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Distúrbios peroxissomais

Por

Matt Demczko

, MD, Sidney Kimmel Medical College of Thomas Jefferson University

Última revisão/alteração completa fev 2018| Última modificação do conteúdo fev 2018
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Os distúrbios peroxissomais são um grupo de distúrbios metabólicos hereditários que ocorrem quando os peroxissomos estão ausentes ou não funcionam corretamente no organismo. Os distúrbios hereditários ocorrem quando os pais transmitem aos filhos os genes defeituosos que causam esses distúrbios.

Os peroxissomos são componentes minúsculos encontrados dentro das células. Eles podem ser considerados, de certa forma, os órgãos da célula (organelas). Os peroxissomos contêm substâncias químicas denominadas enzimas, como a catalase e a peroxidase, que ajudam o organismo a decompor (metabolizar) os ácidos graxos e o peróxido de hidrogênio. Quando as enzimas não funcionam corretamente, ocorre um acúmulo de ácidos graxos e de peróxido de hidrogênio, o que causa danos a muitas partes do corpo.

Adrenoleucodistrofia ligada ao X

Ela é o distúrbio peroxissomal mais comum. Ela afeta principalmente o cérebro e a medula espinhal e as glândulas adrenais. Uma vez que o gene defeituoso se encontra no cromossomo X (um dos cromossomos sexuais), o distúrbio ocorre quase que exclusivamente em meninos (consulte Figura Distúrbios recessivos ligados ao X).

A forma cerebral da adrenoleucodistrofia ligada ao X ocorre entre os quatro e os doze anos de idade. Os sintomas apresentados pela criança incluem problemas de atenção que, com o passar do tempo, progridem até problemas comportamentais graves, além de demência e problemas de visão, de audição e motores. Essa forma causa incapacitação total e morte alguns anos depois de o diagnóstico ter sido feito. Formas mais leves que acometem adolescentes e adultos também já foram diagnosticadas.

A adrenomieloneuropatia (AMN) é uma forma mais leve dessa doença que ocorre na terceira ou quarta década de vida. Os sintomas incluem rigidez, fraqueza e dor nas pernas que piora progressivamente com o passar do tempo. Os problemas nos nervos fazem com que o esfíncter urinário (o anel de músculo que mantém a urina dentro da bexiga até o momento de urinar) e os órgãos sexuais parem de funcionar corretamente. Algumas dessas pessoas também apresentam sintomas da forma cerebral.

A pessoa com qualquer forma de adrenoleucodistrofia ligada ao X pode também apresentar hipoatividade das glândulas adrenais (as glândulas nos rins que secretam hormônios). Algumas pessoas apresentam a doença de Addison, mas não têm problemas no cérebro e na medula espinhal.

A adrenoleucodistrofia ligada ao X é diagnosticada por meio de um exame de ressonância magnética (RM) do cérebro e exames de sangue para tentar detectar a presença de determinados ácidos graxos. Exames genéticos, que são utilizados para determinar se o casal tem um risco maior de ter um bebê com um distúrbio genético hereditário, também estão disponíveis.

Um transplante de medula óssea ou um transplante de células-tronco pode ajudar algumas pessoas. Corticosteroides são administrados a pessoas que apresentam problemas nas glândulas adrenais. A suplementação da dieta com uma mistura de trioleato de glicerila e trierucato de glicerila (o óleo de Lorenzo) pode fazer com que os níveis de ácidos graxos no sangue voltem ao normal e pode ajudar algumas pessoas, mas ele ainda está sendo estudado.

Síndrome de Zellweger (SZ), adrenoleucodistrofia neonatal e doença infantil de Refsum (DIR)

Esses três distúrbios fazem parte de um grupo de doenças denominadas distúrbios do espectro de Zellweger que apresentam sintomas sobreponíveis e afetam muitas partes do corpo. A síndrome de Zellweger é a forma mais grave e a doença infantil de Refsum é a forma menos grave.

A síndrome de Zellweger e a adrenoleucodistrofia neonatal ocorrem na primeira infância. A doença de Refsum ocorre depois, manifestando-se até mesmo na idade adulta em algumas pessoas. Os sintomas desses distúrbios podem incluir características faciais específicas, defeitos do cérebro e da medula espinhal, destruição dos tecidos que envolvem os nervos (desmielinização), convulsões (em recém-nascidos) e enfraquecimento do tônus muscular (hipotonia). A criança pode ter aumento do fígado e cistos renais. A criança também pode ter membros curtos, uma anomalia óssea específica denominada condrodisplasia puntiforme (que afeta o crescimento dos ossos longos), catarata, crescimento anômalo dos vasos sanguíneos nos olhos (retinopatia), perda da audição e fraqueza, amortecimento e dor nas mãos e pés. Ocorre um retardo em atividades físicas, como o movimento e a fala.

Esses distúrbios são diagnosticados por meio de exames de sangue para tentar detectar a presença de determinados ácidos graxos. Exames genéticos também podem ser realizados.

Doença de Refsum

Nesse distúrbio, o ácido fitânico, que é um pro­duto do metabolismo das gorduras, se acumula nos tecidos. Um acúmulo de ácido fitânico causa lesões nos nervos e na retina, perda da audição, perda do olfato (anosmia), movimentos espasmódicos e alterações ósseas e cutâneas. Geralmente, os sintomas têm início na segunda década de vida, mas, às vezes, eles se manifestam depois.

O tratamento da doença de Refsum consiste em evitar consumir alimentos que contêm ácido fitânico, incluindo laticínios, carne de gado e de carneiro e peixes gordurosos, como atum, bacalhau e hadoque. Plasmaferese, que permite a extração do ácido fitânico do sangue, pode ajudar.

Condrodisplasia rizomélica puntiforme

Os sintomas da condrodisplasia rizomélica puntiforme têm início na primeira infância e incluem um aspecto afundado do centro do rosto, membros notavelmente curtos, testa proeminente, narinas pequenas, catarata, pele seca e descamação da pele (ictiose) e um retardo significativo de atividades físicas, como o movimento e a fala. Defeitos da coluna também são comuns.

A condrodisplasia rizomélica puntiforme é diagnosticada por meio de radiografias e exames de sangue.

Não existe um tratamento eficaz para a condrodisplasia rizomélica puntiforme. Contudo, o bebê com concentrações elevadas de ácido fitânico no sangue deve consumir alimentos com baixo teor de ácido fitânico.

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