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Erupções e reações a fármacos

Por

Mercedes E. Gonzalez

, MD,

  • Clinical Assistant Professor of Dermatology
  • University of Miami Miller School of Medicine
  • Clinical Assistant Professor of Dermatology
  • Florida International University Herbert Wertheim College of Medicine
  • Medical Director
  • Pediatric Dermatology of Miami

Última modificação do conteúdo jul 2017
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Recursos do assunto

Os fármacos podem causar diversas reações e erupções na pele. As mais graves dessas são discutidas em outra parte desteManual e incluem síndrome de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica, síndrome de hipersensibilidade, doença do soro, dermatite esfoliativa, angioedema, anafilaxia e vasculite induzida por fármacos.

Sinais e sintomas

Os sinais e sintomas variam de acordo com a causa e a reação específica ( Tipos de reações a fármacos e agentes causadores típicos).

Tabela
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Tipos de reações a fármacos e agentes causadores típicos

Tipo de reação

Descrição e comentários

Agentes causais

Erupção acneiforme

Assemelha-se à acne, mas não há comedões e, em geral, tem início súbito

Corticoides, iodetos, brometos, hidantoína, esteroides androgênicos, lítio, isoniazida, fenitoína, fenobarbital, vitaminas B2, B6 e B12

Cianose acral

Apresenta pigmentação azul-acinzentada nas pontas dos dedos, artelhos, nariz e orelhas

Bleomicina

Pustulose exantemática generalizada aguda

Erupção pustulosa que aparece e se dissemina rapidamente

Aminopenicilinas (ampicilina, amoxicilina e bacampicilina), bloqueadores dos canais de Ca, cefalosporinas, tetraciclinas

Erupções bolhosas

Surgem como vesículas disseminadas e bolhas que se assemelham às das doenças bolhosas autoimunes

Penicilamina e outros fármacos contendo tiol (p. ex., inibidores da ECA, tiomalato de Na e ouro)

Necrose cutânea

Lesões demarcadas, dolorosas, eritematosas ou hemorrágicas progredindo para bolhas e necrose, abrangendo a espessura da pele com formação de cicatriz

Varfarina, heparina, barbitúricos, adrenalina, noradrenalina, vasopressina, levamisole (contaminante nas preparações de cocaína vendida na rua)

Lúpus induzido por fármacos

Aparece como síndrome semelhante ao lúpus, embora geralmente sem exantema

Hidroclorotiazida, minociclina, hidralazina, procainamida, agentes anti-FNT

Reação medicamentosa com eosinofilia e sintomas sistêmicos ou síndrome de hipersensibilidade a fármacos

Manifesta-se como febre, edema facial e exantema 2–6 semanas após a 1ª dose de um fármaco

Os pacientes podem ter eosinófilos elevados, linfócitos atípicos, hepatite, pneumonite, linfadenopatia e miocardite

Anticonvulsivantes, alopurinol, sulfonamidas

Caracterizado por nódulos eritematosos sensíveis predominantemente na região pré-tibial, às vezes, acometendo membro superiors e outras áreas

Sulfonamidas, contraceptivos orais

Caracterizada por eritema e descamação de toda a superfície cutânea

Pode ser fatal

Penicilina, sulfonamida, hidantoínas

Erupções por fármacos fixados

Surge com frequência como lesões isoladas, bem circunscritas, circinadas ou ovaladas de cor vermelho-escura ou purpúrea, na pele ou em mucosas (especialmente nos genitais), reaparecendo no mesmo local a cada vez que o fármaco é ingerido

Tetraciclinas, sulfonamidas, AINEs

Erupções liquenoides ou semelhantes ao líquen plano

Surgem como pápulas poligonais que coalescem formando placas descamativas

Antimaláricos, clorpromazina, tiazídicos

Erupções morbiliformes ou maculopapulosas (exantemas)

Reação medicamentosa de hipersensibilidade mais comum

Varia em aspecto desde uma doença morbiliforme até uma erupção semelhante à pitiríase rósea.

