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Hematomas intracranianos

Por

James E. Wilberger

, MD, Drexel University College of Medicine;


Gordon Mao

, MD, Allegheny Health Network

Última revisão/alteração completa dez 2019| Última modificação do conteúdo dez 2019
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Os hematomas intracranianos são acúmulos de sangue dentro do cérebro ou entre o cérebro e o crânio.

  • Os hematomas intracranianos são formados quando um traumatismo craniano provoca acúmulos de sangue dentro do cérebro ou entre o cérebro e o crânio.

  • Os sintomas podem incluir dor de cabeça persistente, sonolência, confusão, alterações da memória, paralisia no lado oposto do corpo, dificuldades da fala ou da linguagem e outros sintomas, dependendo da zona do cérebro que foi danificada.

  • É realizada uma tomografia computadorizada ou uma Imagem por ressonância magnética para detectar um hematoma intracraniano.

  • Por vezes, é necessário realizar uma intervenção cirúrgica para drenar o sangue de um hematoma.

Os hematomas intracranianos incluem

Após a lesão, pode também surgir um sangramento entre a aracnoide-máter e a camada interna (pia-máter). Um sangramento nesta área é chamado hemorragia subaracnoidea. Contudo, visto que o sangue subaracnoide geralmente não se acumula em um local, não é considerado um hematoma.

Nos indivíduos que estão utilizando aspirina ou anticoagulantes (os quais aumentam o risco de sangramento), sobretudo os indivíduos idosos, é maior o risco de aparecimento de um hematoma, até mesmo depois de um traumatismo craniano leve. Os hematomas intracerebrais e as hemorragias subaracnoideas podem também resultar de acidentes vasculares cerebrais.

A maior parte dos hematomas epidurais e intracerebrais e vários hematomas subdurais desenvolvem-se rapidamente e provocam o aparecimento de sintomas no prazo de alguns minutos. Os hematomas grandes comprimem o cérebro e podem provocar edema e herniação do cérebro. A herniação pode causar perda de consciência, coma, paralisia em um ou nos dois lados do corpo, dificuldade em respirar, desaceleração do coração e até mesmo morte.

Alguns hematomas, particularmente os hematomas subdurais, podem se desenvolver lentamente e causar confusão e perda de memória graduais, especialmente em pessoas idosas. Estes sintomas são semelhantes aos sintomas da demência. A pessoa pode não se recordar do traumatismo craniano.

O diagnóstico de hematomas intracranianos baseia-se geralmente nos resultados da tomografia computadorizada (TC).

O tratamento dos hematomas intracranianos depende do tipo e tamanho do hematoma e da pressão acumulada no cérebro.

Tecidos que revestem o cérebro

No crânio, o cérebro é revestido por três camadas de tecido chamadas de meninges:

  • Dura-máter (camada externa)

  • Aracnoide-máter (camada intermediária)

  • Pia-máter (camada interna)

Entre a membrana aracnoide e a pia-máter há o espaço subaracnóideo. Esse espaço contém o líquido cefalorraquidiano que flui entre as meninges, preenche as cavidades intracerebrais e amortece o cérebro e a medula espinhal.

Tecidos que revestem o cérebro

Hematomas epidurais

Os hematomas epidurais são provocados pelo sangramento de uma artéria ou de uma grande veia (seio venoso) localizada entre o crânio e a camada externa do tecido que cobre o cérebro. O sangramento ocorre frequentemente quando uma fratura do crânio rasga o vaso sanguíneo.

Bolsas de sangue no cérebro

Um traumatismo craniano pode causar sangramento no cérebro. Estas podem resultar em uma bolsa de sangue entre o crânio e camada externa de tecido que cobre o cérebro. Esta bolsa de sangue é chamada um hematoma epidural. Pode também se formar uma bolsa de sangue entre a camada externa e camada média de tecido. Esta bolsa de sangue é chamada um hematoma subdural.

