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Fármacos na gestação

Por

Ravindu Gunatilake

, MD, Valley Perinatal Services;


Avinash S. Patil

, MD, University of Arizona

Última modificação do conteúdo nov 2018
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Fármacos são usadas em mais de metade de todas as gestações e a prevalência do uso está aumentando. Os fármacos mais comumente utilizados na gestação são antieméticos, antiácidos, anti-histamínicos, analgésicos, antimicrobianos, tranquilizantes, hipnóticos, diuréticos e drogas recreacionais e ilícitas. Apesar dessa tendência, diretrizes sólidas baseadas em evidências para o uso de fármacos durante a gestação ainda são escassas.

Informações regulatórias sobre a segurança de fármacos durante a gestação

Até recentemente, a FDA classificava os fármacos com e sem prescrição em 5 categorias de segurança para uso durante a gestação (A, B, C, D, X). Contudo, poucos estudos bem controlados dos fármacos terapêuticos foram realizados em gestantes. A maioria das informações sobre a segurança dos fármacos na gestação deriva de estudos com animais, estudos não controlados em seres humanos e vigilância pós-marketing. Consequentemente, o sistema de classificação da FDA levou a confusões e dificuldades para aplicar as informações disponíveis às decisões clínicas. Em Dezembro de 2014, a FDA respondeu exigindo que as categorias de gestação A, B, C, D, e X fossem removidas dos rótulos de todos os fármacos.

Em vez de categorias, a FDA agora exige que o rótulo forneça informações sobre o fármaco específico em um formato consistente (chamado the final rule).

As informações exigidas pela FDA têm 3 subseções:

  • Gestação: informações relevantes para o uso do fármaco em gestantes (p. ex., dosagem, riscos fetais) e informações sobre se a presença de um registro que coleta e mantém os dados sobre a maneira como as gestantes são afetadas pelo fármaco

  • Lactação: informações sobre como usar o fármaco durante a amamentação (p. ex., a quantidade de fármaco no leite materno, os efeitos potenciais sobre a criança amamentada)

  • Mulheres e homens com potencial reprodutivo: informações sobre testes de gestação, contracepção e infertilidade no que se refere ao fármaco

Cada uma das subseções de gestação e aleitamento incluem 3 subtítulos (resumo do risco, considerações clínicas e dados) que fornecem mais detalhes.

Efeitos do uso de fármacos durante a gestação

Durante a gestação, com frequência fármacos são necessários para o tratamento de determinadas doenças. Em geral, quando o potencial benefício supera os riscos conhecidos, os fármacos podem ser considerados para o tratamento de doenças durante a gestação.

Nem todos os fármacos maternos atravessam a placenta e entram no feto. Fármacos que atravessam a placenta podem ter um efeito tóxico direto ou um efeito teratogênico. Fármacos que não atravessam a placenta ainda podem prejudicar o feto ao

  • Constringir os vasos placentários e, assim, comprometer as trocas gasosas e de nutrientes

  • Produzir hipertonia uterina grave que resulta em lesão anóxica

  • Alterar a fisiologia materna (p. ex., causando hipotensão)

Para uma lista de alguns fármacos com efeitos adversos durante a gestação, ver tabela Alguns fármacos com efeitos adversos durante a gestação. Pode-se obter informações adicionais sobre um determinado fármaco na no Merck Manual.

Os fármacos difundem-se pela placenta da mesma forma que atravessam outras barreiras epiteliais ( Absorção de Fármacos). A forma e a velocidade com que um fármaco atravessa a placenta dependem do peso da molécula, da extensão de sua ligação a outra substância (p. ex., proteína ligadora), da área disponível para troca através do vilo placentário e da quantidade do fármaco metabolizada pela placenta. A maioria dos fármacos com peso molecular < de 500 dáltons atravessa prontamente a placenta e entra na circulação fetal. Substâncias com alto peso molecular (p. ex., fármacos ligados às proteínas) geralmente não atravessam a placenta. Uma exceção é a imunoglobulina G, que pode ser usada para tratar doenças como trombocitopenia aloimune fetal. Em geral, o equilíbrio entre o sangue materno e os tecidos fetais leva pelo menos 30 a 60 minutos; mas alguns fármacos não alcançam concentrações semelhantes na circulação materna e fetal.

