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Manual MSD

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Câncer cervical

Por

Pedro T. Ramirez

, MD, The University of Texas MD Anderson Cancer Center;


Gloria Salvo

, MD, MD Anderson Cancer Center

Última modificação do conteúdo fev 2019
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Recursos do assunto

O câncer cervical é frequentemente um carcinoma de células escamosas causado por infecção por HPV; menos frequentemente é um adenocarcinoma. A neoplasia cervical é assintomática; o primeiro sintoma do câncer em estádio inicial é geralmente irregular, sendo muitas vezes o sangramento vaginal pós-coito. O diagnóstico é por exame cervical com Papanicolaou e biópsia. O estadiamento é clínico. O tratamento normalmente inclui ressecção cirúrgica para doença em estágio inicial ou radioterapia mais quimioterapia para doença localmente avançada. Se o câncer estiver amplamente metastatizado, geralmente quimioterapia é utilizada isoladamente.

O câncer cervical é o 3º câncer ginecológico mais comum e o 8º câncer mais comum entre as mulheres nos EUA. A média etária no diagnóstico é 50 anos de idade, mas o câncer pode ocorrer tão precocemente quanto 20 anos. A estimativa de 2019 da American Cancer Society nos EUA é de 13.170 novos casos de câncer cervical invasivo e 4.250 mortes por câncer cervical.

O câncer cervical resulta da NIC, que parece ser causada pela infecção por HPV (human papillomavirus) tipos 16, 18, 31, 33, 35, or 39.

Os fatores de risco para câncer de colo de útero incluem

  • Início precoce da atividade sexual

  • Um grande número de parceiros sexuais durante a vida

  • Tabagismo

  • Imunodeficiência

Independentemente da história sexual, médicos devem supor que as mulheres foram expostas a alguém com HPV, porque é onipresente.

Patologia

NIC é classificada como

  • 1: displasia cervical leve

  • 2: displasia moderada

  • 3: displasia severa e carcinoma in situ

A NIC 3 tem baixa probabilidade de regredir espontaneamente; se não tratada, com o passar de meses ou anos, as células neoplásicas podem penetrar a membrana basal, tornando-se um carcinoma invasivo.

Cerca de 80 a 85% de todos os cânceres cervicais são carcinomas de células escamosas; a maior parte do restante é de adenocarcinomas. Os sarcomas e os tumores neuroendócrinos de pequenas células são raros.

O câncer cervical invasivo geralmente se dissemina por extensão direta para os tecidos circundantes ou por via linfonodal para os linfonodos pélvicos e para-aórticos. A disseminação por via hematogênica é rara.

Se o câncer do colo cervical se disseminar para os linfonodos pélvicos ou para-aórticos, o prognóstico é pior, e a localização e o tamanho do campo da radioterapia são afetados.

Sinais e sintomas

O câncer cervical inicial pode ser assintomático.

Quando há sintomas, estes geralmente incluem sangramento vaginal irregular, que costuma ocorrer após o coito, mas pode acontecer espontaneamente entre as menstruações. As neoplasias maiores têm mais probabilidade de sangrar espontaneamente e podem causar corrimento vaginal fétido ou dor pélvica. Câncer mais disseminado pode causar uropatia obstrutiva, dor lombar e edema nas pernas decorrentes de obstrução venosa ou linfática.

O exame pélvico pode detectar tumor necrótico exofítico na cérvice.

Diagnóstico

  • Teste de Papanicolau

  • Biópsia

  • Estadiamento clínico, geralmente por biópsia, exame pélvico e raios-X do tórax

Pode-se suspeitar de câncer cervical durante o exame de rotina ginecológico. É considerado em mulheres com

  • Visíveis lesões cervicais

  • Resultado anormal do teste rotineiro de Papanicolau

  • Sangramento vaginal anormal

Os informes dos resultados da citologia cervical são padronizados [ver tabela Classificação citológica cervical pelo sistema Bethesda (1)]. Indica-se uma avaliação mais detalhada quando se encontram células atípicas ou neoplásicas, principalmente em mulheres com risco. Se não for encontrado câncer evidente, a colposcopia (exame da vagina e da cérvice com lentes de aumento) pode ser usada para identificar áreas que necessitem de biópsia. A biópsia direcionada por colposcopia com a curetagem endocervical geralmente é diagnóstica. Caso contrário, é necessário realizar uma biópsia em cone (conização); remove-se uma amostra cônica de tecido com um procedimento de PEEA, laser ou bisturi a frio.

