Parada cardíaca e reanimação cardiopulmonar (RCP)

PorShira A. Schlesinger, MD, MPH, Harbor-UCLA Medical Center
Revisado porDiane M. Birnbaumer, MD, David Geffen School of Medicine at UCLA
Revisado/Corrigido: modificado dez. 2024
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A parada cardíaca ocorre quando o coração deixa de bombear sangue e oxigênio para o cérebro e para outros órgãos e tecidos. Às vezes, uma pessoa pode ser reanimada após a parada cardíaca, especialmente se o tratamento for iniciado imediatamente. No entanto, quanto mais tempo se passar sem o bombeamento de sangue para o cérebro, menor será a probabilidade de a pessoa ser reanimada; e, se for reanimada, maior será a probabilidade de ela ter um dano cerebral permanente.

Uma lesão cerebral é provável se a parada cardíaca durar mais de cinco minutos sem a intervenção de primeiros socorros com reanimação cardiopulmonar (RCP), que bombeia sangue oxigenado do coração e pulmões para o cérebro e outros órgãos. Se uma parada cardíaca durar mais de oito minutos sem RCP é provável que a pessoa morra. Portanto, a RCP para parada cardíaca deve ser iniciada o mais rapidamente possível.

A parada cardíaca pode ser causada por qualquer coisa que faça com que o coração pare de bater. Uma causa comum, especialmente em adultos, é um ritmo cardíaco anormal (arritmia). Outra causa possível é parar de respirar (parada respiratória), como quando uma pessoa se afoga ou tem de uma infecção pulmonar grave (pneumonia) ou crise grave de asma.

Uma pessoa que sofre uma parada cardíaca permanece imóvel e não responde a perguntas nem a qualquer estímulo, como sacudidelas. A pessoa pode não estar respirando ou podem ter uma respiração ofegante e irregular, chamada de respiração agonal. Mais de dois terços de todas as paradas cardíacas ocorrem em casa. Portanto, é importante que as pessoas aprendam a reconhecer que um amigo ou familiar não está responsivo e não respira, ou que respira de forma anormal, provavelmente está em parada cardíaca e requer primeiros socorros imediatos (RCP) e serviços médicos de emergência locais.

Tratamento de primeiros socorros para parada cardíaca

As medidas essenciais que devem ser tomadas para aumentar a chance de sobrevivência de uma pessoa são chamadas de cadeia de sobrevivência da parada cardíaca. A cadeia de sobrevivência começa com o reconhecimento da parada cardíaca pelo observador e continua com a ligação para o atendimento de emergência, aplicação da reanimação cardiopulmonar (RCP) e de desfibrilação, quando disponível, e fornecimento de cuidados de alta qualidade pós-parada cardíaca no percurso até o hospital e no hospital. Sem a realização bem-sucedida de cada umas dessas medidas, é improvável que uma pessoa sobreviva.

O reconhecimento e o tratamento da parada cardíaca devem, de modo ideal, ocorrer quase ao mesmo tempo. O socorrista, geralmente um familiar ou amigo, que encontra alguém inconsciente deve primeiro determinar se a pessoa reage, sacudindo a pessoa e perguntando em voz alta “Você está bem?”. Se não obtiver resposta, o socorrista deve posicionar a pessoa de costas e observar, a fim de determinar se a respiração também parou ou se está normal.

Se a pessoa não responder aos estímulos e não estiver respirando ou apresentar uma respiração anormal (por exemplo, estar ofegante), deve-se iniciar uma reanimação de emergência com RCP e chamar o atendimento médico de emergência local (nos EUA, ligar para 911; no Brasil, ligar para 192). Os socorristas não devem tentar verificar a presença de batimentos cardíacos, mas devem começar a reanimação cardiopulmonar assim que possível, já que o risco de realizar compressões no peito de uma pessoa que não está em parada cardíaca é muito menor do que o risco de não fazer compressões no peito quando necessário.

A reanimação cardiopulmonar deve ser iniciada imediatamente por um socorrista, enquanto uma segunda pessoa entra em contato com o atendimento de emergência e busca um desfibrilador externo automático (DEA), se disponível. A reanimação cardiopulmonar não deve ser adiada enquanto o DEA é buscado, e o DEA pode ser usado assim que disponível. Alguns atendentes do atendimento de emergência fornecem instruções por telefone para auxiliar o cuidado direto, inclusive dando instruções de como fazer uma RCP apenas com compressão.