O efeito de um fármaco sobre o feto é em grande parte determinado pela idade fetal na exposição, fatores maternos, potência e dosagem do fármaco.

A idade fetal afeta o tipo de efeito do fármaco:

  • Antes do 20º dia após a fecundação: fármacos dados nesse período normalmente têm um efeito tudo-ou-nada, matando o embrião ou não lhe causando nenhuma alteração. A teratogênese é improvável durante esse estágio.

  • Durante a organogênese (entre 20 e 56 dias depois da fecundação): maior probabilidade de ocorrer teratogênese. Os fármacos que alcançam o embrião durante esse estágio podem causar abortamento espontâneo, defeito anatômico macroscópico subletal (efeito teratogênico verdadeiro), embriopatia oculta (defeito metabólico sutil ou funcional permanente que pode se manifestar mais tarde na vida) ou maior risco de câncer na infância (p. ex., quando a mãe recebe iodo radioativo para tratar câncer de tireoide); ou outros fármacos podem não ter um efeito mensurável.

  • Após organogênese (no 2º e 3º trimestres): a teratogênese é improvável, mas os fármacos podem alterar o crescimento e a função dos órgãos e tecidos fetais formados normalmente. À medida que o metabolismo da placenta aumenta, as doses precisam ser mais altas para que a toxicidade fetal ocorra.

Fatores maternos incluem aqueles que afetam a absorção, distribuição, metabolismo e excreção dos fármacos. Por exemplo, náuseas e vômitos podem diminuir a absorção de um fármaco oral.

Apesar da preocupação generalizada com a segurança do uso de fármacos, a exposição a fármacos terapêuticos causa somente 2 a 3% de todas as malformações fetais congênitas; a maioria das malformações resulta de fatores genéticos ambientais, multifatoriais ou desconhecidos.

Tabela
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Alguns fármacos com efeitos adversos durante a gestação

Exemplos

Efeitos adversos

Comentários

Antimicrobianos

Ototoxicidade (p. ex., dano ao labirinto fetal) resultando em surdez

Síndrome do lactente cinzento

Em mulheres ou fetos com deficiência de G6PD, hemólise

Possível artralgia; teoricamente, defeitos musculoesqueléticos (p. ex., crescimento ósseo prejudicado), mas esse efeito não foi demonstrado

Em mulheres ou fetos com deficiência de G6PD, hemólise

Contraindicada durante o 1º trimestre, a termo (38 a 42 semanas), durante o trabalho de parto e no parto, e um pouco antes do início do trabalho de parto

Primaquina

Em mulheres ou fetos com deficiência de G6PD, hemólise

Ototoxicidade

Sulfonamidas (exceto sulfassalazina, que tem risco fetal mínimo)

Quando os fármacos são administrados após 34 semanas de gestação, icterícia neonatal e, sem terapia, kernicterus

Em mulheres ou fetos com deficiência de G6PD, hemólise

Crescimento ósseo tardio, hipoplasia do esmalte, coloração amarelada permanente dos dentes e suscetibilidade a cáries nos filhos

Ocasionalmente, insuficiência hepática em gestantes

Risco aumentado de defeitos de tubo neural devido a antagonismo ao folato

Anticoagulantes

Trombocitopenia e sangramento materno

Compatível com a gestação

Heparina não fracionada

Trombocitopenia e sangramento materno

Inibidores do fator Xa (p. eg., rivaroxaban apixaban, edoxaban)

Dados inadequados para seres humanos; possível dano ao feto porque esses fármacos parecem atravessar a placenta

Nenhum antidoto para reversão; evitar durante a gestação

Quando a varfarina é ministrada no 1º trimestre, síndrome varfarínica fetal (p. ex., hipoplasia nasal, fraturas ósseas, atrofia óptica bilateral, diversos graus de limitação intelectual)

Quando o fármaco é administrado no 2º ou 3º trimestre, atrofia óptica, cataratas, incapacidade intelectual, microcefalia, microftalmia e hemorragias fetal e materna

