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Otorreia

Por

David M. Kaylie

, MS, MD, Duke University Medical Center

Última modificação do conteúdo mar 2019
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É a drenagem de líquido através da orelha. Ela pode ser serosa, serossanguinolenta ou purulenta. Os sintomas associados podem incluir otalgia, febre, prurido, vertigem, zumbido e perda auditiva.

Etiologia

Causas podem ser provenientes do meato auditivo externo, da orelha média ou da calota craniana. Certas origens tendem a se manifestar de forma aguda em razão da gravidade de seus sintomas ou condições associadas. Outros costumam ter um curso mais indolente, crônico, mas, às vezes, se manifestam de forma aguda (ver tabela Algumas causas de otorreia).

Em geral, as causas mais comuns são

Os casos mais graves são otite externa necrosante e tumores malignos da orelha.

Tabela
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Algumas causas de otorreia

Causa

Achados sugestivos

Abordagem diagnóstica

Otorreia aguda*

Otite média aguda com MT perfurada

Dor grave, aliviada com o início da otorreia purulenta

Avaliação clínica

Otorreia em pacientes com perfuração crônica, às vezes, com colesteatoma

Também pode se manifestar como otorreia crônica

Avaliação clínica

TC de osso temporal com alta resolução, às vezes

Traumatismo craniano significativo, clinicamente evidente ou cirurgia recente

Secreção que varia do aspecto cristalino para o sangue puro

TC de crânio, incluindo a base

Otite externa (infecciosa ou alérgica)

Infecciosas: muitas vezes depois de nadar, traumatismo local; dor acentuada, piora com a tração da orelha

Muitas vezes, história de dermatite crônica da orelha com alterações da pele e coceira

Alérgica: muitas vezes, após o uso de gotas na orelha; mais prurido, eritema, menos dor do que na infecciosa

Tipicamente há envolvimento do lóbulo da orelha, em que o líquido escorre para fora do canal auditivo

Ambos: conduto muito edemaciado, inflamado, com debris; MT normal

Avaliação clínica

Pós-tubo de ventilação

Após timpanotomia para colocação de tubo de ventilação

Pode ocorrer com a exposição à água

Avaliação clínica

Otorreia crônica

Otorreia geralmente sanguinolenta, dor moderada

Por vezes, lesões visíveis no conduto

Facilmente confundida com otite externa no início

Biópsia

TC

RM em alguns casos

História de perfuração timpânica

Debris escamosos no canal auditivo, MT preenchida com debris de aspecto caseoso

Às vezes, massa polipoide ou tecido de granulação sobre o colesteatoma

TC

Cultura

(RM apenas se suspeita de invasão intracraniana)

História longa de otites ou outras doenças

Dor mais leve que na otite externa

Canal macerado, tecido de granulação

MT imóvel e distorcida, geralmente com perfuração visível

Avaliação clínica

Quase sempre cultura

Frequentemente em crianças

Otorreia fétida, purulenta

Corpo estranho geralmente visível ao exame, a menos que edema notável ou drenagem

Avaliação clínica

Febre frequente, história de otite média não resolvida ou não tratada

Hiperemia e dor na mastoide

Avaliação clínica

Cultura

Geralmente, TC

Quase sempre história de diabetes ou imunodeficiência

Dor crônica grave

Edema e dor periauricular, tecido de granulação em conduto

Paralisia do nervo facial, eventualmente

TC ou RM

Cultura

Granulomatose com poliangiite (anteriormente chamada granulomatose de Wegener)

Com frequência, sintomas do trato respiratório, rinorreia crônica, artralgia e úlceras orais

Exame de urina

Radiografia de tórax

Exame de anticorpo anticitoplasma de neutrófilos

Biópsia

*< 6 semanas

=

Avaliação

História

A história da doença atual deve abranger a duração dos sintomas e, ainda, se são recorrentes. Achados associados significantes incluem dor, prurido, hipoacusia, vertigem e zumbido. Os pacientes são questionados sobre atividades que podem afetar o canal auditivo ou a membrana timpânica (p. ex., natação, uso de cotonetes ou outros objetos, uso de gotas otológicas). Traumatismo craniano suficiente para ocasionar uma fístula liquórica é relatado prontamente.