Um DEA pode determinar rapidamente se a pessoa tem um ritmo cardíaco anormal que possa ser tratado por choque elétrico (chamado desfibrilação). Se o DEA detectar um ritmo anormal que possa ser corrigido, ele emite o choque, o que pode fazer com o que o coração comece a bater de novo. Os DEAs são fáceis de usar e estão disponíveis em muitos locais públicos. As instruções de uso por escrito estão disponíveis em cada DEA e devem ser seguidas. A maioria dos DEAs também emitem instruções de voz sobre como usar o DEA. Várias organizações fornecem treinamento para RCP e o uso de DEAs. A realização de treinamentos de atualização periódicos pode ajudar a lembrar os membros da comunidade como realizar uma RCP e usar um DEA, pois os procedimentos podem mudar com o tempo.

A cadeia de sobrevivência

Os elos essenciais da cadeia de sobrevivência consistem em

  • Acesso precoce ao atendimento de emergência: Quanto antes um observador reconhecer que uma parada cardíaca ocorreu, mais rapidamente alguém pode chamar o atendimento médico de emergência e mais rapidamente a equipe chegará ao local para dar o suporte avançado.

  • Reanimação cardiorrespiratória (RCP) precoce: Quanto antes o socorrista começar a RCP (especificamente com compressões no peito), maior a chance de o cérebro e outros órgãos vitais receberem oxigênio suficiente para manter a pessoa com vida até que um desfibrilador externo automático (DEA) possa ser utilizado ou que cuidados médicos mais avançados sejam proporcionados.

  • Desfibrilação precoce: Às vezes, um choque elétrico, denominado desfibrilação, precisa ser administrado para restaurar o ritmo normal do coração. Quanto antes for realizado, melhor.

  • Fornecimento precoce de suporte médico avançado: Quanto antes a equipe de atendimento médico de urgência (emergency medical services, EMS) puder assumir o que o socorrista iniciou, quanto antes a pessoa pode se beneficiar do suporte médico avançado.

As pessoas que são ressuscitadas precisam de monitoramento e tratamento avançados e, por fim, reabilitação e outras medidas para melhorar a recuperação.

Desfibrilador externo automatizado: Impulsionar o coração

Um desfibrilador externo automatizado (DEA) é um dispositivo que pode detectar e corrigir um tipo de arritmia cardíaca chamada fibrilação ventricular. A fibrilação ventricular causa a parada cardíaca.

Os DEAs são fáceis de usar. Muitas organizações oferecem sessões de treinamento sobre o uso de DEAs. A maioria das sessões de treinamento demora somente algumas horas; mas é possível usar um DEA mesmo que você nunca tenha participado de um curso de treinamento. Diferentes DEAs têm instruções ligeiramente diferentes de uso. As instruções estão escritas no DEA, e a maioria dos DEAs também usam instruções de voz para orientar o usuário em cada passo. Os DEAs estão disponíveis em muitos locais públicos, como estádios, aeroportos e casas de show. As pessoas informadas por seu médico da probabilidade de desenvolverem fibrilação ventricular, mas que não têm um desfibrilador implantado, podem desejar comprar um DEA para uso doméstico pelos membros da família, que devem ser treinados para o uso.

Existem 2 métodos de RCP:

Estudos têm mostrado que a RCP apenas por compressão é tão eficaz quanto a RCP padrão para adolescentes e adultos nos primeiros minutos de parada cardíaca. A RCP padrão poderá ser mais eficaz para crianças e bebês e para pessoas cuja parada cardíaca tem causa respiratória, mas apenas se o socorrista tiver sido treinado.

Na televisão e nos filmes, as pessoas que desmaiam por parada cardíaca e recebem a reanimação cardiorrespiratória (RCP) muitas vezes acordam durante ou após a RCP.

Na vida real, é muito menos provável que as pessoas sejam reanimadas pela RCP em si. Em vez disso, a RCP é feita para circular sangue oxigenado dos pulmões para o cérebro e órgãos até que o coração possa ser reiniciado com um desfibrilador, muitas vezes com a ajuda de medicamentos especiais administrados pela equipe de atendimento médico de emergência.