Absolutamente contraindicada durante o 1º trimestre de gestação

Carbamazepina

Doença hemorrágica do recém-nascido

Algum risco de malformações congênitas, incluindo defeitos do tubo neural

Lamotrigina

Nenhum risco aumentado considerável com dosagem de até 600 mg/dia

Compatível com a gestação

Levetiracetam

Malformações ósseas menores em estudos com animais, mas nenhum aumento apreciável do risco em seres humanos

Compatível com a gestação

Fenobarbital

Doença hemorrágica do recém-nascido

Algum risco de malformações congênitas

Fenitoína

Malformações congênitas (p. ex., fenda labial, defeitos GU como hipospadias, defeitos cardiovasculares)

Doença hemorrágica do recém-nascido

Risco persistente de malformações congênitas apesar da suplementação de ácido fólico

Trimetadiona

Risco elevado de malformações congênitas (p. ex., fenda palatina, defeitos cardíacos, craniofaciais, das mãos e abdominais) e risco de aborto espontâneo

Quase sempre contraindicado durante a gestação

Valproato

Malformações congênitas significativas (p. ex., defeitos do tubo neural, meningomielocele, defeitos cardíacos, craniofaciais e de lábios)

Risco persistente de malformações congênitas apesar da suplementação de ácido fólico

Bupropiona

Dados conflitantes sobre o risco de malformações congênitas da exposição no 1º trimestre

Dosagem afetada por insuficiência hepática ou renal

Citalopram

Quando citalopram é dado durante o 1º trimestre, maior risco de malformações congênitas (particularmente cardíacas)

Quando o fármaco é administrado durante o 3º trimestre, síndrome de descontinuação e hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido

Considerar diminuição gradual da dose durante o 3º trimestre após prévia consulta com um profissional de saúde mental

Escitalopram

Quando escitalopram é dado durante o 3º trimestre, síndrome de descontinuação e hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido

Considerar diminuição gradual da dose durante o 3º trimestre após prévia consulta com um profissional de saúde mental

Fluoxetina

Quando a fluoxetina é dado durante o 3º trimestre, síndrome de descontinuação e hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido

Meia-vida longa; interações medicamentosas que podem ocorrer por semanas após o fármaco ser interrompida

Considerar diminuição gradual da dose durante o 3º trimestre após prévia consulta com um profissional de saúde mental

Paroxetina

Quando a paroxetina é dada durante o 1º trimestre, maior risco de malformações congênitas (particularmente cardíacas)

Quando o fármaco é administrado durante o 3º trimestre, síndrome de descontinuação e hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido

Uso durante a gestação não é recomendado por alguns especialistas*

Considerar diminuição gradual da dose durante o 3º trimestre após prévia consulta com um profissional de saúde mental

Sertralina

Quando sertralina é dada durante o 3º trimestre, síndrome de descontinuação e hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido

Considerar diminuição gradual da dose durante o 3º trimestre após prévia consulta com um profissional de saúde mental

Venlafaxina

Quando a venlafaxina é dada durante o 3º trimestre, síndrome de descontinuação

Dosagem significativamente afetada por insuficiência renal ou hepática

Considerar diminuição gradual da dose durante o 3º trimestre após prévia consulta com um profissional de saúde mental

Antieméticos

Doxilamina e piridoxina (vitamina B6)

Nenhuma evidência de maior risco de malformações congênitas

Ondansetrona

Nenhum risco teratogénico significativo em estudos com animais

Quando ondansetrona é dada durante o 1º trimestre, possível risco de doença cardíaca congênita (poucas evidências)

Usada durante a gestação somente para hiperemese gravídica quando outros tratamentos são ineficazes

Prometazina

Nenhum risco teratogénico significativo em estudos com animais

Geralmente, nenhuma evidência de maior risco de malformações congênitas

Possivelmente diminuição da agregação plaquetária em neonatos

Anfotericina B

Nenhum risco teratogénico significativo em estudos com animais

Monitoramento recomendado para toxicidades sistémicas (desequilíbrio eletrolítico, disfunção renal) na mãe

Fluconazol

Teratogênico em doses altas em estudos com animais

Nenhum risco aumentado aparente de malformações congênitas após uma única dose de 150 mg/dia

