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Desnutrição

Por

John E. Morley

, MB, BCh, Saint Louis University School of Medicine

Última revisão/alteração completa jan 2020| Última modificação do conteúdo jan 2020
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A desnutrição é uma deficiência de calorias ou de um ou mais nutrientes essenciais.

  • A desnutrição pode surgir porque as pessoas não conseguem obter ou preparar alimentos, porque apresentam algum distúrbio que dificulta a ingestão ou absorção de alimentos ou porque possuem uma necessidade de calorias excessivamente alta.

  • A desnutrição é geralmente óbvia: As pessoas ficam com peso abaixo do normal, os ossos ficam salientes, a pele fica seca e sem elasticidade e os cabelos ficam secos e caem com facilidade.

  • Os médicos geralmente conseguem diagnosticar a desnutrição com base na aparência, altura e peso e situação da pessoa (incluindo informações sobre dieta e perda de peso).

  • As pessoas recebem alimentos em quantidades que aumentam gradualmente, por via oral se possível, mas, às vezes, por um tubo inserido na garganta que chega até o estômago ou inseridos pela veia (via intravenosa).

Acredita-se que a desnutrição seja uma deficiência básica de calorias (ou seja, do consumo geral de alimentos) ou proteínas. As deficiências de vitaminas e as deficiências de minerais tendem a ser consideradas como distúrbios distintos. No entanto, quando as calorias são insuficientes, as vitaminas e os minerais também tendem a sê-lo. A desnutrição, muitas vezes chamada de má nutrição, é, na verdade, um tipo de má nutrição.

A má nutrição é um desequilíbrio entre os nutrientes de que o corpo precisa e os nutrientes que o corpo obtém. Assim, a má nutrição também inclui a sobrealimentação (consumo excessivo de calorias ou nutrientes específicos – proteínas, gorduras, vitaminas, minerais ou outros suplementos dietéticos), além de desnutrição.

O número de pessoas desnutridas no mundo vem aumentando desde 2015 e retornou aos níveis de 2010–2011. Na publicação O estado da segurança alimentar e nutricional no mundo em 2019, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura informou que, em todo o mundo, o número de pessoas desnutridas aumentou de 777 milhões em 2015 para mais de 820 milhões em 2019. A maioria dessas pessoas vive em países em desenvolvimento.

Nos países desenvolvidos, a desnutrição é geralmente muito menos comum do que a sobrealimentação. Porém, certos quadros clínicos aumentam o risco de apresentar desnutrição. Esses quadros clínicos incluem o seguinte:

  • Ser muito pobre

  • Ser sem-teto

  • Ter transtornos psiquiátricos

  • Estar gravemente doente (o que faz com que a pessoa não consiga comer o suficiente, porque perdeu o apetite ou porque as necessidades nutricionais do seu organismo apresentam-se excessivamente elevadas)

  • Ser jovem (bebês, crianças e adolescentes correm o risco de desnutrição porque estão em crescimento e precisam de mais calorias e nutrientes)

  • Ter mais idade

Cerca de 1 em cada 7 idosos que vivem nas suas próprias casas consome menos de 1.000 calorias por dia, o que não é suficiente para uma nutrição adequada. Até metade dos idosos hospitalizados ou residentes em lares de terceira idade não consome calorias suficientes.

Você sabia que...

  • Aproximadamente um em cada sete idosos que vivem nas suas próprias casas e quase metade dos idosos residentes em lares de terceira idade apresentam desnutrição.

Quando o organismo não recebe calorias suficientes, consome primeiramente sua própria gordura e as usa como calorias, algo semelhante a queimar os móveis para manter a casa quente. Depois que as gorduras armazenadas são usadas, o corpo pode romper seus outros tecidos, como músculos e tecidos de órgãos internos, levando a problemas graves, incluindo a morte.

Desnutrição proteico-energética

A desnutrição proteico-energética (também conhecida como má nutrição proteico-energética) é uma deficiência grave de proteínas e calorias que surge quando a pessoa não consome proteínas e calorias suficientes durante um longo período.