Tabela
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Classificação citológica cervical pelo Sistema Bethesda*

Categoria

Especificidades

Comentários

Tipo da amostra

Preparação convencional (Papanicolaou), à base de líquidos ou outra

Anotar o tipo de teste.

Adequação da amostra

Satisfatória para a avaliação

Descrever quaisquer indicadores de qualidade (p. ex., presença ou ausência de componente endocervical ou zona de transformação, sangue parcialmente obscurecido, inflamação).

Insatisfatório para avaliação (rejeitado e não processado)

Especificar razão.

Insatisfatório para avaliação, mas processado e avaliado

Especificar razão.

Categorização geral (opcional)

Negativo para lesão intraepitelial ou câncer

Anormalidades de célula epitelial

Outros achados

Os achados são estadiados ou descritos sob interpretação, a seguir.

Interpretação de exames negativos (anormalidades não malignas)

Microrganismos

Os achados possíveis incluem:

  • Trichomonas vaginalis

  • Fungos morfologicamente compatíveis com Candida sp

  • Alterações na flora vaginal sugerindo vaginose bacteriana

  • Bactérias morfologicamente compatíveis com Actinomyces sp

  • Alterações celulares consistentes com vírus do herpes simples

  • Alterações celulares consistentes com citomegalovírus

Achados não neoplásicos (relato opcional)

Os achados possíveis incluem:

  • Variações celulares não neoplásicas (metaplasia escamosa, alterações ceratóticas, metaplasia tubária, atrofia ou alterações associadas à gestação)

  • Alterações celulares reativas associadas à inflamação (cervicite linfocítica), radiação ou uso de DIU

  • Estado das células glandulares após histerectomia

Interpretação das anormalidades das células epiteliais

Células escamosas

Os achados possíveis incluem:

  • Atipia celular escamosa de significância indeterminada ASC-US

  • Atipia celular escamosa de alto grau que não pode ser excluída ASC-H

  • Lesão escamosa intraepitelial de baixo grau, incluindo infecção por HPV ou displasia leve (NIC 1)

  • Lesão escamosa intraepitelial de alto grau, incluindo displasia moderada (NIC 2) ou grave (NIC 3/CIS); observando se a lesão possui características sugerindo invasão

  • Carcinoma de células escamosas

Células glandulares

Os achados possíveis incluem:

  • Células atípicas: endocervicais, endometriais ou glandulares

  • Células atípicas favorecendo neoplasia: endocervicais ou glandulares

  • Adenocarcinoma in situ: endocervical

  • Adenocarcinoma: endocervical, endometrial ou não especificado de outra maneira

Interpretação de outras anormalidades

Células endometriais (em mulheres com 45 anos)*

Especificar se a amostra for negativa para lesão intraepitelial escamosa.

Outras neoplasias

Especificar o tipo.

*Deve-se informar o uso de aparelho automático para o rastreamento, assim como outros exames adjuntivos (p. ex., HPV) e seus resultados.

Se não houver evidência celular de neoplasia, os médicos devem declarar negativa para lesão intra-epitelial ou malignidade aqui ou na categorização geral.

As alterações celulares da infecção por HPV — anteriormente chamadas de coilocitose, atipia coilocitótica e atipia condilomatosa — estão incluídas na categoria de lesão intraepitelial escamosa de baixo grau.

NIC = neoplasia intra-epitelial cervical; CIS = carcinoma in situ; HPV = papilomavírus humano; DIU = dispositivo intrauterino; NOS = não especificado em contrário.

Adaptado do Bethesda System 2014, National Institutes of Health.

Estadiamento

Cânceres cervicais são clinicamente estadiados com base em biópsia, exame físico e resultados de radiografia de tórax (ver tabela Classificação citológica cervical pelo Sistema Bethesda). No sistema de estadiamento da International Federation of Gynecology and Obstetrics (FIGO), o estágio não inclui informações sobre o estado dos linfonodos Embora não seja incluído como estadiamento, o estado dos linfonodos é um dos fatores prognósticos mais importante no câncer cervical precoce (estágios IA1 a IB1); é necessário para o planejamento do tratamento e afeta o campo da radioterapia.

Se o estádio for > IA2, normalmente se realiza TC ou RM do abdome e da pelve para identificar metástases, ainda que os resultados não sejam usados para estadiamento. PET com TC (PET/TC) é mais comumente utilizada a fim de verificar disseminação para além da cérvice. Se PET/TC, RM ou TC não estiverem disponíveis, cistoscopia, retossigmoidoscopia e urografia IV quando clinicamente indicadas, também podem ser usadas para o estadiamento.

