IV para hipertensão não responsiva aos benzodiazepínicos se necessário

  • Resfriamento para hipertermia conforme necessário

Toxicidade ou superdosagem

Quando uma quantidade significativa foi recentemente consumida por via oral (p. ex., < 1 ou 2 h), carvão ativado pode ser administrado para limitar a absorção, ainda que esta intervenção não tenha demonstrado reduzir a morbidade ou a mortalidade. A acidificação da urina aumenta a excreção de anfetaminas, mas não reduz a toxicidade e pode piorar a precipitação de mioglobina nos túbulos renais e, portanto, não é recomendada.

Benzodiazepínicos são o tratamento inicial preferencial para excitação do sistema nervoso central, convulsões, taquicardia e hipertensão. Pode-se utilizar Lorazepam 2 a 3 mg IV a cada 5 minutos titulado até alcançar o efeito. Doses altas ou infusão contínua podem ser necessárias. Propofol, com ventilação mecânica, pode ser necessário para a agitação grave. Hipertensão que não responda bem aos benzodiazepínicos é tratada com nitratos (ocasionalmente nitroprussiato) ou outros anti-hipertensivos conforme necessário, dependendo da gravidade da hipertensão. Betabloqueadores (p. ex., metoprolol 2 a 5 mg IV) podem ser utilizados para arritmias ventriculares graves ou taquicardia.

A hipertermia pode ser fatal e deve ser manejada agressivamente com sedação mais resfriamento por evaporação, pacotes de gelo e manutenção do volume intravascular e do fluxo de urina com soro fisiológico normal IV.

As fenotiazinas diminuem o limiar convulsivo e seus efeitos anticolinérgicos podem interferir no resfriamento; assim, não são preferidas para sedação.

Abstinência e reabilitação

Nenhum tratamento específico é necessário. A pressão arterial e o humor devem ser monitorados inicialmente. Os pacientes, cuja depressão persistir por mais do que breve período após a interrupção das anfetaminas, podem responder aos antidepressivos.

A terapia cognitivo-comportamental (uma forma de psicoterapia) é eficaz para alguns pacientes. Não existem outros tratamentos comprovados para reabilitação e manutenção após a desintoxicação.

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