Nos países em desenvolvimento, a desnutrição proteico-energética geralmente ocorre em crianças. Isso contribui para a morte de mais da metade do total de mortes de crianças (por exemplo, aumentando o risco de desenvolver infecções com ameaça à vida e, se surgirem infecções, aumentando a gravidade). Porém, esse distúrbio pode afetar qualquer pessoa, não importa a sua idade, se a ingestão de alimentos for inadequada.

A desnutrição proteico-energética possui duas formas principais:

  • Marasmo

  • Kwashiorkor

Marasmo

O marasmo é uma deficiência grave de calorias e proteínas. A deficiência tende a surgir em lactentes e crianças pequenas. Geralmente, ela causa perda de peso, perda de músculo e gordura e desidratação. A amamentação geralmente protege contra o marasmo.

Kwashiorkor

Kwashiorkor é uma deficiência grave mais de proteínas do que de calorias. Kwashiorkor é menos comum que marasmo. O termo deriva de uma palavra africana que significa “primeiro filho-segundo filho”, já que um primogênito muitas vezes desenvolve Kwashiorkor quando nasce o segundo filho e o afasta do aleitamento materno. Visto que as crianças desenvolvem Kwashiorkor depois de terem sido desmamadas, normalmente, são mais velhas do que as que apresentam marasmo.

O Kwashiorkor tende a ocorrer em determinadas regiões do mundo, onde os alimentos e as refeições nativas destinadas aos bebês desmamados são deficientes em proteínas, ainda que suficientes em calorias e carboidrato. Exemplos de tais alimentos são o inhame, a tapioca, o arroz, as batatas e a banana verde. No entanto, qualquer pessoa pode desenvolver Kwashiorkor, se a sua alimentação for essencialmente composta por carboidratos. As pessoas com Kwashiorkor retêm líquidos, conferindo-lhes um aspecto inchado. Se o Kwashiorkor for grave, o abdômen poderá ficar distendido.

Inanição

A inanição é a manifestação mais extrema da desnutrição proteico-energética. Ela é causada por uma falta parcial ou total de nutrientes essenciais durante um longo período de tempo. Ela geralmente ocorre porque não há alimentos disponíveis (por exemplo, durante uma época de fome), mas ocasionalmente, ela ocorre quando há alimentos disponíveis (por exemplo, quando a pessoa fica de jejum ou tem anorexia nervosa).

Causas

A desnutrição pode surgir como resultado de:

  • Carência de comida

  • Distúrbios ou medicamentos que interferem na ingestão, no processamento (metabolismo) ou na absorção de nutrientes

  • Aumento da necessidade de calorias

A pessoa pode não ter acesso a alimentos porque não tem condições de pagar por eles, não tem uma maneira de chegar ao supermercado ou tem alguma limitação física que as impede de fazer compras. Em algumas partes do mundo, o abastecimento de alimentos é inadequado devido a guerras, secas, enchentes ou outros fatores.

Alguns distúrbios como, por exemplo, distúrbios de má absorção interferem com a absorção de vitaminas e minerais. Uma cirurgia que envolve a retirada de parte do trato digestivo pode ter o mesmo efeito. Alguns distúrbios como, por exemplo, AIDS, câncer ou depressão fazem com que a pessoa perca o apetite e consuma menos alimentos, o que resulta na desnutrição.

O uso de determinados fármacos também pode contribuir com a desnutrição. Os medicamentos podem fazer o seguinte:

  • Redução do apetite: Por exemplo, medicamentos usados no tratamento de hipertensão arterial (como diuréticos), insuficiência cardíaca (como digoxina) ou câncer (como cisplatina).

  • Provocam náuseas, diminuindo o apetite

  • Aceleram o metabolismo (como, por exemplo, a tiroxina e a teofilina) e, com isso, aumentam a necessidade de calorias e nutrientes

  • Interferem com a absorção de determinados nutrientes no intestino

Além disso, a interrupção de certos medicamentos (como os ansiolíticos e os antipsicóticos) ou o consumo de álcool pode levar à perda de peso.

A ingestão excessiva de álcool, que possui calorias, mas baixo valor nutritivo, diminui o apetite. Como o álcool danifica o fígado, pode também interferir na absorção e no uso de nutrientes. O alcoolismo pode causar deficiências de magnésio, zinco e algumas vitaminas, incluindo tiamina.

