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Parada cardíaca e reanimação cardiopulmonar

Por

Shira A. Schlesinger

, MD, MPH, Harbor-UCLA Medical Center

Última revisão/alteração completa jul 2021| Última modificação do conteúdo jul 2021
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A parada cardíaca ocorre quando o coração deixa de bombear sangue e oxigênio para o cérebro e para outros órgãos e tecidos. Às vezes, uma pessoa pode ser reanimada após a parada cardíaca, especialmente se o tratamento for iniciado imediatamente. No entanto, quanto mais tempo se passar sem que o sangue que contém oxigênio seja bombeado para o cérebro, menores são as probabilidades de a pessoa ser reanimada, e, caso isso aconteça, maiores são as probabilidades de que a pessoa tenha dano cerebral.

A lesão cerebral é provável se a parada cardíaca durar mais de cinco minutos sem intervenção de primeiros socorros de reanimação cardiopulmonar (RCP). A morte é provável se a parada cardíaca durar mais de oito minutos. Portanto, a RCP para parada cardíaca deve ser iniciada o mais rapidamente possível.

A parada cardíaca pode ser causada por qualquer coisa que faça com que o coração pare de bater. Uma causa comum, especialmente em adultos, é um ritmo cardíaco anormal Considerações gerais sobre arritmias cardíacas Arritmias cardíacas são sequências de batimentos cardíacos irregulares, muito rápidos ou muito lentos, ou que percorrem o coração por vias anormais de conduç... leia mais Considerações gerais sobre arritmias cardíacas (arritmia). Outra causa possível é parada respiratória, como quando uma pessoa se afoga ou sofre de uma infecção pulmonar grave ou ataque grave de asma.

Uma pessoa que sofre uma parada cardíaca permanece imóvel e não responde a perguntas nem a qualquer estímulo, como sacudidelas. A pessoa pode não estar respirando ou podem ter uma respiração ofegante e irregular, chamada de respiração agonal.

Tratamento de primeiros socorros

As medidas essenciais que devem ser tomadas para aumentar a chance de sobrevivência de uma pessoa são chamadas de cadeia de sobrevivência Cadeia de sobrevivência fora do hospital Cadeia de sobrevivência fora do hospital da parada cardíaca. A cadeia de sobrevivência começa com o reconhecimento pelo observador da parada cardíaca e continua com a ligação para o atendimento de emergência, aplicação da reanimação cardiopulmonar (RCP) e da desfibrilação quando disponível e fornecimento de cuidados de alta qualidade em um hospital pós-parada cardíaca. Sem a realização bem-sucedida de cada umas dessas medidas, é improvável que uma pessoa sobreviva.

O reconhecimento e o tratamento da parada cardíaca devem, de modo ideal, ocorrer quase ao mesmo tempo. Um socorrista que encontra alguém inconsciente deve primeiro determinar se a pessoa é incapaz de responder, perguntando em voz alta “Você está bem?”. Se não obtiver resposta, o socorrista deve posicionar a pessoa de costas e observar, a fim de determinar se a respiração também parou ou se está normal.

Se a pessoa não responder aos estímulos e não estiver respirando ou estiver respirando de modo anormal (por exemplo, ofegando), deve-se iniciar as medidas de reanimação cardiopulmonar de emergência e chamar o atendimento médico de emergência local (nos EUA, ligar para 911; no Brasil, ligar para 192). Os socorristas não devem tentar verificar a presença de batimentos cardíacos, mas devem começar a reanimação cardiopulmonar assim que possível, já que o risco de realizar compressões no peito de uma pessoa que não está em parada cardíaca é muito menor do que o risco de não fazer compressões no peito quando necessário.

A reanimação cardiopulmonar deve ser iniciada imediatamente por um socorrista, enquanto uma segunda pessoa entra em contato com o atendimento de emergência e busca um desfibrilador externo automático (DEA), se disponível. A reanimação cardiopulmonar não deve ser adiada enquanto o DEA é buscado, e o DEA pode ser usado assim que disponível. Alguns atendentes do atendimento de emergência fornecem instruções por telefone para auxiliar o cuidado direto, inclusive dando instruções de como fazer uma reanimação cardiopulmonar apenas por compressão RCP somente com compressão A parada cardíaca ocorre quando o coração deixa de bombear sangue e oxigênio para o cérebro e para outros órgãos e tecidos. Às vezes, uma pessoa pode ser reanimada após a parada cardíaca, especialmente... leia mais RCP somente com compressão .

