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Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtornos relacionados em crianças e adolescentes

Por

Josephine Elia

, MD, Sidney Kimmel Medical College of Thomas Jefferson University

Última revisão/alteração completa mar 2019| Última modificação do conteúdo mar 2019
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O transtorno obsessivo-compulsivo é caracterizado por dúvidas, ideias, imagens ou impulsos (obsessões) recorrentes, indesejáveis e intrusivos e impulsos irresistíveis (compulsões) de realizar ações para tentar diminuir a ansiedade causada por essas obsessões. As obsessões e compulsões causam grande angústia e interferem na escola e nos relacionamentos.

  • As obsessões frequentemente envolvem a preocupação ou o medo de sofrer lesões ou de os entres queridos sofrerem lesões (por exemplo, por doença, contaminação ou morte).

  • As compulsões são comportamentos excessivos, repetitivos e intencionais que a criança acredita que deve praticar para conseguir controlar as dúvidas (por exemplo, verificar repetidamente se uma porta está trancada), para evitar que algo ruim aconteça ou para reduzir a ansiedade causada por suas obsessões.

  • Terapia comportamental e medicamentos são com frequência usados no tratamento.

Em média, o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) tem início entre os 19 e 20 anos de idade, porém, aproximadamente 25% dos casos começam antes dos 14 anos de idade. O transtorno frequentemente diminui depois que a criança alcança a idade adulta.

O transtorno obsessivo-compulsivo inclui diversos transtornos relacionados:

  • Transtorno dismórfico corporal: A criança fica preocupada com um defeito imaginário na sua aparência, como o tamanho do nariz ou das orelhas, ou fica excessivamente preocupada com uma pequena anomalia, como uma verruga.

  • Acumulação compulsiva: A criança tem uma necessidade forte de guardar objetos independentemente do valor e não consegue tolerar a ideia de se livrar dos objetos.

  • Tricotilomania (arrancar os cabelos)

Algumas crianças, particularmente meninos, também têm um transtorno de tique.

Considera-se que genes e fatores ambientais causam o TOC. Há estudos sendo realizados para identificar os genes.

Há alguma evidência de que infecções podem estar envolvidas em alguns casos de TOC que têm início súbito (de um dia para outro). Se houver envolvimento de estreptococos, o transtorno é chamado de transtorno neuropsiquiátrico autoimune pediátrico associado ao estreptococo (do inglês “pediatric autoimmune neuropsychiatric disorder associated with streptococcus”, PANDAS). Caso outras infecções (por exemplo, a infecção por Mycoplasma pneumoniae) estejam envolvidas, o distúrbio é chamado de síndrome neuropsiquiátrica pediátrica de início agudo (do inglês “pediatric acute-onset neuropsychiatric syndrome”, PANS). Os pesquisadores continuam a estudar o vínculo entre as infecções e o TOC.

Sintomas

Normalmente, os sintomas do transtorno obsessivo-compulsivo se desenvolvem gradualmente e a maioria das crianças consegue de início esconder seus sintomas.

A criança com frequência fica obcecada com preocupações e temores de que algum mal vai lhe acontecer, como com medo de contrair uma doença mortal ou de que ela ou outros se machucarão. Ela se sente compelida a fazer algo para equilibrar ou neutralizar suas preocupações e temores. Ela pode, por exemplo, fazer repetidamente o seguinte:

  • Verificar se desligou o alarme ou trancou a porta

  • Lavar as mãos excessivamente, resultando em mãos com pele extremamente seca e machucada

  • Contar coisas (por exemplo, passos)

  • Sentar-se e levantar-se de uma cadeira

  • Limpar e reorganizar constantemente certos objetos

  • Fazer muitas correções no trabalho escolar

  • Mastigar alimentos determinado número de vezes

  • Evitar tocar certas coisas

  • Fazer frequentes solicitações de reconforto, às vezes dezenas ou até mesmo centenas de vezes por dia

Algumas obsessões e compulsões têm uma conexão lógica. Por exemplo, a criança que tem uma obsessão em não ficar doente pode lavar as mãos com muita frequência. Algumas, no entanto, são completamente não relacionadas. A criança pode, por exemplo, contar até 50 repetidamente para impedir que um avô ou avó tenha um ataque cardíaco. Caso ela resista às compulsões ou seja impedida de realizá-las, ela fica extremamente ansiosa e preocupada.

A maioria das crianças tem alguma noção de que suas obsessões e compulsões não são normais, e ficam com frequência envergonhadas e tentam escondê-las. Contudo, algumas crianças acreditam piamente que suas obsessões e compulsões são válidas.

O TOC se resolve após alguns anos em aproximadamente 5% das crianças e em aproximadamente 40% das crianças até o início da idade adulta. Em outras crianças, o transtorno tende a ser crônico, mas com a continuação do tratamento, a maioria das crianças consegue funcionar normalmente. Aproximadamente 5% das crianças não respondem ao tratamento e permanecem significativamente prejudicadas.

Diagnóstico

  • Sintomas

O médico diagnostica o TOC com base nos sintomas. Diversas consultas podem ser necessárias antes de as crianças com TOC confiarem suficientemente no médico a ponto de contar a ele suas obsessões e compulsões.

Para que o TOC seja diagnosticado, as obsessões e as compulsões precisam causar uma angústia intensa e interferir com a capacidade de funcionamento da criança.

Se o médico suspeitar que uma infecção (como PANDAS ou PANS) esteja envolvida, ele geralmente consulta um especialista nesses tipos de transtorno.

Tratamento

  • Terapia cognitivo-comportamental

  • Às vezes medicamentos

A terapia cognitivo-comportamental, se disponível, pode ser suficiente caso a criança esteja bastante motivada.

Caso necessário, uma combinação de terapia cognitivo-comportamental e um tipo de antidepressivo chamado de inibidor seletivo de recaptação da serotonina (ISRS) costuma ser eficaz para o TOC. Essa combinação permite à maioria das crianças funcionarem normalmente. Se o ISRS for ineficaz, o médico pode receitar clomipramina, outro tipo de antidepressivo. No entanto, ela pode causar efeitos colaterais graves.

Se o tratamento for ineficaz, talvez seja preciso tratar a criança depois de ser admitida em uma instituição onde a terapia comportamental pode ser realizada de maneira intensiva e os medicamentos podem ser controlados.

Antibióticos costumam ser utilizados se uma infecção estreptocócica (PANDAS) ou outra infecção (PANS) estiver envolvida. Caso necessário, a terapia cognitivo-comportamental e os medicamentos que costumam ser utilizados para tratar o TOC também são usados.

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