O hábito de fumo atenua o paladar e o olfato, tornando o alimento menos atraente. O fumo também parece causar outras alterações no corpo que contribuem para um baixo peso corporal. Por exemplo, o fumo estimula o sistema nervoso simpático, que aumenta o uso de energia do corpo.

Alguns problemas de saúde aumentam bastante a necessidade calórica. Elas incluem infecções, ferimentos, glândula tireoide hiperativa (hipertireoidismo), queimaduras extensas e febre prolongada.

Nos idosos, vários fatores, incluindo mudanças no corpo relacionadas à idade, atuam juntos para provocar desnutrição ( Destaque para Idosos: Desnutrição).

Tabela
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Causas da desnutrição

Causa

Exemplos

Carência de comida

Fome

Incapacidade de obter comida (por exemplo, por falta de transporte ou incapacidade física)

Pobreza

Quadros clínicos que limitam a quantidade ou tipo de alimento ingerido

Dietas temáticas

Algumas dietas veganas ou vegetarianas

Restrição voluntária de calorias (dieta rígida de emagrecimento ou jejum)

Quadros clínicos que interferem na ingestão, no metabolismo ou na absorção de nutrientes

Abuso de drogas

Função mental prejudicada como, por exemplo, demência

Doenças inflamatórias intestinais (como doença de Crohn e colite ulcerativa)

Às vezes, cirurgia para promover perda de peso (cirurgia bariátrica)

Medicamentos que interferem na ingestão, no metabolismo ou na absorção de nutrientes

Alguns medicamentos utilizados no tratamento da ansiedade, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, glândula tireoide hipoativa (hipotireoidismo), asma ou câncer

Quadros clínicos que aumentam substancialmente a necessidade de calorias

Exercício físico intenso, como reabilitação ou treino para competições esportivas

Lesões, como queimaduras

Febre alta

Infecções generalizadas ou graves

Crescimento e desenvolvimento de lactentes, crianças e adolescentes

Uma glândula tireoide hiperativa (hipertireoidismo)

Gravidez e amamentação

Cirurgia

Sintomas

O sinal mais óbvio de uma deficiência de calorias é a perda de gordura corporal (tecido adiposo).

Tabela
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Como a inanição afeta o corpo

Área do corpo afetada

Efeitos

Sistema digestivo

Produção reduzida de ácido gástrico

Redução do estômago

Diarreia frequente, geralmente fatal

Sistema cardiovascular (vasos sanguíneos e do coração)

Tamanho reduzido do coração, quantidade reduzida de sangue bombeado, frequência cardíaca reduzida e baixa pressão sanguínea

Por fim, insuficiência cardíaca

Sistema respiratório

Respiração lenta e capacidade pulmonar reduzida

Por fim, insuficiência respiratória

Sistema reprodutivo

Tamanho reduzido de ovários e testículos

Perda de libido

Fim dos períodos menstruais

Sistema nervoso

Apatia e irritabilidade

Nas crianças, às vezes, incapacidade intelectual

Função mental prejudicada, particularmente de idosos

Dormência ou formigamento, particularmente nos pés e nas mãos

Músculos

Tamanho e força muscular reduzidos, prejudicando a habilidade de exercitar e trabalhar

Sangue

Anemia

Metabolismo (processa os usos do corpo, para converter os alimentos em energia ou sintetizando as substâncias necessárias)

Baixa temperatura corporal (hipotermia)

Acúmulo de líquido nos braços, nas pernas e no abdômen

Desaparecimento de gordura

Pele e cabelos

Pele fina, seca e sem elasticidade

Cabelos secos e fracos, que caem com facilidade

Tendência a se machucar com facilidade

Sistema imunológico

Capacidade reduzida de lutar contra as infecções e de reparar feridas

Se a inanição durar cerca de 1 mês, uma pessoa perde aproximadamente um quarto do seu peso corporal. Se a inanição continuar por mais tempo, os adultos podem perder metade de seu peso corporal, e as crianças podem perder ainda mais. Os ossos são observados através da pele e esta torna-se fina, seca, pouco elástica, pálida e fria. A gordura do rosto acaba se perdendo, deixando as bochechas fundas e os olhos fundos. O cabelo fica ressecado, fraco e cai com facilidade.