Tabela
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Estadiamento clínico da FIGO para carcinoma cervical*

Estágio

Descrição

I

Carcinoma confinado ao colo do útero (deve-se desconsiderar a extensão em relação ao corpo uterino)

  • IA

Carcinoma diagnosticado apenas por microscopia, com invasão do estroma ≤ 5 mm de profundidade*

  • IA1

Invasão mensurada de estroma < 3 mm de profundidade

  • IA2

Invasão mensurada de estroma ≥ 3 mm e < 5 mm de profundidade

  • IB

Invasão medida ≥ 5 mm (maior que o estádio IA) com lesão limitada ao colo do útero.

  • IB1

Lesões < 2 cm na maior dimensão

  • IB2

Lesões ≥ 2 e 4 cm na maior dimensão

  • IB3

Lesões ≥ 4 cm na maior dimensão

II

Extensão além da útero, mas não até a parede pélvica ou até o terço inferior da vagina

  • IIA

Limitado a 2/3 superiores da vagina sem envolvimento parametrial óbvio

  • IIA1

Lesão ≤ 4 cm na maior dimensão

  • IIA2

Lesão > 4 cm na maior dimensão

  • IIB

Envolvimento parametrial, mas não até a parede pélvica

III

Extensão até a parede pélvica e/ou envolvimento do terço inferior da vagina, e/ou causa hidronefrose ou rim não funcional, e/ou envolve linfonodos pélvicos e/ou para-aórticos

  • IIIA

Extensão até o terço inferior da vagina, mas não até a parede pélvica

  • IIIB

Extensão até a parede pélvica e/ou causa hidronefrose ou rim não funcional (a menos que saiba-se que é devido a outra causa)

  • IIIC

Envolve os linfonodos pélvicos e/ou para-aórticos, independentemente do tamanho e extensão do tumor (com as notações r e p)

  • IIIC1

Apenas metástases nos linfonodos pélvicos

  • IIIC1

Metástases nos linfonodos para-aórticos

IV

Extensão para além da pelve verdadeira, ou envolvimento comprovado por biópsia da bexiga ou mucosa retal

  • IVA

Disseminação em órgãos pélvicos adjacentes

  • IVB

Disseminação para órgãos distantes

*Se o estádio não está claro, deve-se atribuir o estádio mais baixo. Pode-se realizar testes de imagem e patologia, se disponíveis, para suplementar os achados clínicos ao determinar o tamanho e a extensão em todos os estágios. Deve-se medir a profundidade da invasão a partir da base do epitélio (superfície ou glandular) de onde se origina. O envolvimento do espaço vascular (venoso ou linfático) não deve alterar o estadiamento. A extensão lateral da lesão não é mais considerada.

Deve-se acrescentar a notação r (exames de imagem) e/ou p (patologia) para indicar os métodos usados para atribuir o estádio IIIC (p. ex., estádio IIICp). Deve-se sempre documentar o tipo de técnica de imagem ou patologia usada.

Baseado em FIGO Cancer Report 2018 (Neerja Bhatla N, Aoki D, Sharma DN, Sankaranarayanan, R, et al: Cancer of the cervix uteri. International Journal of Gynecology and Obstetrics 143 (S2):22–36, 2018. https://doi.org/10.1002/ijgo.12611.

O objetivo desse sistema de estadiamento é estabelecer um padrão consistente e uma classificação uniforme de diagnóstico em todas as regiões do mundo. O sistema exclui resultados de testes que têm menos probabilidade de estarem disponíveis em todo o mundo (p. ex., RM), pois a maioria dos casos de câncer cervical ocorre em países em desenvolvimento. Como tais testes não são usados, achados como invasão parametrial e metástases linfonodais quase sempre são omitidos, sendo, portanto, possível o subestadiamento.

Quando os testes de imagem sugerirem que os linfonodos pélvicos ou para-aórticos estão bastante aumentados (> 2 cm), ocasionalmente se indica a exploração cirúrgica, geralmente com abordagem retroperitoneal. Seu único propósito é remover os linfonodos aumentados, para que radioterapia possa ser orientada de forma mais precisa e eficaz.

Referência sobre diagnóstico

  • 1. Nayar R, Wilbur DC: The Pap test and Bethesda 2014. Cancer Cytopathology, 123: 271–281, 2015.

