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Doenças autoimunes durante a gestação

Por

Lara A. Friel

, MD, PhD, University of Texas Health Medical School at Houston, McGovern Medical School

Última revisão/alteração completa abr 2020| Última modificação do conteúdo abr 2020
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Síndrome do anticorpo antifosfolipídeo

A síndrome do anticorpo antifosfolipídeo, que causa a formação fácil ou excessiva de coágulos sanguíneos, pode causar o seguinte durante a gestação:

Para diagnosticar a síndrome do anticorpo antifosfolipídeo, o médico:

  • Pergunta à mulher se ela já teve algum natimorto ou aborto espontâneo de causa desconhecida ou partos prematuros ou problemas com coágulos sanguíneos

  • Faz exames de sangue para detectar a presença de anticorpos antifosfolipídeos em, no mínimo, duas ocasiões diferentes

Tomando por base essas informações, o médico consegue então diagnosticar a síndrome do anticorpo antifosfolipídeo.

Se uma mulher tiver a síndrome do anticorpo antifosfolipídeo, ela costuma ser tratada com anticoagulantes e com aspirina de baixa dose durante a gestação e por seis semanas após o parto. Esse tratamento consegue prevenir a formação de coágulos sanguíneos e o surgimento de complicações na gravidez.

Trombocitopenia imune (PTI)

Na trombocitopenia imune Considerações gerais sobre a trombocitopenia A trombocitopenia consiste em um número reduzido de plaquetas (trombócitos) no sangue, o que aumenta o risco de hemorragia. A trombocitopenia ocorre quando a medula óssea produz quantidades... leia mais Considerações gerais sobre a trombocitopenia , os anticorpos diminuem o número de plaquetas (também chamados trombócitos) na corrente sanguínea. Os trombócitos são partículas semelhantes a células que ajudam no processo de coagulação. Poucas plaquetas (trombocitopenia) podem causar hemorragia na gestante e no bebê.

Se não for tratada durante a gestação, a trombocitopenia imune tende a se tornar mais grave.

Os anticorpos que causam o distúrbio podem atravessar a placenta e alcançar o feto. No entanto, eles raramente afetam o número de plaquetas no feto.

Normalmente, é possível que o nascimento do feto ocorra por parto normal.

Tratamento da trombocitopenia imune

  • Corticosteroides

  • Às vezes, imunoglobulina, administrada por via intravenosa

Corticosteroides, geralmente a prednisona, administrados por via oral podem aumentar o número (valor) de plaquetas e, assim, melhorar a coagulação em gestantes com trombocitopenia imune. No entanto, essa melhora perdura em apenas 50% das mulheres. Também, a prednisona aumenta o risco de fazer com que o feto não se desenvolva tanto quanto o esperado ou que ele nasça prematuramente.

É possível que a mulher com uma redução perigosa no nível de plaquetas receba doses altas de imunoglobulina intravenosa pouco antes do parto. A imunoglobulina (anticorpos obtidos a partir do sangue de pessoas com um sistema imunológico normal) aumenta temporariamente o número de plaquetas e melhora a capacidade de coagulação do sangue. Assim, o trabalho de parto pode prosseguir em segurança e a mulher pode ter um parto normal sem sangramento descontrolado.

A gestante recebe transfusão de plaquetas apenas quando o número de plaquetas é tão baixo que poderia causar hemorragia grave ou, às vezes, quando é necessário fazer um parto por cesariana.

Raramente, quando a queda no número de plaquetas continua perigosa apesar do tratamento, o baço, que normalmente armazena e destrói células sanguíneas velhas e plaquetas, será removido pelo médico. O melhor período para realizar a cirurgia é durante o segundo trimestre.