O desgaste grave do músculo e do tecido adiposo é chamado de caquexia. A caquexia é considerada resultado de produção excessiva de substâncias chamadas citocinas, que são produzidas pelo sistema imunológico em resposta a um distúrbio, como infecção, câncer ou AIDS.

Outros sintomas incluem fadiga, incapacidade de permanecer aquecido, diarreia, perda de apetite, irritabilidade e apatia. Em casos muito graves, a pessoa pode deixar de apresentar resposta (um quadro clínico denominado estupor). As pessoas se sentem fracas e incapazes de fazer atividades normais. Nas mulheres, os períodos menstruais ficam irregulares ou cessam. Se a desnutrição for grave, pode haver retenção de líquido nos braços, nas pernas e no abdômen.

O número de alguns tipos de glóbulos brancos diminui, como acontece com os pacientes com AIDS. Por conseguinte, o sistema imunológico fica debilitado, aumentando o risco de infecção.

Se a deficiência de calorias continuar durante muito tempo, pode-se desenvolver uma insuficiência hepática, cardíaca e/ou respiratória. A inanição total (quando não se consome nenhum alimento) provoca a morte em 8 a 12 semanas.

Crianças que estão gravemente desnutridas podem não crescer normalmente. O desenvolvimento comportamental pode ser acentuadamente lento, e uma incapacidade intelectual leve pode ser desenvolvida, continuando até, pelo menos, a idade escolar. A desnutrição, mesmo quando tratada, pode deixar efeitos a longo prazo nas crianças. Perda de habilidade intelectual e problemas digestivos podem persistir, às vezes por toda a vida.

Com o tratamento, a maioria dos adultos se recupera totalmente.

Diagnóstico

  • Avaliação médica

  • Às vezes, exames de sangue

Geralmente, o médico diagnostica a desnutrição ao fazer perguntas sobre dieta e perda de peso e por meio de um exame físico (ver também Avaliação do estado nutricional). A desnutrição grave e duradoura normalmente pode ser diagnosticada com base na aparência e no histórico da pessoa.

Os médicos também fazem perguntas sobre como as pessoas escolhem e preparam os alimentos, sobre a presença de outros distúrbios, uso de medicamentos, humor e função mental. Eles podem utilizar questionários padronizados para ajudá-los a obter informações relevantes. As respostas a essas perguntas podem ajudar a confirmar o diagnóstico, principalmente quando a desnutrição é menos óbvia, e podem ajudar a identificar a causa. A identificação da causa é particularmente importante nas crianças.

Como parte do exame físico, os médicos fazem o seguinte:

  • Medem a altura e o peso

  • Determinam o índice de massa corporal (IMC)

  • Estimam a quantidade de músculo e gordura no meio da parte superior do braço ao medirem a circunferência do braço e a espessura de uma prega de pele na parte de trás do braço esquerdo (prega cutânea)

  • Verificam a existência de outros sintomas que podem indicar desnutrição (como mudanças na pele e nos cabelos e acúmulo de líquido nos membros ou no abdômen)

O que eles descobrem ajuda a confirmar o diagnóstico e determinar a gravidade da desnutrição.

Exames

As circunstâncias vão dizer se é necessário fazer exames. Por exemplo, se a causa for óbvia e puder ser eliminada, não é necessário fazer exames.

O exame que costuma ser realizado é um exame de sangue para medir a concentração de albumina (que diminui quando a pessoa não consome uma quantidade suficiente de proteína). É possível que os médicos também meçam o número de alguns tipos de leucócitos (que diminuem conforme a desnutrição piora).

Exames de pele podem ser feitos para verificar o funcionamento do sistema imunológico. Uma substância contendo um antígeno (que normalmente dá início a uma reação imunológica) é injetada por via subcutânea. Se ocorrer uma reação em um certo período, o sistema imunológico está funcionamento normalmente. Uma reação com retardo ou nenhuma reação indica que o sistema imunológico está com problema, que pode ser devido à desnutrição.

Se os médicos suspeitarem de deficiência de alguma vitamina ou mineral, exames de sangue são feitos para medir os níveis desses nutrientes.