Depois de doses mais altas (> 400 mg/dia) administradas durante a maior parte ou durante todo o 1º trimestre, maior risco de diversas malformações

Miconazol

Com o uso oral, efeitos adversos em estudos com animais

Quando aplicado à pele, nenhum risco significativo de malformações congênitas

Não deve ser usado por via intravaginal durante o 1º trimestre, a menos que essencial para o bem-estar da mãe

Terconazol

Efeitos adversos em estudos com animais

Nenhum risco significativo de malformações congênitas

Não deve ser usado por via intravaginal durante o 1º trimestre, a menos que os benefícios para a mãe superaem os riscos para o feto

Anti-histamínico/anticolinérgico

Meclizina

Teratogênica em roedores, mas tal efeito não foi comprovado em seres humanos

Anti-hipertensivos

Quando os fármacos são administrados no 2º ou 3º trimestre, hipoperfusão e hipocalvaria fetal (que pode causar defeitos renais), insuficiência renal e a sequência de oligoidramnio (oligodramnio, deformidades craniofaciais, contraturas de membros e desenvolvimento pulmonar hipoplásico)

Antagonistas da aldosterona

Com espironolactona: possivelmente feminização de fetos masculinos

Com eplerenona, nenhum risco aumentado de defeitos congênitos em estudos com animais

Bradicardia e hipoglicemia fetais e, possivelmente, restrição do crescimento fetal e nascimento pré-termo

Quando os fármacos são administrados durante o 1º trimestre, possivelmente deformidades falangeanas

Quando os fármacos são dados durante o 2º ou 3º trimestre, restrição do crescimento fetal

Impedimento da expansão do volume materno normal, reduzindo-se a perfusão placentária e contribuindo para restrição do crescimento fetal

Hiponatremia, hipopotassemia e trombocitopenia neonatais

Fármacos antineoplásicos

Actinomicina

Teratogênica em animais, mas tal efeito não foi comprovado em seres humanos

Bussulfano

Malformações congênitas (p. ex., restrição do crescimento fetal, hipoplasia mandibular, fenda palatina, disostose craniana, defeitos espinhais, defeitos na orelha e pé torto congênito)

Clorambucila

Os mesmos do bussulfano

Colchicina

Possivelmente, malformações congênitas e anormalidades espermáticas

Ciclofosfamida

Os mesmos do bussulfano

Doxorrubicina

Teratogênica em animais e seres humanos

Potencial para disfunção cardíaca dependente de dose

Não é recomendada sua utilização durante a gestação

Contracepção eficaz recomendada durante a gestação e por 6 meses após o tratamento do parceiro masculino ou feminino

Mercaptopurina

Os mesmos do bussulfano

Metotrexato

Os mesmos do bussulfano

Contraindicado durante a gestação

Recomenda-se contracepção eficaz por 8 semanas após a última dose

Vimblastina

Teratogênica em animais, mas tal efeito não foi comprovado em seres humanos

Vincristina

Teratogênica em animais, mas tal efeito não foi comprovado em seres humanos

Antipsicóticos e estabilizadores de humor

Haloperidol

Efeitos adversos em estudos com animais

Quando haloperidol é dado durante o 1º trimestre, possivelmente malformações nos membros

Quando haloperidol é dado durante o 3º trimestre, maior risco de sintomas extrapiramidais ou sintomas de abstinência no neonato

Lurasidona

Nenhuma evidência de efeitos adversos em estudos com animais

Quando lurasidona é dada durante o 3º trimestre, maior risco de sintomas extrapiramidais ou sintomas de abstinência no neonato

Efeitos adversos em estudos com animais

Quando lítio é dado durante o 1º trimestre, teratogênico (malformações cardíacas)

Quando lítio é dado mais tarde na gestação, letargia, hipotonia, sucção deficiente, hipotireoidismo, bócio e diabetes insípido nefrogênico neonatais

Olanzapina

Efeitos adversos em estudos com animais

Quando olanzapina é dada durante o 3º trimestre, maior risco de sintomas extrapiramidais ou sintomas de abstinência no neonato

Risperidona

Efeitos adversos em estudos com animais

Com base em dados limitados, nenhum aumento no risco teratogênico

Quando risperidona é dada durante o 3º trimestre, maior risco de sintomas extrapiramidais ou sintomas de abstinência no neonato