Bolsas de sangue no cérebro

Pode-se sentir uma dor de cabeça intensa de imediato ou várias horas depois da lesão. Por vezes, a dor de cabeça para e reaparece com mais intensidade, ao fim de algumas horas. Em seguida, pode-se verificar rapidamente uma deterioração da consciência, que se manifesta como confusão progressiva, sonolência e coma profundo. Alguns indivíduos perdem a consciência após o trauma, recuperam-na em seguida e passam por um período de função mental íntegra (intervalo lúcido), antes que o estado de consciência comece a deteriorar-se de novo. As pessoas podem desenvolver uma paralisia no lado do corpo oposto ao hematoma, dificuldades da fala ou da linguagem ou outros sintomas, dependendo da localização do dano cerebral.

O diagnóstico precoce de hematomas epidurais é crucial e baseia-se geralmente nos resultados da tomografia computadorizada (TC).

Os médicos tratam os hematomas epidurais assim que estes forem diagnosticados. É necessário tratamento imediato para prevenir danos permanentes. Geralmente, para drenar o excesso de sangue faz-se um ou mais orifícios no crânio. O cirurgião procura também a origem do sangramento e estanca-o.

Hematomas subdurais

Os hematomas subdurais são geralmente causados por sangramento das veias, incluindo as veias comunicantes, localizadas entre a camada média e a camada externa do tecido que reveste o cérebro (meninges). Ocasionalmente, os hematomas subdurais são causados por sangramento das artérias.

Os hematomas subdurais podem ser

  • Aguda: os sintomas se desenvolvem dentro de minutos ou poucas horas após a lesão.

  • Subagudos: os sintomas se desenvolvem ao longo de várias horas ou dias.

  • Crônica: os sintomas surgem gradualmente e podem levar semanas, meses ou anos.

Hematomas subdurais agudos ou subagudos podem ser causados por sangramento rápido após um traumatismo craniano grave. Hematomas subdurais agudos são muitas vezes causados por um traumatismo craniano que ocorre durante uma queda ou acidente com veículo motorizado. Também podem se desenvolver em pessoas que sofreram contusão cerebral ou hematoma epidural.

Os hematomas subdurais agudos podem causar edema no cérebro. O hematoma e o edema podem resultar em aumento da pressão dentro do crânio (pressão intracraniana), o que pode piorar os sintomas e aumentar o risco de morte.

Os hematomas subdurais crônicos são mais comuns entre pessoas que sofrem de alcoolismo, pessoas idosas e pessoas que tomam medicamentos para que o sangue tenha menos chance de formar coágulos (anticoagulantes ou antiplaquetários). As pessoas que sofrem de alcoolismo e pessoas idosas, que são relativamente propensas a quedas e a sangramentos, poderão ignorar ou esquecer-se de traumatismos cranianos pouco graves a moderadamente graves. Essas lesões podem provocar a formação de hematomas subdurais pequenos que, por vezes, se tornam crônicos.

No momento em que os sintomas são visíveis, o hematoma subdural crônico pode já estar muito grande. Hematomas crônicos são menos prováveis de causar um aumento rápido da pressão dentro do crânio do que os hematomas agudos.

Nos idosos, o cérebro retrai-se ligeiramente, estirando as veias comunicantes e tornando-as mais propensas a um rasgo, em caso de trauma, ainda que leve. Além disso, o sangramento tende a continuar durante mais tempo, pois o cérebro atrofiado exerce menos pressão na veia com sangramento, permitindo que esta perca mais sangue.

O sangue que permanece após um hematoma subdural é lentamente reabsorvido. Depois de reabsorvido o sangue de um hematoma, o cérebro pode não voltar a expandir-se nos idosos do mesmo modo que nos jovens. Como resultado, pode permanecer um espaço cheio de líquido (higroma). O higroma pode encher-se de sangue ou aumentar de tamanho devido ao rasgo dos vasos pequenos, o que provoca sangramentos repetidos.

Você sabia que...

  • Uma pessoa idosa com sintomas de demência poderá, em vez disso, apresentar um hematoma subdural, que pode ser tratado eficazmente.

