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Imunidade adquirida

Por

Peter J. Delves

, PhD, University College London, London, UK

Última revisão/alteração completa abr 2020| Última modificação do conteúdo abr 2020
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Esta defesa consiste de duas partes:

A imunidade adquirida (adaptativa ou específica) não se encontra presente desde o nascimento. É adquirida. O processo de aprendizagem começa quando o sistema imunológico de uma pessoa encontra invasores estranhos e reconhece substâncias não próprias (antígenos). Então, os componentes da imunidade adquirida aprendem a melhor maneira de atacar cada antígeno e começam a desenvolver uma memória para aquele antígeno. A imunidade adquirida é também denominada específica porque planeja um ataque a um antígeno específico previamente encontrado. Suas características são as capacidades de aprender, adaptar e lembrar.

A imunidade adquirida leva tempo para se desenvolver após a primeira exposição a um novo antígeno. Entretanto, posteriormente, o antígeno é lembrado e a resposta subsequente àquele antígeno é mais rápida e eficaz comparada à resposta que ocorreu após a primeira exposição.

Os glóbulos brancos responsáveis pela imunidade adquirida são

  • Linfócitos (células T e células B)

Outros participantes na imunidade adquirida são

Linfócitos

Os linfócitos permitem ao organismo lembrar os antígenos e distinguir o que próprio do que não é próprio do corpo e é prejudicial (inclusive vírus e bactérias). Os linfócitos circulam através da corrente sanguínea e do sistema linfático Sistema linfático: Ajuda a proteger contra as infecções O sistema imunológico foi concebido para defender o corpo contra invasores estranhos ou perigosos. Tais invasores incluem Micro-organismos (comumente chamados germes, como bactérias, vírus e... leia mais , passando para os tecidos quando a sua presença é necessária.

O sistema imunológico pode lembrar de cada antígeno deparado, pois após um encontro, alguns linfócitos desenvolvem-se em células de memória. Estas células vivem por um bom tempo, durante anos ou mesmo décadas. Quando as células de memória se deparam com um antígeno pela segunda vez, o reconhecimento é imediato e a resposta é rápida, enérgica e específica contra este antígeno específico. Esta resposta imunológica específica constitui a razão pela qual os indivíduos não contraem a varicela ou o sarampo mais de uma vez e o motivo pelo qual a vacinação pode evitar determinadas doenças.

Os linfócitos podem ser células T ou células B. As células B e as células T trabalham juntas para destruir os invasores.

Células T

As células T se desenvolvem a partir de células-tronco na medula óssea que se deslocaram para um órgão no tórax chamado timo. Lá, elas aprendem a distinguir antígenos próprios de não próprios para não atacar os tecidos próprios do corpo. Normalmente, somente as células T que aprendem a ignorar os antígenos próprios do organismo (antígenos próprios) amadurecem e deixam o timo.

As células T podem potencialmente reconhecer um número praticamente ilimitado de antígenos distintos.

As células T maduras são armazenadas nos órgãos linfoides secundários (linfonodos, baço, amígdalas, apêndice e placas de Peyer no intestino delgado). Estas células circulam na corrente sanguínea e no sistema linfático. Após elas se depararem com uma célula infectada ou anormal, elas são ativadas e buscam estas células em particular.

Em geral, para serem ativadas, as células T precisam da ajuda de outra célula imunológica, que quebra os antígenos em fragmentos (chamado processamento do antígeno O sistema imunológico foi concebido para defender o corpo contra invasores estranhos ou perigosos. Tais invasores incluem Micro-organismos (comumente chamados germes, como bactérias, vírus e... leia mais ) e, então, apresenta o antígeno da célula infectada ou anormal para a célula T. Em seguida, a célula T se multiplica e se especializa em diferentes tipos de células T. Esses tipos incluem

  • Células T killer (citotóxicas) aderem aos antígenos em células infectadas ou anormais (cancerígenas, por exemplo). As células T killer matam estas células fazendo furos em suas membranas e injetando enzimas nas células.

  • Células T auxiliares ajudam outras células imunológicas. Algumas células T auxiliares ajudam as células B a produzirem anticorpos contra antígenos estranhos. Outras ajudam a ativar as células T killer para matar células infectadas ou anormais, ou ainda ajudam a ativar os macrófagos, permitindo que eles ingiram células infectadas ou anormais de forma mais eficaz.

  • Células T supressoras (reguladoras) produzem substâncias que ajudam a encerrar a resposta imunológica ou por vezes, evitam que ocorram certas respostas prejudiciais.

Inicialmente, quando as células T se deparam com um antígeno, a maioria desempenha sua função, mas algumas se desenvolvem em células de memória, que lembram do antígeno e lhe respondem de forma mais vigorosa em um segundo encontro.