Ansiolíticos

Quando benzodiazepínicos são administrados tardiamente na gestação, depressão respiratória ou síndrome de abstinência neonatal que pode causar irritabilidade, tremores e hiperreflexia

Clorpropamida

Hipoglicemia neonatal

Gliburida

Hipoglicemia neonatal

Efeitos a longo prazo desconhecidos sobre o feto

Atravessa a barreira placentária

Metformina

Hipoglicemia neonatal

Efeitos a longo prazo desconhecidos sobre o feto

Atravessa a barreira placentária

Tolbutamida

Hipoglicemia neonatal

Aspirina e outros salicilatos

Icterícia nuclear fetal

Com altas doses da droga, possivelmente abortamento espontâneo no 1º trimestre, início atrasado do trabalho de parto, fechamento prematuro do ducto arterioso fetal, icterícia e, ocasionalmente, hemorragia fetal e/ou materna (intra ou pós-parto), enterocolite necrótica e oligoidrâmnio

Com doses baixas (81 mg) de aspirina, nenhum risco teratogênico significativo

Uso permitido por curtos períodos durante o 2º trimestre se o feto é cuidadosamente monitorado

AINEs não salicilatos

Os mesmos que aqueles para AINEs salicilatos

Contraindicado no 3º trimestre.

Opioides e agonistas parciais

Buprenorfina

Efeitos adversos, mas não teratogenicidade em estudos com animais

Risco de síndrome de interrupção de opioides neonatal (síndrome de abstinência neonatal)

Melhores resultados fetais em comparação com aqueles quando gestantes usam substâncias ilícitas

Codeína

Hidrocodona

Hidromorfona

Meperidina

Morfina

Em neonatos de mulheres viciadas em opioides, síndrome de abstinência possivelmente ocorrendo 6 h a 8 dias após o nascimento

Com altas doses administradas antes do parto, possivelmente depressão do sistema nervoso central e bradicardia neonatais

Metadona

Efeitos adversos em estudos com animais

Efeitos específicos da metadona em gestantes possivelmente difíceis de diferenciar dos efeitos de fármacos concomitantes (p. ex., drogas ilícitas)

Risco de síndrome de abstinência de opioides neonatal

Melhores resultados fetais em comparação com aqueles quando gestantes usam substâncias ilícitas

Eventual necessidade de analgésicos agudos de curta ação para suplementar a dose de manutenção durante o trabalho de parto e no parto

Retinoides

Isotretinoína

Alto risco teratogênico (p. ex., múltiplas malformações congênitas), aborto espontâneo e incapacidade intelectual

Contraindicada durante a gestação e em mulheres que podem engravidar.

Hormônios sexuais

Danazol

Quando a droga é administrada nas primeiras 14 semanas, masculinização de genitália de feto feminino (p. ex., pseudo-hermafroditismo)

Contraindicado durante a gestação

Progestágenos sintéticos (mas não as baixas doses usadas em contraceptivos orais)

Os mesmos do danazol

Contraindicado durante a gestação

Fármacos tireoidianos

Metimazol

Bócio fetal e defeitos neonatais do couro cabeludo (aplasia cutânea)

Deve ser evitado durante o 1º trimestre da gestação

Propiltiouracila

Bócio fetal e hepatotoxicidade e agranulocitose materna

Iodo radioativo (131I)

Destruição da glândula tireoide fetal ou, quando se administra o fármaco próximo ao fim do 1o trimestre, hipertireoidismo fetal grave

Maior risco de câncer na infância

Contraindicado durante a gestação

Solução saturada de iodeto de potássio

Grande bócio fetal, que pode obstruir a respiração em neonatos

Tri-iodotironina

Bócio fetal

Vacinas

Com as vacinas contra rubéola e varicela, potencial infecção da placenta e no feto em desenvolvimento

Com as outras vacinas, riscos em potencial, mas desconhecidos

Não devem ser administradas às mulheres que estão ou podem estar grávidas.