Se os médicos suspeitarem que a causa é um outro distúrbio, outros testes podem ser feitos para ajudar a identificar a causa. Por exemplo, se as pessoas tiverem diarreia grave ou persistente, apesar do tratamento, os médicos podem analisar uma amostra das fezes e verificar se há micro-organismos que podem causar infecção. Os exames, como exames de urina e raio X do tórax, podem ser feitos para procurar infecções.

Destaque para Idosos: Desnutrição

A desnutrição em idosos é grave, porque aumenta o risco de fraturas, problemas após cirurgias, úlceras de decúbito e infecções. Se algum desses problemas ocorrer, pode ser mais grave em pessoas com desnutrição.

Os idosos correm o risco de ter desnutrição por várias razões:

Mudanças no corpo relacionadas à idade: No corpo de um idoso, a produção de e a sensibilidade aos hormônios (como hormônio do crescimento, insulina e androgênios) mudam. Consequentemente, os idosos perdem tecido muscular (um quadro clínico chamado sarcopenia). Desnutrição e redução da atividade física pioram essa perda. Além disso, a perda de tecido muscular relacionada à idade é responsável por muitas das complicações da desnutrição em idosos, como um maior risco de apresentar infecções.

Os idosos tendem a se sentir satisfeitos com menos alimentos e apresentam perda de apetite. Dessa forma, eles podem comer menos. Eles também podem comer menos porque, com a idade, a habilidade de sentir o sabor e o cheiro diminuem, reduzindo o prazer de ingerir o alimento. A capacidade de absorver alguns nutrientes é reduzida.

Algumas pessoas produzem menos saliva, resultando em problemas dentais e dificuldade para deglutir.

Transtornos: Muitos distúrbios que contribuem para a desnutrição são frequentes entre os idosos:

  • A depressão pode provocar perda de apetite.

  • Um derrame ou tremores podem causar dificuldade para mastigar, deglutir ou preparar alimentos.

  • A artrite ou outras deficiências físicas, que reduzem a habilidade de se movimentar, podem dificultar a compra e o preparo de alimentos.

  • Os distúrbios de má absorção interferem na absorção de nutrientes.

  • O câncer pode diminuir o apetite e aumentar a necessidade de calorias do corpo.

  • A demência pode fazer com que as pessoas se esqueçam de comer ou que percam a capacidade de preparar alimentos e, portanto, percam peso. As pessoas com demência avançada não conseguem alimentar-se por si mesmas e podem resistir a receber alimentos dados por outras pessoas.

  • Problemas odontológicos (como dentaduras mal colocadas ou doença da gengiva) podem dificultar a mastigação e, portanto, a digestão de alimentos.

  • A anorexia nervosa presente por muito tempo pode piorar com um evento na terceira idade, como a morte do(a) parceiro(a) ou medo de envelhecer.

Medicamentos: Muitos dos medicamentos usados no tratamento de distúrbios comuns entre os idosos (como depressão, câncer, insuficiência cardíaca e hipertensão arterial) podem contribuir para a desnutrição. Os medicamentos podem aumentar a necessidade de nutrientes do corpo, mudar como o corpo usa os nutrientes ou diminuir o apetite. Alguns medicamentos apresentam efeitos colaterais que interferem na ingestão, como náuseas, diarreia e constipação intestinal.

Condições de vida: Os idosos que vivem sozinhos podem estar menos motivados a preparar refeições e ingerir alimentos. Eles podem ter problemas financeiros, forçando-os a comprar alimentos baratos e menos nutritivos ou menos alimentos no geral. Eles podem estar fisicamente incapazes ou com medo de sair para comprar alimentos ou podem não ter um meio de transporte até o supermercado.

Os idosos que vivem em instituições apresentem mais obstáculos à nutrição adequada.

  • Eles podem estar confusos e incapazes de dizer quando estão com fome ou o que querem comer.

  • Eles podem não conseguir escolher os alimentos que desejam.

  • Eles podem não conseguir se alimentar sozinhos.

  • Se eles comem devagar, principalmente se precisam ser alimentados por um funcionário da instituição, o funcionário pode não ter ou disponibilizar tempo suficiente para alimentá-los adequadamente.

Os idosos que estão hospitalizados às vezes têm os mesmos problemas.

Prevenção e tratamento: Pode-se motivar os idosos a comer mais e tornar os alimentos mais atraentes. Por exemplo, pode-se servir alimentos preferidos do idoso ou com sabor mais forte, no lugar de alimentos com baixo teor de sal ou gordura.