As células T, por vezes, por motivos não totalmente compreendidos, não distinguem o que é próprio do que não é próprio do corpo. Essa disfunção pode resultar em uma doença autoimune Doenças autoimunes Uma doença autoimune é um mau funcionamento do sistema imunológico, levando o corpo a atacar os seus próprios tecidos. Ainda não se sabe o que desencadeia as doenças autoimunes. Os sintomas... leia mais , em que o organismo ataca seus próprios tecidos.

Células B

As células B são formadas na medula óssea. As células B possuem locais específicos na sua superfície (receptores), aos quais os antígenos podem aderir. As células B podem aprender a reconhecer um número praticamente ilimitado de antígenos distintos.

A principal finalidade das células B é produzir anticorpos, que marcam um antígeno para atacar ou neutralizar diretamente. As células B também podem apresentar o antígeno a células T, que são então ativadas.

A resposta aos antígenos por parte das células B tem duas fases:

  • Resposta imunológica primária: Primeiramente, quando as células B se deparam com um antígeno, o antígeno adere ao receptor, estimulando as células B. Algumas células B se transformam em células de memória, lembrando aquele antígeno específico, e outras se transformam em plasmócitos. As células T auxiliares ajudam as células B neste processo. Os plasmócitos produzem anticorpos que são específicos para os antígenos que estimulam a sua produção. Após o primeiro encontro com um antígeno, a produção de anticorpos específicos demora alguns dias. Por isso, a resposta imunológica primária é lenta.

  • Resposta imunológica secundária: Depois disto, no entanto, sempre que as células B se depararem com o antígeno novamente, as células B de memória rapidamente reconhecem um antígeno, se multiplicam, se transformam em plasmócitos e produzem anticorpos. Esta resposta é rápida e eficaz.

Células dendríticas

As células dendríticas residem na pele, nos linfonodos e nos tecidos de todo o organismo. A maioria das células dendríticas são células apresentadoras de antígenos O sistema imunológico foi concebido para defender o corpo contra invasores estranhos ou perigosos. Tais invasores incluem Micro-organismos (comumente chamados germes, como bactérias, vírus e... leia mais . Ou seja, elas ingerem, processam e apresentam antígenos, permitindo que as células T helper reconheçam o antígeno. As células dendríticas apresentam fragmentos de antígenos às células T nos linfonodos.

Outro tipo de célula dendrítica, a célula dendrítica folicular, está presente em linfonodos e apresenta antígenos brutos (intactos), que foram ligados com um anticorpo (complexo antígeno-anticorpo) às células B. As células dendríticas foliculares ajudam as células B a responder a um antígeno.

Após as células T e B serem apresentadas com o antígeno, elas são ativadas.

Anticorpos

Quando a célula B se depara com um antígeno, ela é estimulada a amadurecer tornando-se um plasmócitos ou célula B de memória. Os plasmócitos liberam anticorpos (também denominados de imunoglobulinas, ou Ig). Existem cinco classes de anticorpos – IgM, IgG, IgA, IgE e IgD.

Os anticorpos protegem o organismo das seguintes maneiras:

Os anticorpos são essenciais para combater determinadas infecções bacterianas ou fúngicas. Também ajudam a lutar contra os vírus.

Os anticorpos aderem ao antígeno, que foram formados para reconhecer, formando um complexo imunológico (complexo anticorpo-antígeno). O anticorpo e o antígeno encaixam bem juntos, como peças de um quebra-cabeça. Por vezes um anticorpo pode aderir a outros antígenos se os antígenos forem muito parecidos com o antígeno para o qual o anticorpo foi formado para reconhecer e aderir.

Estrutura básica em Y dos anticorpos

Uma molécula de anticorpos tem, basicamente, a forma de um Y. A molécula é composta por duas partes:

  • Parte variável: Uma parte varia entre um anticorpo e outro, dependendo do antígeno ao qual o anticorpo se liga. O antígeno adere à parte variável.

  • Parte constante: Esta parte constitui uma das cinco estruturas, que determina a classe do anticorpo - IgM, IgG, IgA, IgE ou IgD. Esta parte é a mesma dentro de cada classe.

Estrutura básica em Y dos anticorpos

Cada molécula de anticorpo tem duas partes:

  • Parte variável: Esta parte varia. É especializada em aderir a um antígeno específico.

  • Parte constante: Esta parte é uma dentre cinco estruturas, que determina a classe do anticorpo - IgM, IgG, IgA, IgE ou IgD. Esta parte é a mesma dentro de cada classe e determina a função do anticorpo.

Um anticorpo pode alterar sua parte constante e passar para uma classe diferente, mas sua parte variável não muda. Assim, ele sempre consegue reconhecer o antígeno específico para o qual foi formado para se fixar.

IgM

Este tipo de anticorpo é produzido quando encontra um determinado antígeno (como o antígeno de um micro-organismo infeccioso) pela primeira vez. A resposta desencadeada na ocasião do primeiro encontro com um antígeno é denominada resposta imunológica primária. A IgM então adere ao antígeno, ativando o sistema de complemento, e desta forma os micro-organismos são mais fáceis de serem ingeridos.