Prognóstico

No carcinoma de célula escamosa, as metástases a distância geralmente aparecem apenas quando o câncer está avançado ou é recorrente. As taxas de sobrevida em 5 anos são como segue:

  • Estádio I: 80 a 90%

  • Estádio II: 60 a 75%

  • Estádio III: 30 a 40%

  • Estágio IV: 0 a 15%

Aproximadamente 80% das recorrências se manifestam em 2 anos.

Fatores prognósticos adversos incluem

  • Envolvimento de linfonodos

  • Tamanho e volume de tumor grande

  • Invasão estromal cervical profunda

  • Invasão parametrial

  • Invasão do espaço linfovascular (IELV)

  • Histologia não escamosa

Tratamento

  • Excisão ou radioterapia curativa, se não houve disseminação para os paramétrios ou além deles

  • Radioterapia e quimioterapia se há disseminação para os paramétrios ou além deles

  • Quimioterapia para câncer metastático e recorrente

O tratamento do câncer cervical pode incluir cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Se a histerectomia é indicada, mas as pacientes não suportam o procedimento, utiliza-se radioterapia e quimioterapia.

Neoplasia intraepitelial cervical (NIC) e carcinoma de célula escamosa estádio IA1

O tratamento compreende

  • Conização ou histerectomia simples

Câncer cervical microinvasivo, definido como o estágio IA1 da FIGO sem invasão linfovascular (IELV), tem < 1% de risco de metástases linfonodais e pode ser tratado de modo conservador com conização usando PEEA, laser ou bisturi a frio. Indica-se conização para pacientes que querem preservar a fertilidade. Deve-se realizar histerectomia simples se as pacientes não querem preservar a fertilidade ou se as margens são positivas após a conização.

Nos casos do estágio IA1 com invasão linfovascular, conização (com margens negativas) e mapeamento do linfonodo sentinela (LNS) pélvico por laparoscopia mais linfadenectomia (dissecção dos linfonodos) é uma estratégia razoável.

Estágios IA2 a IIA

Para câncer cervical em estadio IA2 ou IB1, a recomendação padrão é

  • Histerectomia radical com linfadenectomia pélvica bilateral (com ou sem mapeamento do linfonodo sentinela)

Histerectomia radical envolve ressecção do útero (incluindo a cérvice), partes dos ligamentos cardeal e uterossacral, os 1 a 2 cm superiores da vagina e os linfonodos pélvicos. Resultados recentes de um estudo prospectivo randomizado de fase III (1) mostram que a cirurgia minimamente invasiva (CMI) resultou em uma taxa mais baixa de sobrevida geral e uma taxa de recidiva mais alta do que a histerectomia radical abdominal total (HRAT). Portanto, os padrões de prática agora mostram uma preferência por uma abordagem aberta em vez de CMI.

O sistema de classificação de Querleu & Morrow descreve 4 tipos básicos de histerectomia radical, com alguns subtipos que levam em consideração a preservação do nervo e a linfadenectomia paracervical (2).

Para câncer cervical em estadio IB2 a IIA, a abordagem mais comum é

  • Quimioterapia combinada e radiação pélvica

Outra opção de tratamento é a histerectomia radical e linfadenectomia pélvica bilateral, às vezes com radioterapia (ver tabela Critérios de Sedlis para radiação pélvica externa após histerectomia radical).

Se durante a cirurgia observa-se disseminação extracervical, não se realiza histerectomia radical e recomenda-se radioterapia pós-operatória com quimioterapia simultânea para prevenir recorrência local.

Em certas pacientes que tiveram câncer cervical em estádio inicial e desejam preservar sua fertilidade, a traquelectomia radical pode ser realizada. Pode-se usar uma abordagem laparoscópica vaginal abdominal ou auxiliada por robô. Nesse procedimento, a cérvice, o paramétrio adjacente, 2 cm superiores da vagina e os linfonodos pélvicos são removidos. O restante do útero é então recolocado na vagina, preservando-se o potencial para fertilidade. As candidatas ideais para esse procedimento são as pacientes com as seguintes condições:

  • Subtipos histológicos como carcinoma de células escamosas, adenocarcinoma ou carcinoma adenoescamoso

  • Estágio IA1/grau 2 ou 3 com invasão do espaço linfovascular

  • Estádio IA2

  • Estádio IB1 com lesões com < 2 cm

Deve-se excluir invasão da cérvice superior e segmento uterino inferior por meio de RN antes da cirurgia. As taxas de recorrência e morte são semelhantes àquelas após histerectomia radical. Se as pacientes que passaram por esse procedimento desejam ter filhos, o parto deve ser cesário. Após traquelectomia radical, as taxas de fertilidade variam de 50 a 70%, e a taxa de recorrência é cerca de 5 a 10%.

