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Perda auditiva súbita

Por

Lawrence R. Lustig

, MD,

  • Howard W. Smith Professor and Chair, Department of Otolaryngology–Head and Neck Surgery
  • Columbia University Medical Center and New York Presbyterian Hospital

Última modificação do conteúdo ago 2019
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Perda auditiva súbita é a perda auditiva neurossensorial moderada a grave que se desenvolve repentinamente no período de algumas horas ou é percebida ao despertar. Afeta cerca de 1/5.000 a 1/10.000 pessoas por ano. A perda auditiva inicial é tipicamente unilateral (a não ser induzida por fármacos) e pode variar em gravidade de leve a profunda. Muitos pacientes também têm zumbido e alguns têm tontura, vertigem ou ambos.

A perda auditiva súbita tem algumas causas que diferem da perda auditiva crônica e deve ser tratada com urgência (1).

(Ver também Perda auditiva.)

Referência geral

Etiologia

São características comuns da perda auditiva súbita:

  • A maioria dos casos é idiopática (ver tabela Algumas causas de perda auditiva súbita).

  • Alguns ocorrem no decurso de um evento facilmente reconhecido.

  • Alguns representam a manifestação inicial de um distúrbio oculto, mas identificável.

Idiopática: existem diversas teorias com certo grau de evidência (embora conflitantes e incompletas). As possibilidades mais promissoras incluem infecções virais (particularmente envolvendo herpes simples), ataques autoimunes e oclusão microvascular aguda.

Evento óbvio: algumas causas da perda auditiva súbita são facilmente identificáveis.

  • Traumatismo cranioencefálico com fratura do osso temporal ou concussão grave envolvendo a cóclea pode ocasionar perda de audição súbita.

  • Grandes mudanças na pressão do ambiente (p. ex., causada por mergulho) ou atividades extenuantes (p. ex., levantamento de peso) podem induzir fístula perilinfática entre a orelha média e interna, provocando repentinos e graves sintomas. A fístula perilinfática também pode ser congênita, causando perda auditiva espontânea ou súbita, que pode ocorrer após traumatismo ou alterações graves de pressão.

  • Fármacos ototóxicos podem resultar em perda de audição, às vezes ao longo de um dia, em especial com superdose (sistematicamente ou quando aplicados em grande área ferida, como queimadura). Existe raro distúrbio mitocondrial genético que aumenta a suscetibilidade à ototoxicidade dos aminoglicosídios.

  • Algumas infecções podem causar perda auditiva súbita durante ou imediatamente após doença aguda. As causas comuns incluem meningite bacteriana, doença de Lyme e algumas infecções virais que afetam a cóclea (e, às vezes, o aparelho vestibular). As causas virais mais comuns, em países desenvolvidos, são caxumba e herpes. O sarampo é uma causa muito rara, pois a maioria da população é imunizada.

Distúrbios ocultos: perda auditiva súbita raramente pode ocorrer como manifestação primária de algumas doenças que quase sempre têm outros sintomas iniciais. Por exemplo, a perda auditiva súbita raramente pode ser o primeiro sintoma de neuroma acústico, esclerose múltipla, doença de Ménière ou pequeno derrame cerebelar. Reativação da sífilis em pacientes infectados pelo HIV raras vezes, podem provocar perda auditiva súbita.

A síndrome de Cogan é uma reação autoimune rara, dirigida contra um autoantígeno desconhecido comum na córnea e na orelha interna; > 50% dos pacientes apresentam sintomas vestibulares. Cerca de 10 a 30% dos pacientes também manifestam vasculite sistêmica grave, que pode incluir aortite, com sérios riscos à vida.

Algumas vasculites podem causar perda de audição, que pode ser de forma aguda. Doenças hematológicas, como macroglobulinemia de Waldenström, doença falciforme e certas formas de leucemia, raramente podem ocasionar perda auditiva súbita.

Tabela
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Algumas causas da perda auditiva súbita

Tipo

Exemplos

Idiopática

N/D

Conta para a maioria dos casos

Eventos óbvios

Infecções agudas (p. ex., meningite bacteriana, caxumba, herpes)

Traumatismo craniano ou temporal importante (incluindo barotrauma no mergulho de profundidade provocando fístula perilinfática)

Fármacos ototóxicos (p. ex., aminoglicosídios, vancomicina, cisplatina, furosemida, ácido etacrínico); estes causam principalmente perda auditiva durante um período de tempo mais longo, mas raramente podem causar perda súbita)*

Eventos ocultos

Doenças autoimunes (p. ex., síndrome de Cogan, vasculites)

Derrame cerebelar

Reativação da sífilis em pacientes HIV positivos

Anormalidades nos eritrócitos (p. ex., anemia falciforme)

Doenças vasculares (p. ex., insuficiência vertebro-basilar)

*Perda ocorre ao longo de 1–2 dias.

N/A = não aplicável.

Avaliação

Consiste em detectar e quantificar a perda auditiva e determinar sua etiologia (particularmente causas reversíveis).

História

A história da doença atual deve verificar se a perda é repentina e não crônica. A história também deve observar se a perda é uni ou bilateral e se há um evento atual agudo (p. ex., traumatismo craniano, barotrauma [em especial uma lesão de mergulho], doença infecciosa). Importantes sintomas estão associados, incluindo outros sintomas otológicos (p. ex., zumbido, otorreia), sintomas vestibulares (p. ex., tonturas, vertigens) e sintomas neurológicos (p. ex., cefaleia, fraqueza ou assimetria da face, disgeusia).

A revisão dos sistemas deve procurar sintomas de outras causas possíveis, incluindo deficits neurológicos transitórios e migratórios (esclerose múltipla), irritação e rubor ocular (síndrome de Cogan).