Um DEA pode determinar rapidamente se a pessoa tem um ritmo cardíaco anormal que possa ser tratado por choque elétrico (chamado desfibrilação). Se o DEA detectar um ritmo anormal que possa ser corrigido, ele emite o choque, o que pode fazer com o que o coração comece a bater de novo. Os DEAs são fáceis de usar e estão disponíveis em muitos locais públicos. As instruções de uso por escrito estão disponíveis em cada DEA e devem ser seguidas. A maioria dos DEAs modernos também emitem instruções de voz sobre como usar o DEA. A Cruz Vermelha dos EUA, a Associação Americana do Coração e diversas outras organizações fornecem treinamentos sobre a reanimação cardiopulmonar e o uso dos DEAs.

Cadeia de sobrevivência fora do hospital

Os elos essenciais da cadeia de sobrevivência consistem em

  • Acesso precoce ao atendimento de emergência: Quanto antes um observador reconhecer que uma parada cardíaca ocorreu, mais rapidamente alguém pode chamar o atendimento médico de emergência e mais rapidamente a equipe chegará ao local para dar o suporte avançado.

  • Reanimação cardiorrespiratória (RCP) precoce: Quanto antes o socorrista começar a RCP (especificamente com compressões no peito), maior a chance de o cérebro e outros órgãos vitais receberem oxigênio suficiente para manter a pessoa com vida até que um desfibrilador externo automático (DEA) possa ser utilizado ou que cuidados médicos mais avançados sejam proporcionados.

  • Desfibrilação precoce: Às vezes, um choque elétrico, denominado desfibrilação, precisa ser administrado para restaurar o ritmo normal do coração. Quanto antes for realizado, melhor.

  • Fornecimento precoce de suporte médico avançado: Quanto antes a equipe de atendimento médico de urgência (emergency medical services, EMS) puder assumir o que o socorrista iniciou, quanto antes a pessoa pode se beneficiar do suporte médico avançado.

As pessoas que são ressuscitadas precisam de monitoramento e tratamento avançados e, por fim, reabilitação e outras medidas para melhorar a recuperação.

Getty Images/Stock photo

Desfibrilador externo automatizado: Impulsionar o coração

Um desfibrilador externo automatizado (DEA) é um dispositivo que pode detectar e corrigir tipos específicos de ritmo cardíaco anormal chamado fibrilação ventricular Fibrilação ventricular A fibrilação ventricular é uma série potencialmente fatal de contrações descoordenadas, ineficazes e muito rápidas dos ventrículos (câmaras inferiores... leia mais Fibrilação ventricular e taquicardia ventricular Taquicardia Ventricular Taquicardia ventricular é um ritmo cardíaco iniciado nos ventrículos (câmaras inferiores do coração) e produz uma frequência cardíaca de pelo menos 120... leia mais Taquicardia Ventricular . Esses ritmos cardíacos anormais são frequentemente a causa da parada cardíaca. Assim que a parada cardíaca é reconhecida, a reanimação cardiopulmonar (RCP) deve ser iniciada. Um DEA deve ser usado assim que estiver disponível, enquanto outro observador ativa o sistema de resposta de emergência. Se o DEA detectar um ritmo cardíaco anormal, ele fornece um choque elétrico (desfibrilação) que pode restaurar o ritmo cardíaco normal e fazer com que o coração comece a bater de novo. O cuidado médico de emergência deve ser obtido mesmo se o coração tiver começado batendo de novo. A RCP deve ser continuada imediatamente depois da aplicação de um choque e mantida até que a pessoa comece a respirar normalmente e/ou se mova ou até que os profissionais de atendimento médico de emergência (EMS) cheguem à cena e assumam os cuidados. O DEA continuará a analisar o ritmo cardíaco da pessoa a cada dois minutos e fornecerá choques adicionais, se indicado.

Os DEAs são fáceis de usar. A Cruz Vermelha e outras organizações fornecem sessões de formação sobre o uso dos DEAs. A maioria das sessões de treinamento demora somente algumas horas; mas é possível usar um DEA mesmo se você nunca tiver participado de um curso de treinamento. Diferentes DEAs têm instruções ligeiramente diferentes de uso. As instruções estão escritas no DEA, e DEAs mais modernos também usam instruções de voz para orientar o usuário em cada passo. Os DEAs estão disponíveis em muitos locais públicos, como estádios, aeroportos e casas de show. As pessoas informadas por seu médico da probabilidade de desenvolverem fibrilação ventricular, mas que não têm um desfibrilador implantado, podem desejar comprar um DEA para uso doméstico pelos membros da família, que devem ser treinados para o uso.