Os idosos podem estar seguindo dietas especiais (como uma dieta com baixo teor de sal), por causa de alguma doença (como insuficiência renal ou cardíaca). Porém, essas dietas às vezes não são atraentes nem saborosas. Se for esse o caso, as pessoas podem não comer o suficiente. Nesses casos, eles ou os membros de suas famílias devem conversar com o nutricionista ou médico sobre como preparar alimentos com sabor para os idosos e que atendam aos requisitos de suas dietas.

Os idosos que precisam de ajuda no supermercado ou para se alimentar devem receber mais atenção. Por exemplo, eles podem precisar de entrega de refeições em suas casas.

Ocasionalmente, as pessoas recebem um medicamento para estimular seu apetite (como o dronabinol) ou para aumentar seu tecido muscular (como a nandrolona ou testosterona).

A depressão e outros distúrbios, se houver, devem ser tratados. O tratamento desses distúrbios deve remover alguns dos obstáculos para uma boa alimentação.

No caso de idosos vivendo em instituições, tornar a sala de jantar mais atraente e permitir mais tempo para a refeição pode fazer com que comam mais.

Tratamento

  • Alimentação, geralmente por via oral

  • Tratamento da causa

  • Às vezes, alimentação por sonda ou intravenosa

  • Às vezes, medicamentos, no caso de desnutrição grave

Para a maioria das pessoas, o tratamento da desnutrição consiste em um aumento gradual do número de calorias consumidas. A melhor maneira de conseguir isso é consumindo um número elevado de pequenas, mas nutritivas, refeições por dia. Por exemplo, as pessoas que passaram fome recebem primeiramente pequenas quantidades de alimento, com maior frequência (6 a 12 vezes por dia). Depois, a quantidade de alimento aumenta gradualmente. Se as crianças tiverem diarreia, a alimentação deve ser adiada por um dia ou dois, para que a diarreia não se agrave. Durante esse intervalo, as crianças devem receber líquidos.

As pessoas com digestão difícil de alimentos sólidos podem precisar de suplementos líquidos ou de uma dieta líquida. Muitas vezes, os suplementos sem lactose (suplementos baseados em iogurte) são usados, porque muitas pessoas têm dificuldade para digerir a lactose (um açúcar em produtos lácteos), e a desnutrição pode agravar esse problema. Se consumirem alimentos que contenham lactose, geralmente essas pessoas vão ter diarreia.

Suplementos multivitamínicos também são fornecidos para ter certeza de que as pessoas estão recebendo todos os nutrientes de que precisam.

Os distúrbios que podem contribuir para a desnutrição (como as infecções) são tratados. Alguns especialistas recomendam a administração de antibióticos para crianças gravemente desnutridas, mesmo se não houver infecção aparente.

Se a desnutrição for grave, as pessoas podem precisar ser hospitalizadas.

Alimentar as pessoas muito rapidamente após uma desnutrição grave pode provocar complicações, como diarreia e desequilíbrios na água corporal, glicose (um açúcar) e outros nutrientes. Essas complicações são geralmente resolvidas com alimentação desacelerada.

Os nutrientes são administrados por via oral, sempre que possível. Se eles não puderem ser administrados por via oral, os nutrientes podem ser administrados por um dos métodos a seguir:

  • Um tubo inserido no trato digestivo (alimentação por sonda)

  • Um tubo (cateter) inserido na veia (alimentação intravenosa)

Alimentação por sonda

A alimentação por sonda (nutrição enteral) pode ser utilizada para alimentar pessoas cujo trato digestivo funciona normalmente se não conseguirem comer o suficiente para atender às suas necessidades nutricionais (como um paciente com queimaduras graves) ou que não conseguem deglutir (como as pessoas que sofreram um acidente vascular cerebral).

No caso da alimentação por sonda, uma sonda de plástico fina (sonda nasogástrica) é passada pelo nariz até a garganta e desce pela garganta até atingir o estômago ou intestino delgado (um procedimento denominado intubação nasogástrica). Caso seja previsto um longo período de alimentação por sonda, a sonda pode ser diretamente colocada no estômago ou no intestino delgado através de uma pequena incisão na parede abdominal.