Outros

Corticoides

Quando esses fármacos são utilizados durante o 1º trimestre, possivelmente fendas orofaciais

Hidroxicloroquina

Nenhum aumento do risco em doses habituais

Isoniazida

Possíveis aumentos transitórios nos níveis de aminotransferase materna, neuropatia periférica

Não deve ser usada com outros fármacos hepatotóxicos

Loratadina

Possível hipospadia

Pseudoefedrina

Vasoconstrição placentária e possível risco de gastrosquise

Vitamina K

Em mulheres ou fetos com deficiência de G6PD, hemólise

*O American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) recomenda não usar paroxetina durante a gestação.

Dois novos (brivaracetam, eslicarbazepina) estão disponíveis; há pouca ou nenhuma informação sobre seus efeitos durante a gestação.

The European Society for Medical Oncology (ESMO) publicou diretrizes para o diagnóstico, tratamento e acompanhamento de câncer durante a gestação. Geralmente, se quimioterapia é indicada, ela não deve ser administrada durante o 1º trimestre, mas pode começar no 2º trimestre; a última dose quimioterápica deve ser administrada ≥ 3 semanas antes do parto previsto, e quimioterapia não deve ser administrada após a 33ª semana de gestação.

G6PD = desidrogenase de glicose-6-fosfato.

Vacinas durante a gestação

As imunizações são tão efetivas nas gestantes quanto nas mulheres não grávidas.

A vacina contra influenza é recomendada para todas as gestantes no 2º ou 3º trimestre durante a época de influenza.

Recomenda-se a vacina contra tétano-difteria-coqueluche (Tdap) para todas as gestantes durante o 3º trimestre.

Outras vacinas devem ser reservadas para situações nas quais a mulher ou o feto estejam expostos a um risco significativo de determinadas infecções perigosas e os efeitos adversos da vacina sejam baixos. As vacinas contra cólera, hepatite A, hepatite B, sarampo, caxumba, peste, poliomielite, raiva, febre tifoide e febre amarela podem ser administradas durante a gestação se o risco de infecção é substancial.

As vacinas com vírus vivos não devem ser administradas às mulheres que estão ou podem estar grávidas. A vacina contra rubéola, uma vacina de vírus vivos atenuados, pode causar infecção subclínica na placenta e no feto. Entretanto, nenhum defeito nos neonatos tem sido atribuído à vacina e as mulheres inadvertidamente vacinadas durante o início da gestação não precisam ser aconselhadas a interromper a gestação somente por causa do risco teórico da vacina. A vacina contra varicela de vírus vivo atenuado com potencial para infectar o feto; o risco é maior entre a 13ª e a 22ª semana de gestação. Essa vacina é contraindicada durante a gestação.

Vitamina A durante a gestação

Na quantidade tipicamente presente nos polivitamínicos pré-natais (5.000 UI/dia), a vitamina A não tem sido associada a riscos teratogênicos. Entretanto, doses > 10.000 UI/dia no início da gestação podem aumentar o risco de malformações congênitas.

Antidepressivos durante a gestação

Antidepressivos, especialmente ISRSs, são comumente usados durante a gestação porque um número estimado de 7 a 23% das gestantes sofrem de depressão perinatal. Alterações fisiológicas e psicossociais durante a gestação podem afetar a depressão (possivelmente agravando-a) e, possivelmente, reduzindo a resposta a antidepressivos. Idealmente, uma equipe multidisciplinar que inclui um obstetra e especialista em psiquiatria deve controlar a depressão durante a gestação.

Mulheres grávidas que tomam antidepressivos devem ser perguntadas sobre os sintomas depressivos em cada consulta pré-natal, e testes fetais apropriados devem ser feitos. Estes podem incluir:

  • Uma avaliação detalhada da anatomia fetal durante o 2º trimestre

  • Se uma mulher grávida toma paroxetina, ecocardiografia para avaliar o coração do feto porque a paroxetina parece aumentar o risco de anomalias cardíacas congênitas

Os médicos devem considerar a redução da dose de todos os antidepressivos durante o 3º trimestre para reduzir o risco de sintomas de abstinência no neonato. Mas os benefícios da redução gradual devem ser cuidadosamente comparados com o risco de recorrência dos sintomas e depressão pós-parto. A depressão pós-parto é comum, muitas vezes não reconhecida, e deve ser tratada imediatamente. Consultas periódicas a um psiquiatra e/ou assistentes sociais podem ser úteis.

