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Manual MSD

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Reações medicamentosas adversas

(Efeitos adversos dos fármacos)

Por

Daphne E. Smith Marsh

, PharmD, BC-ADM, CDE , College of Pharmacy, University of Illinois at Chicago

Última modificação do conteúdo ago 2018
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Recursos do assunto

Reação adversa a fármacos (RFA, ou efeito adverso a fármacos) é um termo abrangente que se refere aos efeitos indesejáveis, desconfortáveis ou perigosos que um fármaco pode ter.

Reações adversas a fármacos (RAF) podem ser consideradas uma forma de toxicidade, mas esse termo é mais comumente aplicado aos efeitos da sobredosagem (acidental ou intencional), aos níveis sanguíneos elevados ou à exacerbação dos efeitos do fármaco que ocorre durante o uso apropriado (p. ex., quando a biotransformação do fármaco é temporariamente inibida por uma doença ou por outro fármaco). Para informações sobre a toxicidade de fármacos específicos, ver tabela Sintomas e tratamento de intoxicações específicas. Efeito colateral é um termo impreciso utilizado, com frequência, para se referir aos efeitos inesperados do fármaco que ocorrem dentro de limites terapêuticos.

Como todos os fármacos têm potencial para reações adversas a fármacos, é necessária a análise do risco-benefício (análise da probabilidade de benefício versus risco de reações adversas a fármacos) toda vez que se prescreve um fármaco.

Nos EUA, 3 a 7% de todas as hospitalizações decorrem de reações adversas a fármacos. As RAFs ocorrem durante 10 a 20% das hospitalizações, das quais cerca de 10 a 20% são graves. Essas estatísticas não incluem o número de reações farmacológicas adversas que ocorrem em pacientes ambulatoriais e em casa de repouso. Embora o número exato de reações farmacológicas adversas não seja certo, estas representam um importante problema de saúde pública que, na maior parte, é evitável (1).

A incidência e a gravidade das reações adversas a fármacos variam de acordo com as características dos pacientes (p. ex., idade, sexo, etnia, doenças coexistentes, fatores genéticos ou geográficos) e os fatores do fármaco (p. ex., tipo de fármaco, via de administração, duração do tratamento, dosagem e biodisponibilidade). A incidência é maior de acordo com a idade avançada e polifarmácia. Em idosos, a incidência é provavelmente mais alta e as RAFs são mais graves ( Problemas relacionados a fármacos em idosos), embora a idade propriamente dita possa não ser a causa primária. É desconhecida a contribuição de erros de prescrição e de adesão à incidência de RAF.

Dicas e conselhos

  • Reações adversas farmacológicas ocorrem em 10 a 20% das hospitalizações.

  • Cerca de 10 a 20% dessas reações são graves.

Referência geral

Etiologia

A maioria das reações adversas a fármacos tem relação com a dose, mas outras são alérgicas ou idiossincráticas. As ADR relacionadas com a dose são, em geral, previsíveis; em contrapartida, as ADR não relacionadas com a dose costumam ser imprevisíveis.

As ADR relacionadas com a dose são particularmente preocupantes quando os fármacos têm índice terapêutico estreito (p. ex., hemorragia com anticoagulantes orais). As ADR podem ser consequência da diminuição da depuração do fármaco em pacientes com comprometimento da função renal ou hepática ou da interação medicamentosa.

RAF alérgicas não têm relação com a dose e requerem exposição prévia. As alergias desenvolvem-se quando o fármaco age como antígeno ou alergênio. Após a sensibilização do paciente, a exposição subsequente ao fármaco desencadeia um dos diferentes tipos de reação alérgica. A história clínica e os exames dérmicos apropriados podem, às vezes, ajudar a prever RAFs alérgicas.

RAFs idiossincráticas são RAFs inesperadas que não têm relação com a dose ou não são alérgicas. Incide em pequena porcentagem de pacientes que recebem um fármaco. Idiossincrasia é um termo impreciso que foi definido como resposta anormal geneticamente determinada a um fármaco, mas nem todas as reações idiossincráticas têm causa farmacogenética. O termo pode tornar-se obsoleto à medida que mecanismos específicos das RAFs são desvendados.

Sinais e sintomas

As reações farmacológicas adversas são, em geral, classificadas como leve, moderada, grave ou letal (ver tabela Classificação de Reações Adversas a Fármacos [RAFs]). As RAFs graves ou letais podem ser especificamente mencionadas em alertas nas bulas dos fabricantes.

Os sinais e sintomas podem se manifestar logo após a primeira dose ou somente após a utilização regular. Eles podem, obviamente, resultar do uso de fármacos ou serem muito sutis para que possam ser identificados como relacionados aos fármacos. Nos idosos, RAFs sutis podem causar deterioração funcional, alterações do estado mental, incapacidade de melhora, perda de apetite, confusão e depressão.