Normalmente, a IgM encontra-se presente na corrente sanguínea, mas não nos tecidos.

IgG

A IgG, o tipo mais frequente de anticorpo, é produzida quando um antígeno específico é novamente encontrado. Uma maior quantidade de anticorpo é produzida nesta resposta (denominada resposta imunológica secundária) do que na resposta imunológica primária. A resposta imunológica secundária é também mais rápida e os anticorpos produzidos, especialmente IgG, são mais eficazes.

A IgG protege contra as bactérias, os vírus, os fungos e as substâncias tóxicas.

A IgG encontra-se presente na corrente sanguínea e nos tecidos. É a única classe de anticorpo que passa da mãe para o feto, através da placenta. A IgG da mãe protege o feto e o recém-nascido até que o sistema imunológico do bebê possa produzir os seus próprios anticorpos.

IgA

Estes anticorpos ajudam a defender o organismo da invasão de micro-organismos através das superfícies do corpo, que se encontram revestidas por uma membrana mucosa, como o nariz, os olhos, os pulmões e o trato digestivo.

A IgA está presente nos seguintes:

  • Corrente sanguínea

  • Secreções produzidas por membranas mucosas (como lágrimas e saliva)

  • O colostro (líquido produzido pelas mamas nos primeiros dias após o parto, antes da produção do leite)

IgE

Estes anticorpos desencadeiam reações alérgicas Considerações gerais sobre reações alérgicas As reações alérgicas (reações de hipersensibilidade) são respostas inadequadas do sistema imunológico a uma substância que normalmente é inofensiva. Geralmente, as alergias causam espirros,... leia mais Considerações gerais sobre reações alérgicas imediatas. A IgE se liga aos basófilos Basófilos Uma das linhas de defesa do corpo (sistema imunológico) envolve glóbulos brancos (leucócitos) que se deslocam através da corrente sanguínea e penetram nos tecidos para detectar e atacar micro-organismos... leia mais (um tipo de glóbulo branco) na corrente sanguínea e aos mastócitos Mastócitos Uma das linhas de defesa do corpo (sistema imunológico) envolve glóbulos brancos (leucócitos) que se deslocam através da corrente sanguínea e penetram nos tecidos para detectar e atacar micro-organismos... leia mais nos tecidos. Quando os basófilos ou os mastócitos ligados à IgE se deparam com alérgenos (antígenos que provocam reações alérgicas), liberam substâncias (como a histamina) que causam inflamação e lesionam os tecidos circundantes. Desse modo, a IgE é o único tipo de anticorpo que, com frequência, parece ser mais prejudicial do que benéfico. No entanto, a IgE pode revelar-se útil na defesa contra determinadas infecções parasitárias, comuns em alguns países em desenvolvimento.

Estão presentes pequenas quantidades de IgE na corrente sanguínea e na mucosa do sistema digestivo. Essas quantidades são maiores em indivíduos com asma, febre do feno, outros distúrbios alérgicos ou infecções parasitárias.

IgD

A IgD está presente principalmente na superfície das células B imaturas. Ela ajuda estas células a amadurecerem.

Pequenas quantidades destes anticorpos estão presentes na corrente sanguínea. Sua função na corrente sanguínea, se é que existe alguma, não é bem compreendida.

Estratégias de ataque

Os diferentes tipos de micro-organismos invasores que existem são atacados e destruídos de formas diferentes.

Alguns micro-organismos são diretamente reconhecidos, ingeridos e destruídos pelas células que ingerem estes invasores (os fagócitos), como os neutrófilos e os macrófagos.

Contudo, os fagócitos não são capazes de reconhecer diretamente determinadas bactérias, pois estas se encontram rodeadas por uma cápsula. Nesses casos, as células B devem ajudar os fagócitos no processo de reconhecimento. As células B produzem anticorpos contra os antígenos contidos na cápsula das bactérias. Os anticorpos aderem à cápsula. O fagócito pode então reconhecer a bactéria.

Alguns micro-organismos não podem ser totalmente eliminados. Para se defender desses micro-organismos, o sistema imunológico constrói uma parede à sua volta. A parede é formada quando os fagócitos, sobretudo os macrófagos, aderem uns aos outros. A parede ao redor dos micro-organismos recebe o nome de granuloma. Algumas bactérias aprisionadas desse modo conseguem sobreviver no organismo indefinidamente. Quando o sistema imunológico fica debilitado (até mesmo 50 ou 60 anos depois), as paredes do granuloma podem desmoronar e as bactérias podem começar a se multiplicar, produzindo sintomas.

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Imunodeficiência comum variável (ICV)
A imunodeficiência comum variável (ICV) é uma imunodeficiência caracterizada por níveis muito baixos de anticorpos (imunoglobulinas), ainda que o número de células B (linfócitos) esteja normal. Em qual das seguintes faixas etárias esta doença é mais frequentemente diagnosticada?
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