Miastenia grave

A miastenia grave Miastenia grave A miastenia grave é uma doença autoimune em que a comunicação entre os nervos e os músculos é afetada, produzindo episódios de fraqueza muscular. A miastenia grave é causada por disfunção do... leia mais , que provoca fraqueza muscular, não costuma causar complicações graves ou permanentes durante a gestação. Contudo, é possível que a gestante apresente outros episódios de fraqueza. Assim, é possível que ela precise tomar doses mais elevadas dos medicamentos (como a neostigmina) utilizados para tratar o distúrbio. Esses medicamentos podem ter efeitos colaterais, como dor abdominal, diarreia, vômitos e aumento da fraqueza. Caso esses medicamentos não tenham eficácia, é possível que a mulher receba corticosteroides ou medicamentos que suprimem o sistema imunológico (imunossupressores).

Alguns medicamentos que são normalmente utilizados durante a gestação, como o magnésio, podem piorar a fraqueza muscular causada pela miastenia grave. Assim, a mulher que sofre de miastenia grave deve ter certeza de que o médico sabe disso.

Em casos raros, a mulher com miastenia grave precisa de ajuda para respirar (ventilação assistida) durante o parto.

Os anticorpos que causam este distúrbio podem atravessar a placenta. Assim, aproximadamente um em cada cinco bebês nascidos de mulheres com miastenia grave nascem com esse distúrbio. No entanto, a fraqueza muscular resultante no bebê é geralmente temporária, pois os anticorpos da mãe gradualmente desaparecem e o bebê não produz anticorpos deste tipo.

Artrite reumatoide

A artrite reumatoide Artrite reumatoide (AR) A artrite reumatoide é uma artrite inflamatória em que as articulações, geralmente incluindo as das mãos e pés, ficam inflamadas, resultando em inchaço, dor e, geralmente, destruição das articulações... leia mais Artrite reumatoide (AR) pode surgir durante a gestação ou até mesmo, com mais frequência, pouco depois do parto. Se a artrite reumatoide estava presente antes da gravidez, ela pode cessar temporariamente durante a gestação.

Se a artrite tiver danificado as juntas do quadril ou a parte inferior da coluna vertebral (lombar), o parto pode ser difícil para a mulher; porém, esse distúrbio não afeta o feto. Os sintomas da artrite reumatoide podem diminuir durante a gestação, mas eles normalmente retornam à intensidade original após a gravidez.

Se uma crise ocorrer durante a gestação, ela é tratada com prednisona (um corticosteroide). Caso a prednisona seja ineficaz, é possível que um medicamento que suprime o sistema imunológico (imunossupressor) seja utilizado.

Lúpus eritematoso sistêmico (LES ou lúpus)

O lúpus Lúpus eritematoso sistêmico (LES) O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença inflamatória autoimune crônica do tecido conjuntivo, que pode envolver as articulações, rins, pele, membranas mucosas e paredes dos vasos sanguíneos... leia mais Lúpus eritematoso sistêmico (LES) pode aparecer pela primeira vez, piorar ou tornar-se menos grave durante a gestação. Não é possível prever de que maneira uma gravidez afeta o curso do lúpus; porém, o período mais comum para exacerbações é imediatamente após o parto.

Problemas relacionados ao lúpus podem ser minimizados se for observado o seguinte:

  • A mulher esperar para engravidar até que o distúrbio tenha estado inativo por um período de seis meses.

  • A terapia medicamentosa foi ajustada para conseguir controlar o lúpus tanto quanto possível.

  • A pressão arterial e a função renal estiverem normais.

Os anticorpos de lúpus da gestante podem atravessar a placenta e chegar ao feto. Assim, o feto pode ter uma frequência cardíaca lenta, anemia, um baixo número de plaquetas ou um baixo número de glóbulos brancos. No entanto, esses anticorpos desaparecem gradativamente ao longo de várias semanas após o nascimento do bebê e os problemas que eles causam se resolvem, exceto a baixa frequência cardíaca.

Se a mulher com lúpus tomava hidroxicloroquina antes de engravidar, ela pode tomá-la também durante a gestação. Se ocorrerem exacerbações, é possível que a mulher precise tomar uma baixa dosagem de prednisona (um corticosteroide) por via oral, outro corticosteroide, como a metilprednisolona, ​​ou um medicamento que suprime o sistema imunológico (imunossupressores), como a azatioprina.

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