Estágios IIB a IVA

Para câncer cervical nos estágios IIB a IVA, a terapia padrão é

  • Radioterapia mais quimioterapia (p. ex., cisplatina)

Considerar estadiamento cirúrgico para determinar se os linfonodos para-aórticos estão envolvidos e, portanto, se a radioterapia de campo estendido deve ser indicada, particularmente em pacientes com linfonodos pélvicos positivos identificados durante os exames de imagens pré-tratamento. Normalmente, recomenda-se uma abordagem laparoscópica retroperitoneal.

Quando o câncer limita-se ao colo do útero e/ou linfonodos pélvicos, a recomendação padrão é

  • Radioterapia com feixe externo, seguida de braquiterapia (implantes radioativos locais, geralmente utilizando césio) na cérvice.

Podem ocorrer complicações agudas da radioterapia (p. ex., proctite e cistite actínicas) e, ocasionalmente, complicações tardias (p. ex., estenose vaginal, obstrução intestinal, formação de fístula retovaginal e vesicovaginal).

A quimioterapia é administrada geralmente com radioterapia para sensibilizar o tumor à radiação.

Embora os cânceres de estádio IVA sejam geralmente tratados inicialmente com radioterapia, pode-se considerar a exenteração pélvica (excisão de todos os órgãos pélvicos) nesses casos. Se, após a radioterapia, o câncer permanecer, porém confinado à pelve central, indica-se a exenteração e até 40% das pacientes conseguem se curar. O procedimento pode incluir urostomia continente ou incontinente, anastomose retal inferior anterior sem colostomia ou com colostomia descendente na extremidade, tapete omental para fechar o soalho pélvico (J-flap) e reconstrução vaginal com retalho miocutâneo utilizando o músculo grácil ou o reto abdominal.

Estágio IVB e câncer recorrente

Quimioterapia é o tratamento primário, mas apenas 15 a 25% das pacientes respondem à ela.

Em um estudo recente, o acréscimo de bevacizumabe à quimioterapia de combinação (cisplatina e paclitaxel ou topotecano e paclitaxel) resultou em uma melhora de 3,7 meses na sobrevida geral média em pacientes com câncer cervical recorrente, persistente ou metastático (3).

As metástases fora do campo de radiação parecem responder melhor à quimioterapia que o câncer pélvico anteriormente irradiado.

Mapeamento do linfonodo sentinela para câncer cervical

O mapeamento de linfonodos sentinela (LNS) é uma alternativa à linfadenectomia pélvica total para pacientes com câncer de colo do útero em estádio inicial (IA1 com invasão do espaço linfovascular ou IB1) (4) porque apenas 15 a 20% dessas pacientes têm linfonodos positivos. O mapeamento do LNS, portanto, diminui a quantidade de linfadenectomias pélvicas totais, que podem ter efeitos adversos (p. ex., linfedema, lesão de nervos).

Para mapeamento do LNS, injeta-se corante azul ou tecnécio-99 (99Tc) diretamente na cérvice, geralmente às 3 e 9 horas. Mais recentemente, indocianina verde (ICG) vem sendo utilizada como um marcador ao realizar cirurgia aberta ou minimamente invasiva. Durante a cirurgia, identificam-se os LNSs por visualização direta do corante azul, por uma câmera para detectar a fluorescência do ICG ou por uma sonda gama para detectar 99Tc. Os LNSs estão comumente localizados medialmente aos vasos ilíacos externos, ventrais aos vasos hipogástricos ou na parte superior do espaço obturador.

Faz-se ultraestadiamento de todos os LNSs para detectar micrometástase e células tumorais isoladas. Deve-se remover qualquer nódulo suspeito, independentemente do mapeamento. Se não há mapeamento em uma hemipélvis, realiza-se linfadenectomia lateral específica.

As taxas de detecção do mapeamento do linfonodo sentinela são melhores para tumores < 2 cm.