Desfibrilador externo automatizado: Impulsionar o coração

A habilitação para praticar a RCP é obtida por meio de um curso de formação, como um oferecido pela Cruz Vermelha ou a Associação Americana do Coração. (Cursos de treinamento podem ser encontrados por meio dos sites da Cruz Vermelha dos EUA ou da Associação Americana do Coração.) Além disso, realizar cursos de atualização periódicos pode ajudar, uma vez que os procedimentos podem mudar com o tempo.

Existem dois métodos de RCP:

  • RCP padrão (feita por socorristas treinados para fornecer compressões no peito e respiração boca a boca)

  • Somente compressão (realizada por socorristas não treinados ou relutantes em fazer respiração boca a boca)

Estudos têm mostrado que a RCP apenas por compressão é tão eficaz quanto a RCP padrão para adolescentes e adultos nos primeiros minutos de parada cardíaca. A RCP padrão poderá ser mais eficaz para crianças e bebês e para pessoas cuja parada cardíaca tem causa respiratória, mas apenas se o socorrista tiver sido treinado.

RCP: Quão eficaz é na verdade?

Na televisão e nos filmes, as pessoas que desmaiam por parada cardíaca e recebem a reanimação cardiorrespiratória (RCP) muitas vezes acordam durante ou após a RCP.

Na vida real, é muito menos provável que as pessoas sejam reanimadas pela RCP em si. Em vez disso, a RCP é feita para circular o sangue que contém oxigênio dos pulmões para o cérebro e para os órgãos até que o coração possa ser reiniciado com um desfibrilador, muitas vezes com a ajuda de medicamentos especiais administrados pela equipe de atendimento médico de emergência.

Apenas uma pequena porcentagem das pessoas que sofrem uma parada cardíaca sobreviverá até chegar a um hospital. Mesmo aquelas que chegam ao hospital vivas muitas vezes morrem como resultado do problema cardíaco subjacente antes de terem altas. Das pessoas que deixam o hospital, muitas não recuperam sua função mental normal. Os fatores mais importantes que influenciam se a pessoa vai sobreviver a uma parada cardíaca e voltar à vida normal após a alta hospitalar são o início rápido da RCP e da desfibrilação.

Geralmente na televisão ou nos filmes, a RCP é feita em uma pessoa jovem e relativamente saudável, por vezes alguém que sofreu uma lesão séria. Na realidade, a maioria das pessoas que precisam de RCP são adultos de idade mais avançada, que muitas vezes sofrem de muitas doenças subjacentes séria. Estas pessoas têm uma menor probabilidade de êxito após a RCP. Além disso, se a causa de parada cardíaca for uma lesão traumática, a RCP raramente é eficaz.

Na televisão e nos filmes, a pessoa ou morre ou recupera completamente. Na realidade, muitas pessoas que sobrevivem a uma parada cardíaca adquirem incapacidades sérias, como resultado da falta de fluxo sanguíneo para o cérebro.

RCP padrão

A RCP padrão combina a respiração artificial (reanimação boca a boca para fornecer oxigênio aos pulmões) com compressões do peito, que forçam o sangue que contém oxigênio a sair do coração e ir até o cérebro e demais órgãos vitais.

A sequência de RCP começa com 30 compressões do peito, seguidas por duas respirações boca a boca, e continua em uma proporção de 30:2 até que o socorrista seja substituído pela equipe de emergência. As compressões do peito podem cansar uma pessoa rapidamente, resultando em compressões muito fracas para circular o sangue de modo eficaz. Assim, se dois ou mais socorristas estiverem presentes, eles devem trocar a cada dois minutos, ou menos, se o socorrista que está realizando as compressões começar a se sentir cansado.

Para realizar as compressões no peito de adultos ou crianças, o socorrista deve posicionar a pessoa virada para cima, movendo ao mesmo tempo a cabeça, o corpo e os membros. O socorrista estende seus braços e os mantém retos e “travados” nos cotovelos, inclina-se sobre a pessoa e coloca ambas as mãos, uma sobre a outra, no centro do peito (entre os mamilos, no esterno). Então, o socorrista comprime o peito a uma profundidade de pelo menos duas polegadas (cinco centímetros) em adultos. Em crianças, o socorrista comprime o peito em aproximadamente duas polegadas (cinco centímetros) e poderá precisar usar somente uma mão para comprimir em uma criança menor. Caso se trate de um bebê (até um ano de idade), o socorrista poderá usar dois dedos para comprimir o esterno do bebê, logo abaixo dos mamilos, a uma profundidade de aproximadamente uma polegada e meia (cerca de quatro centímetros) ou um terço do diâmetro do peito. De maneira alternativa, os socorristas treinados podem optar por envolver o peito do bebê com as duas mãos e fazer compressões com os polegares.