Tabela
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Classificação das reações adversas a fármacos (RAFs)

Gravidade

Descrição

Exemplo

Leve

Não há necessidade de antídoto ou tratamento e não há prolongamento da hospitalização.

Anti-histamínicos (alguns): sonolência

Opioides: constipação

Moderada

Há necessidade de alteração no tratamento (p. ex., modificação da dose ou acréscimo de um fármaco), mas não necessariamente de interrupção do fármaco. A hospitalização pode ser prolongada ou pode ser necessário tratamento específico.

Contraceptivos hormonais: trombose venosa

AINEs: hipertensão e edema

Grave

Uma ADR pode colocar a vida em risco e exige interrupção do fármaco e tratamento específico da reação adversa.

Inibidores da ECA: angioedema

Fenotiazinas: alterações do ritmo cardíaco

Letal

Uma ADR contribui direta ou indiretamente para o óbito do paciente.

Superdosagem de paracetamol: insuficiência hepática

Anticoagulantes: hemorragia

Classicamente, as ADR alérgicas ocorrem logo após a ingestão do fármaco, mas, em geral, não acontecem após a primeira dose; tipicamente, ocorrem quando o fármaco é administrado após exposição inicial. Os sintomas são prurido, exantema, farmocodermias, edema dasvias respiratórias superiores ou inferiores com dificuldade para respirar e hipotensão.

As RAFs idiossincráticas podem provocar quase qualquer sinal ou sintoma e, geralmente, não podem ser previstas.

Diagnóstico

  • Considerar a reexposição

  • Relatar as suspeitas de ADR ao MedWatch

Os sintomas que surgem logo após a ingestão do fármaco são, com frequência, facilmente correlacionados com o seu uso. Entretanto, o diagnóstico de sintomas decorrentes do uso crônico de fármacos requer um nível significativo de presunção, sendo, com frequência, complicado. Às vezes, é necessária a interrupção do fármaco, o que é difícil se ele for essencial e não houver um substituto aceitável. Quando a prova da relação entre fármaco e sintomas for significativa, deve-se considerar a reexposição ao fármaco, exceto no caso de reações alérgicas graves.

Os médicos devem relatar a maioria das RAFs suspeitas ao MedWatch (programa de monitoramento de RAF da Food and Drug Administration — FDA), que constitui um sistema de alerta precoce. Apenas por meio desse relato é possível identificar e investigar RAFs inesperadas. MedWatch também monitora modificações da natureza e da frequência das RAFs. A notificação on-line das reações farmacológicas adversas é incentivada. Formulários e informações sobre o relato de RAFs estão disponíveis em Physicians’ Desk Reference, FDA News Daily Drug Bulletinn, bem como em www.fda.gov/Safety/MedWatch/default.htm; pode-se obter os formulários pelo telefone 800-FDA-1088. Enfermeiros, farmacêuticos e outros profissionais de saúde também devem relatar RAFs. O Adverse Event Reporting System (FAERS) da FDA é uma ferramenta de pesquisa que melhora o acesso aos dados sobre reações adversas a fármacos (1).

A incidência das reações farmacológicas adversas graves ou fatais é muito baixa (tipicamente < 1 em 1.000) e pode não ser aparente durante os ensaios clínicos, que normalmente não têm o poder estatístico necessário para detectar RAFs de baixa incidência. Assim, essas RAFs podem ser detectadas apenas depois de um fármacos ser liberado para o público geralmente e seu uso ser generalizado. Os médicos não devem supor que, porque um fármaco está no mercado, todas as RAFs são conhecidas. A vigilância pós-comercialização é extremamente importante para o rastreamento de RAFs de baixa incidência.

Referência sobre diagnóstico

Tratamento

  • Modificação de dose

  • Interrupção do fármaco, se necessário

  • Trocar para outro fármaco

Para as reações adversas a fármacos relacionadas com a dose, pode ser suficiente a modificação da eliminação ou a redução dos fatores precipitantes. Raramente é necessário o aumento da taxa de eliminação do fármaco. Para as RAFs alérgicas e idiossincráticas, geralmente o uso do fármaco deve ser interrompido e não deve ser retomado. A mudança para uma classe diferente de fármaco é, em geral, necessária no caso de RAFs alérgicas e, também, algumas vezes, no caso de RAFs relacionadas com a dose.

Prevenção

A prevenção das reações adversas a fármacos requer familiaridade com o fármaco e com as possíveis reações a ele. Deve-se fazer uma análise com o auxílio de computador para checar possíveis interações medicamentosas e, ainda, repetir a análise toda vez que houver modificação ou acréscimo de fármacos. Devem-se selecionar cuidadosamente os fármacos e a dosagem inicial para idosos ( Problemas relacionados a fármacos em idosos : Razões dos problemas relacionados a fármacos). Se os pacientes desenvolverem sintomas inespecíficos, sempre se deve considerar a possibilidade de RAFs antes do início do tratamento sintomático.

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