Sintomas

Os sintomas de um hematoma subdural podem incluir dor de cabeça persistente, sonolência, confusão, alterações da memória, paralisia no lado do corpo oposto ao hematoma e dificuldades da fala ou da linguagem. Podem ocorrer outros sintomas, dependendo da localização do dano cerebral.

Em bebês, um hematoma subdural pode provocar um aumento de tamanho da cabeça (como na hidrocefalia), por ser um crânio mole e flexível. Por isso, a pressão dentro do crânio aumenta em menor grau nos bebês do que em crianças mais velhas e nos adultos.

Diagnóstico

  • Tomografia computadorizada ou imagem por ressonância magnética

Os hematomas subdurais crônicos são mais difíceis de diagnosticar, devido ao tempo decorrido entre a lesão e o aparecimento dos sintomas. Poderá ser considerado que uma pessoa idosa com sintomas que se desenvolvem gradualmente, tais como desgaste da memória e sonolência, sofre de demência.

A tomografia computadorizada (TC) pode detectar hematomas agudos, subagudos e muitos hematomas subdurais crônicos. A imagem por ressonância magnética (RM) é particularmente precisa para diagnosticar hematomas subdurais crônicos.

Tratamento

  • Para pequenos hematomas, geralmente não há tratamento

  • Para grandes hematomas, cirurgia para drená-los

Por vezes, os hematomas subdurais pequenos nos adultos não necessitam de tratamento, visto que o sangue é absorvido por si mesmo.

Se um hematoma subdural é grande e está causando sintomas como dor de cabeça persistente, sonolência flutuante, confusão, alterações da memória e paralisia no lado oposto do corpo, os médicos o drenam cirurgicamente, fazendo, por vezes, um pequeno orifício no crânio. Contudo, por vezes, é necessário abrir um orifício maior no crânio, por exemplo, quando o sangramento ocorreu muito recentemente ou quando o sangue é demasiado espesso para ser drenado por um orifício pequeno. Durante a cirurgia, um dreno é introduzido e deixado no local durante vários dias, visto que os hematomas subdurais podem reaparecer. O indivíduo é monitorado cuidadosamente com o objetivo de detectar o aparecimento de reincidências.

Nas crianças mais novas, o médico pode drenar o hematoma por razões estéticas se não por qualquer outro motivo.

Apenas cerca de 50% dos indivíduos que são tratados devido a um hematoma subdural agudo de grande tamanho sobrevivem. As pessoas tratadas devido um hematoma subdural crônico geralmente melhoram ou não pioram.

Hematomas intracerebrais

Os hematomas intracerebrais são frequentes após um traumatismo craniano grave. Estes podem ser causados por uma contusão do cérebro (uma contusão cerebral). Não existe uma definição exata de quando uma ou mais contusões se tornam um hematoma.

As pessoas podem desenvolver sonolência, confusão, paralisia no lado do corpo oposto ao hematoma, dificuldades da fala ou da linguagem ou outros sintomas, dependendo da localização do dano cerebral.

O acúmulo de líquido no cérebro danificado (edema cerebral) é comum. Aumenta a pressão no crânio (pressão intracraniana): Quando a pressão dentro do crânio aumenta, o cérebro pode receber menos sangue e oxigênio. Se a pressão for alta o suficiente, o cérebro pode ser forçado através de uma pequena abertura natural nas membranas de tecido relativamente rígidas que dividem o cérebro em compartimentos (herniação cerebral). O edema cerebral e suas complicações são responsáveis pela maior parte das mortes.

Tomografia computadorizada (TC) ou imagem por ressonância magnética (RM) podem detectar hematomas intracerebrais.

Geralmente, evita-se a cirurgia pelos seguintes motivos:

  • Hematomas intracerebrais são causados por danos diretos ao cérebro.

  • Geralmente, a cirurgia não recupera a função cerebral.

  • Os hematomas estão dentro do tecido cerebral. Assim, os médicos devem remover o cérebro sobreposto para chegar até o hematoma. A remoção do tecido contribui para a perda da função cerebral.

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