A revisão dos sistemas deve buscar sintomas de deficit de par craniano e sintomas sistêmicos sugerindo granulomatose com poliangiite (p. ex., rinorreia, tosse, artralgia).

A história clínica deverá questionar quanto doenças otológicas conhecidas, cirurgias prévias (particularmente timpanostomia para tubo de ventilação) e diabetes ou imunodeficiência.

Exame físico

Começa com a aferição dos sinais vitais e pesquisa de febre.

A orelha e as regiões adjacentes (sobretudo o processo mastoideo) são inspecionadas para descartar hiperemia e edema. A palpação do pavilhão auricular e do trago é importante para verificar piora da dor. O conduto auditivo é examinado com ajuda de um otoscópio; o aspecto da secreção e a presença de lesões no conduto, tecido de granulação e corpos estranhos podem ser vistos. Edema e secreção podem dificultar a visão de todo o conduto (a lavagem não deve ser utilizada em caso de perfuração timpânica), mas, quando possível, a MT é examinada quanto inflamação, perfuração, distorção e sinais de colesteatoma (p. ex., debris em conduto auditivo, massas polipoides em MT).

Caso o conduto externo esteja gravemente edemaciado (por ex., casos de otite externa grave) ou exista otorreia volumosa, a aspiração cuidadosa pode permitir exame adequado e também o tratamento tópico (p. ex., aplicação de gotas otológicas, com ou sem curativo externo).

Os pares cranianos devem ser testados. A mucosa nasal é examinada quanto às lesões granulares aumentadas e a pele é inspecionada quanto às lesões vasculíticas; ambas podem sugerir granulomatose com poliangiite.

Sinais de alerta

Os achados a seguir são particularmente preocupantes:

  • Traumatismo craniano recente

  • Qualquer disfunção de par craniano (incluindo perda de audição neurossensorial)

  • Febre

  • Eritema do tecido da orelha ou periauricular

  • Diabetes ou imunodeficiência

Interpretação dos achados

A otoscopia geralmente pode diagnosticar MT perfurada, otite média externa, corpo estranho ou outras fontes descomplicadas de otorreia. Alguns achados são altamente sugestivos (ver tabela Algumas causas da otorreia). Outros achados são menos específicos, mas indicam um problema mais grave que envolve mais do que um distúrbio localizado da orelha média ou externa:

  • Vertigem e zumbido (distúrbio da orelha interna)

  • Déficits de pares cranianos (distúrbio envolvendo a base do crânio)

  • Eritema e sensibilidade nas orelhas, tecidos circundantes, ou ambos (infecção significativa)

Exames

Muitos casos são esclarecidos após avaliação clínica.

Se a fístula liquórica está em questão, a secreção pode ser testada para glicose ou β2-transferrina; essas substâncias estão no líquor, mas não em outros tipos de secreção.

Pacientes sem etiologia óbvia no exame requerem um audiograma, TC do osso temporal ou RM com gadolínio. Quando há granulação no canal auditivo, deve-se considerar a biópsia se a avaliação clínica e a TC não forem claramente sugestivas de colesteatoma.

Tratamento

O tratamento é direcionado para a causa. Muitos médicos não tratam suspeita de fístula liquórica com antibióticos sem diagnóstico definitivo, pois fármacos podem mascarar o início de meningite.

Pontos-chave

  • Otorreia aguda em paciente sem problemas crônicos do sistema auditivo ou imunodeficiência é provavelmente o resultado de otite externa ou otite média supurada.

  • Otite externa grave pode necessitar de referência para a especialidade, para limpeza mais extensa e possível colocação de curativo.

  • Pacientes com sintomas auditivos crônicos ou recorrentes (diagnosticados ou não), achados de alterações dos pares cranianos ou sintomas sistêmicos devem ser encaminhados ao especialista.

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