Apenas uma pequena porcentagem das pessoas que sofrem uma parada cardíaca sobreviverá até chegar a um hospital. Mesmo aquelas que chegam ao hospital vivas muitas vezes morrem como resultado do problema cardíaco subjacente. Das pessoas que deixam o hospital, muitas não recuperam sua função mental normal. Os fatores mais importantes que influenciam se a pessoa vai sobreviver a uma parada cardíaca e voltar à vida normal após a alta hospitalar são o início rápido da RCP e da desfibrilação.

Geralmente na televisão ou nos filmes, a RCP é feita em uma pessoa jovem e relativamente saudável, por vezes alguém que sofreu uma lesão séria. Na realidade, a maioria das pessoas que precisam de RCP são adultos de idade mais avançada, que muitas vezes sofrem de muitas doenças subjacentes séria. Estas pessoas têm uma menor probabilidade de êxito após a RCP. Além disso, se a causa de parada cardíaca for uma lesão traumática, a RCP raramente é eficaz.

Na televisão e nos filmes, a pessoa ou morre ou recupera completamente. Na realidade, muitas pessoas que sobrevivem a uma parada cardíaca adquirem incapacidades sérias, como resultado da falta de fluxo sanguíneo para o cérebro.

RCP somente com compressão

A RCP somente com compressão (às vezes chamada de RCP somente com as mãos) envolve a aplicação de compressões torácicas contínuas, sem respiração boca a boca. A RCP somente com compressão é recomendada quando o socorrista não tem treinamento em RCP padrão ou é incapaz ou não está disposto a realizar a respiração boca a boca. Para bebês, crianças e pessoas cuja causa da parada cardíaca pareça ser a interrupção da respiração, como pessoas que se afogaram, a RCP padrão com insuflações de salvamento é preferível. No entanto, se os socorristas não estiverem dispostos ou forem incapazes de realizar a respiração artificial, eles ainda devem realizar a RCP somente com compressão, até mesmo em pessoas para as quais se considerar que a parada cardíaca ocorreu por um problema com a respiração.

Realizar compressões torácicas em um adulto

Para realizar compressões torácicas para reanimação cardiopulmonar (RCP), um socorrista se ajoelha de um lado e, com os braços esticados, inclina-se sobre a pessoa e coloca ambas as mãos, uma sobre a outra, imediatamente acima (cerca de 2 dedos) da parte inferior do esterno (chamado de processo xifoide). O socorrista comprime o peito em pelo menos duas polegadas (cinco centímetros) nos adultos. O peito é comprimido cerca de 100 a 120 vezes por minuto, permitindo que ele se eleve totalmente de volta à altura inicial entre cada compressão.

Realizar compressões torácicas em um bebê

RCP padrão

A RCP padrão para adultos e crianças combina a insuflação de salvamento (reanimação boca a boca para fornecer oxigênio aos pulmões) com compressões torácicas, que forçam o sangue oxigenado a sair do coração e ir até o cérebro e outros órgãos vitais. A RCP padrão para bebês combina a insuflação de salvamento “boca-nariz-boca” com compressões torácicas.

A sequência de RCP começa com 30 compressões torácicas, seguidas por duas respirações de salvamento, e continua em uma proporção de 30:2 até que o socorrista seja substituído pela equipe de emergência. As compressões torácicas podem cansar uma pessoa rapidamente, resultando em compressões muito fracas para circular o sangue de modo eficaz. Assim, se 2 ou mais socorristas estiverem presentes, eles devem revezar a cada dois minutos, ou menos, se o socorrista que está realizando as compressões começar a se sentir cansado.

Para realizar as compressões torácicas de adultos ou crianças, o socorrista deve posicionar a pessoa virada para cima, movendo ao mesmo tempo a cabeça, o corpo e os membros. O socorrista estende seus braços e os mantém retos e “travados” nos cotovelos, inclina-se sobre a pessoa e coloca ambas as mãos, uma sobre a outra, no centro do peito (entre os mamilos, no esterno). Então, o socorrista comprime o peito a uma profundidade de pelo menos duas polegadas (cinco centímetros) em adultos.

Em crianças, o socorrista comprime o peito em aproximadamente duas polegadas (cinco centímetros) e poderá precisar usar somente uma mão para comprimir em uma criança menor.

Caso se trate de um bebê (até 1 ano de idade), o socorrista poderá usar 2 dedos para comprimir o esterno do bebê, logo abaixo dos mamilos, a uma profundidade de aproximadamente 4 centímetros, ou um terço do diâmetro do tórax. Como alternativa, os socorristas treinados podem optar por envolver o peito do bebê com as 2 mãos e fazer compressões com os polegares.