Para realizar a respiração boca a boca, o socorrista primeiro examina a boca e a garganta em busca de quaisquer objetos visíveis que possam estar bloqueando as vias respiratórias e, se for o caso, remove-os. O socorrista abre então as vias aéreas ao inclinar a cabeça da pessoa e levantar o queixo (consulte a figura Abrir vias respiratórias em um adulto Abrindo as vias respiratórias em um adulto ou uma criança Abrindo as vias respiratórias em um adulto ou uma criança ). A boca do socorrista cobre a boca da pessoa e, então, o socorrista exala ar para os pulmões da pessoa (insuflações de resgate). As vias respiratórias da pessoa devem permanecer abertas durante a respiração artificial. Para impedir que o ar saia pelo nariz da pessoa, o nariz pode ser tapado, apertando à medida que o socorrista expira ar para a boca. A respiração artificial feita a crianças e adultos é bastante semelhante.

Para respiração artificial em um bebê, a boca do socorrista cobre a boca e o nariz do bebê. Para prevenir lesões nos pulmões do bebê, que são menores, o socorrista deve expirar com menos força do que com os adultos. Se o peito subir, o socorrista deve realizar duas insuflações profundas e lentas. Caso o peito não se mova após a respiração boca a boca, isso indica que as vias respiratórias do bebê estão obstruídas, mas a RCP deve continuar. Sempre que a via respiratória se abrir durante a RCP, o socorrista deve procurar por corpos estranhos na boca do bebê e, caso encontre algum, deve removê-lo.

A RCP padrão pode ser feita por uma pessoa (uma única pessoa realiza insuflações de resgate e compressões do tórax alternadamente) ou por duas pessoas (uma realiza insuflações de resgate e a outra compressões do tórax). Na RCP padrão, um único socorrista faz 30 compressões e, em seguida, duas insuflações. Se estiverem presentes dois socorristas, quando crianças ou bebês precisarem de RCP, é preferível uma relação de 15:2, enquanto nos recém-nascidos, é recomendada uma relação de 3:1. As compressões são feitas a uma frequência de 100 a 120 vezes por minuto em pessoas de todas as idades. A RCP é continuada até a assistência médica chegar ou a pessoa recuperar.

Abrindo as vias respiratórias em um adulto ou uma criança

Depois de fazer 30 compressões, o socorrista inclina a cabeça da pessoa ligeiramente para trás e levanta o queixo, o que moverá a língua, impedindo que ela bloqueie as vias respiratórias. Em seguida, o socorrista deve tapar-lhe o nariz, fazer uma respiração normal, colocar a boca sobre a boca da pessoa e soprar por tempo suficiente para que o peito da pessoa infle um pouco (cerca de um segundo). Isso se repetirá por uma segunda vez, seguida imediatamente por outras 30 compressões.

Abrindo as vias respiratórias em um adulto ou uma criança

RCP somente com compressão

A RCP somente com compressão (às vezes chamada de RCP somente com as mãos) envolve a aplicação de compressões contínuas no peito, sem respiração boca a boca. A RCP somente com compressão é recomendada quando o socorrista não têm treinamento em RCP padrão ou é incapaz ou não está disposto a realizar a respiração boca a boca. Para bebês, crianças e pessoas cuja causa da parada cardíaca pareça ser a interrupção da respiração, como pessoas que se afogaram, a RCP padrão com insuflações de resgate é preferível. No entanto, se os socorristas não estiverem dispostos ou forem incapazes de realizar a respiração artificial, eles ainda devem realizar a RCP somente com compressão, até mesmo em pessoas para as quais se considerar que a parada cardíaca ocorreu por um problema com a respiração.

Realizar compressões do peito em um adulto

Para realizar compressões do peito para reanimação cardiopulmonar (RCP), um socorrista ajoelha-se de um lado e, com os braços esticados, inclina-se sobre a pessoa e coloca ambas as mãos, uma sobre a outra, imediatamente acima (cerca de dois dedos) da parte inferior do esterno (chamado de processo xifoide). O socorrista comprime o peito em pelo menos duas polegadas (cinco centímetros) nos adultos. O peito é comprimido cerca de 100 a 120 vezes por minuto, permitindo que ele se eleve totalmente de volta à altura inicial, entre cada compressão.

Realizar compressões do peito em um adulto

Realizar compressões do peito em um bebê

Realizar compressões do peito em um bebê

Mais informações

Seguem alguns recursos em inglês que podem ser úteis. Vale ressaltar que O MANUAL não é responsável pelo conteúdo desses recursos.

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