Fármacos sociais e ilícitas durante a gestação

O tabagismo é o vício mais frequente entre as gestantes. Além disso, a porcentagem de mulheres fumantes e daquelas que fumam intensamente parece estar aumentando. Apenas 20% das fumantes abandonam o vício na gestação. O monóxido de carbono e a nicotina nos cigarros causam hipóxia e vasoconstrição, aumentando o risco dos seguintes:

Neonatos de mães fumantes apresentam maior risco de anencefalia, defeitos cardíacos congênitos, fenda palatina, síndrome da morte infantil súbita, deficiências no crescimento físico e na inteligência e problemas de comportamento. Parar de fumar ou limitar o hábito diminui os riscos.

O álcool é o teratógeno utilizado com mais frequência na gestação. O consumo de álcool durante a gestação aumenta o risco de aborto espontâneo. O risco provavelmente relaciona-se à quantidade ingerida, mas nenhuma quantidade é considerada segura. O consumo regular diminui o peso fetal em 1 a 1,3 kg. Bebedeiras em particular, possivelmente algo em torno de 45 mL de álcool puro (equivalentes a 3 drinques) por dia, podem causar síndrome do alcoolismo fetal. Esta síndrome ocorre em 2,2/1.000 nascimentos vivos; inclui retardo do crescimento fetal, defeitos faciais e cardiovasculares e disfunção neurológica. É a causa mais frequente de deficiência intelectual e pode provocar morte neonatal por falha no desenvolvimento.

O uso da cocaína apresenta riscos indiretos (p. ex., ataque cardíaco ou morte materna na gestação). Seu uso provavelmente também resulta em vasoconstrição e hipóxia fetais. O uso repetido aumenta o risco dos seguintes:

Embora o principal metabólito da maconha possa atravessar a placenta, o uso recreativo dessa droga não parece aumentar os riscos de malformações congênitas, restrição no crescimento fetal ou anormalidades neurocomportamentais pós-natais. Entretanto, uma tendência para facilitar o acesso e o uso mais amplo da maconha em vários estados pode levar a uma melhor compreensão dos efeitos da maconha ao longo do tempo.

Catinonas sintéticas referem-se a um grupo de fármacos especiais produzidos de uma variedade de substâncias semelhantes à anfetamina; esses fármacos são cada vez mais utilizados durante a gestação. Embora os efeitos não sejam bem compreendidos, vasoconstrição e hipóxia fetal são prováveis, e há risco de morte fetal, descolamento prematuro de placenta e, possivelmente, malformações congênitas.

Alucinógenos podem, dependendo do fármaco, aumentar o risco dos seguintes:

Alucinógenos incluem metilenodioximetanfetamina (MDMA ou ecstasy), rupinol, cetamina, metanfetamina e LSD (dietilamida do ácido lisérgico).

Ainda não está claro se o consumo de grandes quantidades de cafeína pode aumentar o risco perinatal. O consumo de cafeína em pequenas quantidades (p. ex., 1 xícara de café/dia) parece oferecer pouco ou nenhum risco ao feto, mas alguns dados, que não levaram em consideração o uso de tabaco ou álcool, sugerem que o consumo de grandes quantidades (> 7 xícaras de café/dia) aumenta o risco de óbito fetal, parto prematuro, baixo peso ao nascer e abortamento espontâneo. Bebidas descafeinadas teoricamente oferecem menos risco ao feto.

O uso de aspartame (um substituto dietético do açúcar) durante a gestação é geralmente questionável. O metabólito mais comum do aspartame, a fenilalanina, concentra-se no feto por transporte ativo placentário; em níveis tóxicos, pode causar incapacidade intelectual. Entretanto, quando a ingestão ocorre em intervalos usuais, os níveis de fenilalanina fetais permanecem bem abaixo dos níveis tóxicos. Assim, a ingestão moderada de aspartame (p. ex., até 1 litro de refrigerante dietético por dia) durante a gestação parece ter pouco risco de toxicidade fetal. Entretanto, em gestantes com fenilcetonúria, a ingestão de fenilalanina e de aspartame é proibida.

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