A história clínica deve informar sobre infecção pelo HIV ou sífilis e fatores de risco (p. ex., múltiplos parceiros sexuais, relações desprotegidas). A história familiar deve questionar sobre parentes próximos com perda auditiva (sugerindo uma fístula congênita). Deve-se investigar o uso atual ou anterior de fármacos ototóxicos e se o paciente tem insuficiência renal conhecida.

Exame físico

O exame é orientado às orelhas, à audição e ao exame neurológico.

A membrana timpânica é inspecionada para perfuração, otorreia ou outras lesões. Durante o exame neurológico, atenção deve ser dada aos pares cranianos (principalmente V, VII e VIII) e à função vestibular e cerebelar porque anormalidades nessas áreas ocorrem frequentemente nos tumores do tronco cerebral e ângulo pontocerebelar.

Os testes de Weber e Rinne requerem um diapasão para diferenciar perda auditiva condutiva de neurossensorial.

Além disso, examinam-se os olhos à procura de rubor e fotofobia (possível síndrome de Cogan), e examina-se a pele em busca de exantema (p. ex., infecções virais, sífilis).

Sinais de alerta

Achados de particular interesse são

  • Anormalidades de pares cranianos (exceto perda auditiva)

  • Assimetria significativa na compreensão da fala entre as 2 orelhas

  • Outros sinais e sintomas neurológicos (p. ex., fraqueza motora, afasia, síndrome de Horner, anormalidades na percepção sensorial ou de temperatura)

Interpretação dos achados

Causas traumáticas, ototóxicas e algumas causas infecciosas são geralmente aparentes. Um paciente com fístula perilinfática pode ouvir um som tipo explosão na orelha afetada, no momento em que fístula ocorre e também pode ter vertigem súbita, nistagmo e zumbido.

Anormalidades neurológicas focais são particularmente preocupantes. O 5º par craniano, o 7º par craniano, ou ambos, são quase sempre afetados por tumores que envolvem o 8º par craniano; assim a perda da sensibilidade facial e dificuldade mastigatória (5º), fraqueza hemifacial e disgeusia (7º) apontam para uma lesão nessa área.

Perda auditiva unilateral instável acompanhada de plenitude auricular, zumbido e vertigem sugere doença de Ménière. Sintomas sistêmicos, sugerindo inflamação (p. ex., febre, exantema, dores nas articulações, lesões em mucosas), devem levantar a suspeita de infecção oculta ou doença autoimune.

Exames

Pacientes devem realizar audiometria e, a menos que o diagnóstico seja claramente infecção aguda ou toxicidade por fármacos, a maioria dos médicos deve solicitar RM com gadolínio para diagnosticar as causas inaparentes, particularmente perdas unilaterais. Os pacientes, cuja causa foi um traumatismo agudo, também devem realizar RM. Tipicamente suspeita-se de fístula perilinfática decorrente de um evento estimulante (p. ex., tensão excessiva, barotrauma), e pode-se realizar os testes usando pressão pneumática positiva para evocar os movimentos oculares (nistagmo). Geralmente, faz-se TC dos ossos temporais para mostrar as características ósseas da orelha interna e pode ajudar a elucidar anormalidades congênitas (p. ex., aqueduto vestibular alargado), fraturas do osso temporal por causa de trauma ou processos erosivos (p. ex., colesteatoma).

Pacientes que têm fatores de risco ou sintomas que sugerem causas devem ser submetidos a testes adequados com base na avaliação clínica (p. ex., testes sorológicos para possível infecção pelo HIV ou sífilis, hemograma e coagulograma para doenças hematológicas, anticorpos antinucleares e VHS para vasculite).

Tratamento

O tratamento da perda auditiva súbita visa corrigir o distúrbio causador, quando este é conhecido. Fístulas são exploradas e reparadas cirurgicamente quando repouso não consegue controlar os sintomas.

Em casos virais e idiopáticos, a audição volta ao normal em cerca de 50% dos pacientes e é parcialmente recuperada nos outros.

Em pacientes que recuperam a audição, a melhora costuma acontecer dentro de 10 a 14 dias.

A recuperação de um fármaco ototóxico varia significativamente dependendo do fármaco e sua dosagem. Com alguns fármacos (p. ex., aspirina, diuréticos), a perda auditiva desaparece em 24 horas, enquanto outros fármacos (p. ex., antibióticos, quimioterápicos) costumam causar perda auditiva permanente se as dosagens seguras foram excedidas.

Para pacientes com perda idiopática, muitos médicos prescrevem empiricamente um curso de glicocorticoides (tipicamente prednisona 60 mg/kg VO uma vez ao dia por 7 a 14 dias, então redução em 5 dias). Pode-se administrar glicocorticoides por via oral e/ou injeção transtimpânica. A injeção transtimpânica direta evita os efeitos colaterais sistêmicos dos glicocorticoides orais e parece ser igualmente eficaz, exceto na perda auditiva profunda (> 90 decibéis). Há dados que mostram que o uso de ambos esteroides oral e intratimpânico leva a melhores resultados que o uso isolado. Embora médicos geralmente ofereçam antivirais eficazes contra o herpes simples (p. ex., valaciclovir, famciclovir), dados mostram que esses fármacos não afetam os resultados para a audição. Existem alguns dados limitados sugerindo que oxigenoterapia hiperbárica pode ser benéfica na perda auditiva súbita idiopática.

Pontos-chave

  • A maioria dos casos é idiopática.

  • Poucos casos têm causa óbvia (p. ex., trauma, infecção aguda, fármacos)

  • Poucos casos representam manifestações incomuns de doenças tratáveis.

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