Critérios para radioterapia após histerectomia radical

Os critérios usados para determinar se a radiação pélvica deve ser feita com quimioterapia simultânea após histerectomia radical são (ver tabela Critérios de Sedlis para radiação pélvica externa após histerectomia radical):

  • Presença de invasão do espaço linfovascular

  • Profundidade da invasão

  • Tamanho do tumor

Tabela
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Critérios de Sedlis para radiação pélvica externa após histerectomia Radical*

Invasão do espaço linfovascular

Invasão estromal

Tamanho do tumor (cm)

+

Terço profundo

Qualquer

+

Terço médio

≥ 2

+

Terço superficial

≥ 5

Terço médio ou profundo

≥ 4

*Aplicam-se os critérios a casos com nódulo negativo, margem negativa e parametria negativa.

Determina-se o tamanho por palpação clínica.

Baseado em Sedlis A, Bundy BN, Rotman MZ, et al: A randomized trial of pelvic radiation therapy versus no further therapy in selected patients with stage IB carcinoma of the cervix after radical hysterectomy and pelvic lymphadenectomy: A gynecologic oncology group study. Gynecol Oncol 73, 177–183, 1999.

Referências sobre tratamento

Prevenção

Exames de triagem

Utilizam-se dois tipos de exames de triagem para anomalias cervicais:

  • Exame de Papanicolau

  • Teste para HPV

Recomenda-se testes de triagem de rotina para câncer cervical como a seguir (1):

  • Dos 21 a 29 anos de idade: normalmente a cada 3 anos para o teste de papanicolau (teste para HPV geralmente não é recomendado)

  • Idade 30 a 65 anos: a cada 3 anos se apenas um único teste papanicolau é feito ou a cada 5 anos se um único teste para HPV é feito ou se ou os dois testes são realizados (mais frequentemente em mulheres com alto risco de câncer cervical)

  • Depois dos 65 anos de idade: nenhum outro teste se os resultados dos testes foram normais nos 10 anos anteriores

Se as mulheres tiveram histerectomia por causa de doença além de câncer e os resultados dos testes de Papanicolau estavam anormais, a triagem não é indicada. (Ver também Cervical Cancer Screening Guidelines.)

Teste de HPV é o método preferido para avaliação de acompanhamento em todas as mulheres com ASCUS (células escamosas atípicas de significado indeterminado), um resultado inconclusivo detectado por testes de Papanicolau. Se os testes de HPV mostrarem que a mulher não tem HPV, a triagem deve continuar nos intervalos programados de rotina. Se HPV estiver presente, deve-se fazer colposcopia.

Vacina contra HPV

Vacinas contra HPV preventivas incluem

  • Uma vacina bivalente que protege contra os subtipos 16 e 18 (que causam a maioria dos cânceres cervicais)

  • Uma vacina quadrivalente que protege contra os subtipos 16 e 18 mais 6 e 11

  • A vacina nonovalente que protege contra os mesmos subtipos que a quadrivalente mais os subtipos 31, 33, 45, 52 e 58 (que provocam cerca de 15% dos cânceres cervicais)

Os subtipos 6 e 11 causam > 90% das verrugas genitais visíveis.

As vacinas têm como objetivo prevenir o câncer cervical, mas não tratá-lo.

Para pacientes ≥ 15 anos, três doses são administradas ao longo de 6 meses (0, 1 a 2 e 6 meses). Para pacientes < 15 anos, duas doses são administradas em um intervalo de 6 a 12 meses.

A vacina contra o HPV é recomendada para meninos e meninas, idealmente antes de se tornarem sexualmente ativos. A recomendação padrão é vacinar meninos e meninas a partir dos 11 a 12 anos de idade, mas pode-se iniciar a vacinação aos 9 anos.

Referência sobre prevenção

Pontos-chave

  • Considerar câncer cervical se as mulheres têm resultados anormais do teste de Papanicolau, lesões cervicais visíveis ou sangramento vaginal anormal, particularmente pós-coito.

  • Fazer biópsia para confirmar o diagnóstico.

  • Estadiar o câncer cervical clinicamente, utilizando biópsia, exame pélvico, radiografia de tórax e, se o estágio é > IB1, usar PET/TC, RM ou TC para identificar metástases.

  • O tratamento é ressecção cirúrgica para câncer em estágio precoce (geralmente os estágios IA a IB1), radioterapia mais quimioterapia para câncer localmente avançado (geralmente os estágios IB2 a IVA) e quimioterapia para câncer metastático.

  • Investigar todas as mulheres fazendo testes de Papanicolau e HPV em intervalos regulares.

  • Recomendar vacinação contra HPV para meninas e meninos.

Informações adicionais

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