A alimentação administrada por um tubo deve conter todos os nutrientes necessários. Soluções especiais, incluindo algumas para pessoas com necessidades específicas (como ingestão limitada de líquidos), estão disponíveis. Ou, alimentos sólidos podem ser processados e inseridos via sonda nasogástrica. A alimentação por sonda pode ser fornecida de forma lenta e contínua ou em uma quantidade maior (chamada bolo alimentar) a cada poucas horas.

A alimentação por sonda é a causa de muitos problemas e alguns são potencialmente mortais:

  • Inalação (aspiração) de alimentos para o interior do pulmão: Em idosos, a aspiração é o problema mais comum provocado pela alimentação por sonda. A aspiração de alimentos pode dar origem à pneumonia. A probabilidade de aspiração do alimento é menor quando a solução é administrada lentamente e a cabeceira da cama fica elevada por 1 a 2 horas após a alimentação por sonda, reduzindo o risco de cuspir o alimento (regurgitação).

  • Diarreia e desconforto abdominal: Mudar a solução ou fornecê-la mais lentamente pode diminuir esses problemas.

  • Irritação dos tecidos: A sonda pode irritar e destruir os tecidos do nariz, da garganta ou do esôfago. Se os tecidos ficarem irritados, a sonda de alimentação geralmente pode ser removida, e a alimentação pode continuar usando um tipo diferente de sonda.

Alimentação intravenosa

A alimentação intravenosa (nutrição parenteral) é utilizada quando o trato digestivo não consegue absorver adequadamente os nutrientes (por exemplo, em pessoas com um distúrbio de má absorção). Esse método também é utilizado quando o trato digestivo precisa ser mantido temporariamente sem alimentos (por exemplo, em pessoas com colite ulcerativa grave ou pancreatite grave).

A alimentação intravenosa pode fornecer uma parte (nutrição parenteral parcial) ou a totalidade das necessidades nutricionais (nutrição parenteral total) de uma pessoa. Visto que a nutrição parenteral total requer um tubo intravenoso maior (cateter), este é introduzido numa veia grande, como a subclávia, localizada sob a clavícula.

A alimentação intravenosa também pode provocar problemas, como os seguintes:

  • Infecção: A infecção é um risco permanente, porque o cateter tende a ficar implantado no mesmo local durante muito tempo e as soluções alimentares que passam através deste têm um alto conteúdo de glicose (açúcar), que promove a proliferação de bactérias. As pessoas que recebem nutrição parenteral total são minuciosamente controladas quanto aos sinais de infecção.

  • Água em excesso (volume excessivo): Fornecer água em excesso pode provocar retenção de líquido nos pulmões, dificultando a respiração. Dessa forma, os médicos monitoram o peso da pessoa e a quantidade de urina expelida regularmente. Às vezes, eles podem reduzir o risco calculando a quantidade de água exigida antes de começar a alimentação.

  • Desequilíbrios e deficiências nutricionais: As deficiências de certas vitaminas e minerais ocorrem raramente. Os médicos verificam regularmente os níveis sanguíneos de minerais dissolvidos (eletrólitos), glicose e ureia (uma medição da função renal) para identificar certos desequilíbrios nutricionais. Dessa forma, eles podem ajustar a solução conforme o caso.

  • Densidade óssea reduzida: A nutrição parenteral total, quando fornecida por mais de 3 meses aproximadamente, provoca redução da densidade óssea em algumas pessoas. A razão é desconhecida, e o melhor tratamento é interromper temporariamente ou permanentemente esse tipo de alimentação.

  • Problemas hepáticos: A nutrição parenteral total pode provocar disfunção hepática, mais comum em lactentes prematuros. Exames de sangue são feitos para monitorar a função hepática. Ajustar a solução pode ser útil.

  • Problemas na vesícula biliar: Cálculos biliares podem surgir. O tratamento envolve ajustar a solução e, se possível, alimentar por via oral ou por sonda de alimentação.

Medicamentos

As pessoas muito desnutridas às vezes recebem medicamentos para aumentar o apetite, como o dronabinol ou o megestrol, ou medicamentos para aumentar a massa muscular, como o hormônio de crescimento ou um esteroide anabolizante (por exemplo, nandrolona ou testosterona).

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