É importante permitir que o tórax se eleve completamente até sua altura inicial antes de iniciar a próxima compressão.

Abrindo as vias respiratórias em um adulto ou uma criança

Depois de fazer 30 compressões, o socorrista inclina a cabeça da pessoa ligeiramente para trás e levanta o queixo, o que moverá a língua, impedindo que ela bloqueie as vias respiratórias. Em seguida, o socorrista deve tapar-lhe o nariz, fazer uma respiração normal, colocar a boca sobre a boca da pessoa e soprar por tempo suficiente para que o peito da pessoa infle um pouco (cerca de um segundo). Isso se repetirá por uma segunda vez, seguida imediatamente por outras 30 compressões.

Para realizar a respiração boca a boca, o socorrista primeiro examina a boca e a garganta em busca de quaisquer objetos visíveis que possam estar bloqueando as vias respiratórias e, se for o caso, remove-os. O socorrista abre então as vias aéreas ao inclinar a cabeça da pessoa e levantar o queixo (consulte a figura ). Havendo suspeita de lesão do pescoço ou da coluna, o socorrista não deve inclinar a cabeça da pessoa. Em vez disso, o ângulo da mandíbula é levantado enquanto a cabeça é mantida em uma posição neutra sem flexionar ou estender o pescoço. A boca do socorrista cobre a boca da pessoa e, então, o socorrista exala ar para os pulmões da pessoa (insuflações de salvamento). As vias respiratórias da pessoa devem permanecer abertas durante a respiração artificial. Para impedir que o ar saia pelo nariz da pessoa pode se apertar o nariz enquanto o socorrista expira para dentro da boca da pessoa (veja a foto ). A respiração artificial feita a crianças e adultos é bastante semelhante.

Para respiração artificial em um bebê, a boca do socorrista cobre a boca e o nariz do bebê. Para prevenir lesões nos pulmões do bebê, que são menores, o socorrista deve expirar com menos força do que com os adultos. Se o peito subir, o socorrista deve realizar 2 insuflações profundas e lentas. Se o peito não se mover com a insuflação de salvamento adequada, é provável que as vias respiratórias do bebê estejam obstruídas, mas a RCP deve continuar. As próprias compressões podem forçar o ar para fora dos pulmões, deslocando o que está bloqueando as vias aéreas do bebê. Sempre que a via aérea se abrir durante a RCP para a aplicação da insuflação de salvamento, o socorrista deve procurar por um corpo estranho na boca do bebê e, caso encontre algum, deve removê-lo.

A RCP padrão pode ser feita por uma pessoa (uma única pessoa realiza a insuflação de salvamento e compressões torácicas alternadamente) ou por 2 pessoas (uma realiza insuflações de salvamento e a outra compressões torácicas). Na RCP padrão, um único socorrista faz 30 compressões e, em seguida, 2 insuflações. Havendo 2 socorristas presentes, quando crianças ou bebês precisarem de RCP, é preferível uma relação de 15:2. Em recém-nascidos, recomenda-se uma proporção de 1 respiração para cada 3 compressões (3:1), totalizando 40 a 60 respirações por minuto. As compressões são feitas a uma frequência de 100 a 120 vezes por minuto em pessoas de todas as idades. A RCP é continuada até a assistência médica chegar ou a pessoa começar a se mover ou respirar por conta própria.

Mais informações

Os seguintes recursos em inglês podem ser úteis. Vale ressaltar que O Manual não é responsável pelo conteúdo desses recursos.

  1. Associação Americana do Coração, reanimação cardiopulmonar (RCP) e suporte cardiovascular de emergência (Emergency Cardiovascular Care, ECC) para primeiros socorros: Esse recurso oferece acesso a cursos de RCP e programas de treinamento, kits com recursos úteis de ensino (incluindo manequins para prática) e informações sobre a ciência da reanimação.

  2. Cruz Vermelha americana, treinamento em reanimação cardiopulmonar (RCP): Esse recurso oferece acesso a cursos de certificação e treinamento on-line em RCP em adultos, RCP somente com as mãos, RCP em crianças e bebês e RCP em animais de estimação; suprimentos e produtos; e um buscador para encontrar sessões de treinamento on-line e ao vivo.

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