Discreto prurido, aparecendo tipicamente 3 a 7 dias após o início do fármaco

Quase todos os fármacos (especialmente barbitúricos, analgésicos, sulfonamidas, ampicilina, outros antibióticos)

Erupções mucocutâneas

Variam de pequenas vesículas orais ou lesões cutâneas semelhantes à urticária até úlceras orais dolorosas com lesões cutâneas bolhosas disseminadas (ver Eritema multiforme, síndrome de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica)

Penicilina, barbitúricos, sulfonamidas (incluindo derivados usados para hipertensão e diabetes)

Surgem como áreas de dermatite ou com pigmentação azul-acinzentada (fenotiazinas e minociclina) em áreas expostas ao sol ou a outras fontes de luz ultravioleta

Fenotiazinas, tetraciclinas, sulfonamidas, clorotiazida, adoçantes artificiais

Erupções purpúreas

Surgem como máculas hemorrágicas de tamanho variável

Mais comuns nos membros inferiores, mas podem ocorrer em qualquer região e indicar uma vasculite purpúrea de maior gravidade

Podem surgir como reações citóxicas de tipo II, reações alérgicas retardadas de tipo IV ou complexo de vasculite alérgica imunitária humoral de tipo III

Clorotiazida, meprobamato, anticoagulantes

Reação ao fármaco tipo reação ao soro

Reação de imunocomplexo de tipo III.

Urticária aguda e angioedema podem aparecer com mais frequência que erupções morbiliformes ou escarlatiniformes.

Possivelmente, poliartrite, mialgia, febre, polissinovite e neurites

Penicilina, insulina, proteínas estranhas

Caracterizada por áreas focais de lesões vermelhas escuras, dor na pele e descolamento epidérmico de < 10% da superfície corporal; pele e mucosa estão envolvidos

Há crostas hemorrágicas e ulcerações nos lábios

Quando o descolamento epidérmico ocorre em 10 a 30% da superfície corporal, usa-se o termo sobreposto SSJ-NET.

Anticonvulsivantes, AINEs, penicilina, sulfonamidas

Caracterizada por destacamento (> 30% da superfície corporal) da epiderme em grandes áreas, resultando na aparência de pele escaldada; frequentemente há sintomas sistêmicos

Pode ser fatal em 30 a 40% dos pacientes

Lembra a síndrome da pele escaldada por estafilococos, uma doença estafilocócica mediada por toxina que ocorre em lactentes, crianças pequenas e pacientes imunodeprimidos

Semelhante à síndrome de Stevens-Johnson, mas envolvendo maior superfície corporal

Anticonvulsivantes, barbitúricos, hidantoínas, penicilina, sulfonamidas

Comum

Classicamente, mas nem sempre, mediada por IgE

Facilmente reconhecida por urticas edematosas típicas bem definidas

Pode ser acompanhado por angioedema ou outras manifestações de anafilaxia

Ocasionalmente é o primeiro sinal de doença do soro iminente, com febre, dores articulares e outros sintomas sistêmicos que se desenvolvem em alguns dias

Penicilina, ácido acetilsalicílico, sulfonamidas, inibidores da ACE

Diagnóstico

  • Avaliação clínica e história de exposição ao fármaco

  • Algumas vezes, biópsia da pele

A história detalhada pelo paciente é imprescindível para o diagnóstico, incluindo o uso recente de fármacos de venda livre. Como a reação pode ocorrer até vários dias ou até semanas após a primeira exposição o fármaco, é importante considerar todas as novos fármacos e não somente o fármaco iniciado mais recentemente.

Nenhum exame laboratorial auxilia no diagnóstico, unicamente a biópsia da pele.

A sensibilidade pode ser definitivamente estabelecida somente pela reexposição ao fármaco, o que é um procedimento perigoso, não ético, em pacientes com graves reações.

Tratamento

  • Suspender o fármaco suspeito

  • Algumas vezes, anti-histamínicos e corticoides

A maioria das reações a fármacos é resolvida pela retirada do fármaco e não requer mais tratamento. Quando possível, compostos químicos não relacionados devem substituir os fármacos suspeitos. Se não houver fármaco substituto e a reação é leve, é necessário continuar o tratamento sob rigoroso controle apesar da reação.

O prurido e a urticária podem ser controlados com corticoides tópicos e anti-histamínicos orais. Nas reações mediadas por IgE (p. ex., urticária), deve-se considerar dessensibilização quando há necessidade crítica de um fármaco.

Se ocorrer anafilaxia, o tratamento com adrenalina aquosa (1:1.000) 0,2 mL, por via subcutânea ou IM anti-histaminas parenterais e hidrocortisona solúvel 100 mg IV de ação mais curta, mas mais persistente, pode ser acompanhada de corticoides orais por um período curto.

Pontos-chave

  • Como os fármacos podem causar uma grande variedade de reações, eles devem ser considerados como causas de quase toda reação cutânea inexplicada.

  • Basear o diagnóstico principalmente em critérios clínicos, incluindo história detalhada de fármacos prescritos e de venda livre.

  • Interromper o fármaco causador suspeito e tratar os sintomas conforme necessário.

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